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quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

PSD vai a Congresso

Revelando alguma pressa, a direcção do PSD decidiu sujeitar a Conselho Nacional a convocação de um congresso extraordinário para a alteração dos estatutos. O tema das eleições directas do líder do partido será decerto o ponto forte, mas desenganem-se aqueles que centrados exclusivamente nesse ponto esperam a partir daí um movimento de regeneração das estruturas partidárias. Não chega! Há muito mais para além das directas a precisar de alguma inovação: abertura à sociedade, limitação de mandatos dos dirigentes intermédios e das estruturas de base, forma de recrutamento de candidatos a lugares electivos, etc.
Esta sim, é uma oportunidade única para começar a dar sinais no sentido de reganhar a sua confiança. Mas trata-se de uma oportunidade que não se compadece com precipitações e pressas. Faço votos que o ímpeto congressista se traduza num verdadeiro ímpeto reformista do próprio PSD.

16 comentários:

JM Ferreira de Almeida disse...

Pois é, meu caro David Justino. Estavam todos à espera que o "efeito Alegre" tivesse como resultado um congresso do PS. Afinal o ímpeto é mais para o lado do PSD. É preciso cavalgar a onda exactamente quando está alta, meu caro, porque amanhã pode estar o mar chão ou o vento desfavorável.

Marco disse...

David Justino,

Não quero soar a provocador, mas quando se afirma que um partido tem de se preocupar com a abertura à sociedade, então é legítimo questionar o que anda esse partido a fazer. Será esse partido alheio à sociedade? Não tem feito nada pela sociedade? Então para que serve esse partido?

Não serão as suas palavras um reconhecimento implícito do das incapacidades da nossa "partidocracia"?

Para mim também é evidente que isto é uma crítica aplicável a todos os partidos políticos do nosso sistema.

Desculpe se fui agressivo no meu comentário, mas senti que vc tocou numa matéria sensível.

Cumprimentos.

Anthrax disse...

Caro Dr. "D",

Estou perfeitamente de acordo consigo. Nada de precipitações, até porque das últimas vezes em que o ímpeto foi a palavra de ordem, a coisa degenerou um bocado. E isto já para não falar que, a determinada altura o PSD mais parecia um um Pólo da Universidade Lusíada, só faltava afixarem uns cartazes a anúnciar a data da próxima festa. Quer dizer, aquilo era um bocado hilariante.

É claro que também é preciso dizer, que não tenho nada contra a Universidade onde me formei, mas daí até achar que todos os que lá se formaram têm as competências adequadas, para transformar uma política numa realidade concreta e palpável, vai um grande passo. E depois porque quando se quer transformar uma política numa realidade há uma série de coisas que não se podem esquecer, entre elas o facto de que o fim último de qualquer política são as pessoas por isso, convém não tratá-las nem como animais, nem como débeis mentais. Assim, neste aspecto parece que acertaram um bocadinho ao lado.

Na sequência do acima referido, há então que considerar o perfil dos indivíduos. Porque estes a quem me refiro, transferiram para os cargos públicos a maneira de ser e de estar de quando davam aulas naquela Universidade e não é bem a mesma coisa. A postura era a do "Eu quero, posso e mando e vocês são os meu súbditos, logo fazem e submetem-se ao que eu mandar porque, nem sequer tenho que vos explicar coisa nenhuma". É assim, toda a gente sabe que quando se assume um cargo público partindo desta posição, o primeiro sitío onde vão esbarrar é nas estruturas intermédias.

O que é que acontece quando se esbarra nestas estruturas? É que para além da dor de cabeça que se ganha (e da sensação do "está tudo contra mim"), o que acontece é que é possível paralizar uma instituição inteira. Pior, é que quando dão por ela, também têm as bases contra. Nessa altura, aquilo que anteriormente não passava de uma sensação, passa a ser uma realidade.

O Dr. "D", já desempenhou este tipo de funções por isso, certamente que, tem a consciência do que estou a dizer até porque dentro de um partido político as situações são semelhantes.

Outra coisa que focou (e muito bem a meu entender), é a questão de reganhar a confiança e na minha perspectiva, este é um dos maiores problemas do PSD. È assim, confesso que por diversas vezes estive à beira do vai-não vai para cortar o meu cartãozinho de militante e enviá-lo ao partido. Porque mais do que discordar de algumas políticas seguidas, eu simplesmente deixei de confiar no Partido (em geral). Reconquistar a confiança das pessoas, por si, já não é uma tarefa fácil, quanto mais quando há militantes que também não confiam.

