Número total de visualizações de página

terça-feira, 30 de junho de 2009

Processo verdadeiramente indecente!...


Inocentado no Tribunal da Relação, o nosso colega do 4R Tavares Moreira conta tudo no livro.

Inteligência

Situações catastróficas houve sempre. Em muitas dessas circunstâncias os homens quase que foram dizimados. Os sobreviventes, face às circunstâncias, ficaram praticamente impedidos de caçar, de colher alimentos com as suas técnicas primitivas e, até, fugir dos predadores. Para sobreviverem tiveram que aguçar a inteligência e prever os acontecimentos muito para além dos hábitos corriqueiros do seu dia-a-dia. Nesta perspetiva, os desastres naturais foram um fator determinante para os seres humanos se terem tornado mais inteligentes. Já aconteceu algumas vezes.
Neste momento, vive-se mais uma crise e não se sabe o que irá acontecer no futuro. O homem é inteligente e apresenta características que apontam para ser cada vez mais inteligente. Cria informação, produz conhecimento, elabora perguntas e conquista respostas. A rapidez com que o faz assusta qualquer um, e nem é preciso comparar com o que acontecia ainda há poucos anos. Mesmo nos nossos dias, podemos constatar a nossa surpresa face a novas descobertas e conquistas. Esta velocidade na aquisição de conhecimentos faz-se à custa dos meios informáticos, do uso de estimulantes e de variadas técnicas, todas suscetíveis de estimular as capacidades cognitivas.
Apesar de tudo há algumas dificuldades, nomeadamente a qualidade de informação. Tentar extrair o que nos interessa seria mais um sinal de que estaríamos a ser mais inteligentes. Qualquer coisa com um tipo de software “individual” capaz de extrair apenas o que nos interessa mais e sirva de base às capacidades de decisão. Espero que em breve esteja ao dispor qualquer coisa deste tipo. Também o uso de drogas, capazes de estimular as capacidades cognitivas, irá ser, no futuro, uma espécie de “aspirina”. O doping intelectual irá fazer concorrência ao doping do desporto. Depois gostava de ver se faziam ou não testes de controlo às pessoas cujas capacidades intelectuais tivessem como “fonte” o uso das tais substâncias, e das quais resultassem mais-valias para a sociedade. O princípio da batotice no desporto não se aplica a estes casos. Se usassem este princípio aos artistas - muitos dos quais produziram obras de excelência sob o efeito de inúmeras substâncias -, iriam despromover ou destruir as obras? Claro que não. Sendo assim, da arte sob “fármaco dependência”, iremos, um dia, passar para a ciência e outras áreas em que será obrigatório ser-se mais inteligente, à custa de efeitos químicos, para responder a tantas e inusitadas situações que possam por em causa o bem-estar e até a sobrevivência do homem. Claro que a tecnologia não fica por aqui, o recurso a chips que pudessem ser colocados no córtex cerebral seria uma hipótese, mas se os mesmos evoluíssem com a rapidez como a que acontece nos telemóveis e computadores, então, seria um pouco patético uma discussão entre duas criaturas “enriquecidas” intelectualmente, uma delas com o chip 2015 e a outra com o chip 2016 que poderia aparecer na semana seguinte com maior capacidade!
O desenvolvimento da inteligência artificial será um outro meio capaz de nos tornar mais espertos. Afinal, tudo depende da gravidade da crise, a qual irá fazer com que a necessidade de prever o futuro, evitar complicações e encontrar soluções, seja uma realidade.
A atual situação constitui um bom exemplo para poder estimular a inteligência da humanidade. Não é nada famosa e atinge a grande maioria dos habitantes do planeta. É uma espécie de um cataclismo vulcânico à semelhança do que ocorreu há cerca de setenta e quatro mil anos, não de ordem de física, mas económica.
Não se podem evitar cataclismos vulcânicos ou encontros com um meteoro transviado, mas é possível travar ou impedir que certas pessoas e interesses ponham em questão o bem-estar de quase todos. Presumo que não vai ser necessário recorrer ao modafinil ou ansiar pela nanotecnologia para estimular os nossos neurónios. É preciso desconfiar de muitos que se armam em bispos de congregações bancárias ou económicas. Se os tivéssemos tomado em linha de conta, a par desses figurantes que se aproveitam da boa-fé de muitas pessoas, talvez não tivéssemos chegado ao ponto que chegámos. Afinal, precisamos mesmo de ser mais inteligentes, seja lá o que isso for, graças ao estímulo do nosso próprio cérebro ou fazendo uso de inteligência “exocortical”, porque, afinal, fazemos parte, na perspetiva de Teillard de Chardin, da noosfera, ou seja, o mundo ou a esfera das ideias, que constitui uma nova área evolutiva depois da geosfera e da biosfera. Mas é preciso evoluir muito mais...

As "estrelas" da Luz

Os Benfiquistas estão a viver novamente o período áureo da sua época futebolística: estrelas aos milhões a desembarcar na Portela, meteoros com brilho intenso, mas duração fugaz, fogo de artifício que os enche de encanto e de espanto, mas tem acabado em lágrimas penosas.
Não tendo alcançado salvação nos estádios da terra, ergueram a mente aos céus e contrataram Jesus como treinador.
Mas Jesus sempre lidou com os humildes, os pobres e os deserdados, que nunca frequentaram as primeiras páginas dos jornais nem as catedrais dos grandes espectáculos. Mas que sonhavam com um futuro mais garantido, porfiando no trabalho para alcançar o sonho desejado.
Jesus, ele próprio pobre e humilde, nunca lidou com os poderosos, os ricos e os repousados na sorte e nos louros dos triunfos passados.
Tendo já prometido o paraíso, o que tem mais certo é ter que conviver com o inferno.
Por isso, ou me engano muito, ou por alturas do Natal, outro salvador estará para nascer no presépio da Luz.

"O doente mais barato é um doente morto"...

De acordo com o The Wall Street Journal , calcula-se em 440 mil milhões de dólares o custo para prolongar a vida por mais um ano em doentes com cancro (550.000 morrem anualmente nos Estados Unidos).
Face à leitura, salvo erro ontem ou anteontem, de que a lista de espera em Portugal para tratamento cirúrgico dos doentes oncológicos ultrapassa em muitos casos os prazos medicamente aconselháveis, acabo por recordar as palavras de Geoffrey Rose que um dia disse, e escreveu: "A partir dos cinquenta anos o doente mais barato é um doente morto"...

São Paulo em Roma e Afonso Henriques em Coimbra

Acabo de ler que o papa Bento XVI não exclui a hipótese de mandar fazer exames mais aprofundados ao sarcófago de São Paulo. Para já, os cientistas conseguiram obter alguns elementos que permitiram concluir que se trata de alguém que viveu entre os séculos I e II.
Interessante esta postura papal que deve ser louvada e que espero venha a ser concretizada através de estudos mais aprofundados. Um perfeito contraste com a proibição feita a uma investigadora da Universidade de Coimbra que pretendeu, e muito bem, analisar os ossos de quem está no túmulo de D. Afonso Henriques em Santa Cruz.
Os responsáveis nacionais deviam por os seus olhos míopes na posição de Bento XVI.
País “tacanho” que não quer saber mais acerca do seu passado...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Uma punição histórica...

Bernard Madoff foi condenado a 150 anos de prisão. Uma punição exemplar que condena a economia da “roleta russa” e a gigantesca cabala financeira construída minuciosamente ao longo de décadas.
Mas é particularmente exemplar porque reflecte a importância da gravidade da violação do princípio da confiança e o íntimo reconhecimento do trágico colapso de muitas vidas pessoais e familiares apanhadas na gigantesca fraude.
E, não menos importante, assinale-se a rapidez com que a justiça americana tratou o caso.

Esgotaram-se os sábios?

passaram 72 horas e ainda não apareceu um novo manifesto sobre os investimentos públicos...

iPod

Quando estou na faculdade gosto de ligar o rádio para ouvir notícias ou música. Agora, com o computador, descobri que posso utilizá-lo como um rádio ou socorrer de muitas e interessantes playlists. Às vezes prefiro o silêncio, outras não. É uma questão de estado de espírito.
Li, numa revista científica, um interessante artigo sobre o uso do rádio, das conversas de laboratório, do convívio e da análise dos acontecimentos mundanos e científicos. Uma verdadeira interação social e científica bastante profícua em todos os aspetos. O jovem autor passa em seguida a fazer a análise das modificações ocorridas entretanto com o uso do iPod. A partir desse momento, deixou-se, praticamente, de falar uns com os outros, de partilhar as dúvidas, as alegrias, as tristezas e as incertezas. Alguns chegam ao cúmulo de usar os auscultadores, mesmo desligados, só para não serem incomodados. Argumenta o autor que tal postura pode originar alguns inconvenientes na própria aprendizagem e divulgação científica. Partilho desta posição, já que muito do saber se transmite desta maneira, informal e ocasional. Contra-argumentam os opositores de que não, porque o uso dos podcasts científicos são bem-vindos e muito úteis. Não lhes deixo de reconhecer a sua utilidade, porque também os utilizo. Breves e muito ricos em informação. De qualquer forma, mesmo que o iPod seja utilizado para ouvir música ou para aprender, começa a haver modificação a nível da tal interação social e científica nos laboratórios. Não me compete afirmar se o seu uso torna-nos em melhores ou piores cientistas, mas, de qualquer forma está a provocar modificações comportamentais.
Sexta-feira à tarde, quente como o diabo gosta, fui a pé até casa, por causa da necessidade de fazer exercício, o tal que me esqueci de praticar durante décadas. Na sequência da leitura, aproveitei o percurso para verificar se os jovens, com quem me ia cruzando, usavam ou não os tais aparelhos. Já tinha refletido sobre esta matéria, nomeadamente quando sou obrigado a ler notícias do género: “jovem apanhada por um comboio, não deu conta por causa dos auriculares”! Trata-se de um tipo de notícia que parece querer entrar como rotina no nosso dia-a-dia. Ao combinar a leitura do “Do not disturb” (assim se intitulava o artigo que li na revista científica) e das notícias de morte por causa dos “tampões” musicais auditivos, pus-me a observar os jovens. Fiquei alarmado. Foram tantos, ou melhor, tantas, ao ponto de ficar mesmo incomodado. Não porque não tenham direito a fruir da música ou de qualquer assunto técnico-científico, mas pelo risco que correm de ser atropelados. Sim, porque o uso dos auscultadores condiciona fortemente a segurança. Como prova, verifiquei que, entretanto, uma jovem de calções pretos, barriga à mostra, com um minúsculo top da mesma cor, garrafa de água numa das mãos e respetivo iPod, subia a correr a Rua dos Combatentes. Eram cerca das seis da tarde. O calor fazia-se sentir. A rapariga podia ter esperado pelo fresquinho, mas não, vermelha que nem um pimentão, em perfeito contraste com o preto do “biquíni”, não se apercebeu, no cruzamento, da aproximação de um carro, o qual alertou-a ruidosamente, aquando da sua meteórica passagem. Olhei e fiquei com a plena sensação de que nem ouviu a forte buzinadela e lá foi na sua corrida citadina.
Não encolhi os ombros nem os neurónios que já escaldavam, mas pensei: - Que raio de sociedade é esta que regulamenta tudo e mais qualquer coisa e não faz nada em relação a este fenómeno? Espero que não comece a ser alvo de comentários dos habituais que veem nestas preocupações mais um atentado contra a “liberdade”. Claro que cada um faz o que entender. Mas se alguém atropelar um cidadão nestas circunstâncias é certo e sabido que vai ter problemas, passar um mau bocado, e mesmo que não tenha culpa fica sempre uma cicatriz na consciência.
É proibido o uso de telemóveis durante a condução, por motivos óbvios, mas quanto ao uso do iPod deveria haver algo equivalente ou que, pelo menos, disciplinasse o seu uso ao cruzar, por exemplo, as estradas ou locais de risco de atropelamento por manifesta falta de atenção. Qualquer iniciativa que permita reduzir o risco de acidente é bem-vinda, e sempre mais útil do que aquela tentativa falhada de legislação sobre “uso dos piercings” para preservar a saúde! Entretanto, o melhor é buzinar o mais “alto”, e com mais frequência, sempre que nos apercebamos de que estamos a aproximar de um utilizador de iPod, que, nalguns casos, é até muito fácil de diagnosticar, como foi a de uma jovem bem recheada que se bamboleava toda à minha frente em função do ritmo e dos decibéis que ia engolindo através dos canais auditivos. Curioso! Vi alguns cegos na paragem dos autocarros e outros a caminhar com as suas características bengalas, mas nenhum tinha auscultadores. Cegos, mas não surdos...

