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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Banalizações problemáticas...

A expressão "segundo resgate" banalizou-se no espaço político e mediático. Um assunto tão sério merecia ser tratado de outra forma. Uma expressão que tem sido utilizada diariamente aos longos das últimas semanas, servindo estratagemas políticos que as pessoas comuns não entendem. Ficam, sim, assustadas. Uma banalização que serve e alimenta estratégias mediáticas à custa das quais jornais e televisões se dedicam a análises e comentários sem fim. Toda a gente opina sobre o assunto, fazem-se vaticínios, é uma fatalidade, vai acontecer, só não se sabe quando e como ou ainda é prematuro dizem outros numa versão light ou ainda outros que chamam a atenção para o nome, "segundo resgate" não é a expressão adequada. Uma técnica que não informa, geradora de confusões e dúvidas, tem tudo para não correr bem.
O que as pessoas normais entendem é que algo de errado se está a passar. Depois de tantas doses de austeridade - aumentos de impostos, cortes nos salário que afinal de provisórios nada tinham, aumento exponencial do desemprego, reduções nas prestações sociais, aprofundamento dos níveis de pobreza e privação que atingem uma parte significativa da população - como se explica, então, que as metas do défice não tenham sido atingidas e todos os anos tenham que de novo ser corrigidas, desta vez, aliás, com grande vigor na praça pública. E de repente, eis que surge um "segundo resgate".
Os portugueses andam com a esperança muito em baixo, a braços com tantas dificuldades, muitos a viverem na sobrevivência e muitos a lutarem com todas as forças que têm e que não têm pelas suas empresas e postos de trabalho, que falar de um "segundo resgate” - que aliás entrou no léxico da opinião pública com uma  simplificação absurda - só pode piorar a falta de confiança que tomou conta do país. Mas quando alguém toca as campainhas de que a Troika está a trabalhar num "segundo resgate", então surgem os comunicados, conjuntos e sem ser em conjunto, os directos e indirectos que desmentem linha por linha uma tal situação, não há nenhuma negociação, o assunto não está na agenda. E os portugueses o que podem pensar, que não passou tudo de um mal entendido, que ouviram mal?

2 comentários:

Suzana Toscano disse...

Hoje ouvi o Durão Barroso a falar sobre isso, é mau sinal quando começam os esclarecimentos e os desmentido, em qualquer caso tem razão, entre informação, contra informação, propaganda e luta política, é impossível tirar conclusões. Uma coisa é certa, o que há pouco tempo era tabu, agora é tema de todos os dias.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Suzana
Há momentos em que o silêncio é de ouro!