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terça-feira, 8 de maio de 2012

"Dogmatismo" político

Enfim, é altura de fazer um pequeno desabafo. Não é que vá mudar o que quer que seja, mas sempre é uma opinião e não há nada melhor para o fígado do que libertar a bílis em excesso. Acompanho os jornais, amparo-me nalguns programas televisivos, leio blogs, poucos, mas, através do facebook, sou capaz de analisar o comportamento de muitas pessoas, as quais são verdadeiros fanáticos, preconceituosos, doentes, conseguindo fazer inveja aos proselitistas religiosos ou aos mafiosos absurdos do futebol e que ombreiam com "notáveis" comentadores políticos da nossa praça. Ponho-me a pensar se não existirá uma estreita relação entre os religiosos, os adeptos enraivecidos de qualquer equipa de futebol, de qualquer não, de duas ou três, porque as outras não passam de adornos, e alguns cidadãos com "veia" para a política. Parece que sim. Os fiéis da religião aceitam-na de forma incondicional, ajudando-os a passar o tempo, a ultrapassar as tragédias ou aceitar as benesses que lhes caiem em cima, como se tudo fosse filho de uma vontade divina. Dogmáticos, sentem-se bem nessa condição, subordinando-se a um poder superior. Desde que não incomodem os outros e que não os discriminem por causa disso, então, nada a opor, por mim não tenho nada a dizer. Aceito-os. Quanto aos "futebolistas", as coisas são mais complicadas, só a equipa deles é que é a melhor, a única que merece ganhar, com faltas ou sem faltas, com trafulhice ou sem trafulhice, o que interessa é ganhar; versão moderna da guerra, onde vale tudo para matar o adversário, onde não há honra, nem regras, o que interessa é liquidar e demonstrar a supremacia, talvez seja por isso que não aceitem os castigos aplicados às suas equipas e exigem, mesmo que não haja razão, aos adversários, um comportamento estuporado.
Alguns dos pretensos comentadores políticos do facebook são eivados de um proselitismo político face a quem governa, a história é sempre a mesma, passa-se para a oposição e começa-se a denunciar, a insultar, a propor medidas, eu sei lá o que mais, a quererem fazer o que não fizeram e que nunca fazem quando andam nas altas governanças. Digo isto sem qualquer constrangimento. Sou um adepto fervoroso das diferentes ideologias, exceto as totalitárias, obviamente, porque constituem um campo fértil para encontrar soluções e definir estratégias. Não tenho qualquer problema em aceitar iniciativas que venham de quadrantes ideológicos que não seja o meu. Tive alguma experiência nesta área. Se uma ideia for boa e provir dos bloquistas, por que não aceitá-la? Se uma solução proposta pelos comunistas for uma mais-valia para todos, então, é de a aceitar. Se os socialistas definirem uma estratégia que seja exequível, e que possa contribuir para o desenvolvimento, o melhor é agarrá-la. Até mesmo a ala mais conservadora pode ser útil ao denunciar a sua não concordância com certas soluções, mesmo que não venham a ser alteradas, pelo menos suscitam discussão, reflexão e, até, pode evitar a tomada de decisões precipitadas. Ou seja, independentemente do quadrante político a que pertencemos, devemos ser politicamente abertos e não defender dogmas ideológicos, tão ao jeito das religiões, ou demonstrar radicalismo futebolístico mais do que patético. No entanto, face ao que leio, ao que ouço e ao que vejo, são poucos os que partilham desta opinião. Muitos cidadãos estão possuídos por um fundamentalismo tipo "religioso" e um aparvalhamento "clubístico", para não falar de algum ódio e desprezo pelos que não são da sua "seita".
Já não sei o que fazer. Cansam-me. Evito lê-los, mas estou sempre a esbarrar com a bílis negra dos outros, seja onde for. Também tenho o direito de despejar a minha. Para quê? Às tantas para nada.
Apetecia-me dizer:- Estou farto! Mas não digo. Vou tentar aguentar mais uns tempos, na esperança de que muitos elementos deste povo possam ter atitudes diferentes, ajudando-se e ajudando os demais.