Tolerância estúpida


No sábado as claques do Sporting e do Benfica travaram verdadeira batalha campal na final do campeonato de futebol junior. Ali, nas barbas da GNR impreparada para controlar qualquer desacato. As televisões mostraram tudo, designadamente o milagre que foi não ter havido consequências pessoais mais graves do que aquelas que ocorreram.
Ontem, na final de andebol, um café em Lagoa foi arrasado por um bando de energúmenos identificados como pertencendo a uma das claques do Futebol Clube do Porto.
Não há notícia de uma só detenção num caso ou no outro.
Não existe, pois, vontade, ou talvez coragem, para tomar medidas mais vigorosas contra estas manifestações, incluindo a extinção das claques. Cria-se no País a sensação de que as condutas desta gente são criminalidade consentida, tal a indiferença com que são encaradas por todas as autoridades, incluindo as autoridades do futebol, e de entre estas, as direcções dos clubes.

Oxalá me engane, mas aproxima-se o dia em que esta tolerância terá custos bem mais altos do que os materiais. E nesse dia, lá aparecerão os responsáveis pela segurança a prometer medidas enérgicas. E os moralistas do costume a pedir a condenação quando agora todos silenciam a necessidade da prevenção.

As listas telefónicas actuais!

Desde que foi distribuída, porta a porta como de costume, a lista telefónica de Lisboa 2008/2009, transformei-me numa insurgente contra o dito "calhamaço": nunca mais consegui encontrar um único número de telefone da casa de pessoas amigas e, quando esporadicamente, tinha a felicidade de me aparecer o nome que procurava...o telefone que se seguia era da actividade profissional e não o de casa!
Há um ano que "caseiramente" barafusto sobre esta descarada falta de informação da actual lista, na família riem-se...porque "já ninguém usa telefones fixos" (eis o argumento!).

Há dois meses tive o casamento de uma das minhas filhas: logo fui incumbida de procurar várias moradas por causa dos convites.
Já estava meio esquecida da minha insurgencia contra a lista telefónica (porque já tinha deixado de a consultar...) eis que me vi a braços com uma lista de moradas que era preciso descobrir: mais uma vez, nem uma única conseguir "sacar" deste túmulo de informação!!! Aí a família começou a perceber que eu tinha alguma razão.

Foi com muita safisfação que, esta semana, vi uma notícia pequenina e num cantinho do jornal cujo título era: "Portugal pressionado nas listas telefónicas" e que nos dava conta de que a Comissão Europeia pressionou Portugal a cumprir as regras comunitárias das telecomunicações e a elaborar listas telefónicas completas, onde o acesso e identificação dos utilizadores de números telefónicos terá de ser mais fácil e permitir melhorar os contactos.
Fiquei ufana......
Será que esta recomendação ainda vem a tempo para as listas de 2010/2011?--É,de facto,urgente!

Tem a palavra o Dr. Medina Carreira...

1. Em entrevista à SIC Notícias, na última 6ª Feira, Medina Carreira (M. C.) manteve o seu estilo habitual: frontal, denunciando a inconsistência das políticas em vigor, a falta de realismo da classe política, a situação muitíssimo precária em que as finanças do País se encontram, a extrema urgência de medidas de correcção de que a classe política, com escassas excepções, nem quer ouvir falar…
2. Curiosa a caracterização que fez dos debates “frente-a-frente” entre políticos de suposta esquerda e de suposta direita - uns e outros imbuídos de um acentuado nefelibatismo - organizados por aquele canal de TV, assimilando-os a conversas de café ou mesmo de taberna…
3. Quase no final da entrevista, M. C. fez uma comparação de números que fica muito aquém da realidade, para melhor: disse ele que os juros que o País paga ao exterior (Rendimentos) são superiores às receitas (líquidas, presume-se) com o Turismo.
4. O que M.C. disse não deixa de ser verdade…só que os juros líquidos (Rendimentos) que o País paga ao exterior são superiores NÃO SÓ às receitas do Turismo, mas TAMBÉM são superiores às receitas de exportação todos os Serviços (não apenas o Turismo) e AINDA cobrem a totalidade das Remessas dos Emigrantes…
5. Atentando na informação disponível até Abril do corrente ano, as receitas dos Serviços+Remessas dos Emigrantes foram € 1.355 + 703= € 2.058 milhões (dos quais €785 milhões são receitas líquidas de Viagens e Turismo).
6. Por sua vez, os Rendimentos (líquidos) pagos ao exterior ascenderam no mesmo período a € 2.173 milhões ou seja quase 3X as tais receitas do Turismo…
7. Assim, a taxa de cobertura dos Rendimentos pagos ao exterior pela soma das 2 rubricas de receitas (Serviços+Transferências Emigrantes) é já inferior a 100%, ficando-se por 94,7%...
8. Esta situação representa um agravamento significativo em relação ao panorama de 2008 (e de anos anteriores ainda mais) em que as receitas de Serviços+Remessas de Emigrantes no mesmo período totalizaram € 2.502 milhões enquanto que os Rendimentos pagos ao exterior foram de € 2.343 milhões, uma taxa de cobertura de 106,8%…
9. A evolução dos encargos com o endividamento do País é pois uma função de sentido único: sempre a subir, não para mais. Mas ainda há "parodiantes", em altos cargos públicos, capazes de dizer que estar contra as grandes obras públicas é estar contra a modernidade...
10. Estranho conceito de modernidade em que a bancarrota parece ser o ideal perseguido...
11. Aonde é que isto nos leva? Tem a palavra M. C.

domingo, 28 de junho de 2009

As filibusteirices manhosas do Governo

Em 18 de Outubro de 2008, dois fias após a entrega do Orçamento de Estado na Assembleia da República, publiquei aqui no 4R o post Os erros jamais vistos do Orçamento: nem tenho palavras!...” em que denunciava o facto de o Governo ter “martelado” as contas da Receita e da Despesa Pública, com vista a obter um peso inferior em relação ao PIB. De uma forma artificiosa, mas grosseira, o Governo poderia dizer que, face às medidas tomadas, a carga fiscal, a despesa pública e o défice iriam diminuir em relação ao PIB.
A avaliar pelas notícias de então que praticamente não o referiram, o artifício passou discretamente na própria Assembleia, a provar mais uma vez que, também na política, o crime compensa.
Passados uns meses, e segundo o Jornal de Negócios de anteontem, é a próprio UTAO, Unidade de Apoio Técnico Orçamental, organismo criado na Assembleia da República para dar parecer aos Grupos Parlamentares sobre o Orçamento, a levantar a questão e a duvidar do rigor no cálculo dos agregados das contas públicas em percentagem do PIB desde essa altura: “os rácios do PIB apresentados para 2009 encontram-se subavaliados, ascendendo essa subavaliação a pelo menos 0,6% do PIB, no caso da Receita…”.
Obviamente que a UTAO não chama “martelada” a esta fraude, denominando-a eufemísticamente “alteração metodológica”, avisando, no entanto, que “ os resultados dessa alteração devem ser utilizados sob reserva…porque as autoridades estatísticas ainda não se pronunciaram…e por existir uma forte evidência de a alteração metodológica se encontrar incompleta…”.
Ora aí está: uma alteraçãozita metodológica, ademais incompleta e não autorizada, e a carga fiscal desce logo em 0,6% do PIB!... Chama-se a isto baixar impostos!...
Continuamos atentos, aqui no 4R, a estas filibusteirices manhosas. Mas, mais importante, o povo também já mostrou que as percebe muito bem!...

Uma medida que vale pelo seu simbolismo...

A partir do próximo dia 1 de Julho vida nova para as frutas e os legumes da União Europeia. Ficam as “normas básicas”, que de tão básicas deveriam dispensar a sua formal existência. Os produtos para consumo “não podem estar podres, têm que estar limpos, saudáveis e seguros”, assim rezam os cânones europeus.
Vão-se as normas burocratas da calibragem que igualam na cor, no diâmetro, na forma, no brilho, na largura e no cumprimento e em muitas outras dimensões interessantes para especialistas eurocratas a maioria das frutas e dos legumes, com excepção, no entanto, para alguns deles que, vai-se lá saber porquê, ficam ainda limitados na criatividade da natureza.
Depois de milhões de euros gastos com investimentos e subsídios à calibragem agrícola, é tempo de dizer basta ao desperdício!
O ambiente que se viveu o ano passado em torno da crise alimentar e do aumento dos preços dos produtos agrícolas e alimentares abriu uma janela de oportunidade para pôr em causa as normas da calibragem.
A partir da próxima semana a diferença entre as couves-de-bruxelas e as melancias do espaço europeu passa a fazer-se, cumpridas as formalidades mínimas, pela qualidade e pelo preço.
Será que estamos preparados? Não serão necessários mais uns milhões de euros para fazer a inversão de marcha...

sábado, 27 de junho de 2009

Absolvido!

O 'Expresso' divulga algumas das caricatas despesas que os deputados ingleses imputavam ao Tesouro. Despesas com aluguer de filmes pornográficos, compras de serviços de louça chinesa, com aquisições de tampas de sanita, tratamento de raízes secas, tudo foi suportado pelo orçamento do reino. Há, porém, uma que considero plenamente justificada e insusceptível de ser censurada. Patrick McLoughlin, do Partido Conservador, fez com que dinheiros públicos pagassem as despesas de remoção de um ninho de vespas. Para sobreviver como político, é muito provável que o honorável McLoughlin tenha tido necessidade de liquidar a fonte de constantes ferroadas. Deve ser absolvido e a jurisprudência constituir lei para aplicar a todos os casos semelhantes. Sobretudo se as vespas fizerem o ninho, como é hábito, no interior do partido.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Do sensorial...

