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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Faz, desfaz, e volta a fazer


 Há uns quatro ou cinco anos encontrei no elevador um novo vizinho, um rapaz que teria a idade das minhas filhas, muito simpático, que fazia então a mudança para o prédio. Como tinha ouvido, durante vários meses, a barulheira e o movimento de obras no andar dele, perguntei-lhe se tinha demolido a casa. Riu-se e gabou a profunda alteração que tinha feito, deitou abaixo umas paredes inúteis, juntou a sala e um quarto, tirou portas, fez uma suite. Bem, disse eu, deve ter ficado muito gira, mas pelo que percebo só dá para uma pessoa ou para um casal que se dê tão bem que não precise de um espaçozito de refúgio para ler ou trabalhar. Ele disse que não, que a casa estava muito moderna e o desenho original já não se usava, agora era tudo espaços abertos, se eu quisesse fazer obras teria muito gosto em mostrar como tinha ficado diferente.Entretanto casou-se e a criança já tem um ano, voltei a encontrá-lo com a família e ele disse-me que ia fazer obras na casa. Outra vez? Perguntei-lhe, então as outras não ficaram bem? Sim, ficaram, mas vou ter que voltar a pôr as paredes e as portas como estavam, com o miúdo em casa não há sossego, tenho que ter um escritório e ele um quarto só para ele, a sala é tão grande mas ele sozinho toma conta de tudo. Importa-se que o arquitecto vá ver a sua, para ver como era a planta original? É que tenho ideia de que era muito bem dividida...

11 comentários:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Pois ...constroi-se sem ver que aquilo que se quer agora pode não bater certo no futuro...
Também por cá há casos destes, mas o pladur resolve tudo e não fica mais caro.

Bartolomeu disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bartolomeu disse...

;))))
Só se for para manter o clima de boa-vizinhança, Drª Suzana, senão... o rapaz merecia que lhe cobrasse uma quantia pelo serviço de assessoria para os assuntos de reconstrução e reabilitação do espaço habitacional.
;)))

Tiro ao Alvo disse...

Eu sei que tem razão, mas, desculpe, a estória que nos contou está mal contada - quem acredita que ele tinha necessidade de ver a sua casa para saber como era a dele, antes das obras?

Bartolomeu disse...

Ó Tiro ao Alvo... com franqueza... então o amigo acha que o moço, depois de casar e de ser pai, depois de ter abandonado o paraízo do celibato e estando a viver o inferno da condição de chefe de família, ainda lhe restava cabeça para guardar as imágens da planta anterior?

António Rodrigues disse...

Muito bem escrito e actualíssimo o artigo de opinião da Exma. Senhora D. Suzana Toscano. Só é pena que os caros comentadores, com o devido respeito, não tenham entendido o seu alcance. Aceite os meus mais respeitosos cumprimentos

Bartolomeu disse...

Naquilo que me diz respeito, caro António, assumo totalmente a minha obtusidade. Sabe?! Sou uma pessoa do campo, humilde e sem capacidade de visão RX, por isso, a minha limitada capacidade de dedução, não me permitiu que descortinasse no texto da Drª Suzana, mais que duas conversas de circunstância, travadas, a primeira durante uma curta viagem de elevador, a segunda e porque não foi explícitamente referido o local do encontro, quiça, num esconço da imaginação da autora. (saiba o meu amigo, que os escritores não são gente confiável... mentem muito, em função da capacidade ficcionista que possuem).
;)

António Rodrigues disse...

Exmo. Senhor Bartolomeu: nunca foi minha intenção magoar quem quer que seja, muito menos o Senhor, cuja humildade e franqueza com que se apresenta representam, para mim, elevação, pureza e nobreza de sentimentos a que faço a minha vénia. Se calhar, na vida, já tenho tido muitas mais incompreensões que o Senhor Bartolomeu, pois nem sempre o nosso espírito dá o melhor caminho àquilo que lemos ou ouvimos. Peço-lhe desculpa se se sentiu magoado e aceite os meus mais respeitosos e sinceros cumprimentos.

Bartolomeu disse...

Meu caro António Rodrigues, que não lhe dê cuidado o efeito que o seu "juizo" possa ter causado aos meus sentimentos.
Vou ser-lhe franco; no campo virtual, não deixo que alguma opinião, conclusão ou outra, afectem o meu espírito. A verdade, e para lhe ser muito franco, é que esta "prática" de visitar blogs e de neles colocar o meu comentário, serve somente um propósito; o de proporcionar ao cérebro algum exercício, de uma forma totalmente pacífica, amistosa se possível. É claro também, que por vezes os meus comentários se revestem de alguma ironia, facto que tenho consciência, de provocar por vezes a quem lê, a falsa sensação de que terei ficado desagradado ou mesmo irritado com o que foi escrito.
Nunca!
Aliás, entendo a discussão de opiniões diferentes, como um exercício valioso para a construção individual de uma opinião mais sólida acerca de um assunto, mesmo daqueles que julgamos possuir já, o conhecimento e o parecer final e inalterável.
Caro António Rodrigues, agradeço-lhe as suas palavras e o cuidado que demonstrou, relativamente à nossa troca de opiniões.
Um abraço de consideração.
;)

Suzana Toscano disse...

Pois é caro Luís Rodrigues o pior é usar-se pladur nas paredes mestras :)
Caro Tiro ao Alvo não me pareceu nada estranho a mim se me mostrarem uma planta eu fico mais ou menos na mesma, preciso mesmo de ver a casa para saber se gosto ou não, depois de mudar completamente a ordem original eu seria incapaz de me lembrar exactamente o que era antes, a menos que tivesse lá vivido muito tempo.
Caros Bartolomeu e António Rodrigues, ainda bem que ficaram aqui a conhecer-se um pouco melhor e se desvaneceram os melindres, muito obrigada aos dois pelos comentários ao meu post, realmente a vida real fornece sempre excelentes alegorias para temas mais difíceis de analisar, este pareceu-me muito a propósito :)

Catarina disse...

O senhor (seu vizinho), cara Suzana, não pensou no futuro!! ... mas alguém vai beneficiar com isso: os responsáveis pelas obras.
: )