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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Do not disturb



Este belissimo quadro de Victor De La Fuente, agora exposto na AllartsGallery, chama-se "Donde sueña la luna" e chamou-me a atenção o absurdo de uma tabuleta, em primeiro plano, a dizer "do not disturb", o interdito dirigido a coisa nenhuma, impondo um traço de autoridade onde ele é manifestamente inútil e desajustado. Aquela tabuleta destina-se a proteger o quê? o sono da lua, assim contraposto à liberdade humana de avançar, de agir, de gritar? Quantas e quantas proibições se destinam apenas a proteger o "sonho da lua", sem medir o que coartam pelo caminho? Aqui deixo, à imaginação dos leitores, o desafio de outras interpretações ou, simplesmente, o prazer de olhar um dos quadros deste pintor espanhol que suscitou logo a minha curiosidade.

4 comentários:

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Suzana
É uma exposição que quero ver.
Será que a dita tabuleta chama a atenção para o perigo de olhar o precipício? É que nos tempos que correm os precipícios que nos cercam não querem ser incomodados!

Bartolomeu disse...

Sem dúvida, o cenário pintado por Victor De La Fuente (será este pintor um parente afastado da nossa Maria da Fonte? Ou... quiça de Leanor, a protagonista de um poema de Camões... aquela que ía descalça para a fonte, fermosa e não segura, transportando à cabeça o pote, nas mãos o testo ... de prata... ou seriam as mãos da moça tão níveas que o poeta as tivesse confundido como precioso metal?!) convida as imaginações mais férteis a manifestar-se.
Acredito que aquela tabuleta, cumpre no cenário, um propósito específico, que não me parece seja o de proibir, mas sim, o de convidar. Convidar a sonhar juntamente, a acompanhar os sonhos dos que sonham; dado que, a frase começa com uma afirmação "do"...
;)

jotaC disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
jotaC disse...

"Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam". Platão

Dá que pensar, não dá? Até podemos ser governados por aqueles que fazem o culto da sua própria vaidade, esquecendo-se eles que têm, apenas, uma pequena parte da razão...