Não sei porquê, mas as trapalhadas - algumas cómicas! - do final de mandato deste governo, traz-me à memória o início de funções de um outro...

Em benefício dos futuros consumidores...

As medidas positivas devem ser assinaladas. O Governo aprovou ontem um decreto-lei que estabelece novas regras para os contratos de seguros de vida associados ao crédito à habitação. O novo regime estabelece a obrigação de actualização automática do montante do capital seguro a par com a evolução do montante do capital em dívida do crédito à habitação.
Na contratação de um empréstimo à habitação é normal as instituições de crédito exigirem a contratação de um seguro de vida para garantir o seu pagamento em caso de morte ou invalidez.
Pretende-se com o novo regime que os consumidores deixem de pagar um prémio de seguro que incide sobre um montante de capital garantido superior ao montante do capital em dívida do empréstimo à habitação.
Como sabemos, o montante do empréstimo vai sendo amortizado através das rendas pagas pelo cliente à instituição de crédito que concedeu o empréstimo, sem que, no entanto, por regra, o montante inicial do capital garantido pelo seguro de vida seja reduzido em conformidade.
Com o regime agora aprovado, o cliente à medida que vai amortizando o empréstimo contraído, vai pagando um menor prémio pelo seguro de vida contratado.
A novidade é que este regime passa a vigorar por defeito, sem prejuízo de as partes poderem livremente contratar de forma diferente. Acaba-se assim com uma espécie de “enriquecimento sem causa”.
A assimetria de informação existente entre instituições de crédito/companhias de seguros e consumidores, causada, entre outros aspectos, por falhas de informação e de formação, justifica no actual “estado da arte” a existência de legislação e de regulamentação que minimizem aquela assimetria, protegendo assim os interesses dos consumidores e promovendo a transparência. Pena é que o novo regime apenas se aplique aos novos empréstimos.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Dinheiro a rodos na zona Euro...enquanto o pau vai e vem...

1. Não será por falta de dinheiro – oferta de moeda - que a recuperação das economias da zona Euro não vai acontecer...
2. O Banco Central Europeu inundou ontem o mercado com dinheiro, cedendo de uma só vez a mais de 1.100 bancos operando no espaço do Euro a "módica" quantia de 442 mil milhões Euros, o equivalente a cerca de 2,7 vezes o PIB português, ao juro de 1% ao ano...
3. Acresce que estes fundos foram cedidos pelo prazo de 1 ano, bastante confortável para bancos que neste momento têm outras janelas de financiamento fechadas ou quase, nomeadamente o mercado de “securitização” de carteiras de crédito que até ao eclodir da crise constituía a principal fonte de captação de recursos de bancos portugueses por exemplo.
4. É a primeira vez que o BCE coloca fundos a este prazo e por montante ilimitado – quer dizer que os bancos puderam aceder à totalidade dos fundos solicitados desde que tivessem activos elegíveis (créditos hipotecários, por exemplo) para servir de caução dos fundos mutuados pelo BCE.
5. Mas como se compreende não basta os bancos terem liquidez disponível para que a actividade económica se expanda...é necessário que as empresas e/ou os particulares procurem esses fundos para desenvolverem os seus negócios, consumindo ou investindo...e aqui o “negócio” parece não estar tão fácil.
6. Admite-se que não faltem empresas e particulares carecidos de fundos..mas nem todos em condições de aceder ao crédito bancário agora que os bancos passaram a ser mais selectivos na escolha dos riscos e também a ser mais prudentes na concessão dos créditos, utilizando por exemplo rácios “loan-to-value” bastante mais apertados do que no passado.
7. Quanto à facilidade do BCE, pelo prazo de 1 ano, espera-se que findo este prazo o BCE continue a ser generoso no financiamento ou que os mercados como o da “securitização” de créditos se possam abrir gradualmente até lá...se assim não for, os bancos que hoje respiram de alívio com esta abertura do BCE poderão sentir-se menos confortáveis quando estas operações se vencerem.
8. O que estas facilidades do BCE não permitirão é a concessão de créditos por prazos muito longos, até porque não há garantias de que o BCE venha a renovar esta facilidade por idêntico prazo nem por mais de uma vez...as necessidades do investimento poderão não ser tão bem servidas.
9. Mas por agora a situação está mais calma. Como se costuma dizer: “enquanto o pau vai e vem, folgam as costas”.

Vantagens da obesidade...

Em pequeno era muito frequente ouvir conversas do género: “coitada, morreu tísica”; “fulano foi para o Caramulo”; “sicrano apanhou uma fraqueza e teve que deixar de trabalhar”; “a minha criança anda muito magra, tenho medo que os pulmões sejam apanhados”, enfim, curtas amostras das muitas preocupações da época em que a tuberculose era a rainha e senhora dos corpos e das almas dos portugueses. Todos a temiam, ao ponto de ninguém pronunciar o seu nome.
A magreza era uma obsessão, já que os magros sofriam mais da doença, a qual, por sua vez, tornava ainda mais magros ao ponto das vítimas ficarem transparentes.
Os esforços dos pais, e não só, centravam-se no combate à magreza, o que era difícil, devido à pobreza reinante, mas que constituía, na sabedoria popular, o primeiro passo para aguçar o apetite do bacilo da peste branca. É fácil de concluir, então, que o melhor sinal de saúde era uma criança ou adulto rechonchudo, mesmo obeso, avermelhado, ar trigueiro, um verdadeiro atestado de robustez que, rapidamente, sobretudo nos séculos XIX e XX, passou a ser conotado como o melhor estatuto social impregnando todas as áreas inclusive a arte. Se o valor do normal era baixo, o que dizer do magro? Não tinha grande saída, porque corria mais riscos. Lembro-me de ter lido uma crónica de um jornalista espanhol, que, a propósito da luta contra a obesidade, e citando alguns exemplos do passado, afirmou que as prostitutas mais obesas eram objeto preferencial de consumo.
A obesidade constitui hoje um grave problema de saúde pública. A sua prevalência é deveras elevada, sobretudo no mundo ocidental. Este fenómeno de armazenar energia por parte dos seres humanos foi determinante para ultrapassar grandes e graves períodos de fome que atingiu a Humanidade desde os primórdios. A natureza sabe da poda. Só que nos nossos dias, ser-se obeso acarreta riscos de inflamação crónica e de doenças metabólicas, sobretudo se a gordura se dispuser ao redor das vísceras.
Obrigado gordura visceral por ter-nos ajudado a sobreviver! Agora já não precisamos de ti, como quem diz, temos alimentos e não passamos fome. Às tantas não é assim tão linear, porque nunca se sabe se uma nova e grande fome não nos irá atingir novamente nesta parte do mundo. O melhor é continuar a propagar esses genes que, afinal, não servem só para ajudar a armazenar energia. Parece - aqui está uma interessante hipótese -, que ser-se obeso estimula a resposta imunológica, tornando as pessoas mais resistentes às agressões biológicas, mormente contra o bacilo da tuberculose. Se se comprovar esta hipótese, o tal conceito popular de já falei de que “gordura é saúde” fica legitimado, sobretudo nas épocas em que se morria muito de tuberculose. Mas há um outro aspeto importante que merece ser focado: a epidemia da peste branca iniciou-se praticamente a partir dos finais do século XVIII e princípios do século XIX. Calcula-se que tenha causado muitas mortes, qualquer coisa como mil milhões! ofuscando a peste negra ou a gripe espanhola. Deste modo poderemos especular que a atual epidemia da obesidade se deva não só à propagação dos genes selecionados em função dos múltiplos períodos de fome, mas também pela eliminação daqueles que, sendo naturalmente propensos à “magreza”, acabaram por sucumbir à sombra desta doença. E aqui chegamos a um ponto muito interessante. Os detentores e os mais propensos para a obesidade, sobretudo a de nível central, são o reflexo de fenómenos evolutivos mais ou menos recentes. Só que hoje em dia passamos a morrer devido à obesidade, mas em idades que praticamente não eram alcançadas noutras épocas. A obesidade protegeu-nos da fome e, agora, um nova hipótese: a tal barriguinha parece desempenhar um fator de proteção graças a uma melhor resposta imunológica às infeções.
Pronto. Acabei! Por hoje, fico satisfeito e menos aborrecido pelas torturas de que foi alvo em pequeno. Comia de várias maneiras. Era magro, logo corria perigo de apanhar uma fraqueza nos pulmões. Tentaram com que eu engordasse à força, para fugir à ceifa da morte e da doença terrível que dizimava muita gente. Só de lembrar do que me impingiam causava-me uma certa repulsa. Agora, estou convicto de que a sabedoria popular tem muito que se lhe diga. Se comprovarem que um certo grau de obesidade é “saudável”, tal facto deverá agradar a muitos que leram esta crónica, a qual comprova que nem tudo é mau, nem imperfeito. Há vantagens e desvantagens. Neste momento, até já se sabe que, em caso de doença grave, os que têm excesso de peso recuperam mais facilmente do que os normais...

Jorge Miranda: o exemplo da elevação que vai faltando

Leio a entrevista de Jorge Miranda à Visão e o anúncio da sua retirada do processo de eleição do Provedor de Justiça. Leio, e lamento que o Professor não tenha antecipado este desfecho, confrontando este parlamento com a incapacidade de se por à altura de personalidades com a sua dimensão. Não me surpreende a ingenuidade do Professor que representa ter pensado durante todo este tempo que estes parlamentares eram capazes de valorizar o passado e o contributo de quem foi decisivo para a existência do mandato que exercem. É que Jorge Miranda interveio activamente num tempo em que a política se pautava por valores. E terá dificuldade, como muitos outros infelizmente arredados da intervenção política ou cívica mais activa, em entender a falta de grandeza dos actuais protagonistas.

Serviço público no 4R: do conceito de golden share

Golden share é o nome que se dá ao conjunto de acções que representam o capital detido pelo Estado numa empresa que foi privatizada, capital que tem juridicamente agregado um poder desproporcionado em relação ao dos restantes accionistas. Essa desproproção resulta de direitos sociais exorbitantes que são reconhecidos ao Estado para defesa do interesse geral, apesar da sua condição de accionista minoritário. De comum esses privilégios implicam a aceitação sine qua non do accionista Estado das decisões de carácter estratégico para a empresa, designadamente aquisições de participações relevantes em outras empresas.
Decorrências deste mecanismo, qualquer que sejam as especificidades dos modelos estatutários: (i) o accionista Estado tem de ser obrigatoriamente informado sobre as negociações que visem conduzir a decisões estratégicas, designadamente aquisições (ii) se o accionista Estado não for informado e se tornar pública a existência de negociações com essa natureza, não pode deixar de usar os seus poderes para responsabilizar os administradores pela omissão - a começar pelos que representam na Administração o tal "interesse geral", sobretudo se confessarem a inexistência da comunicação.
Já agora: em vista de casos ocorridos em Portugal, não é por acaso que no espaço da União Europeia, e não só, se discute com pertinência a questão da compatibilidade entre a livre concorrência (que em certos casos significa verdadeira liberdade de mercado) e a existência de golden share.