Eu também espero bem que este congresso se traduza num impeto reformista, mas isso vai depender largamente de que propostas de reformas estamos a falar e de quem as vai apresentar, porque muito honestamente as propostas até podem ser muito boas, mas se a pessoa que as apresenta tem um déficit de competências, então mais vale calçar as pantufitas, estar quietinho em casa e deixar os outros trabalhar.

Félix Esménio disse...

Concordo com a substância do seu comentário, excepto no que concerne ao excesso de pressa.

Se o Congresso fosse ontem já era tarde. Mas haviam as eleições. Passadas as eleições quanto mais depressa melhor.

Se há assunto em que o PSD tem sido lento é justamente na revisão dos seus Estatutos e na actualização do Programa (existem outras matérias...).

O PSD tem prestado um bom e útil serviço a Portugal, porém é sempre possível, e necessário, fazer mais e melhor, com tanta ponderação quanto ritmo e convicção.

Quem contempla excessivamente as estrelas sujeita-se a ver passar os comboios sem apanhar a carruagem do desenvolvimento.

O tempo urge!

E o País precisa de alternativas consistentes. Já só faltam três anos e meio para as próximas eleições legislativas.

David Justino disse...

Sobre a oportunidade o Ferreira de Almeida já disse tudo.
Sobre a abertura à sociedade que o Marco questionou só há que reconhecer que tem alguma razão. Digo alguma porque o problema tem de ser analisado a níveis diferentes. Vamos lá dar umas dicas:
1. O facto de o PSD ter ganho as últimas eleições autárquicas consolidando uma maioria de câmaras e autarquias é revelador dessa ligação. Os autarcas do PSD não podem ser considerados como afastados da realidade e dos problemas de cada um dos seus concelhos, caso contrário dificilmente obteriam o resultado que obtiveram. Este é um capital político que tem de ser valorizado e não desvalorizado.
2. Só que há outros níveis de problemas, nomeadamente quando se colocam à escala nacional. O PSD tem de reforçar o seu recrutamento entre grupos profissionais que andam geralmente afastados das ondas laranjas. Esses grupos são socialmente dos mais dinâmicos e mais desejosos de mudança.
Portanto, o problema da abertura à sociedade não pode ser visto como um "escancarar" de portas, mas antes como uma procura de novos intérpretes, novos quadros e novas cidadanias, para uma nova cultura política. Por outras palavras, o PSD precisa de se mobilizar para ganhar apoios externos e não para se enquistar e perder em lutas internas.
Meu caro Marco, quando se é frontal e sincero, nunca se é agressivo.
Cumprimentos

Félix Esménio disse...

Podíamos ter sido "nós" a anunciar esta concretização. Tivemos as ideias, fizemos o estudo (longo, participado e razoavelmente consensual), fundamentámos a opção, mas, no fim, faltou a decisão.

Hoje já me telefonaram a agradecer os contributos pretéritos (gente educada).

Apesar de tudo estou contente. Só tenho pena que o Dr. David Justino não tenha mais esta iniciativa a seu crédito.

Era a primeira Escola da Rede EDUTEC, lembra-se?! Às vezes temos que decidir, sem adiamentos!!!

"Governo intensifica oferta
Escolas secundárias vão ter mais cursos técnicos para diminuir abandono escolar
25.01.2006 - 09h43 Lusa

O Governo vai aumentar a oferta de cursos de especialização técnica no ensino público, que vão funcionar nas escolas secundárias, através de um investimento de 12 milhões de euros. O protocolo que cria esta parceria vai ser assinado hoje e a primeira escola a receber os novos serviços é a Secundária de Marquês de Pombal, em Lisboa, onde funcionará o Centro Protocolar de Formação Profissional de Jornalistas (Cenjor).
De acordo com fonte da tutela, ao alargar a oferta deste tipo de cursos nas escolas públicas, o Governo pretende em 2010 ter metade das turmas a funcionar em "cursos vocacionais" e outra metade na via geral de ensino. Ambas dão acesso ao ensino superior.

Pretende-se também "reactivar edifícios escolares de referência que têm boas instalações, mas estão sem alunos", adiantou a mesma fonte, explicando que o Ministério da Educação quer "contrariar esta tendência [redução de alunos] aumentando a oferta a nível nacional".

O primeiro passo desta conciliação de estratégias entre a tutela e o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) será dado hoje com a assinatura de um protocolo entre o IEFP e a Direcção Regional de Educação de Lisboa.

