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terça-feira, 3 de abril de 2012

A guerra das Malvinas foi há 30 anos

Há 30 anos, a surpreendente Guerra das Malvinas custou a vida a quase mil pessoas dos dois paises envolvidos. Hoje, foi notícia que as comemorações dessa guerra deu vários incidentes na Argentina, com a Presidente a apelar ao “fim das colónias” e a algumas declarações de inflamado patriotismo em Inglaterra. Parece também que há provas de que há petróleo naquela zona.

13 comentários:

JM Ferreira de Almeida disse...

Parece que sim. Embora muito lentamente, assiste-se ao arrefecer da guerra no medio oriente. Têm razão os que chamam a atenção de que a fundamentar quase todas as guerras - mesmo aquelas que se fazem em nome de valores religiosos - está a disputa pelas fontes de recursos. Vamos voltar a ter a prova com as Malvinas?

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Suzana
Até parece que foi ontem! Já passarm 30 anos, o tempo passa a correr, é um pouco assustador.
O tempo passa, mas as guerras pelos recursos naturais não passam. Vai ser sempre assim.

Joao Jardine disse...

Cara Suzana Toscano
Senão fosse a "ligeireza" com que aborda o tema, nem comentaria.
Recordo-lhe que, para começar, a invasão foi a fuga para a frente de uma junta militar nazificoide e antisemita, responsável por algumas das maiores barbaridades da IIª metade do sec XX; as mães da praça de maio estão lá para isso, bem como as condenações recentes;
Segue-se o "pequeno" facto que, esta acção, veio demonstrar que nem todo o Ocidente estava caduco e preferia as pantufas ao desconforto dos campos de batalha.É verdade que os argentinos tentaram matar o pai e perceberam que, por detrás das declarações de apoio, ninguém do continente gosta, realmente, deles.
Segue-se que na época nem sequer estava pensado ser possível, existir petróleo economicamente viável; os motivos que levaram o Reino Unido ao conflito foram os princípios, ao passo que, para a junta, foi uma montanha de equívocos.
Por último, "Malvinas" é a tradução do françês Malouines (naturais de St Malo) o que torna a designação usadas pelos argentinos igual de caricata, sendo certo que Falkland é anterior....
Cumprimentos
joão

Pinho Cardão disse...

A informação move-se por slogans: ainda hoje, e também ontem, já por umas três vezes ouvi Malvinas e petróleo. O petróleo é a explicação fácil para tudo. Mas facto certo é que a decisão de Tatcher nada teve a ver com petróleo, mas com soberania.

just-in-time disse...

E a motivação do Governo argentino nessa época teve a ver com o caos interno e a necessidade de encontrar um inimigo externo que distraísse desse caos e criasse unidade interna. É precisa muita atenção a esses escapes e à forma como às vezes aparecem borbulhas onde menos se espera.

JM Ferreira de Almeida disse...

Manifestamente não entenderam o post de Suzana. Acontece...

Suzana Toscano disse...

De facto, caro joão jardine, ou eu não percebi o seu comentário ou realmente não me fiz entender. Passaram-se 30 anos sem que se ouvisse falar nas Malvinas, e agora de repente arma-se uma grande discussão sobre o tema? É como diz o Ferreira de Almeida, e refere também o just-in-time, o contexto mudou, e muito.

Joao Jardine disse...

Cara Susana Toscano

Pedindo desculpa pela má interpretação do seu post, terei, ainda assim, de discordar da concluão do seu comentário.
Na verdade, o contexto na Argentina de hoje é semelhante ao de há trinta anos.
O atual regime encontra-se num beco sem saída e após, a eleição da Senhora, demonstrou que nem sequer tem mecanismos de renovação.
( Se não se desse o facto do marido e anterior presidente ter, inopinadamente, morrido, e a Argentina seria o primeiro estado com um governo, em alternância é certo, de uma família; o segundo é, com as necessárias adaptações a Rússia.)
As Falkland voltam a ser o leitmotiv para congregar os argentinos em torno de uma causa que tem de ser externa, porque internamente estão bloqueados.
Petróleo e derivados são elementos de distracção para o problema de fundo da sociedade: não tem saídas. O que significa que, mesmo sem petróleo, teríamos o mesmo folhetim.
Cumprimentos
joão

Zuricher disse...

Caros Amigos, este post da Suzana dá-me ensejo a fazer uma pergunta que, parece-me, ainda que não directamente mas sim colateralmente dado o petroleo ter vindo à liça, é aplicavel. E esta pergunta é muito simplesmente esta: vivemos numa sociedade que precisa de energia e sabemos que essa energia não pode ser demasiado cara sob pena de o nosso nivel de vida cair assustadoramente e retroceder várias décadas. Assim, e aceitando a teoria conspirativa presente em todos os conflitos dos últimos anos como verdadeira (não quer dizer que eu a aceite mas apenas que a considere de forma académica para esta pergunta) até que ponto é ou não legítima uma guerra pelo controlo do petroleo e para garantir o nosso acesso a ele a preços aceitaveis para o nosso modus vivendi?

É algo sobre que reflito há uns anos...

JM Ferreira de Almeida disse...

Facto: em 2010 foi descoberto um poço de petróleo nas Maldivas com uma produção estimada de 500 milhões de barris.
O comentário de Zuricher levanta uma questão muito interessante, que creio que será tema de discussão à medida em que nos aproximamos ou tomamos consciência de que já ultrapassámos o ponto de consumo dos 50% das reservas mundiais de petroleo e gaz. E nesse debate, a propósito justamente do problema da legitimidade dos conflitos pelo controlo das fontes de recursos passará pela doutrina dominante quanto ao princípio da equidade na atribuição ou reconhecimento de direitos de acesso. Aliás, é tema que toca na essência do direito internacional público como é novo conceito de soberania.

Suzana Toscano disse...

Caro Jardine, duvido que sem a questão do petroleo a Presidente tivesse ambiente para novo desafio, creio que os argentinos estariam muito mais interessados em continuar a recuperar a sua economia do que em gastar o que têm numa nova aventura, mas se calhar nunca saberemos.
Caro zuricher, o petróleo, ou a água ou o que seja necessário garantir o acesso para a sobrevivência dos povos, serão sempre bons motivos para guerras, se falhar a política internacional e as belas construções supranacionais que fomos construindo para garantir mais poder para os defender ou para lhes aceder. A Europa progrediu no século em que teve acesso barato às matérias primas, a geopolítica é hoje muito diferente e bastante imprevisível a sua evolução mas o que parece certo é que esse acesso é hoje cada vez mais caro e difícil.

Joao Jardine disse...

Cara Suzana Toscano
Apenas para mencionar que, na segunda metade da década de 60 e na década de 70 do século passado, a Argentina, manteve um aceso "diálogo" com oChile; em 1978 quase que levou a um confronto militar; tudo tinha que ver com o controle de um par de ilhas no canal de Beagle.
As ilhas, tal como as Falkland nunca foram possessão da Argentina, mas isso nunca foi impedimento.
Existem elementos que permitem fundamentar a ideia que existe um comportamento recorrente; os motivos próximos podem mudar, mas são, exatamente isso, cortinas de fumo.
Cumprimentos
joão

just-in-time disse...

Aqui vai um post regional de há 2 anos e tal em "Outras palavras"
http://www.outraspalavras.net/2010/02/19/os-ingleses-querem-o-petroleo-das-malvinas/