8 comentários:

Zuricher disse...

Muito interessante este post, caro professor. Muito, mesmo. E vem de encontro a uma reflexão minha de há muitos anos; muita gente é do partido A ou B porque sim, simplesmente, da mesma forma que se é do clube de futebol C ou D. Apenas porque sim. Ora, ampliando este pensamento chegamos ao absurdo e à contradição da própria democracia em que os eleitores escolhem não o que lhes parece melhor para o país num dado momento e dado o seu contexto próprio mas, sim, vão bovina e acefalamente votar no partido de que são. Porque lhes parece o melhor? Não, votam nesse simplesmente porque sim. Sendo-lhe sincero, na minha cabeça isto faz-me muita confusão.

Esta minha reflexão antiga vem acompanhada de outra semelhante relativa aos sistemas politicos e à defesa dum sobre todos os outros sem fazer caso do contexto. Mas isto são contas doutro rosário.

Tonibler disse...

E as ideias "homeopáticas"? ... Ops! :)

Massano Cardoso disse...

As ideias homeopáticas? Sei lá! Eu sou das "convencionais"... Embora use, sem abusar, do placebo, com todo o respeito. Funciona e bem.

Catarina disse...

Gostei dessa forma de pensar, caro Prof, que não me supreende. Outra coisa não esperaria.

Bartolomeu disse...

Bom post, execelentes reflexões, curiosas análises.
Pela minha parte, caro Professor Massano Cardoso, considero que o "pessoal" necessita «como de pão para a boca» de possuir uma "etiqueta" para exibir, mesmo que essa "etiqueta" não lhe esteja colada ao coração.
Lembro-me de um filme português com o título "O Leão da Estrela":
http://www.youtube.com/watch?v=OkDozgiS86E

Era uma época (e continua a ser) em que a aproximação e a entrada em determinados circulos sociais, empresariais e políticos, se fazia pela atracção clubística.
Mas, tudo em nome de um objectivo; a obtenção do poder. O Homem não existe sem poder, sem supremacia, sem a imposição da sua vontade, sobre o seu semelhante.
Penso que seja coisa que lhe ficou do tempo em que, quando ainda não passava de um espermatozoide, conseguiu vencer numa prova de natação, uns milhares de outros mais fracos.
Admiro e aplaudo a esperançosa idealística que suporta tenazmente o seu desejo de que a sociedade venha um dia a mudar, a tornar-se mais humana e igual, nos aspectos que a define.
Amen!

Rui Fonseca disse...

Em Julho de 2006 li um artigo que aborda em certo sentido este tema, e comentei-o aqui:
http://aliastu.blogspot.com/2006/08/antolhos.html

Transcrevo apenas uma pequena parte porque o comentário é extenso e pode ser lido naquele
endereço.

"
....

...a humanidade, contrariamente à asinidade, não precisa de prótese porque a sua tendência natural é a de olhar sempre para o lado com que nasceu programada. A comparação talvez seja insolente e a questão, á primeira vista, pode parecer anedótica mas foi objecto de estudo científico.

Segundo um artigo publicado no Washington Post de 31/7/2006, e que a seguir se transcreve para memória futura,

Psychological experiments in recent years have shown that people are not even-handed when they process information, even though they believe they are.
(When people are asked whether they are biased, they say no. But when asked whether they think other people are biased, they say yes.) Partisans who watch presidential debates invariably think their guy won. When talking heads provide opinions after the debate, partisans regularly feel the people with whom they agree are making careful, reasoned arguments, whereas the people they disagree with sound like they have cloth for brains.

....."

Manuel Rocha disse...

Bom dia Caro Prof. Massano, concordo consigo.... uma boa ideia tem que ser bem aceite, venha de onde ela vier. O que tem que ser valorizado é a ideia. Basta pensarmos que não somos os únicos a viver neste planeta. Mas é tão dificil perceber isso, creio que não!!

António Ramalho disse...

Gostei. Vou passar a vir aqui mais vezes.