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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Demonstremos nosso patriotismo, investindo em dívida pública?

1.Enquanto em Portugal se continua a discutir o sexo dos anjos – agora numa nova versão, tão popular como pueril, competindo para saber quem é capaz de dizer coisas “mais feias” dos líderes europeus – vai por essa Europa um movimento curioso, com aflorações dignas de registo em Itália, Bélgica e Espanha, dirigido ao investimento em dívida pública nacional como manifestação de patriotismo...
2.A edição de ontem do F. Times fazia-se eco desses movimentos, parecendo-me um tema bastante curioso para trazer até ao 4R: talvez possamos lançar a partir daqui, quem sabe, um movimento de investidores patrióticos de tipo semelhante, apesar de ter de reconhecer que as condições no nosso caso são bem mais adversas...
3....Depois da brutalidade com que foram tratados pelo Governo anterior os detentores de Certificados de Aforro – situação que se mantém inalterada, note-se... – e da decisão ontem tomada na AR de voltar a penalizar os rendimentos dos investidores com o agravamento da taxa liberatória incidente sobre os juros pagos pelas obrigações (e pior ainda, dos dividendos), uma decisão erradíssima, do meu ponto de vista, que espero poder explicar em próximo Post...
4.Começando pela Itália, ocorreram esta semana, 2ª e 3ª Feira, dois dias especiais de “bond-buying” em que os bancos e outras instituições financeiras aceitaram ordens de compra de dívida pública nacional sem cobrarem quaisquer comissões aos clientes.
As notícias sugerem que a iniciativa teve algum sucesso, com os investidores atraídos pela elevada taxa de remuneração que a dívida italiana oferecia em mercado secundário: 7,2%/ano, no prazo de 2 anos...
5.No caso de Itália a iniciativa partiu de um cidadão da Tuscania, Giuliano Melani, tendo merecido apoio da Associação Italiana de Bancos que obteve dos seus membros grande adesão para os 2 dias de vendas de dívida pública sem comissões!
6.Em Espanha e na Bélgica estão também em curso campanhas com idêntica finalidade – suscitar o patriotismo dos cidadãos para a compra de dívida pública – no caso de Espanha com uma forte campanha publicitária sob o lema “Eu prefiro a dívida pública” e na Bélgica foi o próprio 1º Ministro do governo provisório, Yves Leterme, que declarou publicamente ter comprado obrigações do Tesouro para aplicação das suas poupanças, incitando os cidadãos a seguirem-lhe o exemplo...
7. E em Portugal? Não quererá o Senhor Presidente da República, que tem mostrado tanta sensibilidade para estes temas nacionais, liderar ele próprio essa campanha? Podendo dispor, se assim entender, do apoio técnico e de marketing do 4R...
8.Creio que, apesar das “caneladas” que os aforradores têm sofrido por parte de governos que mostram a maior dificuldade em entender a real natureza dos problemas económicos do País – ou talvez mesmo por causa dessas ofensas – em Portugal também poderia fazer sentido uma campanha semelhante...
9.Vamos a isso?

15 comentários:

Luís Coelho disse...

Isto já lá não vai com palavras....

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Dr. Tavares Moreira
Os certificados de aforro (CA) continuam em agonia, depois do golpe mortal que lhes foi deferido pelo governo Sócrates. Em Dezembro de 2007, o stock dos CA ascendia a 18 mil milhões de euros - correspondente a 16% da dívida pública - e em Outubro passado situava-se em 11 mil milhões de euros - apenas representavam 7,5%. A sangria continua. Os CA estão condenados à morte, mas a poupança de residentes é absolutamente necessária, estamos brutalmente endividados, dependenetes do financiamento da Troika, a pagar elevadas taxas de juro, com níveis de poupança historicamente baixos. Tenho-me questionado porque não é lançado um produto do tipo CA, que estimule a poupança douradora em condições atractivas e competitivas, de compreensão simples para o aforrador, de fácil subscrição e resgate, acessível à pequena poupança. Vamos a isso!

Tavares Moreira disse...

