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sábado, 27 de outubro de 2012

"Idosa escondeu ao hospital que tinha sido agredida para não pagar 108 euros de taxa"

Há certas coisas que me incomodam, a ser verdade, claro. Esta notícia é perturbadora e revela o estado a que chegámos. Mesmo que na prática a vítima não pague, não deixa de ser confrontada com a angústia e o terror de ser espoliada pelas instituições. É bom que se definem as regras, é bom não ameaçar os cidadãos, é melhor ter juízo senhores altos responsáveis e funcionários.

8 comentários:

Tonibler disse...

Parece-me na onda do 'pedem demais para o que pagam...' deve ser por isto que os funcionários públicos não são sujeitos a esta besuntice de serviços públicos de saúde.

Stoudemire disse...

Como não? Tu sabes do que falas?

Jorge Lucio disse...

Tonibler,
Eu já desisti de perceber a lógica dos seus raciocínios.
Mas como a minha esposa foi funcionária pública durante 20 anos, explique-me lá onde são essse hospitas especiais, que nunca tivemos conhecimento dos mesmos.

Bartolomeu disse...

Caro Jorge Lucio, o nosso amigo Tonibler tem alguma razão no que diz.
E digo alguma, porque se tiverem alguma margem de recursos económicos, podem optar pelos serviços de hospitais privados com acordo com a ADSE.
Em Lisboa, a sua esposa poderá optar, em caso de necessidade, pelo Hospital Lusíadas, pelo da Luz, pelo da Cruz Vermelha, pelo CUF, tanto em situações de urgência como de consultas de especialidade e até de intervenções cirurgicas.
Por exemplo, a minha mãe operou uma catarata no Lusíadas, pagou cerca de 200€ e foi atendida e assistida por profissionais competentes, sempre atentos e preocupados. Recorreu também a uma urgência, onde para além do atendimento médico, foi sujeita a uma TAC e a um ECG. Dentro do Hospital deslocou-se sempre entre os vários serviços, acompanhada por uma auxiliar e em menos de 2 horas, foi atendida. Pagou por tudo 65€.
O meu sogro, hà menos de um mês, recorreu a uma consulta de urgência no S. Francisco Xavier, permaneceu uma noite e um dia em observação e a faser exames. No final do dia, os médicos suspeitavam de um problema renal, a meio da segunda noite de observação, perceberam que uma pedra se tinha deslocado dentro do rim e estava a obstruir a passagem para a urétera, decidiram transferi-lo de urgência para o Egas Moniz, para ser operado, ao quinto dia morreu.
Poderia ter morrido em outro qualquer hospital, mas duvido que o empenho e a urgência da decisão fossem os mesmos.

Jorge Lucio disse...

Caro Bartolomeu,

Lamento profundamente o sucedido com o seu familiar, e é por isso que lhe peço desculpa por continuar a comentar.

Mas os 200€ que a sua Mãe, felizmente, teve possibilidade de suportar são os 100€ que a senhora da notícia não teve, independentemente de ser FP ou não. Dou como bom os seus exemplos e a possibilidade de recurso aos privados, mas vê um reformado da FP com 75 anos, que tenha sido porteiro ou auxiliar educativo indiferenciado, com os cortes que tem sofrido na pensão, a ter essa possibilidade de pagar 65€ por exames?

E se o Estado faz convénios com hospitais privados para atender os beneficiários da ADSE está é a ajudar a rentabilizá-los, não é? A ADSE "está a ser morta", também porque não há mais dinheiro, mas vá ver como os gestores destes hospitais comentam o fim do SNS e da ADSE.

Quanto à minha experiência nos Lusíadas, para uma consulta de rotina com marcação, foram 2 horas de espera, enquanto que num épisódio de urgência na CUF à meia noite ficámos a aguardar pelo técnico de radiologia que "estava de chamada". Recentemente no Egas Moniz num exame de rotina o acompanhamento foi 5 estrelas. Já tive, como todos teremos tido, experiências boas e más.

(é um pormenor, mas a minha esposa já não trabalha para o Estado)

asmelhoresfrancesinhas disse...

O facto de aos idosos não serem exigidas taxas moderadores passou ao lado de toda a gente que escreveu e comentou a notícia suponho.

Massano Cardoso disse...

Taxas moderadoras (isenção)
http://www.acss.min-saude.pt/Portals/0/Taxas%20moderadoras_quadro%20resumo.pdf

Suzana Toscano disse...

É exactamente como diz, caro Jorge Lúcio é pena que se insista em estragar o que funciona sem sequer se perceber ao certo o que se pretende ganhar em vez disso. Há coisas em que parece que só estamos bem quando estiverem todos mal.