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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Cabelos grisalhos fazem falta, afinal...

1. Neste enorme desconchavo em que a política nacional se está vertiginosamente transformando, existe um factor que os muitos milhares de analistas da crise política ao longo das últimas 24 horas não abordaram (que me tenha dado conta): o défice de cabelos grisalhos no panorama dos decisores políticos...
2. Sendo arriscadíssimo avançar nesta altura qualquer balanço sobre as consequências do turbilhão político em que estamos mergulhados – sem prejuízo de reconhecer e lamentar o enorme dano já causado na imagem externa do País – uma conclusão parece evidente em função das diferentes posições já expressas pelos principais protagonistas deste imbróglio (exceptuando, porventura, a do ex- Ministro das Finanças, claramente justificada por não ser legítimo exigir-lhe que protagonize uma política em que não acredita): uma clara falta de bom-senso e de ponderação sobre as consequências das decisões...
3. É certamente muito bonita a exibição de juventude que estes decisores políticos têm conseguido protagonizar; fica-lhes muito bem anunciar que dão início às suas reuniões de trabalho às 08H00/AM e as prolongam por horas intermináveis; fica-lhes muito bem a demonstração de uma enorme resistência física, que lhes permite suportar agendas de trabalho, no País e no estrangeiro, quase sufocantes...
4. ...mas, quando entram em jogos de poder num plano de alta voltagem como tem sucedido nas últimas horas, o excesso de “verdura” vem ao de cima e é susceptível de conduzir ao desastre exactamente pela insuficiência de ponderação e de bom-senso que são apanágio (não exclusivo, certamente) dos portadores de cabelos grisalhos (não de todos, infelizmente)...
5. Espera-se, por isso, que qualquer que venha a ser o arranjo político que, com mais ou menos trabalho de “bate-chapas”, vier a resultar desta convulsão das últimas 24 e das próximas 48 horas, a composição da equipa de decisores políticos que for encontrada possa ser mais bem calibrada, incluindo uma “quota" razoável para cabelos grisalhos...a ver vamos...

5 comentários:

Tonibler disse...

Caro Tavares Moreira,

recordava-lhe que o anterior primeiro ministro tinha uma farta cabeleira grisalha, tal como o seu "reflexo". O ministro Lino, não lhe faltavam as cãs. Oliveira Salazar, Freitas do Amaral, Cunhal e mesmo Anibal Cavaco Silva tinham muito cabelos brancos e precisávamos tanto deles no governo como de um ataque de caspa colectivo.

Temos aquilo que pedimos. E que merecemos e, deixe-me dizer-lhe, que não o conhecendo pessoalmente, a minha admiração pelo primeiro-ministro cresce com a simplicidade da sua acção. Se ele acha que tem razão, porque é que se vai render à outra maluca, não é ele o portador da vontade popular?

Floribundus disse...

portas escancaradas
'sonata e fuga' cobarde
'la solita cagata' no inicio, no meio ou no fim

o povo merdoso que temos também nem esta pocilga politica merece

desculpe os palavrões

Bmonteiro disse...

Estava para começar com um «se fazem falta...» (cabelos grisalhos) em apoio, mas a sagacidade do Tonibler, impede-me de o fazer.
O que idade e experiência me diz há muito, é que bastando frequentemente o senso comum, bastaria por vezes algum bom senso.
Dois anos depois, estão à vista as consequências da cultura juvenil dos pp, perante a cultura jurídica do grande grisalho do regime em Belém.
Problema, é quando com o incêndio à porta, o líder anda a ler a CRP, Constituição da República Popular.

Suzana Toscano disse...

Caro Tavares Moreira, dada a longevidade de que gozam as actuais gerações, fomos adaptando a nossa perspectiva de "juventude" até muito mais tarde do que acontecia há poucas décadas, em que uma pessoa com 40 anos era um adulto na idade madura. O que eu temo é que estejamos a viver uma geração de Peter Pans, o menino que não queria deixar de ser criança...

Tavares Moreira disse...

Caro Tonibler,

Como terá reparado com toda a certeza - a sua perspicácia nada deixa escapar - na referência que fiz à relação entre os cabelos grisalhos, por um lado, e o bom-senso e o sentido de responsabilidade por outro, deixei anotadas algumas reservas...
Os casos que aponta, em especial o primeiro, constituem a prova de que toda a regra tem excepções...
Mas que há um défice de bom-senso por trás dos acontecimentos das últimas horas parece clamorosamente evidente, não obstante concordar consigo no que se refere à postura sempre calma, serena e ponderada do PM...
Como saberá, há muitos mais protagonistas neste exercício de mau gosto...

Caro Floribundus,

Esteja à vonta para "despejar" essa bílis...esta rocambolesca conjuntura política legitima, como poucas, a utilização de uma linguagem brejeira, à portuguesa dura...


Caro BMonteiro,

Arriscando uma pesada admoestação do Tonibler, direi que nesta conjuntura quase louca, o melhor que o PR tem a fazer é mesmo manter a calma e ler atentamente a CRP...ai dele se fosse atrás das vozes insanas ou semi-loucas que o querem empurrar para aventuras de tipo espacial, como sucede com El incorrigível e incendiário Comandante MS (que há muito deveria ter optado pelo camuflado, o fato e a gravat não condizem, mesmo nada, com o discurso)...

Cara Suzana,

Quero crer que não andará muito longe da realidade. Sim senhor, apreciei bastante esse arguto comentário socio-político...