Pelo voo se conhecem as aves

Significantes as reacções dos restantes partidos ao entendimento do PSD sobre a data das próximas autárquicas e legislativas. Indisfarçavel o embaraço com que se responde às razões para que as eleições tenham lugar no mesmo dia (plena capacidade de discernimento dos eleitores, reforço da participação e economia no procedimento eleitoral). Não se atrevem a dizer que o Povo é estúpido e que não consegue distinguir as urnas, embora esteja convencido que essa falta de atrevimento é calculista. Respondem à vantagem óbvia de uma maior participação com o argumento chocho de que aumentar a participação é separar com nitidez as campanhas para fazer passar a mensagem. Viu-se nas anteriores eleições como uma campanha viva e autónoma consegue mobilizar os eleitores...
Mas a mensagem mais significativa, que excede a questão em si mesma, é a resposta dada à razão da maior poupança de meios financeiros. PS, BE e PCP (não conheço as razões do PP) dizem que uns escassos milhões não têm relevância, um preço modesto a pagar pela democracia, ouvi.
Diga-se em primeiro lugar que é uma clara patetice dizer-se que se gasta mais mas reforça-se a democracia. Realizar as eleições nacionais e locais no mesmo dia nunca foi considerado, em parte alguma do mundo, atentatório ou diminuitivo da democracia, mas antes uma prática democrática normal e racional.
Mas o manifestado desprezo pelos 4 ou 5 milhões a mais, é também o sinal de que, para a autodenominada esquerda, a redução do gasto público, ainda que de pequena monta, não tem qualquer significado sequer como sinal dado em tempos de crise para a necessidade imperiosa de mobilizar todos os meios (e são poucos) para ultrapassar o melhor possível esta fase. Esperava-se que os partidos assumissem a atitude responsável de, mesmo através de gestos simbólicos, obrigar o Estado ao rigor no gasto. Em vez disso confirmam o espírito com que aprovaram (com ressalva para o assumido arrependimento de alguns, valha a verdade) o reforço do financiamento partidário; ou se insiste na oportunidade de "investimentos" públicos quando o mais elementar bom senso levaria a repensá-los face às actuais circunstâncias.
.
Pelo voo se conhecem as aves. Espera-se que o Povo se vá lembrando de um provérbio que é seu.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Simples para um Deus...

Perante a perda de alguém, as reações variam de pessoa para pessoa: dor, indiferença, tristeza, estupefação, raiva, ódio, desespero e incompreensão.
Um pouco de tudo ou muito de nada? Não interessa. Dificilmente qualquer um poderá passar em frente sem olhar, sem ler, sem rezar, sem lamentar, enfim, sem sentir algo...
De todas as mortes que já presenciei ou tomei conhecimento, a que mais me dói, a que mais me aflige, a que é a mais injusta, é aquela em que os pais são confrontados com o desaparecimento de um filho. É a situação mais antinatural das mortes quer sejam elas gratuitas ou não, e que grassam por aí sob o olhar divino de quem se esqueceu ou ignora a dor da perda. Deve ser a única circunstância em que um ser vivo tem consciência da própria morte. Um “vivo-morto”, um corpo sem alma.
Mesmo que já tenham passados longas décadas, é líquido ver aveludados olhares a escorrerem pelas faces, sempre que haja um recordar. Passar em frente de uma fotografia amarelecida, tocar num brinquedo sacralizado, acarinhar uma peça de roupa cuidadosamente guardada numa arca, ouvir o nome na boca do vento, olhar para o sorriso de uma criança ou sentir a inquietude e a aspiração de um jovem, tudo serve para avivar as feridas da dor e a nostalgia de uma vida cheia de esperança ceifada, prematuramente, pelo anjo da morte a mando do seu senhor. Que raio senhor! Por que fazes isso? Por que deixas que tal aconteça? Não queres responder? É isso! Ou será que nem tu sabes o que fazer ou dizer?
Dizem, mas eu não acredito, que tiveste a inteligência de “desenhar” os seres vivos e, entre estes, nós. Olhando bem à volta, parece-me mais ser o resultado de um “design imperfeito” do que outra coisa. O melhor é admitires que o aparecimento da vida foi um mero acaso, que te surpreendeu, e que a sua evolução, cheia de imperfeições, de compromissos, de beleza e de dor, arrasta-nos, penosamente, para o inferno dos deuses. Mas se quiseres participar na evolução, ainda vais a tempo, ao menos não os leves antes dos pais. Haverá coisa mais simples para um Deus?

Santinhos e ignorantes!...

Há uns tempos, Sócrates e o Governo nada sabiam e nada tiveram a ver com a passagem do Presidente e de dois Administradores da Caixa Geral de Depósitos para a Administração do Millennium BCP...
Também há uns tempos, Sócrates e o Governo nada tiveram a ver com o resultado da OPA da SONAE sobre a PT , mesmo representando os interesses accionistas do Estado, e mesmo sendo este o dono da Caixa Geral de Depósitos, accionista de referência da PT...
Agora, Sócrates e o Governo nada sabem sobre a intenção da PT, da qual o Estado detém uma golden share, de comprar 30% da Media Capital, entidade que detém a TVI.
Por mim, já há muito que não tinha qualquer dúvida: Sócrates e o Governo não sabem mesmo nada de nada. São uns santinhos ignorantes!...

Volta, Vitalino, que estás perdoado!...

Ouvi hoje, pela primeira vez, o porta-voz, apresentado pelos socialistas como um geniozinho da comunicação.
"...A Drª Manuela Ferreira Leite não apresentou qualquer contribuição para a resolução da crise mundial..." sentenciou.
Quanto às perguntas do jornalista da SIC, nem as ouviu, inebriado que estava no profundo efeito cósmico de tal sentença.
Por mim, dei em pensar: volta Vitalino, que estás perdoado!...

Serviço integrado

Centro de Frankfurt, zona pedonal. Empresário vendedor de salsichas, impecavelmente limpo, serviço integrado. Às costas, o armazém do pão e das salsichas; à frente, o grelhador e o depósito do produto acabado. O guarda-sol protege do sol inclemente e a ponta serve também para afixar o preço: 1,3 euros por unidade.
Trabalho por turnos. De tempos em tempos, entra em funções o outro accionista.
Em Portugal, a regulação da ASAE não os deixaria trabalhar. O estabelecimento não trazia lavabos incorporados.

Rastreio atabalhoado...

Ontem o País assistiu à apresentação pública do programa "Cuida-te", uma parceria entre a Secretaria de Estado da Juventude e Desporto e o Alto Comissariado para a Saúde.
Não li o texto do programa, portanto, não o conheço ao pormenor; pode ser um programa excelente, concretizar um objectivo louvável, obedecer a uma análise estatística aturada e conclusiva...enfim, ser de grande alcance com razoável exequibilidade: o "Cuida-te" apresenta-se com 5 unidades móveis e propõe-se concretizar rastreios através de testes de despistagem da Sida a menores de 16 anos.

Segundo o que foi noticiado, este despiste incidirá em ambientes de lazer, discotecas, concertos e outros e... em estabelecimentos de ensino!
Eis que, de imediato, surge o atabalhoado:
-a Ministra da Educação e um dos seus Secretários de Estado garantem que não será feito qualquer rastreio ao VIH nas escolas portuguesas;
-a Ministra da Saúde a dizer que jovens, menores de idade, devem ter o consentimento dos Pais para fazerem quaiquer exames de diagnóstico e que tem de haver informação completa sobre o que se pretende fazer, sobre os resultados e sobre as consequências dos resultados.

Já não falando na Confederação Nacional das Associações de Pais, que também se pronunciou, só pergunto: mas será possível e acertado lançar um programa destes sem ter ouvido ministérios directamente envolvidos?
Não ficamos todos com a sensação de que foi mais uma ideia de protagonistas isolados?
E assim se "mata à nascença" uma iniciativa que, bem conduzida, representaria mais uma estratégia preventiva, formativa e informativa de combate à Sida.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Recuperação económica e "Sell in May and go away"...

1. Todos esperamos que a recuperação económica chegue sem demora...os “green-shoots” de que se tem falado ajudaram a alimentar a expectativa de que ela possa chegar ainda antes do final do corrente ano – ou no próximo o mais tardar.
2. Convém ter no entanto presente que os sinais de melhoria que se vão notando sobretudo ao nível das expectativas dos inquiridos reflectem mais a travagem da tendência de (forte) queda nas variáveis económicas - consumo, investimento, exportações - do que propriamente o início de uma recuperação.
3. Se estabilizamos depois desta queda, o que vai seguir-se?
4. Cumpre citar aqui uma interessante opinião divulgada na edição do F. Times da última 6ª Feira (19), da autoria de Olivier Blanchard, Economista Chefe do FMI, intitulada “ What is needed for a lasting recovery”.
5. Para Blanchard existe neste momento um enorme risco de não se prestar a devida atenção aos desequilíbrios económicos globais que, não tendo sido os directos causadores da crise, estiveram subjacentes à mesma. A sua correcção constitui agora condição “sine qua non” de uma recuperação económica sustentada.
6. É verdade, diz Blanchard, que os consumidores americanos têm vindo a restringir suas despesas, cumprindo assim, pelo menos em parte, uma das condições do necessário ajustamento global...mas a outra componente, uma expansão da despesa por parte dos países excedentários permanece ainda na zona do desconhecido...
7. Os sinais de superação da crise que se começaram a notar-se na economia americana são fruto de um enorme estímulo orçamental – o défice do orçamento federal deve atingir 14% no exercício em curso – e, se não forem seguidos por uma recuperação sustentada das exportações e da procura interna, esses sinais podem esfumar-se depois de passado o efeito dos estímulos fiscais e financeiros do orçamento federal...
8. Mas o estímulo orçamental não pode ser prolongado por muito tempo sob risco de a dinâmica de expansão da dívida pública se mostrar insustentável, forçando uma forte subida das taxas de juro mais longas (já se assistiu a uma primeira correcção) e colocando em causa o próprio objectivo da recuperação...
9. Nem uma recuperação frágil nos USA nem uma insustentável trajectória de crescimento da sua dívida serão bons para o resto do Mundo, conclui Blanchard.
10. Uma recuperação sustentada nos USA, porque requer um abrandamento da procura interna nos USA – corrigindo os excessos de endividamento do sector privado, real e financeiro – supõe ao mesmo tempo uma expansão da procura em países como a China, Índia e países do Golfo, com os inevitáveis ajustamentos das taxas de câmbio.
11. Enquanto essa mudança de modelos de crescimento não for claramente assumida, arriscamo-nos a sofrer calafrios de tempos a tempos e a esperar anos e mais anos pela tão desejada recuperação...Recordam-se do "Sell in May and go away"?

