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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Troika aterra em Lisboa com juros a 10 anos nos 7,4%...

1. O título deste Post é cópia de notícia em conhecido jornal diário on-line, sugerindo que a 8ª e 9ª avaliações do PAEF vão decorrer em clima de elevada temperatura financeira, o que vale por dizer que os mercados não estão muito optimistas em relação a este exercício...

2. Não deixo de notar, em contraponto a esta desconfiança dos mercados, que o ambiente entre os comentadores é de algum optimismo ou mesmo de “porreirismo”, destacando-se, neste alinhamento, um famoso comentador que terá dito ontem que a Troika não teria outra solução que não seja “meter a viola no saco” e aceitar a flexibilização do défice em 2014...

3. Veremos no que isto vai dar, tanto mais que esta avaliação decorre em ambiente de festa eleitoral o que certamente ajudará bastante as negociações: a troca de piropos (enquanto o BE os não conseguir ilegalizar) entre as forças políticas que concorrem a este digno acto poderá ser um factor positivo na avaliação do grau de cumprimento do PAEF...

4. Na minha perspectiva, este “porreirismo” dos comentadores não augura nada de bom, sendo um reflexo (e factor, ao mesmo tempo) da generalizada inconsciência nacional face aos problemas que o País enfrenta, inconsciência reforçada ou encorajada por uma avançada jurisprudência a que aqui me tenho referido...

5. Assim, tenho a noção de que o problema não estará tanto em saber qual o nível de juros da dívida pública à chegada da Troika; estará bem mais em saber qual será esse nível à saída da Troika...suspeito e receio que não será inferior...

9 comentários:

Joao Jardine disse...

Caro Tavares Moreira

Completamente de acordo em grau género e número.
Provavelmente existe um universo paralelo que é diverso daquele onde me/(nos) encontramos.
Cumprimentos
joão

Bartolomeu disse...

Na mitologia grega, Eco foi uma ninfeta condenada por Hera, esposa de Zeus, a não poder iniciar uma conversa mas, somente poder repetir as últimas palavras das frases ditas por outros.
Este castigo deveu-se ao facto de Eco ter desviado com uma longa conversa a atenção de Era, quando esta descobriu que Zeus a traía nos bosques, com outras ninfetas, possibilitando que Era não apanhasse o marido em flagrante... deleite.

Joao Jardine disse...

Caro Tavares Moreira

Como adenda, estou a seguir o "salvamento" do Costa Concordia pela BBC.
Se correr bem, o navio segue, depois, para o estaleiro para ser desmantelado.........
Cumprimentos
joão

Tonibler disse...

Sim, aquilo que troika vem preparada para fazer é meter a viola no saco. Vai ser um concerto para violino e orquestra em que o governo vai dizer que temos um TC que não deixa o país ser viável e quem tem que pagar são eles. E eles vão passar o cheque, quem sabe à ordem do Joaquim e do Aníbal, com a enorme confiança no futuro de Portugal.

Isto ao mesmo tempo que o regime cubano despediu 500 mil funcionários públicos para que a economia se possa desenvolver e a Grécia abandona o subsídio de 6 dias de férias adicionais ao funcionários públicos por causa do cansaço do computador, deixando a república portuguesa só em companhia da república popular da Coreia como os dois baluartes do caminho para o progresso. Deve haver algum problema de fundo com a constituição grega, que permite a eliminação desses 6 dias. Não deve respeitar o princípio da igualdade ou da confiança. Vê-se bem que não somos a Grécia, bárbaros!...

Tavares Moreira disse...

Caro João Jardine,

Por muito complexa que seja, a operação de "rebalancing" do Costa Concordia será menos árdua, por certo, do que estas 8ª e 9ª avaliações do PAEF em Portugal...

Caro Bartolomeu,

A profundidade de suas lucubrações deixa-nos sem palavras...que mais havemos de dizer perante tão reconditos pensamentos?
Ainda por cima depois de um repasto (assaz leve, desta vez) em Arruda, não há mesmo processo de penetrar em suas Hoffmanianas digressões...

Caro Tonibler,

Desta vez acompanho-o nessa caricatura da simplicidade destas 8ª e 9ª avaliações...
Tenho a percepção de que não tarda muito, vamos assistir a um coro de lamentações por causa da chamda "inflexibilidade" da Troika...não entendem a realidade portuguesa.
Esta gente que vem de fora, precisava de efectuar um estágio - de preferência numa Câmara Municipal ou num departamento de Governo Regional - para perceberem o quanto custa a vida por estas paragens!

Bartolomeu disse...

Ernest Hoffmann foi um mestre e eu, nem a aprendiz me atrevo aspirar, caro Dr. Tavares Moreira.
Faço votos que tenha aproveitado convenientemente o seu repasto Arrudense, mesmo não estando a conseguir imaginar o que possa ter o meu amigo degustado por aqelas bandas, que possa considerar-se "leve".

murphy V. disse...

Que raio de conversa esta dos últimos dias. Se é 4,5% ou 4%... o défice tem é de ser ZERO!
http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/07/em-apenas-2-minutos.html

Carlos Sério disse...

Insurge-se o TM:"da generalizada inconsciência nacional face aos problemas que o País enfrenta".
Absolutamente de acordo. Basta referir que nestes dois últimos anos da governação do Passos Coelho a dívida pública aumentou 35% do PIB.
O país endividou-se mais nestes dois últimos anos de governação de Passos Coelho do que em todo o período de 1981 até 2007 (em 1981 era de 36,3%; em 2007 de 68,4%, pelo que a diferença é de 32,1%, inferior aos 35% conseguido pelo governo nestes dois últimos dois anos).

Assim em 26 anos o país endividou-se menos que nestes dois últimos anos de governação de Passos Coelho. É obra.

Por outro lado é falso que Portugal não criou riqueza ao longo dos anos limitando-se a endividar-se, como diz Passos Coelho. Na verdade, o PIB (a preços constantes, base 2006,) era em 1981 de 80.358 milhões de euros, passando em 1990 para 112.346 milhões euros, e não parando de crescer, atingiu em 2007 os 164. 660 milhões de euros.
Em 26 anos, de 1981 a 2007 Portugal mais que duplicou a sua riqueza. Ouvir um governante dizer que Portugal se limitou ao longo dos anos a contrair dívida é perfeitamente escandaloso.
É com a governação de Passos Coelho que Portugal efetivamente regrediu. O país endividou-se e criou menos riqueza que nos anos anteriores. Passou de um valor do PIB da ordem dos 161.600 milhões de euros em Junho de 2011 para 155.399 milhões euros no final de 2012 e novamente se prevê uma recessão em 2013, atirando o PIB para perto dos 150.000 milhões de euros.
Isto significa, que em pouco mais de dois anos da governação de Passos Coelho, a riqueza criada no país regrediu, diminuindo cerca de 10.000 milhões de euros.

Tem razão o TM quando fala "da generalizada inconsciência nacional face aos problemas que o País enfrenta".

Tavares Moreira disse...

Caro Bartolomeu,

Pode crer que desta vez foi mesmo leve, levezinho...o FUSO tem agora uma dieta especial para pessoas com preocupações alimentares; é, tb nesse aspecto, um estabelecimento completo!

Caro Murphy V.

Lá chegaremos, lá chegaremos, mas para isso há que queimar diversas etapas...