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sexta-feira, 31 de maio de 2013

Não saber estar, não saber ser

O senhor Provedor de Justiça goza de um conjunto de privilégios, entre eles a inamovilidade, como contrapartidas da sua independência. Independência que naquele específico cargo criado para a defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, significa antes de tudo neutralidade no campo das disputas politico-partidárias.
O senhor Dr. Alfredo de Sousa, eleito pela AR após o PSD achar que o Professor Doutor Jorge Miranda não reunia condições para exercer o cargo, veio em entrevista à Antena 1 opiniar que deveriam ser convocadas eleições legislativas a par das autárquicas. "É a única hipótese que vejo, senão só depois de junho de 2014", entende o senhor Provedor. Mas vai mais longe na opinião: gostava de ver o que acontecia se o líder do CDS batesse com a porta, mas acredita que Paulo Portas aguenta até junho de 2014.
Na mesma entrevista o senhor Provedor de Justiça diz que o último Conselho de Estado onde tem assento “não foi importante”, porque “apenas serviu para conhecer diversas perspetivas pós-‘troika’ em termos de União Europeia". Coisa pouca, o futuro de Portugal no quadro da União na perspetiva de um conselheiro de Estado...
 
Repito o que sinto profundamente. À crise económica e financeira e à crise política latente soma-se, de mais grave, uma muito preocupante crise institucional, pois são poucos, muito poucos, os que nas principais instituições do Estado sabem estar e sabem ser. Declaro-me assim de acordo com a opinião mais certeira que ouvi de António José Seguro: o regime está em causa. Se tal como aconteceu com muitas outras no passado esta crise de regime tiver um caráter saneador e regenerador, pelo minha parte saudo-a. Viva a IV República!

16 comentários:

Bartolomeu disse...

Será que o senhor Dr. Alfredo de Sousa, é também adepto do Benfica?
Este 2013 está a ser uma ano aziago.

Floribundus disse...

nesta republiqueta social-fascista
só aparecem saloios deslumbrados
com a notoriedade
todos querem fazer concorrência ao boxexas

Manuel Silva disse...

O Conselho de Estado também foi comunicado em 1.ª mão por um comentador televisivo, que por acaso, por mero acaso, é Conselheiro de Estado e amigo do PR.
Só depois este último convocou oficialmente todos os conselheiros.
Pelo que me parece estarem muito bem uns para os outros.
Se eu não estiver a ver mal a coisa.

Bartolomeu disse...

we dont give tham a shit!

JM Ferreira de Almeida disse...

Não está meu caro Manuel Silva, infelizmente não está!

Pinho Cardão disse...

Caro Ferreira de Almeida:

Por que não se calam?

JM Ferreira de Almeida disse...

Apagar-se-iam no seu nihilismo meu caro Pinho Cardão. Assim é melhor, sempre se põem a nu hipocrisias, sempre caem algumas mascaras, sempre o regime da um passo em frente ao seu fim.

Bartolomeu disse...

"Não saber estar" IÔ "Não saber ser" IÔ.
O título do post lembra-me a polémica entre o primeiro ministro Aníbal Cavaco Silva e o presidente da república Mário Soares, nos idos de 95, que teve na origem a escolha entre preservar as gravuras rupestres do vale do Côa, como pretendia o P.R, ou construír uma nova barragem para a EDP produzir pataniscas como defendia o P.M. e o ministro Mira Amaral.
Venceram as gravuras, este braço de ferro entre os dois governantes.
E porque venceram as gravuras, perguntais vós, estimados amigos...
Venceram devido à acção do destino, ou do acaso?
Não!
Nada sucede por acaso!
E neste caso, a solução veio pela acção de uma Companhia Negra, inspirada na antológica frase do ex-PR « as gravuras não sabem nadar» IÔ
http://www.youtube.com/watch?v=VP8cDAzAyRY
Porque o bantu não sabe nadar, o achepin não sabe nadar, o mad neega tb não e o max ainda menos.
Infere-se que se tratava de uma companhia de pregos, pelo que, a barragem seria o que de mais prejudicial lhes poderia suceder...
Moral da história: é essencial saber-se nadar, seja no mar, no rio, ou nos lagos...

Pedro disse...

Não podia concordar mais consigo quando afirma que :

"(...)uma muito preocupante crise institucional, pois são poucos, muito poucos, os que nas principais instituições do Estado sabem estar e sabem ser."

Começando pelo proprio Governo, que em dois anos consecutivos, aprova OE inconstitucionais - haverá pior "estar/ser" de um Instituição que o desrespeito á Constituição ?

Poderiamos ainda acrescentar a propria re-organização Administrativa das Autarquias aprovada pela maioria, que tambem ela é Inconstitucional.

Ora, perante isto, é o proprio Governo a principal "instituição" a não "saber ser/saber estar".