D. Afonso Henriques na praia


Uma excelente tarde de praia terminou com uma breve paragem no barzinho que convida a entrar, mesmo ao fim da ladeira empedrada que sobe íngreme desde a areia até à estrada. O dia tinha sido quente e a esplanada estava cheia, com as mesas tão juntas que os grupos quase não se distinguiam. Ao nosso lado estava um grupo de cinco jovens adultos, tipo atlético, vindos da praia, que começaram uma animada discussão por causa da cor morena das pessoas ainda a época balnear mal se estreou.
- É que somos mouros, dizia um, tu não sabes que os portugueses são todos mouros?
- Mouros? dizia outro, não, que eu saiba nós descendemos do D. Afonso Henriques, e ele não era mouro, era português!
- Ai isso é que era, antes dele era só mouros, por isso ele não podia ser português, diz lá como é que ele podia ser português se nem existia Portugal?
E começaram uma acesa discussão, cada vez mais baralhados porque nenhum conseguia descobrir o enigma do que seria Portugal antes do D. Afonso Henriques, um desconfiava que já cá havia pessoas, dizia ele que os mouros, o outro teimava que se não houvesse portugueses então não havia Portugal, e ninguém à volta daquela mesa deslindava o mistério da origem do 1º Rei de Portugal, apesar de um ter arriscado timidamente que havia umas histórias com os espanhóis mas que lhe parecia que isso tinha sido só em 1380, talvez só aí é que tivessem passado a chamar-se portugueses…
Como já estavam à beira de se insultar, resolvi intervir para contar de forma muito simples a história do D. Afonso Henriques, dos seus pais, do Egas Moniz, das lutas com Castela, do Tratado de Zamora e, claro, uma brevissima referência ao povoamento do território até essa data gloriosa.
Os rapazes ouviram-me perplexos e, já ia eu a falar da conquista do castelo de Lisboa quando um me interrompeu timidamente:
-Ó senhora, ó senhora, desculpe lá, mas para saber isso tudo… é professora de história?
Eu ri-me. – Não sou, não, para saber isto basta ter andado na escola primária, talvez tenha é estado com atenção nas aulas…
- É pá, disse o outro, eu ia perguntar o mesmo, para saber isto tudo…! Mas olhe, ó senhora, eu até tive história na escola, até me lembro da stoura ter falado numa batalha em que se puseram umas lanternas nas ovelhas para o inimigo pensar que éramos muitos e que ganhámos por causa disso, como vê até prestava atenção! Mas agora isso dos pais do D. Afonso Henriques não me lembro, de certeza que não dei!
Reconheci que sim, para não o ofender, que há imensas histórias fantásticas ao longo da nossa História e que se eles lessem umas coisitas sobre isso eram capazes de gostar, já que eram tão interessados no assunto.
Não sei se seria a moleza daquela tarde morna, mas vim muito impressionada com a absoluta incapacidade daqueles jovens de raciocinar sequer sobre os mais básicos conhecimentos da História do nosso País. Não sei se seriam capazes de fazer o teste de matemática e de ter uma nota razoável, mas palavra que senti vergonha de ouvir aquela conversa em voz alta, nem sequer tinham a noção do grau de ignorância que demonstravam, e eram vários!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Caminhos diferentes...

Cá temos de novo a polémica do facilitismo das provas de matemática do Ensino Básico. A Sociedade Portuguesa de Matemática considera a prova demasiado elementar, enquanto que para Associação dos Professores de Matemática a prova está de acordo quer com as orientações curriculares. Quem é que tem razão?
Uma coisa é certa. Não há milagres na matemática, nem no ensino nem nas provas de aferição. No limite todos os alunos podem ter uma classificação positiva e em média estarem mal preparados, assim como é muito mau sinal uma elevada taxa de reprovação porque é também a evidência de que os alunos não aprenderam a matemática.
Na matemática, não está em causa decorar ou memorizar a matéria como acontece em muitas outras disciplinas. É, antes, uma questão de compreender e dominar a lógica do raciocínio matemático e é, também, uma questão de treino.
A matemática é hoje uma ferramenta fundamental na formação e preparação para a vida das crianças e jovens, independentemente das suas vocações e escolhas profissionais. A cada momento vivenciamos a matemática. Não a podemos dispensar.
Ao longo da vida nas mais diversas situações o raciocínio matemático revela-se muito útil na equação de soluções e na resolução de problemas. A falta de exigência ou preparação no seu ensino, que não tem que equivaler à dificuldade na sua aprendizagem como tantas vezes se quer fazer crer, não permite que os alunos integrem na sua estrutura mental o raciocínio lógico da matemática.
Não é com facilidades na transmissão do conhecimento que vamos melhorar as competências na matemática. É pena que a matemática continue a ser vista como um “papão”! O esforço deveria ser dirigido para os métodos de ensino e para o acompanhamento escolar. É neste campo, e desde tenra idade, que deve ser feito o investimento na matemática. Os resultados dos exames podem esconder falta de conhecimento, porque tudo depende da relação que se estabelece entre os graus de exigência estabelecidos no ensino ao longo do tempo escolar e no momento das provas de aferição. Este é o aspecto relevante que merece aturada discussão mas longe, necessariamente, da época de exames!

domingo, 21 de junho de 2009

Coragem tardia!...

Um grupo de Economistas de formação e outros de equiparação lançaram um Manifesto, pedindo a reavaliação e, nalguns casos, a travagem dos grandes investimentos públicos. Porquê? Porque não são suportáveis pela economia e pelas finanças públicas. Diz o Manifesto que “o défice externo situou-se nos 10,5% do PIB em 2008 e a dívida externa líquida cresceu de 14% do PIB, em 1999, para cerca de 100%, em 2008, e a dívida pública directa cresceu de 56% do PIB, em 1999, para 67% em 2008”.
Fizeram bem os Economistas. Bem, mas demasiado tarde.
Uma boa parte deles, ainda não há muito tempo, entoava louvores à consolidação orçamental anunciada a cada passo pelo Governo, esquecendo ostensivamente que ela era feita, não pela redução da despesa pública, mas pelo aumento dos impostos. E, ainda mais grave, não se dando conta que a despesa corrente vinha sempre aumentando em termos nominais, em termos reais e em relação ao PIB. E, pior ainda, que o investimento público, também ao contrário do que o Governo dizia, vinha diminuindo ano após ano: em 2006, menos do que em 2005, em 2007, menos do que em 2006, e em 2008, menos do que em 2007. Muitos desses economistas, oligopolistas da opinião, com acesso livre e imediato à comunicação social, nunca o disseram no tempo devido.
Pelo contrário, também muitos deles manifestaram-se contra a política orçamental de Manuela Ferreira Leite que, contra ventos e marés, procurava sanear as contas públicas, sofrendo uma barragem de críticas que dificultou, e de que maneira, esse desiderato.
Mais valendo tarde do que nunca, fizeram bem os Economistas. Pena foi que não o tivessem feito antes. E precisassem do incentivo da derrota de Sócrates nas Europeias!...Falo de alguns, não falo, obviamente, de todos!...

As grandes pequenas coisas da vida...

O Público revela hoje alguns "retratos" de vida da vida de Sophia de Mello Breyner, nos quais se incluem poemas e cartas desconhecidos.
Às vezes acontece, quando não acontece sempre assim, que as coisas mais bonitas das nossas vidas não são aquelas que estão à vista, que qualquer um pode ver, ouvir ou verificar. Muitas dessas coisas estão como que escondidas em pequenos gestos ou palavras, diluídas em sentimentos de ontem que o nosso ADN emocional volta e meia recorda, guardadas em lembranças longínquas ou perdidas em simples acontecimentos que a nossa memória e a dos outros nunca esquecem.
Cada pessoa tem sempre um lado misterioso por descobrir e curiosidades para contar que se adensam com o tempo, porque é com o passar do tempo que se coleccionam, projectam e se vivem recordações e saudades.
Vem esta nota a propósito da carga simbólica do espólio inédito que nos é contado pelo Público. Achei, e acho, lindíssimo o poema inédito de Sophia que foi encontrado num "papelinho escrito a tinta permanente azul" (em 1943) que se chama inocência e possibilidade:

"As imagens eram próximas
Como coladas sobre os olhos
O que nos dava um rosto justo e liso
Os gestos circulavam sem choque nem ruído
As estrelas eram maduras como frutos
E os homens eram bons sem dar por isso"

Não sabemos porque Sophia o escreveu, o que a impeliu, que sentimentos e emoções lhe enchiam a alma nesse momento, o que realmente a fez partilhar com o seu ser algo tão grande e profundo, em tão poucas palavras, num bocadinho de papel. É mais um poema, é certo, mas soube-me bem conhecê-lo!

Bandeira esfarrapada, povo esfarrapado...
























Na manhã do solstício de verão acordo cercado por três pequeninos netos, os quais ficaram à guarda dos avós na sequência de um casamento realizado em Vilar Formoso. A idade dos avós, ou melhor, a idade dos netos obrigou-nos a recolher ao hotel mais cedo. Uma verdadeira "ramboia" que soube melhor do que continuar pela noite dentro.
Abro a janela e reparo estar a menos de cem metros da fronteira. Nada de especial. Mas de repente, naquela curiosidade de observar onde acaba o nosso país e começa o do vizinho, procuro os sinais da nossa identidade. No edifício da velha Alfandega, e gravado no granito, o nosso escudo. A escassos metros, num mastro de dimensão apreciável, vi a bandeira nacional, o que é correto, já que marca a nossa territorialidade e a nossa identidade. Não foi preciso muito tempo para ficar com a boca aberta. A bandeira nacional à entrada do nosso país estava esfarrapada. Nem queria acreditar e saí do hotel para confirmar que era verdade. Afinal não estava ensonado e nem o facto de o sol encadear qualquer um, impediu a minha observação.
A bandeira nacional está ali, precisamente à entrada do território, mal tratada como se fosse uma das muitas bandeiras que, patrioticamente muitos portugueses, abandonaram às intempéries e ao tempo, no decurso do “Europeu 2004”, e que ainda se consegue ver num ou noutro local.
Dada a sua localização, presumo que não é nenhuma iniciativa de algum “patriota futebolístico”, mas sim da responsabilidade das autoridades nacionais que fazem, de vez em quando, apelos ao respeito pelos símbolos nacionais, fiquei chocado com tão estranha atitude.
O que dirão os que nos visitam quando entram pela aquela porta? Que raio de povo é este que marca o seu território com uma bandeira esfarrapada? Só pode ser um povo esfarrapado! É capaz de ser isso mesmo...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Bom e mau sobre carris

Cómodas e rápidas as viagens no alfa pendular da CP entre Lisboa e Porto. Alta Velocidade só se for por causa do manifesto congestionamento da linha...
O pior mesmo é a intranquilidade provocada pelas conversas ao telemóvel. Enquanto viajo de Gaia para Lisboa e vou escrevendo esta nota, passageiros ao meu lado berram intimidades pessoais e pormenores negociais, daqueles que habitualmente levam a fechar as portas em casa ou no escritório. Aqui a exposição é total. Um fenómeno inexplicável e perturbante. Para a próxima é certo: tampões para os ouvidos.

“O leite derramado dos brasileiros sobre Portugal”

Hoje no “Público” li uma interessante carta de um leitor: “O leite derramado dos brasileiros sobre Portugal”. Não sabia, confesso, que “notáveis” brasileiros, tais como Chico Buarque e Caetano Veloso, consideram que os portugueses são os culpados do atraso económico, da corrupção, da preguiça e da maldade do Brasil! Mesmo duzentos anos depois da independência continuam com estas atitudes. Claro que eu tenho que fazer uma interpretação desta conduta: afinal são mesmo “portugueses” esses brasileiros que nos culpam de tudo o que é mau para aquelas bandas! Que eu saiba só os portugueses é que culpam os seus avós e antepassados dos males que os afligem...

