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domingo, 29 de setembro de 2013

Em dia de decisões locais...

... dois excelentes depoimentos sobre Portugal e sobre a Europa.
O primeiro de Felix Ribeiro no Jornal i sobre a forma de uma entrevista particularmente lúcida, a lembrar-nos que há afinal quem olha para a realidade e consegue vê-la nitidamente a cores, que não estamos condenados à escala de cinzentos com que muitos a pintam. 
O segundo, um artigo de Daniel Innerarity na edição de hoje do Público - "Quem assegura a democracia na União Europeia", no qual o filósofo basco  observa o posicionamento do Tribunal Constitucional Federal alemão e conclui que a Europa não pode reduzir-se às alternativas que têm sido apontadas para sair da encruzilhada em que hoje se encontra, ou Estados ou integração, ou o comum ou o próprio. O artigo é de antologia. Daqueles, poucos, que vale a pena guardar pelo retrato realista e pela claridade do pensamento. Mas também porque aos portugueses suscita uma interrogação imediata: e se o nosso Tribunal Constitucional se reclamasse da posição do seu congénere alemão e considerasse que as principais decisões europeias deverão passar pelo crivo da Lei Fundamental portuguesa, o que diriam os nossos parceiros, em especial a Alemanha que não prescinde do controlo das medidas comunitárias pelo Bundesverfassungsgericht?

O resto do que se ouve ou lê nos media é mais do mesmo, próprio da Era do Vazio a que se refere Lipovetsky, manifestações do "desenvolvimento generalizado do código humorístico".

3 comentários:

Pinho Cardão disse...

Não concordando, naturalmente, com tudo o que o Félix Ribeiro diz, tem dito ou tem escrito, penso que é um dos espíritos mais brilhantes deste país.
E sempre mal aproveitado.

JM Ferreira de Almeida disse...

Claro, Pinho Cardão, que não me identifico com tudo quanto diz Felix Ribeiro. Mas o que diz revela exatamente o que o meu Amigo comentou.

Suzana Toscano disse...

O que acontece é que já nos desabituámos de quem pensa com escrúpulo e, para concordarmos ou não, somos também obrigados a pensar. Compreende-se porque é que não "é aproveitado"....