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domingo, 21 de outubro de 2012

Síndrome Luís XIV.

O domingo serve para muitas coisas, até para trabalhar! Tive de acabar um texto para uma conferência sobre "ambiente e saúde pública". Apeteceu-me designá-lo como "síndrome Luís XIV". Transcrevo a última parte, o resto foi para o Quarto da República. É o sítio indicado.


(...) Tudo aponta para que a exposição aos poluentes, micro poluentes, poderão originar alterações estruturais e funcionais ao nível do genoma com impacto no futuro, ou seja, muita da patologia que irá ocorrer nas próximas gerações não resultarão só do comportamento ou do desequilíbrio assumidos e provocados pelos nossos descendentes, mas também poderão resultar da exposição a que estamos sujeitos neste momento. Esta forma de ver o problema da poluição tem como objetivo estender no tempo, desde o passado até ao futuro, a complexidade da exposição ambiental. Hoje, estou convicto de que muitas patologias têm raízes na exposição e comportamento dos nossos pais e avós, e, do mesmo modo, estamos a condicionar o futuro dos nossos filhos e netos. A vida é um continuum, mas a doença também pode ser considerada um continuum que vem do passado e que irá continuar no futuro.
A consciência destes fenómenos, que a ciência dos nossos dias começa a desvendar, vai obrigar ao desenvolvimento da ética transgeracional, porque a saúde dos nossos descendentes depende da nossa saúde, da forma como nos comportamos e relacionamos com o ambiente.
O que fazer então? Algo simples e ao mesmo tempo muito difícil, atendendo às características humanas, eivadas de um egoísmo atroz, evitar que cada um se comporte como um Luís XIV. Não ao "depois de mim, o dilúvio", mas "depois de mim, mais e melhor vida".

3 comentários:

Bonaparte disse...


Enfim, é sempre a mesma cena! aconselharam os putos das nossas escolas secundárias a se inscreverem na opção da disciplina de espanhol, hoje, perante o flop da economia espanhola, poucos são os que se increvem nessa disciplina. A China só será a grande potência comercial se os comsumidores da UE e a USA continuaram a comprar as tralhas made in China. Com a globalização da austeridade, devido muito que a China continue a ser aquilo que é hoje, a ver vamos...

Bartolomeu disse...

Caro Bonaparte, tiro falhado.
Deixe lá, também já me sucedeu.
;)

Bartolomeu disse...

Um post que nos convida a reflectir sobre muitos aspectos da vida e dos comportamentos sociais.
Em minha opinião, caro Professor, penso que passa tudo, em primeiro lugar, por nós, individualmente. Neste mundo globalizado em que o conhecimento nos chega por todos os meios, com a máxima facilidade, passámos a viver como máquinas de fazer actividades e de consumir, perdendo a capacidade para questionar, para perguntar a nós mesmos, o que é a existência, ou qual é a sua finalidade.
Em suma, deixámos (em parte) de existir, como seres conscientes.