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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Como é que será amanhã?


Leio os títulos de alguns jornais. Num caso ou em outro ainda espreito o que possa estar dentro. Desisto depressa, não vale a pena. O que uns e outros dizem não bate certo. Encontro esta variedade de avisos:

Jornal de Negócios – Portas aprova TSU sobre os pensionistas. O líder do CDS viu-se forçado a recuar por falta de medidas alternativas. Portas aceita TSU sobre pensionistas por falta de alternativas.

Diário de Notícias – “TSU dos pensionistas”. Nova taxa só não estará no OE 2014 se forem encontradas medidas substitutas.

Publico – “Cisma” de Paulo Portas faz taxa das pensões passar a ser facultativa.

Diário Económico – “Troika” não cede e taxa sobre pensões continua após a sétima avaliação. Peritos da “troika” receiam que reforma do Estado chumbe no Constitucional.


Entre ser obrigatória ou facultativa, entre ser ou não uma opção, entre estar incluída ou estar excluída, entre ser aplicada ou ser substituída, entre ser uma medida aprovada ou aprovada condicionada, entre ser o que é ou o seu contrário, entre ser uma derrota ou uma vitória e muitas outras classificações e o seu inverso que foram sendo usadas e abusadas ao longo do dia, o certo é que nada ficou esclarecido. Talvez a ideia fosse exactamente essa, ficar tudo por esclarecer e baralhar ainda mais a opinião pública e os visados. O mundo mediático agradece e aproveita. No final de mais um dia, os pensionistas e as suas famílias - nuns casos de quem dependem e em outros casos que deles dependem - ficam sem saber os que lhes vai acontecer. Não sabem com o que podem contar. A insegurança e a falta de confiança no presente e no futuro apoderaram-se de uma grande parte do país. Há quem diga que temos que nos habituar a viver assim. Nada de mais errado. A queda da confiança tem efeitos nefastos em todos os campos da vida privada e colectiva. A confiança é fundamental para dar orientação à vida das pessoas, das empresas, das instituições e do próprio Estado, influi – e de que maneira - nas expectativas e previsões, é determinante nas decisões. Tudo isto é verdade, mas o que mais me impressiona é o medo que se está instalar nos pensionistas e nos grupos mais vulneráveis da sociedade, medo não apenas de saberem o que já se sabe mas de não saberem o que está para vir. Como é que será amanhã?

11 comentários:

Luis Moreira disse...

É o jornalismo "copy e paste". Não trabalham os assuntos...

Bartolomeu disse...

"O Amanhã", foi, é e será sempre uma incógnita.
Nestes conturbados tempos, esta incógnita é exponêncial, de acordo, supostamente, com interesses obscuros, ou, com etruscos propósitos.
Concorrem para este panorama, as formas como as notícias são apresentadas.
Falham os orgãos governamentais, porque ao não informar directamente, oferecem uma oportunidade excelente para quem objectiva especular, em lugar de informar.
Contudo, identifico ultimamente sinais de mudança, que me alegram imenso. Se os sentidos não me enganam e alguma acuidade, julgo que se inicia um movimento muito positivo e com tendência de recuperação, por parte das pessoas mais velhas, que estão a tentar recuperar antigos habitos de economia doméstica e de produção artesanal, recuperando práticas que já se achavam "arrumadas nos sótãos da memória".
É bom que algumas práticas e habitos já consideradas em desuso,se venham a recuperar e que o efeito dessa recuperação sirva para ensinar aos mais novos o valor dos antigos saberes, a sua utilidade e o seu aproveitamento, ajudando a reequilibrar os orçamentos familiares e a recuperar alguma qualidade de vida, já para não falar da saborosa e edificante interacção entre os membros da família.
às tantas... ainda chegamos naturalmente à máxima Salazarista: Deus, Pátria e Família. Três pilares, que respeitando o princípio universal do direito à liberdade, nenhum prejuízo poderão causar-nos.
Penso.

manuel.m disse...

Relembrando...
No dia 5 de Maio escrevi este comentário a um post seu:

"Mas e se dentro de dias a troika "obrigar" a que a nefanda taxa vá mesmo para a frente ?
Lá estará PP a declarar, compungido e de coracão pesado, que fez o humanamente possivel para salvar os pobres dos reformados de mais este ataque.
E caírá o pano sobre esta farsa sob o aplauso dos do costume".

