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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Esperança de vida e pensões...

Boas e más notícias. Primeiro as boas notícias: a esperança de vida continua a aumentar. O Instituto Nacional de Estatística publicou recentemente valores actualizados da esperança de vida. À nascença subiu para 82,30 anos para as mulheres e 76,43 anos para os homens. As mulheres vivem mais tempo que os homens, esta tendência mantem-se.
Agora as más notícias: as pensões de reforma atribuídas em 2012 vão sofrer uma penalização de 3,29%. A culpa é do “factor de sustentabilidade”, cuja função é ajudar a sustentabilidade dos sistemas de pensões, reduzindo o valor da reforma em função da esperança de vida. Para evitar esta redução é preciso trabalhar mais, o necessário para compensar o ganho de esperança de vida. O tempo de trabalho adicional que é necessário para neutralizar a penalização varia consoante o número de anos de carreira contributiva. Por exemplo, quem tenha 15 a 24 anos de descontos terá que trabalhar cerca de mais um ano, quem tenha mais de 40 anos de descontos terá que trabalhar cerca de mais quatro meses. As penalizações e mais anos de trabalho tenderão a agravar-se à medida que ao longo dos anos futuros se registem mais ganhos de esperança de vida.
O factor de sustentabilidade vai afectar em particular as gerações mais novas que perante a degradação do valor das reformas que pode atingir os dois dígitos serão obrigadas a adiar o momento da reforma, trabalhando mais anos. É este o caminho. A penalização deixará de ser uma opção.
Desde 2008, data em que o factor de sustentabilidade foi instituído, os dados revelam que as pessoas têm optado pelas penalizações em lugar de as compensarem com mais tempo de trabalho. A este comportamento juntou-se também a procura significativa pela reforma antecipada, apesar das gravosas penalizações aplicadas.
Com as reformas antecipadas congeladas e o agravamento gradual do efeito do factor de sustentabilidade a tendência está traçada, trabalhar mais anos. Não tem que ser necessariamente mau. Viver mais será a compensação...

4 comentários:

Suzana Toscano disse...

Margarida, teremos que distribuir o mesmo rendimento por mais anos, o melhor é começar a poupar a tempo de se conseguir fazer essa gestão, isto, claro, admitindo que os impostos não se encarregam de baralhar qualquer planeamento.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Suzana
Fracos crescimentos económicos, austeridade dos impostos, baixos salários, precariedade do emprego e desemprego são factores que vão degradar o valor das pensões. Nestas circunstâncias a poupança, sendo absolutamente necessária, será muito difícil para as pessoas mais penalizadas por aqueles factores. O risco de o fenómeno da "velhice pobre" se acentuar é grande. Trabalhar mais anos é inevitável.

(c) P.A.S. Pedro Almeida Sande disse...

Cara Margarida

Trabalhar mais anos é inevitável. É de facto. Para quem pode e quem tem. Que não são todos!

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Pedro Almeida Sande
O que quer significar com "Para quem ... tem"?