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sábado, 21 de setembro de 2013

Do you understand?

Ninguém hoje tem dúvidas sobre a importância das qualificações para o nosso futuro. Somos uma pequena economia aberta que precisa de competir no mercado global cada vez mais competitivo. Dominar a língua inglesa é, simultâneamente, uma questão de sobrevivência e uma mais-valia. É um ponto que não deveria merecer discussão. Veja-se o que a este propósito pensa a nossa Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal: valoriza o “ inglês como segunda língua desde a primária” como argumento para captação de investimento estrangeiro.
Todos sabemos como é difícil desenvolver a fluência de qualquer língua se a sua aprendizagem não se iniciar desde tenra idade. É, portanto, difícil de compreender a decisão do ministério da educação de terminar com a oferta obrigatória do inglês no ensino básico da escola pública. Uma decisão economiscista que a economia não agradece. Qual a justificação para arrepiar caminho em relação à política que vinha sendo seguida? Uma má decisão que tem tudo para dar mau resultado. 

17 comentários:

Zuricher disse...

De pleno acordo com este seu post, Margarida. É um absurdo pleno acabar com o inglês na forma em que existia. Como ilustração dou-lhe o exemplo de Espanha, país conhecidissimo por dentro das suas fronteiras só se falar castelhano e pela terrivel dificuldade que os seus nativos têm com linguas estrangeiras. Pois neste país tão reaccio a tudo o que sejam linguas estrangeiras percebeu-se há uns anos que o inglês é fundamental para o futuro dos jovens e sem perder tempo começaram a aparecer colégios (oficiais e particulares) bilingues em que para além das aulas de lingua estrangeira, normais, de inglês, os alunos têm também algumas outras disciplinas dadas em inglês por forma a irem mais além do inglês formal básico. Isto permite aos alunos desenvolverem-se neste idioma, uma imensa mais valia para o seu futuro.

É com decisões atontadas do calibre desta que nos dá a ler hoje que se vem cavando cada vez mais a queda de Portugal como país.

Tavares Moreira disse...

I agree, dear Margarida, i believe you are right!

Bartolomeu disse...

Yessss, I doo!!!
Yessss, we can!!!
Mas, começar o ensino do inglês logo desde a primária, resulta provavelmente na fragilização da nossa autoestima, já tão fraca nesta altura da vida portuguesa.
Há pormenores que quem decide não toma em consideração e que podem facilmente criar algumas rachadelas por exemplo na estrutura familiar. Lembro-me perfeitamente das primeiras aulas de inglês e da necessidade de praticar e demonstrar aos meus pais e amigos o conhecimento de uma língua estranha. Em minha casa, ninguém me achava gracinha nenhuma, quando me sentava à mesa, colocava o guardanapo e perguntava: so what do we have for dinner today? Não quero dizer com isto que para aqueles que desejam trabalhar no estrangeiro ou mesmo cá dentro, ou que a sua atividade profissional exija que contacte com estrangeiros, não devam aperfeiçoar aquele idioma por forma a estarem aptos a perceber e fazer-se perceber nesses contactos.
Mas... desde a primária??? Tenho dúvidas.

Jorge Lucio disse...

A decisão parece perfeitamente descabida, tanto mais que o próprio Ministro disse recentemente que a Escola tinha de dar aos alunos as "ferramentas para os momentos decisivos", incluindo nestas o Inglês (creio que foi na abertura do ano lectivo no Politécnico de Viseu).

Prefiro não acreditar que é uma daquelas decisões de "matar o Pai": como foi uma boa opção do José "gastador" Sócrates, tem de se a exterminar.

E não consigo deixar de ter para algum cinismo para com esta "estória": nenhuma escola privada deixa hoje de oferecer Inglês ao 1º ciclo. Porque será que é a Pública que retrocede? Teremos de dar razão aos sindicatos quando acusam o Governo de propositadamente descredibilizar o Ensino Público?

Luis Moreira disse...

Desde criança.Aos dez anos mandei o meu filho para um curso de verão numa cidade no sul de Inglaterra.Fala inglês como língua de trabalho diária. E Espanhol, Françês e Italiano num nível muito elevado. No meu tempo, há sessenta anos, nenhum jovem falava linguas.
PS: falar, falava-se, com as francesinhas na praia...