O protocolo diz respeito às instalações da Escola Secundária de Marquês de Pombal, em Lisboa, parte das quais serão recuperadas e cedidas para que ali passem a funcionar os cursos do Cenjor. A assinatura do protocolo vai decorrer na escola e será presidida pelos ministros da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e do Trabalho, José António Vieira da Silva.

A antiga escola industrial, construída para receber 1300 alunos, acolhe neste momento apenas 400 estudantes e o protocolo vai permitir reactivar uma fracção das instalações.

De acordo com a mesma fonte, as escolas públicas que vão receber os cursos vocacionais vão ser reapetrechadas com uma verba de 12 milhões de euros para o ano lectivo 2006/2007.

Para tal, estes "cursos vocacionais" vão também funcionar em instalações de uma outra escola pública de Lisboa, na escola Rainha D. Leonor, em Estremoz, e num outro estabelecimento de ensino público do Porto, a escolher entre duas escolas candidatas: Oliveira Martins e Infante D. Henrique.

No ano lectivo de 2005/2006 foram criadas 40 novas turmas de cursos vocacionais e este ano lectivo o Ministério pretende criar mais 100.

Para compilar toda a oferta a este nível, tanto por parte do Instituto de Emprego como do Ministério da Educação, ficará disponível até final do segundo período (Março/Abril) um guia de ofertas para as famílias, para que os país saibam quais os cursos vocacionais disponíveis na sua área de residência."

Arnaldo Madureira disse...

Tem todo o meu apoio no que escreveu.
Inevitavelmente, vai ser tudo feito à pressa, porque o congresso é daqui a um mês e meio.
Os militantes não vão ter tempo para debater com seriedade o estado do partido, nem vão ter tempo para digerir as propostas de alterações dos estatutos que vão ser apresentadas.
E as eleições dos delegados ocorrerão no mesmo período, gastarão muitas energias e serão independentes das propostas de alterações estatutárias...
É quase certo que a forma de selecção dos candidatos do partido às legislativas e às autárquicas não será tocada. Continuarão a ser os presidentes da CPN e das CPD a fazer os grupos. Lamentavelmente.
A pressa é, realmente, inimiga da perfeição

David Justino disse...

Meu caro fesmenio (que imaginação!!!)
Eu também ouvi a notícia e soou-me a algo familiar. Mas se quer lhe diga, fiquei contente. Se eu não consegui concretizar o que andava a ser preparado já há algum tempo (não foi por indecisão, esclareça-se!) fico contente por se ter dado continuidade à ideia. É bom para o país, é bom para os nossos miúdos e não me arrogo qualquer direito de autoria ou iniciativa.
O "dossier" estava pronto, os protocolos com as associações empresariais, escolas e centros de formação esboçados, se foram outros a fazê-lo ainda bem. Sempre contrasta com alguém que decidiu meter o "dossier" na gaveta por alguns meses.
Concluindo, o meu aplauso para quem sem complexos de paternidade decidiu avançar com uma iniciativa preparada pelo XV Governo.
Exceptuando a Escola de Estremoz, todas as outras já estavam a trabalhar neste projecto e ainda há mais umas tantas que se alinhavam.
Quanto aos 40 cursos vocacionais já a funcionar, acho que também ajudei ao permitir que as escolas públicas secundárias pudessem leccionar cursos profissionais.
É pouco? Talvez, mas é só o começo!
Não é de ficar contente?

Antonio Almeida Felizes disse...

Caro D Justino,

Porquê tanta pressa em realizar o Congresso? Não sabe?

Eu respondo-lhe, não tem rigorosamente nada a ver com algo de substancial. Está neste momento em marcha uma corrida desenfreada ao "arrebanhamento" de novos milhares de militantes com o intuito claro de influenciar "as directas". Ora com o protelar do Congresso, ir-se-ia mandar para mais à frente as directas e nesse caso estes novos milhares de militantes adquiririam o direito a voto. Isto pode desequilibrar os pratos da balança.

Pode confirmar este fenómeno junto dos serviços administrativos do PSD.