Gripe H1N1 e profissionais de saúde.

A atual pandemia da gripe H1N1 tem algumas particularidades. Atinge sobretudo as pessoas mais jovens, provavelmente devido a completa ausência de imunidade contra este tipo de vírus. O vírus gosta do frio, como é típico do vírus da gripe. Uma Primavera mais fria permitiu que nalgumas partes do globo se iniciasse mais facilmente a propagação. Quanto mais gente junta maior é a possibilidade de transmissão, logo, nos grandes aglomerados o risco é maior. Um aspeto que considero como particularmente relevante tem a ver com os profissionais de saúde. Infetam-se com a mesma facilidade que a população geral, ao contrário da gripe “normal”. A somar a esta característica, acresce o fenómeno dos profissionais de saúde serem “descuidados” com a sua própria saúde, mantendo-se em atividade até não poderem mais. Mania de serem “heróis”! Neste caso, é facilmente compreensível que a propagação possa ocorrer com muita mais facilidade entre eles e nas próprias unidades de saúde, afetando os doentes e não doentes. Como um mal nunca vem só, e sabendo que o número de profissionais é baixo para as necessidades do país, qualquer baixa significativa dos mesmos, ainda que temporariamente, poderá ser bastante gravoso para uma adequada e eficiente prestação de cuidados de saúde. Faz todo o sentido os planos de contingência, como é óbvio, sobretudo para as unidades de saúde, não porque esta gripe seja muito letal, mas devido ao impacto que possa ter na prestação dos cuidados à população geral, a qual carece de atenção para as diferentes patologias que a assolam.
A política de cuidados a ter com esta gripe, que, paulatinamente, está em crescendo, tem que ser encarada, embora não exclusivamente, para médicos, enfermeiros e outros técnicos sem os quais não é possível assegurar a prestação de cuidados, ou seja, se o risco de morrer devido à gripe é baixo, o mesmo não se pode dizer de outras causas por carência de cuidados de saúde!

Quem mais jura mais mente!...

O mínimo que se pede a um Governo é que fale verdade. Falar verdade, para não se ser desmentido a cada passo, faz inspirar confiança e ajuda a ultrapassar as dificuldades.
Mais uma vez se verificou que o Governo não falou verdade, até mentiu despudoradamente, quanto às razões da diminuição do défice público.
O Governo criticou desesperadamente Manuela Ferreira Leite por, enquanto Ministra das Finanças, ter recorrido a receitas extraordinárias para diminuir o défice público. E jurou, e continua a jurar, que receitas extraordinárias, jamais!...Jurou, mas vem sistematicamente mentindo!... Aliás, fazendo jus ao provérbio que diz que "quem mais jura mais mente..."
Ainda agora, o Relatório Anual do Banco de Portugal explicita que as receitas extraordinárias, em 2008, atingiram os 1,8 mil milhões de euros, obtidas pelo alargamento dos prazos e pela concessão de novas barragens e auto-estradas. E contribuíram para que o défice passasse de 3,7% para 2,6% do PIB.
Não se critica o recurso às receitas extraordinárias, pelo que evitam o aumento da dívida pública ou dos impostos. Critica-se, sim, a propalada promessa e mentira de não recorrer às mesmas.
Como mentira é dizer-se que a contenção do défice se deveu à diminuição da despesa. Pelo contrário, o Governo de Sócrates vem sempre aumentando a despesa pública, em termos nominais, em termos reais e em peso no PIB.
Ao contrário do que o Governo diz, a grande contribuição para a diminuição do défice foi o aumento da carga fiscal e as receitas extraordinárias.
A mentira também foi penalizada nas últimas eleições.

Trabalhadores da Autoeuropa: um exemplo que foi sempre citado.

"A lição da Autoeuropa" era tema recorrente, variadas vezes citado, como o exemplo de realismo e flexibilidade demonstrado nos vários acordos que , ao longo do tempo, íam sendo selados entre os representantes dos trabalhadores e a administração do grupo Volkswagen.

Ontem parece ter terminado este entendimento exemplar.
Agora vive-se a ansiedade e a angústia sobre o futuro, o futuro dos trabalhadores em situação de trabalho precário (e, provavelmente, não só destes...) e o futuro optimista que o grupo empresarial, ainda pouco mais de dois anos, tinha revelado quanto à criação de mais 3.000 postos de trabalho e da garantia de mais dez anos de produção em Palmela.

Assim terminam umas negociações, com os trabalhadores divididos e com as consequências que todas as faltas de entendimento acarretam: uma diminuição de confiança mútua, um clima já bem diferente, de ambas as partes, para futuras propostas de flexibilidade produtiva.
Vamos todos nós, Portugueses, lamentá-lo profundamente!

A longa espera pela redução das listas de espera...

As listas de espera para a realização de cirurgias continuam a ser uma mancha negra do Sistema Nacional de Saúde (SNS). Apesar de alguns progressos que se têm registado nos tempos médios de espera, as medidas políticas não têm sido suficientes para acabar com este flagelo. Um flagelo que atinge essencialmente a população que pela sua condição económica se vê impedida de recorrer a sistemas privados de saúde na procura de cuidados imediatos. A média de espera está situada em 152 dias.
Os portugueses continuam a morrer de cancro à espera de uma cirurgia. A espera é de 102 dias, contra os 14 dias internacionalmente recomendados na área da cirurgia oncológica. No global, em Dezembro de 2008, 175 mil doentes aguardavam por uma operação. Quem o afirma é o Observatório Português dos Sistemas de Saúde no Relatório da Primavera.
Continuo a não perceber porque é que os doentes que o SNS não tem condições para tratar em tempo normal não são encaminhados, por exemplo, para sistemas privados de saúde. As listas de espera para além de alimentarem o drama humano do sofrimento causado pela doença grave e pela sua perigosidade, em particular nas doenças em que a luta contra o tempo é vital, são geradoras de descriminação e de injustiça.
Esta é uma daquelas áreas em que não deveríamos poupar esforços e recursos. É confrangedor não fazer melhor!

Darwin, arte e fogo.

Darwin não fez apenas revolução na ciência, mudou a forma de pensar e de analisar todos os problemas que atormentam e assediam constantemente a mente humana. Mas não ficou por aqui. Presumo que não há nenhum capítulo daquilo a que podemos chamar arte que não tenha sido influenciado pelo darwinismo. Romance, conto, poesia, filmes, novela, ficção científica, fantasia infantil, sátira, lírica, sonetos, comédia, música, escultura, pintura e sei lá que mais, não ficaram insensíveis às análises darwinianas. O impacto das suas descobertas impregnou o imaginário dos homens de cultura, muitos das quais acabaram por ser os principais reveladores dessas mensagens. Convém não esquecer que a arte é a forma mais expedita e correta para transmitir as grandes descobertas científicas.

Através da criação artística, qualquer um de nós acaba por assimilar o conceito que, de outro modo, muito dificilmente conseguiria penetrar na mente, acabando por fazer parte da essência do existir, marca de maturação da humanidade.

São inúmeras as exposições, as conferências e as iniciativas no segundo centenário do seu nascimento.

Algumas prendem-se com o impacto das teoria evolucionista nas artes visuais. Uma delas adotou como lema “Darwin e a arte”. Dentro da panóplia artística, um curto destaque para algumas das belas estatuetas de Degas, cujas faces traduzem a “expressão das emoções nos homens e nos animais”.

O registo das emoções é um dos alvos principais de qualquer artista seja através da visão, da música ou da escrita.

Não sei até que ponto houve ou não uma evolução condicionada pela arte. São vários os representantes da atividade criativa do homem desde os tempos mais remotos. Fala-se muito de evolução, mas quase sempre no sentido biológico. Resta saber se houve ou não algum impacto na esfera da arte e da espiritualidade. Às tantas até houve, mas é muito mais difícil encontrar objetivamente os artefactos dessa evolução e, sobretudo, os tão propalados elos perdidos. Do mesmo modo que falo dos efeitos da arte na evolução dos hominídeos, também poderia falar de outros aspetos que, curiosamente, e que eu saiba, não foi analisada por Darwin: o fogo.

Recentemente houve quem argumentasse e escrevesse que o fogo desempenhou um papel primordial na evolução, tão forte como a dita seleção natural. De facto, a maior, ou uma das maiores revoluções humanas, a domesticação do fogo, ocorrida há cerca de dois milhões de anos, permitiu ao homem dominar tudo e todos. O fogo alimenta, aquece, transforma, mata e salva.

As mudanças operadas na nossa fisiologia e no nosso cérebro devem muito à “culinária”. Não se sabe quem é que a inventou, se foram os homens ou as mulheres. Quem sabe se o que nos diferencia dos macacos não se deve à utilização do fogo? É curioso que o trabalho de certos antropologistas e naturalistas, caso de Claude Lévi-Strauss e de Darwin não tenham dado grande atenção ao fogo, como se os humanos pudessem passar bem ele. Claro que não! Sem o fogo não seríamos ninguém.

O fogo seduz, alimenta, purifica, mata, protege, aquece, salva, rejuvenesce. É símbolo de vida e de fertilidade. Adorado e odiado. Deus e demónio. Inspira poetas e assassinos. Deus fala através do fogo e os homens levaram muitos dos seus irmãos ao Seu encontro através das chamas.

Darwin não valorizou muito o fogo, mas o fogo valorizou muito o homem. Através do fogo o homem passou a alimentar-se de forma diferente, facto que condicionou a sua estrutura e funcionamento, nomeadamente o do cérebro. Com um cérebro maior, a apetência para outros alimentos tornou-se um imperativo, acabando por condicionar a sua evolução. No fundo, quase que se poderia reunir a uma dupla “culinária” com objetivos de alimentar o corpo e a alma. O primeiro através de alimentos cozinhados. A segunda com o fogo da criatividade e da imaginação.

Sem o fogo não somos nada...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Gente fina é outra coisa!

Há que tempos que vejo um anúncio “empregado/a precisa-se” colado na vitrina da papelaria do centro comercial onde costumo ir comprar o jornal todas as manhãs. De vez em quando o anúncio é retirado e surge uma cara nova atrás do balcão, a aprender o ofício, mas é sempre sol de pouca dura e lá volta a dona da loja a estar ali de plantão de manhã até à noite, alternando com uma empregada que ali se mantém há vários anos. Tenho ouvido as queixas da senhora, falando da dificuldade de arranjar um empregado que queira aprender e ficar, aquilo é uma roda viva de entra-e-sai, mesmo quando recorre ao centro de emprego.
Hoje vi que não estava o anúncio e lá encontrei outra cara nova ao balcão, desta vez uma jovem toda moderna, pouco mais de vinte anos, cabelos compridos e bem tratados, a roupa manifestamente desadequada porque podia ir dali direita à praia, mas enfim, fiquei a observá-la enquanto aguardava a minha vez para ser atendida porque a loja estava com bastantes clientes.
Eis senão quando a jovem recebe um recado da colega mais antiga, qualquer coisa sobre ir abrir os pacotes de revistas para arrumar nas prateleiras e a sua cara revelou logo uma nuvem muito negra. Virou-se brusca para a outra e disse, alto e bom som:
- Se é para carregar pesos, esquece, eu não ando na musculação, quem quiser que acarrete as caixas, arrumar posso arrumar mas alguém tem que trazer as caixas para aqui.
A outra ficou aflita a olhar à volta na esperança de não ter sido ouvida a resposta desabrida e sussurrou-lhe qualquer coisa que seria talvez a ameaça de que a patroa estaria a chegar e as coisas estavam por arrumar.
- Isso não é problema meu, disse a novata, até calha bem para ela perceber que eu não acarto pesos, se eu quisesse fazer esse esforço tinha ido trabalhar para as obras!
E continuou a atender os clientes, com gestos de mau humor, a resmungar para ela que “era só o que faltava…”
Suspeito que dentro de dias estará de novo o anúncio…e a estatística do desemprego subiu um número.