Rui Fonseca disse...


Em Junho de 2012 um Eurobarómetro dedicado especialmente aos "Europeus e as suas línguas" concluía que os portugueses se encontravam posicionados nos últimos lugares nesta matéria.
Nada que nos possamos orgulhar, evidentemente, ainda que os ingleses, vantagem deles, se possam dar ao luxo de também estar mal colocados quanto ao conhecimento de outra, ou outras línguas.

Mas nada indica que a aprendizagem do ingês, ou de qualquer outra língua, a partir do ensino básico seja a política mais eficiente.

Por exemplo, 25% dos luxemburgueses aprendem outras línguas atrás de lições gravadas.

A mim, parece-me, que a aprendizagem do inglês desde o básico não tem os efeitos que geralmente se lhe atribuem.

Uma língua estrangeira, li há dias no Financial Times, segundo quem estudou a questão, aprende-se em seis meses. É, contrariamente à matemática, por exemplo, uma questão de empenho concentrado e não de ensino continuado disperso em vários anos, começando no básico.

A menos que lá em casa a criança tenha que lidar com pais com diferentes línguas maternas.


Catarina disse...

I totally agree.
What a retrograde proposal!

Bartolomeu disse...

Luis Moreira, eu e alguns colegas da Ferreira Borges, onde fiz o Curso Comercial, aprendemos mais e melhor inglês com as camone que íamos esperar à saída dos navios cruzeiro que atracavam ao cais de Alcântara, que nas aulas. No entanto tirávamos as melhores notas. A prática suplantava a teoria.

Tavares Moreira disse...

Bartolomeu, a famous and bold destroyer of british hearts!

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Zuricher
São decisões incoerentes e contraditórias. O seu custo é elevadíssimo. Não é possível obter benefícios sem investimento.
Dr. Tavares Moreira
Quem não concorda? Talvez não seja uma decisão "irrevogável".
Caro Bartolomeu
Desde tenra idade, é muito mais fácil e rápido. Dominar uma língua implica pensar nessa língua, é um processo mais estruturante e, portanto, mais simples quando a criança está no início do crescimento.
Caro Jorge Lucio
É uma machadada na escola pública e é, também, uma discriminação que vai causar desigualdades de oportunidades.
Caro Luis Moreira
Porque é que há pais que reforçam o ensino do inglês inscrevendo os filhos em escolas de línguas? Têm bem a noção da sua importância.
Caro Rui Fonseca
Já tentou aprender chinês em seis meses? Enfim, não é preciso ir tão longe. O estudo do FT fez-me lembrar a afirmação de que não há qualquer problema na qualidade de aprendizagem com turmas de 35 alunos.
Cara Catarina
Já está em vigor!

Bartolomeu disse...

Cara Drª Margarida Aguiar, em criança, é tudo mais fácil e rápido de apreender, é verdade. Mas os programas escolares foram criados precisamente para selecionar as matérias a ser ensinadas às crianças, pressupondo que essas matérias serão mais tarde, aquelas que irão, nas diversas vertentes, servir como ferramentas de trabalho. No meu ponto de vista, introduzir o ensino da língua inglesa a crianças desde a primária, é "andar com a carroça à frente dos bois". Digo isto, por várias razões; porque antes de aprender a ler, escrever e expressar-se em inglês, convém que a criança aprenda e muito bem a lês, escrever e expressar-se na sua língua do seu país. Hoje, assistimos tanto a jovens como a adultos , na política, na comunicação social, etc, a expressar-se num portuganhês que por vezes só se entende usando de uma boa dose de concentração e boa-vontade. Mas não é só a nossa língua que em minha opinião as crianças na escola primária devem começar por aprender, com vista a no futuro poderem desempenhar melhor a profissão que escolherem e sobretudo se se tornarem empresários de um ramo qualquer de atividade. eles precisam aprender o país, tanto geograficamente, como produtivamente. Esta minha afirmação pode até parecer um tanto retrógrada, mas no meu ponte de vista é essencial por exemplo para quem se quiser dedicar à produção de cereais, à olivicultura, à vinha, à agropecuária, etc, possuir o conhecimento das zonas do país que possuem melhores condições do solo e do clima para os diferentes usos. E ainda, cara Drª Margarida; entendo que antes de ensinar inglês às criancinhas, o programa escolar deveria ter como primeira preocupação, ensinar-lhes civismo, ensinar-lhes direitos e obrigações que cada cidadão que vive em sociedade, deve exigir e deve cumprir e fazer cumprir. A falta deste ensino, tem como resultado a anarquia que se assiste na maioria das escolas públicas, q qual tem como resultado final os deficientes resultados e aproveitamentos escolares.
Antes de aprender uma língua de outro país, precisamos conhecer-nos, conhecer as nossas possibilidades e potencialidades e aprender a explora-las, visando o bem e o desenvolvimento do pais num todo.

