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terça-feira, 9 de julho de 2013

Da crueldade maior

Ao ler a imprensa de hoje lembrei-me de como os tablóides britânicos, sempre ávidos de escândalo, souberam respeitar a progressiva degenerescência física e mental de Margaret Tatcher na fase final da sua vida. Não há muito abandonou as telas um filme que vale justamente por retratar este facto.
Em Portugal, onde a maioria dos profissionais da comunicação social diz desprezar a imprensa sensionalista do Reino Unido, aproveita-se conscientemente o declínio pessoal para explorar à exaustão manifestações não da respeitosa senescência  mas da impiedosa senilidade de figuras públicas, num processo de obnubilação do que foi mais edificante ao longo da sua vida. Senescência é o processo de degeneração física a que todos estamos sujeitos, o declínio natural do corpo e do espírito. Envelhecer não é uma doença. A senilidade, sim, é doença com manifestações psicosomáticas mais ou menos graves, que devem levar a sociedade a respeitar quem padece dela, resguardando a pessoa dos efeitos da exposição pública das suas fragilidades.
Tão grave como a doença das pessoas, é a doença de uma sociedade mediatizada que ao não respeitar a essência do que é mais humano e ao explorar manifestações de senilidade, revela afinal uma crueldade sem nome.
Deus nos dê uma senescência tranquila e nos livre da senilidade. Mas nos liberte também daqueles media que não hesitam em destruir memórias e glórias exibindo fraquezas, escravizados ao negócio da publicidade.

4 comentários:

Tonibler disse...

Quer apontar casos, caro JMFA? Espero que não se esteja a referir a ninguém que esteja a exercer cargos de decisão política, porque seria extremamente perigoso para o país se alguém mentalmente inferiorizado tivesse que tomar decisões importantes para o futuro da república.

Jorge Lucio disse...

Caro Tonibler,
Por uma vez deixe em paz o actual Presidente.
Não sei se o JMFA pensava neste caso, mas para mim é degradante (e lamentavelmente insultuoso para a futura memória que teremos do próprio) o espectáculo diário que as declarações de Mário Soares multi-amplificadas pela imprensa nos dão.

Pinho Cardão disse...

Oportuno e sábio post, caro Ferreira de Almeida.
Acontece que por vezes se acumula o efeito da senilidade com o efeito da doença da dependência da presença na comunicação social.
Como se não bastasse, a doença da falta de critério, da absoluta incultura e da cegueira completa dos directores e editores dos jornais que continuam a aplaudir as fictícias vestes de um sujeito que há muito vai nu.

Tonibler disse...

Caro Jorge Lúcio, essa conclusão é sua, não faça minhas as palavras que não disse. Nem o caro JMFA se referia ao antigo PR, certamente. Até porque esse nunca foi muito bom da cabeça...