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sexta-feira, 29 de junho de 2012

O Ministro da Economia viveu muitos anos afastado de Portugal

O noticiário tem hoje o contributo da suprema ingenuidade do senhor ministro da economia. Rezam as crónicas, confirmadas pelas imagens exibidas pelas TV, que o Doutor Alvaro Santos Pereira foi insultado por "manifestantes" em algazarra, a quem se dirigiu com o intuito de - image-se! - dialogar! Espanta como é que o senhor ministro não sabe que não há diálogo possível com arruaceiros e que a atitude com que foi confrontado logo que saiu do local onde se encontrava, fazia ver ao mais cego dos cegos que aquela gente não estava ali para dialogar ou manifestar mas para o vilipendiar. Espanta mais que, não saltando aos olhos do ministro esta evidência, não exista no seu staff uma alminha mais sensível que demonstrasse sabê-lo.
E já que estamos a falar de ingenuidades, pergunta a minha: onde parava, àquela hora, a polícia?

14 comentários:

Jorge Lucio disse...

"noutro tempo, noutro lugar" talvez Mário Soares tenha ganho as presidenciais porque "apanhou umas quantas" na Marinha Grande.

E ainda recentemente, Passos Coelho foi elogiado porque foi falar com manifestantes.

Se calhar o azar do Ministro foi ter apanhado com "agitadores" mais profissionais...

JM Ferreira de Almeida disse...

Bom, essa é outra perspetiva na qual não tinha pensado: pensará o ministro e quem o acompanha "quanto mais me batem mais gostam de mim" e vai de provocar?

Jorge Lucio disse...

Não queria ir tão longe... coitado do "Álvaro" que tudo lhe acontece...

Rui Fonseca disse...

Não sei se poderia ser de outro modo.

Quando há uns tempos atrás o PR, quando se dirigia para uma visita à Escola António Arroio, deu meia volta e faltou à chamada, por recomendação da segurança que considerou de risco o ambiente que se observava na AA, foi criticado de alto a baixo. No caso de hoje na Covilhã, se o ministro tivesse ignorado os manifestantes e metesse o rabo no carro protegido pelos casse-têtes da polícia, o que diriam a estas horas os media?

Catarina disse...

O senhor ministro da economia, mais tarde ou mais cedo, ainda vai deixar as “politiquices” e regressar a terras canadianas onde ainda se pode dialogar com civismo.

Freire de Andrade disse...

Concordo com Rui Fonseca. Mesmo que os manifestantes sejam poucos, como eram, mesmo que exaltados, como estavam, só ficou bem ao ministro tentar dialogar. Claro que isto é válido só até certo ponto. Se tivesse saído do carro para dialogar com o sindicalista que saltou para cima do carro, já seria um tremendo disparate. Tudo tem limites, e este sindicalista ultrapassou os limites do razoável, pelo que não mereceria qualquer esforço de diálogo.

JM Ferreira de Almeida disse...

Com o devido respeito discordo. Um membro do governo não pode ser sujeito ao vilipendio. E muito menos colocar-se nessa situação. É a imagem do Estado, mais do que a pessoa do ministro que está em causa.

Zuricher disse...

Cá me parece que este tal Álvaro nunca percebeu bem isso de "imagem do Estado". Falta-lhe saber estar. É, aliás, precisamente por isso que nunca, de todo, usei a palavra "ministro" para referir-me a ele. Uso sempre "tal Álvaro".

Catarina disse...

Talvez não deva fazer um comentário a um comentário. Peço, antecipadamente, as minhas desculpas. Porém, acho que, independentemente de gostarmos ou não, de aceitarmos ou não o comportamento “ingénuo” do ministro da economia, ele merece todo o respeito na forma de tratamento. Chamá-lo de “tal Álvaro” ou saltar para cima do carro não há assim uma diferença tão grande.

Tonibler disse...

Um ministro não pode ser sujeito ao vilipendio, caro JMFA? E por causa da imagem do estado?

Não só pode, como deve! Aquelas pessoas pagam-lhe o ordenado e são os patrões dele. Ouve, e ouve, as vezes que forem precisas nos termos que os patrões entenderem ou puderem. Esteve muito bem o ministro em ouvir as pessoas, mostrou estar muito acima da vulgar ética republicana que domina o estado português e mostrou estar ali para servir um soberano, que não é o estado.

Não é fácil? Se fosse não era para ele, era para mim.

JM Ferreira de Almeida disse...

Meu caro Tonibler, estou em absoluto desacordo consigo. É claro que os ministros devem prestar contas. Mas não prestam contas a arruaceiros que ali não vieram pedi-las mas insultar e vilipendiar o ministro. Ou o meu caro acha que o salário que o ministro recebe das "pessoas" dá a estas o direito de chamar "filho da puta" ou "cabrão" a quem, em funções representa a comunidade? Não, meu caro, há princípios elementares que não podem ser postos em causa. Um membro do governo deve ser o primeiro a tê-los presentes e não se colocar ou deixar colocar em situações que possam por em causa não só a sua honorabilidade ou o respeito que lhe é devido, mas o prestígio de quem representa.

Tonibler disse...

Esta conversa levava-nos muito mais longe e não iremos concordar nunca. Mas "filho da puta" ou "cabrão" são formas muito mais honestas de se dirigir a um ministro que a forma como os deputados o fazem. Chamar isso a um ministro não tem significado nenhum, tirando mostrar a frustração de quem o faz e não tem outra forma de o fazer porque a sua educação foi essa. Ao contrário do Louçã, que do seu PhD, faz apelos ao ódio, chamando ladrão ao ministro por elegantes e fugidias expressões que, em caso de emergência podem ser interpretadas de outra forma. Já ouviu o Louçã a chamar directamente ladrão a um ministro, caro JMFA?? E indirectamente?? É que quem lhe chamou fdp estava a iniciar um diálogo de forma assertiva, mas não estava a ofender. A mãe do ministro não deve corresponder às palavras do sujeito.

JM Ferreira de Almeida disse...

SIm, jamais iríamos concordar...

Pinho Cardão disse...

Caro Ferreira de Almeida:
Onde estava a polícia, pergunta.
Claro que qualquer polícia com um mínimo de inteligência não intervém em casos destes. Porque, se não intervier, nada lhe acontecerá. Mas, se intervier, e da sua acção resultar alguma nódoa negra num manifestante, vai logo ser objecto de inquérito da própria polícia, do Ministério da Administração Interna, da Inter, dos jornais, etc, etc.
Além do mais, se o polícia rasgar a farda na acção, ainda tem que a pagar.