Agora tenho de emendar :
Não é farsa: É circo, (mas o de Roma,com
mártires atirados às feras).

jotaC disse...

Cara Dra. Margarida Aguiar,
Tem toda a razão. A insegurança e a falta de confiança não são de certeza as melhores condições para dinamizar o investimento; o governo vê isso mas pouco lhe importa, quando o objetivo é a pobreza generalizada….Assim a farsa continua, até o Portas passou a ser daltónico.

Bartolomeu disse...

Um cisma, ou separação no seio de uma sociedade, nunca poderá ser algo de desejável.
Contudo, é algo que faz parte da natureza humana, separar para controlar, ou para reduzir a um estatuto inferior.
Paulo Portas declarou que não gostaria de assistir a um cisma grisalho em Portugal.
No entanto, para os grisalhos, um cisma, poderia representar um benefício, se a condição de grisalho viesse a isenta-lo de determinadas obrigações.
Não sendo assim, estando os grisalhos sujeitos aos mesmos cumprimentos, não dispondo das condições necessárias para os satisfazer, deixamos de poder considerar um cisma e teremos de considerar um extermínio.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Luis Moreira
"Copy paste" de? O mensageiro não faz um trabalho sério, também tem culpas mas a culpa não é só dele.
Caro Bartolomeu
Estamos a assistir a um cisma que não é apenas grisalho. Neste momento a geração grisalha tem um papel de suporte familiar importantíssimo. Conheço muitos casos, alguns que me são muito próximos, de avós que estão a ajudar filhos desempregados e os seus filhos. Já aqui escrevi um post sobre o pilar de "segurança social" que constitui a família. Lembrou bem este assunto, caro Bartolomeu.
Caro jotaC
Está a faltar bom senso e razoabilidade, no mínimo, para não ter que qualificar com outras palavras.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro manuel.m
Relembra muito bem!

Paulo Pereira disse...

caros,

Continuo a achar que a discussão sobre as pensões se deveria centrar em dois pontos :

a) este sistema economico baseado no Euro não permite crescer a economia e portanto as pensões actuais da CGA são inviáveis

b) Porque é que as pensões actuais não são recalculadas com base nos mesmos parametros que as futuras, com um periodo de transição de 4 anos

murphy V. disse...

Por muito que em televisões, fóruns e jornais se diga o contrário, será inevitável mexer nas pensões… Os factos: se há 20 anos existiam 4 trabalhadores activos por cada reformado (e a esperança média de vida, i.e., o n.º de anos médio que as pessoas usufruíam da pensão era de 10 – 12 anos), alguém com o mínimo de conhecimentos de matemática pode acreditar que o mesmo sistema suportará pagar o mesmo nível de pensões quando, dentro de pucos anos, teremos 3 pensionistas por cada 4 trabalhadores activos e, apesar da subida da idade de reforma, em média as pessoas receberão as suas pensões por 20 – 25 anos?!
http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/05/historias-que-todos-conhecem.html

Paulo Pereira disse...

Sim poderiam , desde que o desemprego se mantivesse baixo, pois os desempregados além de darem despesa não pagam TSU.

Se o desemprego fosse de 10% em vez de 20% a S.Social era sustentável.

A CGA é outra conversa porque o calculo das suas pensões foi sempre insustentável.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro murphy V.
Não estamos muito longe de atingir o rácio de um activo por pensionista. Aqui ficam estes dados que são bem elucidativos das dificuldades do actual sistema de pensões:
Entre 1983 e 2011, o rácio PA/PP registou uma deterioração de 2,34 para 1,57.
No mesmo período, o rácio PPP/PP registou uma deterioração de 1,73 para 1,21.
PA - População Activa - conjunto de indivíduos que são considerados economicamente aptos (15-64) anos.
PPP - População Potencialmente Produtiva – corresponde à população activa, deduzida dos desempregados e da população estudante dos 15 aos 19 anos.

Caro Paulo Pereira
O que é que entende por sustentabilidade da segurança social?