Cumprimentos,

Antonio Felizes

http://regioes.blogspot.com

Menino Mau disse...

caro António Felizes,isso do Arrebanhamento de novos milhares de militanres é uma falsa questão.esse arrebanhamento sempre existiu e irá sempre existir.é inevitável.todos conhecem a velha historia das pessoas que são inscritas nas secções,para "fazer"um favor a um amigo.e depois esse amigo torna-se um player incontornável na secção,no nucleo na concelhia ,porque domina 20/30 votos.e se tiver sorte,pode fazer o seu caminho pelo partido..não é preciso ser competente e ainda chega a Primeiro-Ministro ;)
pela luta pelo PSD,julgo que até será perigoso para Marques Mendes.Sendo ele um general, no terreno não tem muitos soldados.embora seja uma pessoa que conhece extremamente bem o partido ( foi autarca..) ,o outro general ,Menezes julgo que tem mais Soldados.é autarca,o seu vice em gaia é o presidente da distrital do porto , tem uma corrente populista que agrada a todos,escreve em vários Meios de comunicação social .Assim ,julgo que as Directas favorecem quem está mais perto do terreno.
talvez surja uma terceira via,mas julgo que por enquanto vai estar tudo sereno.
a travessia ainda é longa e ninguem se quer queima...por por agora..

Anthrax disse...

Pois é, pois é... com as palavras do Felizes e do PR, acabei de me lembrar porque é que deixei de confiar no partido.

A política é uma actividade secundária. O que interessa mesmo é a luta pelo poder, depois de se lá chegar, logo se vê o que é que se faz.

Citando o General MacMahon "Os franceses perderam a guerra da Indochina a golpes de táctica excelentes.". É mais ou menos como eu vejo o PSD de hoje. Curto de vistas.

No entanto, há uma coisa positiva. É que tudo já esteve bem pior.

Arnaldo Madureira disse...

O populismo não passou, o populismo não passará!

David Justino disse...

Meu caro António Felizes e PR,
os vossos comentários esclarecem-se mutuamente e completam-se. Isto de arregimentar novos militantes é prática velha e de há muito generalizada. O que sei é que todas as facções arregimentam novos militantes.
Eu lembro-me, durante a década de 80 o PSD tentava conquistar as pessoas que pelo seu desempenho profissional ou pelo reconhecimento social que usufruiam, melhor pudessem enriquecer os seus quadros. A partir dos anos 90 e como resultado da permanência no poder e do acentuar das lutas internas, as fornadas de militantes tinham só um objectivo: votos sindicados para dominar as direcções locais e intermédias.
É com esta mudança que o PSD se enquistou socialmente e nem a presidência de Durão Barroso conseguiu inverter a tendência. Ou seja, o PSD vai ter de escolher entre a consolidação da sua estrutura que se formou desde os primeiros anos da década de 90, ou a sua reforma.
Por tudo isto não me surpreende a pressa nem os que supostamente tentam denunciar essa pressa. As práticas são idênticas quer sejam mais ou menos populistas.

Antonio Almeida Felizes disse...

Caro D Justino,

No meu comentário anterior, limitei-me a constatar um facto objectivo e que posso comprovar. Não fiz qualquer juízo de valor.

Quanto ao resto, partilho inteiramente a sua opinião.

Cumprimentos,

Antonio Felizes

Nuno Gouveia disse...

Caro D. Justino

Como militante do PSD, agrada-me que exista gente dentro do partido com estas ideias. Infelizmente, o nosso partido neste momento nada é mais do que um aparelho de lugares e de empregos. Quem conhece por dentro o PSD sabe que é um partido completamente vazio de ideias. A estrutura do PSD está completamente desligada da realidade social. Não há debate interno, não há eleições jutas nem sequer a oportunidade para tal. Espero que as pessoas de valor que o PSD tem, como o David Justino e muitas outras coloquem o partido no rumo correcto. Não podemos continuar a viver à mercê dos chefes de secção e dos seus "caciques".
Para dar o exemplo de como o nosso partido funciona: Sou militante do PSD há 10 anos (e também da JSD) e nunca recebi uma carta da concelhia para pagar as quotas. Como se sabe, quem pagava as quotas até agora eram os chefes locais(até a mim pagaram uma vez, devido a ter-me atrasado). A concelhia que faço parte é uma das maiores do país e eles agora estão com medo de perder a sua influência. Eu não preciso que o presidente da secção me escreva para pagar as quotas, mas certamente as centenas de militantes que a secção tem que nunca pagaram quotas, precisam que lhe escrevam para casa. O seus lugares de deputados que arranjaram devem-se em muito aos militantes que eles filiaram ao longo dos anos e aos quais pagaram as suas quotas.
Espero que o futuro do PSD seja mais de debate de ideias para o país, e que o aparelho seja fortemente derrotado. Não podemos continuar a premiar a mediocridade nas estruturas dirigentes do PSD. A limitação dos mandatos aos lugares intermédios parece-me uma excelente ideia, bem como toda a sua breve exposição. Espero que seja ouvido dentro do partido.
Abraço
Nuno Gouveia

cmonteiro disse...
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