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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Anónimo

Cada vez mais me convenço de que a melhor forma de viver é passar despercebido, comentar anonimamente ou não ter qualquer relevância pública. Ser uma merda entre os demais deverá ser a regra número um para garantir às nossas existências o máximo conforto. Presumo que esta regra é crucial, determinante mesmo, para se chegar a algum lado sem sobressaltos de maior ou, então, sempre evita que sejamos vítimas de mal entendidos.
Ler um texto de um autor anónimo é completamente diferente de um conhecido. Se for anónimo, ou desconhecido, o resultado é um, mas se o leitor conhece o autor, então, as coisas mudam de figura. Lá diz o ditado que "santos ao pé da porta não fazem milagres". Claro que não, e os outros idem aspas aspas, mas como ninguém os conhece ainda lhes é dado o benefício da dúvida de que são os melhores, até mesmo santos, fazendo-se, muitas vezes, de santinhos, para convencer o próximo. Gaita. Começo a estar farto de tanta prosápia, de incompetência, de arrogância, de mal entendidos, que não são mais do que fotografias tipo polaroid tiradas por gajos sem qualquer arte ou competência para o que quer que seja. Faça-se um qualquer comentário, sério, justo, equilibrado, respeitador, eivado ou não de alguma ironia, e a resposta é? Ficam enchouriçados até à raiz dos cabelos. E porquê? Porque nos conhecem! E se não nos conhecerem? Então, é certo e sabido que sentiremos as mais mirabolantes formas de agradecimento, de vénias ao belo estilo monárquico, de encómios tão ao gosto dos conselheiros acácios, enfim, uma retroalimentação dos que desejam ser reconhecidos. Deveria estar calado. Muitas vezes já estou, ou, então, sou "silenciado". Agora começo a compreender melhor a razão do anonimato. Tirando os sacanas, que não sabem viver com as suas almas, às tantas não passam de uns verdadeiros desalmados, felizes, sem sombra de dúvida, os restantes encontram no anonimato a forma de evitarem ser catalogados em função desse prévio conhecimento, fonte de preconceitos perigosos. Uma forma de encontrar a imparcialidade? É muito provável, começo a acreditar que sim. Por enquanto ainda vou aguentando o embate, aqui, neste espaço, não tenho grandes razões de queixa, pelo contrário, tirando as estatisticamente previsíveis, mas até essas, com algum cuidado, disposição e tempo, sempre se consegue minimizá-las e até revertê-las. No facebook as coisas são mais complicadas. De uma forma geral os comentários provêm dos amigos, simpáticos, amorosos, sendo raro que alguém discorde, o que não é muito bom sinal. E quando tal acontece abre-se o saco da bílis negra, acumulada, à espera de um bom colagogo, papel que, pelos vistos, sou capaz de exercer. Que aborrecimento. Bem, pelo menos não tenho, ainda, um papel laxante, porque se um dia me der para aí, então, o melhor é apertar o nariz!

6 comentários:

Tonibler disse...

Sim.

Pinho Cardão disse...

Caro Professor:
Os cães ladram e a caravana passa...é sabedoria antiga. Portanto...deixe-os ladrar, é mais um serviço que lhes presta.

Suzana Toscano disse...

Vozes de burro não chegam aos céus, caro Professor, se formos dar ouvidos a todos os que decidem fazer-se ouvir, estamos arrumados, a "democratização" da comunicação, através da net, facebooks e outros é, como sigelamente me explicou a minha filha, o mundo real espelhado nesses redes, tal e qual ele é. Há pessoas, boas, más, burras, inteligentes, ignorantes, pretensiosas, humildes, enfim, toda a variedade. Ouvimos uns, gostamos de outros, selecionamos, tal como se faz fora das redes, a diferença é que nuns lemos e nos outros ouvimos ou fazemos por não ouvir. Não ligue ou, pelo menos, não deixe que lhe façam mal ao espírito.

Catarina disse...

: )

humm … fiquei com curiosidade (não estou a perguntar!) que teria acontecido para o caro e calmo Prof. perder as estribeiras? Ou quase...

E aqui estão mais dois provérbios que talvez se possam aplicar:
“O Mário (adaptação de última hora) nabiça tudo que vê cobiça” e “A inveja morreu solteira”.

Abraço

Bartolomeu disse...

Caro Professor Massano Cardoso, dou-lhe as boas-vindas, ao mundo dos humanos. (Talvez sejam os motivos que aponta, justificativos da expressão "quanto melhor conheço os homens... mais apreço dou aos animais", ou algo semelhante).
Mas... de regresso ao texto, podemos encontrar no seu todo, como que um profundo tratado de gnose, onde a escatologia que tão bem define o mais fundo da pessoa humana se acha em evidência.
Realmente o desconhecimento da pessoa, influência em muitos, a opinião. Também já tive oportunidade de constatar esse facto. No entanto, como me considero - talvez por deturpação de personalidade - um provocador e, agnóstico, tiro partido dessa tendência de julgar sem conhecer, para colocar em evidência as contradições em que caímos, quando cedemos à atracção de um abismo, que neste caso se traduz pela ausência de senso, ou, insensatez.
Mas, caro Professor, sabemos sempre que entre todos, existem alguns que nos respeitam e consideram, nos vêm tal como somos e entendem essa naturalidade, valorizando-a até. Não são só esses que nos interessam, mas são esses que nos ajudam a olhar o mundo e manter a esperança, de que nunca se venha a desmoronar.
;)

jotaC disse...

Ora, caro Professor Massano Cardoso, não ligue a isso!; é gente verrinosa que não consegue conviver com o sucesso dos outros.