Número total de visualizações de páginas

sábado, 16 de abril de 2005

Razão e Emoção II

Continuando no tema.
Os Descobrimentos portugueses foram uma das maiores inovações da humanidade e alteraram radicalmente o seu destino.
Aí estiveram presentes a razão, dada pelo conhecimento das cartas geográficas e pelas investigações realizadas, de D. Henrique a D. João II, mas também a emoção, presente no espírito visionário dos reis de Portugal.
A razão e a emoção andam juntas na vida de todos nós.
Por isso, a religião é tão natural ao homem, já que nela confluem razão e emoção: a razão da existência de uma causa e de um fim para o homem e para o universo, e a emoção dos mistérios, em que se acredita, para além de qualquer explicação racional.
Voltando ao Congresso do PSD, onde tanto se falou de razão e de emoção.
Para poderem executar as suas políticas, os Partidos têm como objectivo ganhar eleições.
Para ganhar eleições, a razão tem que estar presente, na análise do passado, na projecção do futuro e na formulação das medidas que podem assegurar o nosso destino colectivo.
Mas a razão não basta:não é a explicação racional da necessidade do Pacto de Estabilidade ou da evolução da Despesa Pública ou dos Hospitais SA, ou a fixação de um objectivo de défice que fazem ganhar ou perder eleições.
É que um objectivo de défice de 2% ou 6%, maior ou menor, não emociona ninguém!...
É um objectivo necessário, mas não é suficiente, porque o que, verdadeiramente, faz ganhar ou perder eleições, para além da solidez do que se propõe, é a afectividade da mensagem e a emoção que ela gera no coração das populações.
Para isso tem muita importância o leader.
Concedo que, com esta teoria, o Eng. José Sócrates nunca poderia ganhar uma eleição.
Podia e ganhou, porque do outro lado não esteve, nunca, emoção; esteve apenas a ideia simplista de que a mera intuição de um leader seria suficiente para vencer.
O que é, de facto, muito pouco!...

2 comentários:

NeuroGlider disse...

Tenho imensa pena mas a religião não é uma necessidade humana. Deriva sim de um particularidade humana: a nossa natureza de animais gregários. Temos de compreender que as religiões são acima de tudo codigos de conduta em sociedade. Os deuses que dãí advêm fazem apenas parte da embalagem para fazer os crentes seguir essa doutrina de comportamento em grupo.

Pinho Cardão disse...

Caro Neuroglider:
Não contesto a sua opinião: tem todo o direito a ela.
Mas partiu de uma premissa errada: é que eu não afirmei que a religião é uma necessidade humana.
Apenas referi uma razão pela qual a religião,qualquer religião,pelo que contém de razão e de emoção, é tão natural ao homem.
A partir daí, uns valoram algumas razões e são agnósticos ou ateus.
Outros valoram outras razões e são crentes, não explicando, porque não explicáveis,as emoções dos mistérios.
E todos coexistimos!...