A arte de bem desbaratar capital político a toda a sela

O Dr. Paulo Rangel terá admitido publicamente a possibilidade de deixar o parlamento europeu caso o PSD vença as eleições gerais. O cenário é hipotético, mas o tiro no pé do PSD é bem real!
.
ADENDA: Alguns comentários a este post chamam a atenção para o facto de a notícia do Jornal de Negócios em que se inspirou não reproduzir com fidelidade as declarações de Paulo Rangel. Se assim foi, apresso-me a deixar registada a correcção. Mas fica também a opinião de que é fácil, muito fácil, desbaratar capital político. Basta, por vezes, falar em excesso...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Variações

Mário Crespo durante a mesa redonda para debate da entrevista do Primeiro Ministro: "Vamos agora voltar aos corredores da SIC para o ver qual dos três Engenheiros Sócrates é que vai sair da sala de maquilhagem".

Responsabilização injusta

Há dias três presos em Caxias pisgaram-se por umas horas. Leio que o director prisão foi responsabilizado. Não me conformo que o castigado seja o director.
E também acho mal que, alvo de injusta condenação, não se defenda com a argumentação que tem feito doutrina entre nós nos últimos tempos, alegando que ou há moralidade ou devem comer todos pela mesma medida.
Vejamos o que poderia dizer em sua defesa o alvo da expiação da falha prisional:
(a) Que a ele, director, não cabia a função de vigiar os presos. O director dirige, não vigia. Logo, não pode sofrer as consequências pela omissão de um dever que não é seu.
(b) Não faz sentido censurar o governador, perdão, o director, que nada cometeu, e não os presos que pisaram mais uma vez a lei ao fugirem.
(c) Se soubesse o que sabe hoje, isto é, que os presos iriam fugir, teria tomado medidas eficazes para o evitar.
Este director ou está farto da função e aceita o afastamento como uma benção ou então é um grande distraído!

Vai uma ajudinha?

O PSD anunciou que votará favoravelmente a moção de censura do CDS/PP. Uma ajudinha decerto inesperada à estratégia de dramatização, caminho previsível traçado pelo Engº Sócrates. Veremos se não vai ser assim...

Um exame mais à séria?

Começaram ontem as provas de exame de português. Assunto de abertura dos jornais da manhã, com entrevistas a alunos, professores, pais, associações de pais, encarregados de educação, gestores de escolas, psicólogos, sociólogos e um nunca mais acabar de intervenientes. Até comecei a pensar que os exames eram uma coisa séria!...
Mas logo caí na realidade quando ouvi uma pergunta da repórter da RTP a um aluno: então como te sentes, agora que vais fazer um exame mais à séria?
Talvez sem querer, a jornalista sintetizou notavelmente o que se passa em matéria de exames. E prestou um verdadeiro serviço público!...

terça-feira, 16 de junho de 2009

Nem turista escapa!


O presidente da Câmara de Portimão propõe o lançamento de um imposto sobre os turistas para compensar a alegada perda de receitas com os impostos sobre o património e com a cobrança das taxas municipais. Pelo menos é o que se lê aqui. Podem qualificar a coisa como quiserem, mas não podem acusar Manuel da Luz de falta de coerência para com a doutrina dominante...

Recorrer ao transcendente!...

Recorrendo a Jesus e ao Salvador
O Benfica lá arranjou treinador!...

Nos momentos muito difíceis, acaba sempre por se recorrer ao transcendente!...

Momentos de fra(n)queza

"Há momentos em que fico muito satisfeito por não ser advogado", disparou ontem Vítor Constâncio em reacção ao que considerou ser "a verborreia" usada no quadro da comissão de inquérito parlamentar à supervisão do BPN. Permitindo-me usar das artes habituais dos advogados, depreendo a contrario das palavras do senhor Governador do BP que noutros momentos lamentou não ser causídico. Compreendo-o, perante as circunstâncias em que fez tal confissão...
Pese embora a razão que lhe assiste ao verberar a falta de rigor com que é confrontado com algumas das questões, esta e outras frases irritadas do Dr. Vitor Constâncio proferidas ontem na sessão da Comissão, revelam que o senhor Governador não se conforma com as ilacções que já percebeu que o País extraíu do caso BPN, mas também do BCP (já esquecido) e do BPP: terá muito provavelmente existido incúria na supervisão bancária por parte do BP e nalguma medida a passividade demonstrada ao longo do tempo é responsável pela situação já apurada. Esta constatação diminui as responsabilidades individuais de quem se aproveitou da confiança e boa-fé de depositantes e alguns investidores? Pois não diminui. Mas as comissões parlamentares - que não são constituídas por advogados nessa qualidade, mas por deputados -, não são criadas para julgar responsabilidades criminais ou civis. Servem para apurar responsabilidades políticas. E o Dr. Vítor Constâncio, que para além de ser um competente economista é um político experimentado, sabe-o bem. Suspeito, por isso, que a irritação do senhor Governador não é só fruto do cansaço ou compreensível reacção ao disparate e à falta de conhecimento. É também e sobretudo um acto de fra(n)queza.

A súbita moderação de um animal feroz

Os resultados das eleições para o parlamento europeu tiveram um impacto colateral muito para além do esperado. O País acordou hoje a ouvir nos noticiários o PS a falar em "humildade", a palavra que assenta pior à conduta política da maioria neste mandato. O próprio PM e secretário-geral do PS que em tempos a si mesmo se qualificou um animal feroz, perdeu - ou pelo menos pôs temporariamente de lado - o estilo agressivo, a roçar a arrogância, que cultivou ao longo do mandato.
Não haverá, obviamente, espaço ou tempo para o PS corrigir trajectos até às próximas eleições. E muito menos para refrescar a equipa governativa, como absurdamente alguns sugeriram. Por isso, para além da paragem estratégica de alguns comboios, a mudança do PS vai ser fundamentalmente de estilo. Os sinais são bastantes. A moderação no discurso. O início da dramatização em torno da questão da governabilidade. A mudança de porta-voz...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

No bom caminho!...


Pois é!...
Mais uma vitória, agora na Taça de Portugal de hóquei em patins.
A que se juntou, no fim de semana, a vitória no Campeonato Nacional de Juvenis de futebol!...
Depois da vitória do PSD nas Europeias, o país está, de facto, no bom caminho!...

Vem aí um novo diploma das Carreiras Médicas

A Ministra da Saúde chegou a acordo com os Sindicatos Médicos e o Governo prepara-se para legislar sobre carreiras médicas, revogando a legislação de 1990 (do tempo de Leonor Beleza) e impondo uma carreira única a todo o Serviço Nacional de Saúde, seja ou não empresarial.

Os Sindicatos estão contentes, a Ministra parece que também.
O Governo sente que ganhou "pontos", a três meses de eleições e argumenta com uma filosofia que me parece "higiénica": a de impor um regime uniforme de incompatibilidades e, portanto, de exclusividade...ou trabalham no sector público, ou trabalham no sector privado.

Só que este acordo foi assinado na base de um horário de trabalho, a tempo inteiro, de 35h. e não de 40h., como parece que a Ministra quereria e como acontece nos actuais contratos individuais de trabalho dos clínicos.
Portanto, a partir da nova legislação, a negociação passa a ser feita por contratação colectiva, como para os demais trabalhadores da função pública.
Acima das 35h. tudo será extra!
Como os médicos fazem um banco por semana de 12h.(que, na prática é de 24h.) sobra muito pouco para trabalhar dentro do horário-base...ou seja, vai haver muita hora extra a pagar!!!

Será que o Governo avaliou, mesmo que "ó de leve", o impacto financeiro adicional desta medida?
Será que o Ministério das Finanças já deu por isto?
Será que o diploma vai mesmo passar em Conselho de Ministros sem que ninguém faça contas?
Será que as PPP's vão aplicar este regime?

Cá estaremos para vêr, provavelmente já na próxima semana.

