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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Mundo velho...mundo novo I

 
O desemprego é uma trágica realidade, mas nunca, como hoje, sindicatos, comunicação social, partidos de esquerda, comentadores, criaram e ampliaram um clima tão adverso a quem pode criar emprego, a  iniciativa económica privada. Despedir é o objectivo apresentado como aspiração máxima dos patrões, como se estes pudessem obter resultados sem trabalhadores; a ideia de lucro é blasfémia pura. A paranóia já chegou ao combate aos ordenados e até às pensões ditas “milionárias”, como se quem as usufrui não tivesse descontado para as ter. Sem o estímulo do lucro ou do vencimento não há produtividade, nem empresa, nem emprego, nem trabalho. É o que acontece em Portugal. Um mundo velho, a continuar assim, sem solução nem futuro.
Uma semana em Nova York, e alguma pequena atenção ao que se vê e ouve e conversa, e à comunicação social, de imediato areja o espírito. A descoberta casual de Colombo não apena nos trouxe um novo mundo, enquanto continente, mas sobretudo um mundo novo de pensamento, de iniciativa, de inovação. Sofre crises, mas recupera; não se deleita nelas, mas combate-as; não subordina os procedimentos à ideologia; procura a riqueza, e preserva a concorrência; estima a livre iniciativa e não dá tréguas à burocracia; pune quem prevarica e  estimula quem trabalha.
As conquistas essenciais do mundo do trabalho são património adquirido, não perdem tempo a comemorá-las: o 1º de Maio não existiu em Nova York. Comemorar é trabalhar, disseram-me muitos.
Nova York: uma cidade sempre em movimento, sem horários ou com todos eles à disposição;  de gente de todo o mundo, mas limpa, sem paredes pintadas.
Não há ideologia, mas há trabalho. E sem gente dormindo na rua. Ao contrário do que por cá se passa: ideologia aos montes e montes de gente dormindo por aí ao deus dará.
A América é uma baforada de ar fresco. Contarei aqui duas histórias exemplares.    

5 comentários:

Luís Coelho disse...

Não sei como é na América mas conheço o que fizeram ao meus país.
Nós tinhamos trabalho e pão para todos, mas os políticos e as manias das reformas destrutivas deram nisto e agora andam a tapar o Sol com a peneira mas já não enganam a fome nem o desemprego.

Rui Fonseca disse...

"o 1º de Maio não existiu em Nova York"

Já num comentário que coloquei atrás, e que não deves ter lido, referi que o dia do trabalhador, Labour Day - é comemorado em Setembro e não no 1º.de Maio.

Quantos é que não trabalham nesse dia, não sei.

Nos EUA há uma grande discrepância entre feriados oficiais (para a função pública) e feriados (muito menos)obrigatoria ou tradicionalmente concedidos pelos sectores privados. Suponho que o "Labour Day" está no primeiro grupo.

Caboclo disse...

Vejam nesta noticia recente da Globo ..como os patrões disputam os empregados num país onde o despedimento é livre .

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2012/04/maior-medo-dos-empresarios-no-brasil-e-perder-funcionarios.html

Hoje fui cortar o cabelo ..enquanto esperava ia conversando com o cabeleireiro sobre a politica na europa ..entrou uma moça quando explicava que em alguns países como Portugal e Itália se o empregado faz "corpo mole" não pode ser despedido. ..reage a moça instantaneamente ..Oxi !!e ficou me olhando de lado .. duvidando de mim..tal é a falta de lógica..
Juro por Deus ..a galera dá risada ..e franzem a cara ..duvidando descaradamente.

Bartolomeu disse...

Corroboro na opinião que o caro Dr. Pinho Cardão expressa neste post, sobretudo quando no final confronta o que por cá se passa, com o que por lá existe.
E não o faço porque conheça pessoalmente a cidade de Nova York, ou qualquer outra do continente norte-americano, mas porque conheço, aquilo que por cá se passa e não acho possível compara-lo com o que se passa em qualquer outra parte do mundo.
Enfatiza o caro Dr. a mentalidade aberta do povo americano, responsabilizando-a pelo sucesso económico politico e social do país... não rebaterei, nem contradirei a constatação que aqui nos apresenta, contudo, teremos de tomar em linha de conta, aspectos importantes como a dimensão dos estados unidos e ainda a sua juventude, sem com isso desmerecer a entidade laboriosa e a instância que colocam nos objectivos.
A Europa funciona de outro modo, menos célere, talvez devido à sua idade avançada, ou/e à "idade avançada" dos que a governam, que não conseguem encaixar nas suas decisões protectoristas, reminiscentes dos antigos feudos medievais; coisa que na América nunca existiu.
A Portugal, é bom nem nos referirmos nesta matéria.

António Ramalho disse...

"A paranóia já chegou ao combate aos ordenados e até às pensões ditas “milionárias”, como se quem as usufrui não tivesse descontado para as ter."
O problema Sr. Dr. é que para adquirir legitimidade para auferir uma pensão milionária - sem quaisquer aspas para não menorizar - é necessário descontar também de forma "milionária" durante bem mais de 40 anos (qualquer dia talvez 50 anos, atendendo à evolução da esperança de vida). A grande verdade é que há muito boa gente que aufere pensões milionárias tendo descontado apenas meia dúzia anos (e alguns nem sequer esse tempo), tirando partido de posições privilegiadas junto sistemas públicos e daí tirando o correspondente benefício que nenhum fundo de pensões privado alguma vez pagaria. É isso que está errado.
Quanto ao resto do seu artigo estamos genericamente de acordo.