Caro Luís Coelho,

tem toda a razão, por isso mesmo é que sugiro que os primeiros responsáveis do País dêem o exemplo, vindo a público dizer: "Investi X mil Euros em títulos da dívida pública portuguesa - sigam o meu exemplo todos aqueles que puderem vamos ajudar Portugal, aplicando parte das nossas poupanças em dívida pública!"
São exemplos e não paensa palavras o que aqui se sugere, comprende?

Cara Margarida,

Como saberá, admito, não me cansei de bater no tema dos Certificados de Aforro, em diversos Posts editados na sequência da nefanda decisão que os condenou à morte!
Não posso deixar de estar de acordo, plenamente de acordo, com a sugestão que alvitra para reavivar a poupança dos portugueses...
Se estes políticos pensam que vão a algum lado penalizando sucessivamente a poupança, podem desenganar-se que nunca mais conseguirão que a economia recupere os níveis de confiança indispensáveis para crescer!

Pinho Cardão disse...

Ora aí está uma bela e patriótica iniciativa. Vamos lá a isso!
Sr. Presidente Cavaco Silva, use´o Facebook para divulgar essa nobre missão!...

Tonibler disse...

Que tal o sr. Presidente da República começar por comprar ele dívida pública? Eu proponho já um montante: Pode tornar financeiramente neutra a viagem aos USA.
Parece-me justo...

Quanto a mim, podem mandar-me em conjunto uma proposta de sócio do Sporting? Porque andar a emprestar dinheiro por causa das "equidades" tem a mesma probabilidade de acontecer. Eu até acho que patriótico é deixar o estado morrer...

Caboclo disse...

ahahaha comprar divida publica ..só para vazios mentais ..

aaaahahahhahaa kakakakakak

ELES QUE PAREM DE TORRAR GRANA ..QUE FAÇAM QUALQUER COISA ..RECOMENDO O SUICIDIO

Tavares Moreira disse...

A adesão da Margarida C. Aguiar e do Pinho Cardão a esta iniciativa, não obstante a resistência ideológica do Tonibler, é 1/2 caminho andado para que ela tenha sucesso...
Só falta mesmo o PR dar o pontapé de saída e o Governo acabar com a odisseia dos CA's...
Vamos a isso, Snr. Presidente?
Então,e o Caro Eng.º ASS, não quer dar uma ajudinha?
O País agradecerá!

Suzana Toscano disse...

Acho uma ideia patríótica, mas como se resolveria o problema da confiança, por exemplo, como garantir que os que usassem as suas poupanças para comprar dívida pública não seriam imediatamente identificados como especuladores a tributar "extraordinariamente"? Não estou a brincar, mais valia que estivesse, os Certificados de Aforro foram uma experiência traumática e o pior é que não há sinais nenhuns de ter sido aprendida a lição.

Bartolomeu disse...

No final dos anos "80" quando ocorreu o boom da bolsa de Lisboa, numa altura em que a economia se encontrava muito "por baixo" e portanto, não haver explicação para o súbito aparecimento de tanto "guito", as más línguas especularam que haviam sido os barões da droga que decidiram investir. A verdade é que as autoridades nunca investigaram a origem do "papel".
Ora bem, como aforradores, não hà (eu por exemplo, já ando a fazer mealheiro ha 6 meses para quando chegar o dia do almoço-tertúlia-quartarepublicano, não precisar de recorrer ao crédito)e o país precisa de quem lhe injecte dinheiro nos cofres, desde que o Sr. Ministro Vitor Gaspar, não se lembre de fazer muitas perguntas (se decidir fazer, não deve haver problema... o tempo que ele demora a proferir uma palavra...) e a Judite assobiar para o lado... é bem possível que muitos... "patriotas" decidam chegar-se à frente com o "arame", e a salvar o afundanço da nação!
A Bem da Nação!

Buíça disse...

Eu confesso que não precisei de campanha, só de me familiarizar com o devedor...
Entre ter o dinheiro depositado em bancos insolventes que quanto mais precisam de fundos menos querem pagar por eles ou tê-los como meros custodiantes de Obrigações do Tesouro Português que por exemplo hoje de manhã me pagavam a simpática "yield" de 18% até junho do ano que vem, a escolha é óbvia.