Tonibler disse...

Alguém tem os dados que levaram à decisão do ministro?
O ministro disse que, no fim da escolaridade obrigatória vai haver mais inglês que agora? É mentira?
Os serviços do ministério tomaram esta decisão usando dados de quando não era obrigatório e dados de quando era obrigatório. Há dados que levem a uma conclusão oposta?
Finalmente, economicista a decisão não será. Basta cortar os salários dos professores que existem para contratar os professores de inglês. Será, quanto muito aquela que a aristocracia instalada escolheu por via do TC.

Joao Jardine disse...

Cara MCAguiar

O que revela e demonstra a decisão sobre o inglês é a incapacidade do país conseguir prosseguir políticas com a duração superior a cinco anos.(Se não me engano é o tempo que a medida esteve em vigor).
Não é, pois, para admirar que o país não seja atractivo, quando comparado com os países do leste europeu ou mesmo Espanha, para o investidor estrangeiro.
Quem investe num país onde, pelo histórico comprovado, não consegue manter políticas por um período superior a cinco anos?
Dir-me-á, problemas orçamentais, então pobre país que sacrifica o acessório ao fundamental, o que, também, revela que não é um país seguro.
Cumprimentos
joão

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Bartolomeu
Concordo com todas as necessidades que descreve. Nenhuma delas é incompatível com o ensino do inglês desde cedo. Certamente que países bem mais desenvolvidos que o nosso, sem défices de toda a ordem e sem programas da troika, sabem o que andam a fazer. Não temos que ser originais, as experimentações que passamos a vida a fazer e a desfazer mostram que esta forma de governar é um desastre.
Caro Tonibler
Se há dados os mesmos deveriam ser apresentados. Aliás, todas as decisões políticas deveriam ser devidamente fundamentadas e do conhecimento público.
Caro Joao Jardine
Estou completamente de acordo com o que diz.

Tonibler disse...

Mas o ministro disse que ia haver mais inglês no fim que há e, de acordo com as notícias, Cambridge passa a reconhecer o exame do 9ºano como um daqueles graus ingleses. É mentira?

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Tonibler
É curioso que o diploma que institui os testes de diagnóstico de inglês no 9 ano reconhece a importância da aprendizagem de línguas estrangeiras para um processo formativo de qualidade, sublinhando, no entanto, que existe "uma percentagem expressiva de alunos" que "não reúne ainda os requisitos de aprendizagem das línguas, nas suas diversas vertentes, nomeadamente, da compreensão e produção orais, pelo que se torna necessário um maior acompanhamento e avaliação do efectivo domínio de línguas estrangeiras, em especial da língua inglesa". Uma avaliação que aconselharia o reforço da aprendizagem!

Tonibler disse...

Eu estou a insistir nisto porque sei o que valia o ensino de inglês no 1º ciclo e que recursos eram usados, portanto a questão não é dinheiro de certeza. Nem me parece que tenha passado uma coisa pela frente do Crato e decidiu arbitrariamente uma coisa destas. Há certamente dados que levaram a que os serviços do ministério tenham proposto a medida e nem sempre esses dados são "confessáveis". Por exemplo, podem ter chegado à conclusão que os recursos do 2º e 3º ciclo são muito melhores e mais eficientes no ensino do Inglês porque os recursos do 1º ciclo não prestam e no 9º ano chegam melhor que chegariam.Mas sei que aquilo que estava a acontecer era uma maravilha no papel, mas uma tragédia na prática.