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quinta-feira, 14 de abril de 2005

“L´Ile de Gorée”

“L´Ile de Gorée”

La lune qui se lève

Sur l'île de Gorée
C'est la même lune qui
Sur tout le monde se lève

Mais la lune de Gorée
A une couleur profonde
Qui n’existe pas du tout
Dans d’autres parts du monde
C’est la lune des esclaves
La lune de la douleur

Mais la peau qui se trouve
Sur les corps de Gorée
C’est la même peau qui couvre
Tous les hommes du monde

Mais la peau des esclaves
A une douleur profonde
Qui n’existe pas du tout
Chez d'autres hommes du monde
C'est la peau des esclaves
Un drapeau de Liberté

(Gilberto Gil)

Numa viagem que fiz há alguns anos a Angola, tive oportunidade de visitar o local onde os escravos aguardavam o embarque nos navios negreiros. O museu, modesto, provocou-me uma sensação de sofrimento que, ainda hoje, não consigo esquecer. No fundo, a expressão mais iníqua do comportamento humano é negar direitos a outros seres humanos. O velho negro pediu-me para escrever no livro uma mensagem e fi-lo com muita emoção e dor.
Hoje, li a notícia sobre a viagem de Lula ao Senegal. Na passagem pela Ilha de Gorée pediu “perdão pelo que fizemos aos negros”. Comparou a dor da escravidão à dor do cálculo renal. “Não adianta contar, só sentindo”. De facto, quem já sofreu de cólica renal sabe do que estou a falar e também sabe do “prazer” do alívio. Também foi um enorme alívio a abolição da escravatura acompanhada de uma sensação de prazer.
Mas há outras formas de dores, não tão intensas, mas quase constantes, tipo dores reumáticas, limitando e dificultando o dia a dia. E, há também novas formas de “escravatura”, tipificadas na ausência de direitos de muitos trabalhadores que procuram o nosso país, explorados e muitas vezes não respeitados. Não sei se algum dia aparecerá alguém a pedir “desculpa”, mas nos seus países de origem haverá sempre alguém a recordá-los como heróis.

4 comentários:

NeuroGlider disse...

Não podemos é fomentar os novos tipos de escravidão. Nomeadamente a escravidão económica exercida através do crédito para se adquirir habitação. Isto é um direito fundamental de qualquer ser humano que em Portugal é negado e em que se obriga a viver a vida toda para se pagar uma casa que não é só logo á partida desproporcionalmente cara mas também se paga várias vezes com durante o tempo do empréstimo.

/b/ disse...

Qual emplastro, vou aproveitar este espaço para fazer publicidade a uma iniciativa que decorre neste momento no Notas Várias (http//notasvarias.blogspot.com)

A 10 dias de se celebrar oficialmente o 25 de Abril, o Notas Várias vem propor a todos os seus leitores, de todos os quadrantes políticos, que connosco colaborem na discussão que vamos ter sobre a Revolução dos Cravos, enviando um texto da sua autoria para o e-mail notasvarias@gmail.com. Os autores poderão assinar com o seu nome ou pseudónimo, bem como indicar - caso tenham e queiram vê-lo associado ao texto - o seu website ou blog.

Sem querer limitar o âmbito dos artigos, ficam aqui algumas ideias:

- O que mudou verdadeiramente com a Revolução de Abril?
- 25 de Abril ou 25 de Novembro?
- "Abril não se cumpriu"?
- Vale a pena celebrar hoje o 25 de Abril?
- A direita portuguesa mudou com a Revolução?
- O 25 de Abril ainda marca a forma como os portugueses olham para a política?

Os textos devem ser enviados, de preferência, até 23 de Abril.

Mais informações em http://notasvarias.blogspot.com/2005/04/25-de-abril-discusso-aberta.html

Muito obrigado.

Pinho Cardão disse...

Caro Professor:
Com que prazer lhe dou as boas-vindas!...
Estava com saudades suas: do seu convívio, das suas graças, da sua boa disposição, do seu humor, da sua amizade...das suas consultas!...
Ainda toma medicamentos sem receita médica, como da última vez em que o apanhei em tal desatino?

Massano Cardoso disse...

Meu caro amigo. O prazer é todo meu. Também sinto falta dos seus comentários bastante esclarecedores. Afinal continuamos na mesma bancada...