Acho que faz falta alguma literacia financeira à generalidade dos contribuintes, mas para quem a tenha, é só confiar no devedor. Confiar "no país" é romantismo demais para decisões racionais sobre dinheiro que custa a ganhar, portanto tal como antes não arriscava um tostão, agora com Gaspar e troika rapo toda a dívida pública que puder até 2014.

Tudo a favor da iniciativa, mas precisa de ser explicada com racionalidade e não um nacionalismo que com outros intérpretes possa ser usado para enganar quem não percebe muito bem o que está a fazer.
Parabéns.

Tavares Moreira disse...

Caro Bartolomeu,

Esse boom de que fala foi um bocadinho antes do final dos anos 80...mais precisamente em Outubro de 1987, após o crash da N.Y. Stock Exchange...foi um crash mundial, que atingiu tanto a Bolsa de Lisboa como quase todas as bolsas mundiais...
É certo que Lisboa foi atingida com particular dureza porque a especulação na subida tinha atingido verdadeira loucura, certamente promovida por uma corrida verdadeiramente irracional ao investimento em acções.
Quando a bolha rebentou, em Outubro de 87, apanhou muita gente desprevenida, que sofreu perdas muito elevadas...
Agora essa dos barões da droga poderem estar por detrás do formidável movimento especulativo de 86/87 na Bolsa, confesso-lhe que é a primeira vez que ouço falar de tal tese...
Não estou a dizer que não, mas é de facto a primeira vez...

caro Buíça,

De acordo com o seu raciocínio e tb com o seu reparo...por isso mesmo é que digo que o Snr. PR pode contar com o apoio técnico e de marketing do 4R - bloguistas e comentadores incluídos, claro está!

Caboclo disse...

O PR é um covarde deslavado ..ignorante descarado ..como me arrependo de ter acreditado nele ..deveria era ter jogado ovos podres ..ou uma bomba ..nele e na corja podre que o apoia

Bartolomeu disse...

Com conhecimento ou sem ele, caro Dr. Tavares Moreira, a verdade (que se saiba), é que ninguém se incomodou a desvendar a origem de uma tão grande explusão de liquidez, a qual, pressupostamente, não deveria existir.
Agora, se o dinheiro veio directamente dos bolsos dos barões da droga, ou dos ricos empresários que por via das contabilidades paraleleas e de outros truques de magia não declaravam as suas actividades ao fisco... isso aí acho que é segredo nacional.
Mas, onde eu quis chegar com o comentário anterior, estabelecendo algum tipo de semelhança com os tempos actuais, foi à questão da "lavagem" de dinheiro, versus, benefício para os cofres do estado.
E ha por aí tanta gente mortinha por subscrever obrigações ao portador, que nem que lhe fosse oferecido um rendimento de meio ponto, não deixariam de praticar o seu altruista patriotismo.

Tonibler disse...

Esse episódio de 19 de Outubro de 1987 é um episódio emblemático em toda a teoria que envolve mercados financeiros de seu nome "Black Monday" por que só deveria ter acontecido uma única vez em cada 6 vezes a idade actual do universo:). Sabe-se hoje que aconteceu muito mais vezes que isso, como por exemplo a do sec. 17 com as tulipas que já foi referido aqui no 4r.

E a teoria foi abandonada? Não, foi aliás muito reforçada passando a ser usada, desde essa altura como lei para os bancos do mundo inteiro (tirando no interior dos USA) em nome da regulação. Lei essa que é em grande parte responsável pela dimensão da crise que estamos a passar.

Tavares Moreira disse...

Caro Bartolomeu,

Esse ente que cita - obrigações ao portador - pertence já à história do mercado financeiro: hoje todos esses títulos são nominativos, desmaterializados, constam apenas de uma inscrição em conta do titular...acabou-se o papel!

Caro Tonibler,

A teoria que cita jamais será abandonada...na forma que exemplifica ou noutra qq, ela renascerá sempre, porque faz parte da natureza humana...
Direi que a aposta no socialismo é ou foi,de certo modo, equiparável à formidável bolha do investimento nas túlipas ou na South Sea Company, outra das grandes burlas do século XVIII, salvo erro!
Quem acreditou ou ainda acredita no socialismo, foi também vítima de uma bolha socio-ideológica, que está rebentando com grande intensidade, deixando muita gente em situação precária...