Acidente na ponte

Fim de tarde. Radiosa, azul e transparente. Avançava para a parte final do livro, mais meia a três quartos de hora e acabava a leitura, quando ouvi o característico Pum! Bateram dois carros. Naquela ponte? Como é possível? Muita pequena e estreita, e agora sem possibilidade de a atravessar, um jovem, que conduzia uma carrinha branca, teve que fazer marcha atrás, ou então deixou descair o veículo no preciso momento em que um carro, conduzido por uma mocinha, tinha parado sem, aparentemente, haver motivos para isso. O rapaz sai da viatura, a rapariga também, e, ambos sorridentes, começam a analisar o sucedido. Da forma como falavam tudo apontava para que houvesse entendimento entre os dois. O rapaz distraiu-se! Continuei a ler. Entretanto, surgem pessoas, muitas pessoas, que interromperam os seus afazeres e não afazeres para saborear o acontecimento. Olho e reparo que os dois jovens já não estão a entender-se. A moça agita-se, o rapaz afasta-se e de telefone em punho deverá estar a chamar ou a contar a alguém. Não tarda que familiares dos dois estejam presentes. Um familiar da jovem, depois de a auscultar, trava conversa com o autor da façanha e demonstra, pela altura da voz, o seu desagrado com a contradição do mesmo.
Junta-se mais gente. O ex-militar, de t-shirt vermelha, óculos escuros, cabelo à escovinha e pochete, aproxima-se mas não em demasia, e, a meio da ponte começa a fazer uma análise tipo estratégia militar. Coça a cabeça, afaga o bandulho, passa de um lado para outro, aproxima-se um pouco mais, recua, enfim, parece que está a recolher todos os elementos. Já tem matéria para à noite conversar. Parece que não é preciso chegar à noite, porque com a chegada de mais pessoas, já começou a dar explicações sobre o sucedido e aparentemente – basta ver os gestos – com minudências exclusivas de quem não viu o que se passou!
Eis que chega a autoridade num jipe. Saem dois agentes, um mais novo, outro de mais idade, suficientemente barrigudo para ser obrigado militarmente a fazer dieta e exercício. Armados do bloco de notas, fita métrica, tomam as diligências necessárias para elaborar o inquérito.
Mais gente. O carniceiro, de bata branca e suja, e que deve bater o perímetro abdominal de qualquer um nas redondezas lá se foi inteirar do sucedido. Mais pessoas de todas as idades e de ambos os sexos. Uma pequena festividade. Nenhum deles assistiu ao quer que fosse, mas já tinham começado a tomar partido e a atribuir culpas a um dos dois. Um encanto. Mais gente. Começo a contar. Duas dezenas de pessoas naquela pequenina e estreita ponte! Nem no dia anterior, aquando da passagem da procissão do Corpo de Deus, conseguiu albergar tantas pessoas ao mesmo tempo. E a procissão foi mesmo comprida! Ainda vamos ter um pôr-do-sol mais festivo do que a festa prometida para daí a algumas horas. O ex-militar continua a dissertar. Nem mesmo as gotas dispersadas pelo vento do repuxo maior da ribeira conseguiram impedi-lo de dar as explicações a todos que entretanto continuavam a chegar. Há quem comente a disposição daqueles pinos que limitam a via naquele espaço. São críticas de quem deve ser oposicionista ao presidente da câmara. E ainda não começou a campanha eleitoral para as autárquicas!
Afinal, o GNR barrigudo também fuma. Penso: - O gajo ainda se lixa! E pelo convite de um dos mirones a perguntar-lhe se vai uma cervejita, a minha hipótese ficou reforçada: - Mais um fator de risco!
Na loja ao lado, primorosamente cognominada “Sonhos de Anjos” – nem sabia que os anjos sonhavam! -, quatro senhoras, três das quais sentadas num banco em frente da montra, e ladeada por representantes very kitsch de um leão de madeira e duas estátuas “vindas diretamente da Tailândia”, conversavam alheias ao acidente. A conversa devia focar outros acidentes mais apetitosos, decerto!
Na velhinha ponte, reconstruída em 1735 e restaurada em 1926, agora atulhada de gente, ouvia-se a voz irritada da jovem que protestava veemente. Ao fundo, a torre da igreja, prestes a dar as sete da tarde, linda, brilhante, soberana, dominava todo o enquadramento da praça do município. Atrás de mim, na esplanada, uma senhora empunhava a sua máquina digital, preparando-se para registar o mais relevante acontecimento da ponte, precisamente durante ponte entre o Corpo de Deus e o Santo António. Dois turistas, sim, porque para aquelas bandas também aparecem, alheios ao acidente e à multidão emborcavam cervejas atrás de cervejas fazendo jus às suas características e timbre. No meio disto tudo, pus-me a pensar quem é que iria ganhar a questão do acidente, se a jovem ou o rapaz de cabelo encaracolado.
Às oito fui para o arraial, jantar com os amigos e fazer conversa de aldeia, quando deparei com uma aglomeração de formigas em redor de algo esbranquiçado. Eram tantas que mais parecia uma pequena mancha negra no lajedo do granito claro. Pensei: - hum não me parece que tenha havido aqui algum acidente! Não, era apenas trabalho e oportunidade para levar para casa o açucarzito que alguém deverá ter lançado ao chão. Já o lusco-fusco se tinha instalado quando, em cima da ribeira, não muito afastado das mesas do repasto, deparei com um rodopiar curioso que me chamou a atenção. Milhares de mosquitos dançavam freneticamente. Uma nuvem que conseguia faiscar, ainda que muito discretamente, sob a ação dos últimos raios da luz. Devia ser a sua hora de recreio e de alimentação a que consegui furtar, não fossem mosquitos fêmeas!
Não há dúvida, a necessidade de alimentar leva a que os representantes de muitas espécies se juntem e se ajudem mutuamente, mas os seres humanos têm uma fome muito diferente. E compreende-se! Alimentar a curiosidade é muito mais forte do que qualquer outra coisa...

Discriminação

Já tive a oportunidade de conviver com muitas pessoas que sofrem de trissomia 21. Têm as suas especificidades, o que é natural, mas são, de facto, muito simpáticas e mesmo dóceis.
Nos tempos que correm, caracterizado por elevada competição de natureza intelectual, todos aqueles que apresentem quaisquer limitações nesta esfera sofrem o efeito de uma segregação que tem sido alvo de medidas e de campanhas destinadas a permitir, com base no princípio de igualdade entre os seres humanos, os mesmos direitos e oportunidades. Os portadores desta anomalia cromossómica também têm esses direitos, se bem que, hoje em dia, possam ser eliminados durante a gestação.
Recordo ter lido uma nova interpretação da trissomia 21 que, em tempos, poderá ter jogado um papel protetor. Passo a esclarecer, transcrevendo o que escrevi nessa época: “Os traços fenotípicos deste grupo de pessoas permitiriam uma relativa independência face ao investimento maternal e daqui uma maior incidência à medida que as mulheres envelhecem. Havendo uma redução da probabilidade de sobrevivência das mães em idades mais avançadas, a possibilidade de as crianças poderem vingar seria maior neste grupo, porque são mais eficientes em matéria de conservação energética (hipotonia muscular, diminuição do metabolismo cerebral, diminuição do volume do hipocampo, maior propensão para a obesidade, atividade reduzida das hormonas da tiroide e do crescimento)”.
Ou seja, na proto-humanidade, deverá ter desempenhado algum fenómeno adaptativo. Presentemente a força da evolução faz-se noutras áreas, tornando-os mais vulneráveis e vítimas de discriminação e até de segregação.
Recordei-me desta análise ao ser confrontado com uma notícia segundo a qual, numa pequena povoação a norte de Barcelona, o pároco recusa ministrar a eucaristia a uma menina com a síndroma de Down, alegando que não está em condições. Além do mais, argumenta que se trata de “um anjo de Deus”, que não pecava e, por isso, não necessita de se purificar. Não querendo intrometer com o significado deste sacramento, a comunhão, que parece não estar totalmente esclarecida, e por isso continua em discussão desde o Concílio Vaticano II, não posso deixar de considerar a atitude do pároco como uma medida de discriminação, neste caso, religiosa. Se os trissómicos 21 são ou não anjos, não sei, mas tenho muitas dúvidas se haverá anjos e se os houver se haja um que sofra da síndroma de Down. Adiante. Os familiares da menina comunicaram-lhe que iriam procurar outro padre, mas o de Teià, nome da povoação, assegurou-lhes que pressionaria quaisquer outros padres para que a menina não fosse admitida. Quase que me apetecia dizer aos pais que fossem à minha terra. Estou certo que o pároco não se importaria. Digo isto, por causa de um episódio que me contou um familiar. Um dia, na missa, um jovem com a síndroma de Down foi comungar. Voltou ao seu lugar, mas por motivos óbvios, a hóstia colou-se ao palato. Incapaz de resolver a situação colocou o dedo na boca e tantas voltas deu que conseguiu resolver o problema. Foi mesmo uma luta que deu nas vistas. Quando terminou, olhou para o lado e disse: - Colou-se ao céu-da-boca e não conseguia tirá-la. Mas agora já está! E sorriu. Com um sorriso de anjo...

domingo, 14 de junho de 2009

O futebol, a ética e a lógica económica...

Não percebo nada de futebol, nem do negócio nem das técnicas. Sou capaz de acompanhar em casa um jogo de futebol, em especial quando joga a selecção de Portugal e estou na companhia de pessoas que gostam e vibram com o futebol. Acho piada que levem a sério esta ou aquela jogada, o jogador que deveria ter corrido pela esquerda mas que afinal passou a bola para o centro perdendo-a para a outra equipa, a falta marcada ou indevidamente assinalada pelo árbitro, o golo mais ou menos jeitoso ou espectacular, os “frangos” de algumas jogadas, o cartão amarelo que sabe a pouco ou o cartão vermelho indignadamente mal aplicado.
Sei que o futebol é um espectáculo que move grandes quantidades de dinheiro, mas fiquei surpreendida com o montante a que ascende a transacção comercial de Cristiano Ronaldo – cerca de 100 milhões de euros – e com a remuneração anual que lhe está prometida durante seis anos – 10 milhões de euros.
Um futebolista que vale todo este dinheiro é com certeza um génio, é alguém com um talento superior, capaz de grandes feitos e de fantásticas vitórias, capaz de mobilizar milhões de paixões e milhões de euros. O mundo do futebol tem a sua própria lógica económica, investindo milhões de euros em ídolos na expectativa da sua multiplicação. Tudo em nome da glória dos clubes mais poderosos do mundo.
Ainda assim, penso que montantes daquela grandeza são desproporcionados e injustificáveis num momento em que uma crise económica já enviou para o desemprego milhões de pessoas. Sei que muitas pessoas não pensam assim, dizendo que uma coisa nada tem que ver com a outra.
Há pouco ouvi na televisão o presidente do Real Madrid dizer o seguinte, quando questionado sobre o que explica o preço pago pelo Cristiano Ronaldo:
"Estamos numa altura muito sensível, mas o futebol continua a ser um produto fantástico. Não para comprar e vender, mas um produto que dá às pessoas aquilo que elas querem - emoções. Elas querem as estrelas".
Fiquei esclarecida!

Retemperar as rotinas...

- Fachada da Universidade de Salamanca -
Com o avanço da idade vai sendo cada vez mais nítida a necessidade e o desejo de retemperar as rotinas com períodos de descanso repartidos, para deles fazermos mais repetidamente as coisas que nos dão prazer, com calma, com tempo, sem stress e sem relógio.
E o que me dá prazer é ver coisas bonitas e interessantes, aprender coisas novas, espreitar outros ambientes, experimentar novas sensações, conviver com a natureza e com outras culturas, sentir como vivem outras pessoas e olhar para a sua história e desfrutar da sua hospitalidade.
Desta vez estive uns diazinhos em Espanha. Aproveitei para conhecer Cáceres e voltei a Salamanca, cidade da qual guardava boas recordações e que tinha vontade de voltar a ver. É uma cidade magnífica e única.
É uma cidade universitária, berço da primeira universidade de Espanha, nascida em 1218, e uma das mais antigas da Europa. Todos os anos 60.000 estudantes de todo o mundo vão estudar para Salamanca. O resultado é uma cidade inteiramente devotada à vida universitária, que se importa com a arte, a cultura, a música e, como não podia deixar de ser, com o entretenimento e o lazer.
Salamanca é considerada uma das mais espectaculares cidades renascentistas da Europa. Ao longo dos séculos a pedra que reveste os monumentos e os edifícios da parte antiga da cidade ganharam uma cor dourada, razão pela qual Salamanca é conhecida por La Ciudad Dorada. Esta pedra é única e originária de uma zona que lhe fica próxima.
Com o pôr do sol a pedra dourada ganha uma luz alaranjada que combinada com uma iluminação primorosamente escolhida faz do fim do dia e da noite um local quente e mágico.
É uma cidade que alia o peso da tradição histórica com a juventude que nela estuda e vive. Tem uma concentração muito grande de monumentos históricos lindíssimos e riquíssimos, que compreendem, entre outros, os edifícios da Universidade, as Catedrais, a Praça Mayor, a Casa das Conchas, vários conventos e igrejas em que convivem estilos gótico e “plateresco”. Encontramos em Salamanca um ambiente extremamente cuidado, virado para a fruição do espaço público, orientado para a valorização do património histórico, com a preocupação de preservar a história monumental da cidade e de proporcionar ao visitante um acolhimento familiar.
Fiquei satisfeita por lá ter voltado e recordar o que a minha memória vagamente ainda tinha retido. Foi um bálsamo para os dias de rotina que de novo se seguem...