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domingo, 8 de abril de 2012

Judas

Um frio de rachar. À beira da ribeira é ainda pior. Gostei do espetáculo, do concerto musical e do "julgamento da maçã". Desta vez o Judas empunhava uma maçã, o símbolo da tentação. Foi julgada e condenada ao fogo. Disseram tanto mal da maçã. Indecentes! A minha fruta preferida. Coitado do Judas. Apanharam-no com a maçã, tramou-se. Não disse um ai. Gostei do espetáculo, gostei do sabor do calor. Olhei a lua cheia a coroar o auto de fé. Foi divertido? Foi. Mas obrigou-me a pensar noutros autos de fé, em que o cheiro seria muito diferente, cheiro a carne humana assada. Tentei afastar este pensamento, não consegui. A lua era a mesma de outros tempos. Ela viu, e eu imaginei, outras judiarias...
Afinal quem foi o Judas?

3 comentários:

Catarina disse...

Imaginei – assim que comecei a ler este texto – o aroma das tartes de maçã que os supermercados utilizam nas suas práticas de marketing para induzir o cliente despercebido a comprar aquilo que não tinha planeado qual canto de sereia que atrai o marinheiro incauto.
Continuei a leitura. Agora quem também não consegue afastar esse outro pensamento, sou eu!

Margarida disse...

Passos Coelho..... quem mais poderia ser o judas do século 21 português, vestido com pele de cordeiro como convém na Páscoa... Eh Eh Eh
Eu acho o máximo esse senhor e nós merecemos. I´ts un injustice it is

Suzana Toscano disse...

Lembrou-me a peça de Luis Stau Monteiro, "Felizmente há Luar", que acaba também com uma fogueira, que uns entendiam que serviria para atemorizar e outros que serviria para iluminar a raiva e a revolta contra as injustiças.