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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Agora é Tsipras que deixa Varoufakis no vazio...que mais ainda vamos ver?


  1. Segundo rezam as crónicas da reunião do Eurogrupo de ontem, teria sido alcançado, ao fim de 5 horas de “amena” discussão, um projecto de  comunicado conjunto que procurava harmonizar as posições, à partida muito divergentes, da Grécia e dos seus parceiros do Euro; em especial quanto á questão dos próximos passos a dar para ultrapassar o problema de o Programa de Assistência, em curso, chegar ao seu final no corrente mês, sem que exista uma solução alternativa que permita manter as finanças da Grécia a flutuar…
  2. Todavia, e quando menos se esperava, o já famoso Varoufakis terá comunicado o excelente resultado para Atenas, para o seu PM, com vista a obter o aval do Governo…tendo recebido de volta um redondo não!
  3. Concluiu-se, assim, que o PM grego não está disponível para aceitar - embora Varoufakis estivesse – qualquer tipo de referência à ideia de extensão do Programa em curso, tendo como contrapartida a promessa de alterações a esse programa que satisfizessem, pelo menos em parte, as reivindicações do governo grego…
  4. A explicação mais plausível para este primeiro visível desencontro entre os principais responsáveis pela estratégia de negociação do governo grego, poderá residir no facto de o PM grego se encontrar virtualmente refém de posições mais radicais que existem dentro do seu Partido, bem como do incómodo parceiro de coligação, tendo por isso decidido mais uma vez “esticar a corda” e deixar o laborioso Varoufakis em posição bastante incómoda, obrigado a um segundo "round" de negociações na próxima semana, para as quais parte com um passivo não despiciendo…
  5. …"round" em que, como parece provável, se assistirá a uma iteracção do difícil exercício de ontem -  com algum "molho" de fraseologia decorativa para grego ler e apreciar - mas mantendo na essência o que ontem teria ficado acordado até ao fatídico telefonema de Varoufakis para Tsipras…
  6. Será que Varoufakis vai conseguir, no final do Eurogrupo da próxima 2ª Feira, quando tiver que voltar a chamar Atenas, evitar outra negativa?
  7. Mas pode acontecer que na Cimeira de hoje seja a vez de Tsipras chegar a um acordo com os seus pares, com a vantagem de não correr o risco de ser desfeiteado por Varoufakis…os mercados apontam para aí, vamos a ver…
  8. E, por cá, ainda há quem, num pronunciamento de grande clarividência, venha chamar a atenção para o risco de isolamento da Grécia...mas, até agora, quem tentou isolar a Grécia, além dos seus próprios responsáveis?

6 comentários:

Pinho Cardão disse...

Claro que quem se isola é a Grécia. Faça-se a sua vontade.
Quanto ao Syriza, mais uma construção artificial onde se conjugam sensibilidades muito diversas, às primeiras dificuldades seguirá o fadário das entidades congéneres, de cissiparidade em cissiparidade até cada membro se representar apenas a si próprio.

Carlos Sério disse...

Gosto do discurso jornalístico tipo “correio da manhã” deste Post. Haja quem nos informe de forma tão isenta do que está a acontecer lá por Bruxelas.

Joao Jardine disse...

Caro Tavares Moreira

Apenas um pequeno comentário, para ajudar ao enquadramento:
O Sr. Varoufakis foi contratado pelo Sr.Tsipiras para tratar da pasta das finanças, mas quem responde aos accionistas é o segundo e não o primeiro.
Nesse sentido, o Sr. Varoufakis, apenas tem de cumprir ou demitir-se se não concordar.
Conta-se de um dos presidentes dos EUA, (já não me recordo de qual) a seguinte estória: em reunião de gabinete e após acesa discussão sobre um assunto da agenda, o presidente em questão concluiu do seguinte modo: sete contra (todos os membros do gabinete), e um a favor. A proposta está aprovada.
Estas estória pode, perfeitamente, aplicar-se aos gregos, por isso, o profissional contratado, pediu autorização ao contratante.
Cumprimentos
joão

Tavares Moreira disse...

Caro Pinho Cardão

O auto-isolamento pode constituir uma forma de aperfeiçoamento, se bem aproveitado.
Todavia, no caso subjacente, essa tentativa de auto-isolamento, ao mesmo tempo estoica e inconsequente, parece estar em rápido retrocesso, face às duras realidades da vida...

Caro João Jardine,

Compreendo perfeitamente o seu ponto. Nesta curiosa história, no entanto, tudo indica que o encarregado de negócios financeiros da Grécia terá gerido as coisas com alguma confiança e (contra a expectativa) alguma noção das suas responsabilidades, não esperando ser desfeiteado pelo mandante...como acabou por ser!
Má sorte, coitado.

João Pires da Cruz disse...

Aqui há uns anos lembro-me de me falarem num governador de um estado brasileiro que diziam ser o "inadimplente" mais burro do mundo porque tinha anunciado uma moratória mas pagava tudo na mesma. Bons tempos em que se conhecia um burro à distancia, porque o Varoufakis é um herói e é o mesmo tipo de burro. Anunciou o default e está pagar ao mesmo tempo. Vá-se lá perceber estes tempos de boaventurismo....

Tavares Moreira disse...

Caro Pires da Cruz,

Tem bastante razão na observação que faz: dificilmente estes "astutos" negociadores gregos poderiam ter escolhido melhor caminho para obterem resultados diametralmente opostos aos que diziam pretender...
Impressiona-me muito (mal, claro) o entusiasmo indígena, de raiz naiv/populista/nabal, com esta demonstração de amadorismo e de incompetência no tratamento de um tema que pode vir a sair, ao povo da Grécia, muito mais caro do que já saiu...
Leia, se puder, a edição do FTimes deste fim-de-semana onde pode encontrar um interessante roadmap do que pode vir a suceder na próxima 2ª Feira, na reunião do Eurogrupo.