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quarta-feira, 20 de abril de 2005

Evidentemente

Estou deliciado pela leitura do último trabalho de António Nóvoa, Evidentemente. Histórias da Educação, recentemente editado pela ASA. A serenidade e distanciamento com que António Nóvoa aborda os problemas da educação em Portugal só é possível pela capacidade de enquadrar os problemas na longa duração e de os libertar das paixões e preconceitos que dominam o debate sobre este nosso "atraso" quase endémico. Uma referência à qualidade dos textos, muito bem escritos e sistematizados. A edição é acompanhada de um CD-ROM que nos proporciona quatro instrumentos de trabalho indispensáveis a quem se interesse pela história da educação em Portugal: Repertório da Imprensa de Educação e Ensino, Dicionário de Educadores Portugueses, Catálogo da Imprensa de Educação e Ensino e a Bibliografia Portuguesa de Educação. Soberbo!

4 comentários:

saltapocinhas disse...

Já ouvi falar,ainda não vi o livro. Mas, assim tão bem recomendado, vou ter de comprar!

saltapocinhas disse...

Já ouvi falar,ainda não vi o livro. Mas, assim tão bem recomendado, vou ter de comprar!

Ademar Santos disse...

Congratulo-me, naturalmente, com a referência elogiosa que faz ao "Evidentemente" e ao António Nóvoa (cuja entrevista ao JL eu também já destaquei no meu blogue).
Mas não posso também deixar de me surpreender com as suas palavras. O António Nóvoa tem, há mais de duas décadas, um "discurso" coerente sobre Educação, que, em inúmeros aspectos, está nos antípodas do seu (que o 4ª República, aliás, tem vindo a reflectir).
Eu sou, desde a juventude, amigo do António e tenho, intelectualmente, apreço por si (apesar da forma como, enquanto Ministro da Educação, geriu o dossier da Escola da Ponte). Mas, francamente, não consigo vislumbrar grandes afinidades entre o seu pensamento sobre a Escola e a Educação e o pensamento do António. Gostava, por isso, e daqui lhe lanço o desafio, que destacasse e aprofundasse essas afinidades...

Com as mais cordiais saudações do
Ademar Santos

David Justino disse...

Meu caro Ademar Santos quero agradecer, antes de mais, o seu comentário e a expressão do seu apreço intelectual. O que me liga ao António Nóvoa? Poderia invocar a amizade, desde a infância, ou o mesmo gosto pela história, enquanto maneira de pensar os problemas sociais e humanos. Mas não é isso que é importante para o caso. Acima de tudo, destaco a seriedade e rigor científico dos seus trabalhos, a forma como consagrou entre nós um domínio do conhecimento sobre a educação, a tal coerência com que assume o seu papel de investigador. Não sei se o Nóvoa é sensível a rótulos, "correntes de pensamento" a que muitos ficam agrilhoados ou a "paradigmas" educacionais. Eu não o sou, facto que me liberta para poder compreender, aceitando ou não, as opções que os grandes debates sobre educação permitem identificar. Há muito no trabalho e no pensamento de António Nóvoa que eu subscrevo, muito haverá de que poderei poderei divergir. A minha preocupação intelectual não é a de me fechar sobre as minhas convicções. Pelo contrário, sempre me orientei por algum ecleticismo teórico, quer no domínio da história quer no das restantes ciências sociais e humanas.
Por tudo isto não estranhe o meu comentário ao "Evidentemente". É um comentário justo, objectivo e tanto quanto possível honesto, valor que sempre me orienta quer na minha ética científica quer política. Se para alguns isso puder ser estranho e contraditório, ainda mais feliz fico: obriga-me a pensar, actividade que me proporciona um irresistível sentido de liberdade.
Sobre a Escola da Ponte, um dia poderemos falar com tempo. Não se esqueça que fui dos primeiros a sugerir um contrato de autonomia e fico contente que tenha sido o primeiro a ser assinado com o ME.
Os melhores cumprimentos.