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sábado, 4 de agosto de 2012

Especulação olímpica e neoliberal

Também em Londres a especulação internacional neoliberal se virou contra nós.
O atleta do ping-pong diz que foi derrotado pelo árbitro, que exigiu o “dedo para dentro”, quando o nosso homem está habituado a jogar com “dedo para fora”.
Fora o árbitro, certamente um perigoso neoliberal, pronto a explorar a própria postura dos dedos, não vá a mão exigir autonomia demasiada!...
O atleta do trampolim diz que arriscou e, no risco, perdeu o trampolim. Fora o trampolim, certamente um vil trampolim capitalista, que se move consoante as oportunidades!...
Dois atletas das barreiras depararam-se inesperadamente com as ditas e tropeçaram, logo aí perdendo esperanças e corrida. Fora os obstáculos nas corridas de barreiras, invenção do grande capital monopolista para explorar a boa-fé dos atletas!...  
A atleta da vela teve uma gravidez planeada e desistiu da regata por e-mail, para não atrapalhar o súbito planeamento. Fora o olimpismo neoliberal, gerador de desigualdades, explorador das mulheres, que nem sequer prevê regatas para grávidas!...
Não fora esta ofensiva capitalista e  neoliberal que nos acertou em cheio, e já 4 medalhas nos cantavam no bolso!...

2 comentários:

Carlos Sério disse...

Princípios básicos da cartilha económica neoliberal

- mínima participação estatal nos rumos da economia de um país;
- pouca intervenção do governo no mercado de trabalho;
-previdência pública apenas para os miseráveis, os que “não deram certo”;
-protecção social tratada como questão individual, como decisão pessoal de se prevenir;
- direitos dos trabalhadores tratados como privilégios, fruto de populismo, e causa de desemprego e de ineficiência económica;
- política de privatização de empresas estatais;
- privatização dos serviços públicos, mesmo os considerados essenciais para a sociedade (água, luz, telefone, educação, saúde, previdência, etc.).
- livre circulação de capitais internacionais e ênfase na globalização;
- abertura da economia para a entrada de multinacionais;
- adopção de medidas contra o proteccionismo económico;
- desburocratização do Estado: leis e regras económicas mais simplificadas para facilitar o funcionamento das actividades económicas;
- diminuição do tamanho do Estado;- posição contrária aos impostos ;
- aumento da produção, como objectivo básico para atingir o desenvolvimento económico;
- contra o controle de preços dos produtos e serviços por parte do Estado, ou seja, a lei da oferta e procura é suficiente para regular os preços;- a base da economia deve ser formada por empresas privadas;
- despolitização da política económica, fim da macroeconomia: políticas macroeconómicas apresentadas como técnicas rígidas, divididas apenas em “responsáveis” ou “populistas”;
-enfraquecimento dos sindicatos;

Milton Friedman (um dos seus teóricos) afirma que se há desemprego então deverão reduzir-se os salários. Se esta diminuição dos salários não é capaz de gerar emprego, então é preciso continuar a baixar os salários. Para que os salários possam baixar, devem desaparecer os Sindicatos, já que estes não permitem que haja uma “livre” contratação da mão-de-obra, impedindo que o valor da força de trabalho se fixe pelas leis de mercado. Se os Sindicatos fazem subir o salário, isto leva a reduzir o nível de emprego.

Carlos Sério disse...

A evolução da socialdemocracia a partir dos fins dos anos 50 foi nitidamente esta: a conciliação dos valores liberais fundamentais com um regime económico que rejeita o capitalismo liberal. Para que as liberdades sejam desenvolvidas e se dê satisfação à justiça social a social-democracia rejeitou, e bem, o capitalismo liberal e enveredou por outras formas económicas em que é mais importante uma política de preços de rendimentos, de salários, de justa distribuição de rendimentos, de participação dos trabalhadores nas empresas e nas próprias decisões conjunturais do que propriamente da propriedade dos meios de produção.

Numa social-democracia, o que é característico é o apoio dos trabalhadores industrializados: e esse apoio é tanto mais significativo quanto mais o País estiver industrializado. As sociais-democracias do Norte da Europa, por exemplo, nasceram com o apoio dos operários da indústria, mas também de agricultores, de pescadores e de pequenos comerciantes, tal como no nosso país. A nossa base social de apoio é tipicamente social-democrata. O nosso programa é um programa social democrático avançado, em relação, por exemplo, ao programa do S.P.D. alemão - e, portanto, isto afasta qualquer deturpação que se queira fazer no sentido de nos apresentar como partido liberal ou democrata-cristão, o que são puras especulações tendenciosas que não têm qualquer base.

É que a social-democracia, que defendemos, tem tradições antigas em Portugal. Desde Oliveira Martins a António Sérgio. É a via das reformas pacíficas, eficazes, a caminho duma sociedade livre igualitária e justa. Social-democracia que assegura sempre o respeito pleno das liberdades.

Francisco Sá Carneiro