Aliás, os proprios ataques ao TC, tanto vindos de elementos do Governo, como tambem de bloggers que ora atacam o TC, ora se queixam dos "não saberes ser/estar"...demonstram bem que a falta de cultura e respeito pelas Instituições vai muito alem do Governo.

E aqui sim, estamos mesmo de acordo, o não "saber ser/saber estar" dos "actores" perante as Instituições é não só preocupante como pode mesmo vir a ser fatal!

Zuricher disse...

Concordo plenamente, caro Bartolomeu, que no Portugal de hoje há que saber nadar. Não para ficar a salvo de barragens, nada disso, mas sim para ir arrepiando caminho para a Mauritânia ou coisa parecida. Esta história dos detentores de cargos públicos não saberem vestir os cargos que ostentam é grave. Até porque espelha bem o grau (baixissimo) de qualidade dessa gente e os sinais que essa baixeza dá quanto ao futuro. Afinal, com farinha de má qualidade, açucar de má qualidade, ovos maus e laranjas azedas é fisicamente impossivel fazer um delicioso bolo de laranja. Ou estou a ver alguma coisa mal?

JM Ferreira de Almeida disse...

Meu caro Pedro, não excluí nenhum dos atores, se reparou. Nenhum.
Pode ser faltal, como escreve? Pode. Mas também pode ser regenerador. E precisamos, como de pão para a boca, arrumar no sótão este paradigma caduco, olhar sem preconceitos para os novos tempos e perceber que a relação Estado-cidadão não pode continuar por muito mais tempo a basear-se neste modelo, intermediada por quem dele (se) aproveita. Se é que ambicionamos o que todos dizem que ambicionam...

jotaC disse...

"(...) Repito o que sinto profundamente. À crise económica e financeira e à crise política latente soma-se, de mais grave, uma muito preocupante crise institucional, pois são poucos, muito poucos, os que nas principais instituições do Estado sabem estar e sabem ser.(...)"

Completamente de acordo, está "instituído" o absurdo...

Pedro disse...

JM,

tb aceito, conforme diz, que "pode" (ao q acrescemto um "e deve") ser regenerador.

Mas por forma a evitar o colapso e o "caos" esta "regeneração" por muito que custe ou que parece impossivel, só pode ser feita dentro das regras e dentro do respeito ás Instituições e ás suas funções (a toda: do Governo, ao TC, ao PR, á Justiça...)!

É oobvio que a "voragem destes tempos" dificilmente se conjugará com o "relogio das Instituições"...

mas temos de encontrar forma de ajustar estes dois tempos, e "regenerar" sem "partir"!

Porque se "pela voragem destes tempos" ..aceitamos que se infrinjam as regras estabelecidas (mesmo q pontualmente possam ser mal interpretadas/aplicadas), e se aceitem "Insituições mais/menos legitimas que outras"... estamos mesmo arrumados.

Eu sei que é qusae impossivel ajustar estes "dois tempos", mas não podemos "partir um dos relogios"...temos de encontrar solução, em conjunto e de conjuntura!

...antes que o debil e fragil e miseravel Sistema se esbroe por completo...e ai sim, vai ser a doer...para todos!

JM Ferreira de Almeida disse...

De acordo, meu caro Pedro.

Tonibler disse...

Caro JMFA,

A conclusão de que o Prof Doutor Jorge Miranda não reúne condições para o cargo pode ser tirada antes de se saber qual é o cargo. Não é por isso que se deve diminuir o Sr. Dr. Alfredo de Sousa que foi eleito pela AR e, por isso, democraticamente muito mais capaz para o cargo de acordo com o soberano, apesar do inferior número de títulos académicos que ostenta e que o meu caro fez questão de sublinhar. Que o conselho de estado não serve para nada, também não é exactamente fusão nuclear fria porque não serviu este, nem nenhum antes deste porque nunca se tirou nada de positivo de qualquer outro.

Quanto ao regime estar em causa... Em causa???? :) Já faliu! Como "em causa"?. Esse "regime" já não volta nunca mais, acabou. O que se procura agora é fechar as novas. Que os outros europeus aceitem fundir os exércitos que nós aceitemos ceder a justiça (vai haver choro, pela certa...) , mas "em causa" parece-me uma notícia com a actualidade do abandono do futebol profissional pelo Eusébio.

murphy V. disse...

Por muito que esbracejem, eis o desafio da próxima década:

será possível implementar as mudanças que Portugal precisa, as quais passam inevitavelmente pelo corte nos recursos que sustentaram nas últimas décadas o modelo de riqueza das "elites" da capital, quando será precisamente esse grupo - que domina completamente a opinião pública e a agenda mediática - o mais prejudicado por essas medidas?
http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/05/do-portugal-silencioso.html