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quarta-feira, 1 de maio de 2013

Desemprego jovem: que soluções?

Capa do último número da revista Economist: Generation jobless. Lá dentro um editorial e um artigo que valem bem o tempo despendido na sua leitura.
Os números da OCDE não deixam dúvidas quanto a um dos problemas mais graves com que se debatem hoje as economias mais desenvolvidas. No mundo desenvolvido existem 26 milhões de jovens – entre os 15 e 24 anos que não estão empregados, não estudam e não fazem formação. O número de jovens sem trabalho cresceu 30% desde 2007. O mau desempenho das economias explica parte deste flagelo. Parte porque mesmo em tempo de recessão muitas empresas continuam a não encontrar jovens com qualificações ajustadas às suas necessidades.
Nestes países, uma percentagem importante dos jovens que ainda assim estão empregados confrontam-se com contratos temporários, que por sua vez não permitem que se desenvolva uma relação mútua de investimento da qual os jovens retirem novas e sólidas competências.
Com efeito, esta constatação chama a atenção para outras duas soluções para resolver o problema do desemprego jovem: a reforma do mercado de trabalho e o investimento na educação. São duas prescrições clássicas mas que devem ser levadas em conta com muito maior vigor do que tem acontecido até aqui.
Mas mesmo em países com mercados de trabalho flexíveis, como é o caso, do Reino Unido, as taxas do desemprego jovem mantêm-se elevadas. Nos países em que as taxas são mais baixas, foram adoptadas políticas, como é o caso da Alemanha, em que o Estado paga uma parte importante dos salários do desemprego de longa duração durante um período longo. Nos países Nórdicos, em que o desemprego jovem está controlado, o Estado proporciona aos jovens "planos personalizados", uma espécie de passaporte para os colocar no mercado, seja num emprego seja em formação. São políticas públicas muito caras que só os países ricos e com populações pequenas têm possibilidade de suportar.
E quanto à educação, o ponto mais importante não é o número de anos de estudo ou o número de licenciaturas ou cursos, é sim o conteúdo dos estudos, isto é, a sua vocação tecnológica ou científica para satisfazer as necessidades do mercado de trabalho. O ponto é, aproximar o mundo da educação do mercado do trabalho. A Alemanha com o sistema de ensino vocacional é um exemplo bem-sucedido que está a ser seguido por outros países como a Coreia do Sul, Singapura e o Reino Unido. Este caminho requer uma mudança de atitude por parte das empresas, no sentido de investirem numa maior aproximação e cooperação com as universidades desenhando programas que respondam às suas necessidades.
Portugal tem um mercado de trabalho fortemente dualizado – uma parte protegida, com contratos estáveis e o “emprego para toda a vida” e outra parte desprotegida com contratos precários e baixos salários. Esta dualização não só prejudica a afectação eficiente dos recursos, como acaba por contribuir para uma desvalorização do capital humano. Confrontamo-nos também com o facto de uma parte significativa da população ter baixos níveis de qualificações, pese embora os grandes progressos feitos nas últimas décadas. Quanto à cooperação entre a educação e o trabalho temos quase tudo por fazer.
Como se conclui do artigo do Economist há um conjunto de mudanças que necessitam de ser conduzidas de forma articulada e integrada. É um trabalho de todos, agentes políticos, económicos e sociais. Levam tempo a produzir resultados, mas os países que seguirem por este caminho tem uma luz ao fundo do túnel. Não estamos sozinhos, o desemprego jovem está globalizado, somos uma economia pequena a que acrescem os problemas estruturais que sabemos. Estamos dependentes dessa globalização, mas as soluções para o desemprego jovem também passam pela dimensão nacional. Dependem de nós, da nossa capacidade de visão e de mudança e do consenso de que toda a gente agora fala que é muito necessário…

4 comentários:

Helder Ferreira disse...

Um artigo de 2004 do Fernando Cruz Gabriel

http://www.causaliberal.net/home/artigos/fernando-cruz-gabriel/manual-para-a-eliminacao-da-liberdade-por-processos-democraticos-fernando-cruz-gabriel

Paulo Pereira disse...

Cara Margarida C. Aguiar,

O numero de empregos estáveis diponiveis numa economia depende o PIB e da produtividade média de cada emprego.

Ou seja quanto maior o PIB mais empregos e quanto maior a produtividade menos empregos para um mesmo PIB.

Estando o desemprego a subir em toda a UE desde há vários anos , o que se passa é que as empresas vão despedindo e não contratam jovens.

e como os jovens têm contratos mais precários e mais recentes são mais afetados pelos despedimentos, até porque as empresas tendem a ter "afectos" pelos empregados que estão há mais tempo.

Logo a unica solução é aumentar o PIB .

É sempre a TINA mas ao contrário da original.

Humberto Baião disse...

acresce que Portugal não só não cria empregos, como a legislação, a fiscalidade e o amiguismo e compadrio, muitos matam e mais impossibilitam...

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Helder Ferreira
Obrigada pela sugestão.
Caro Paulo Pereira
Para aumentar o PIB é preciso actividade económica, mais investimento, mais emprego, mais trabalho, mais consumo, etc. E os jovens são necessários.
Caro Humberto Baião
Sem reformas estruturais sérias que eliminem os custos supérfluos do contexto vamos continuar com muitas dificuldades.