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domingo, 13 de abril de 2014

Revistas cor-de-rosa

Não tenho por hábito ler as revistas cor-de-rosa, mas quando encontro uma não resisto a dar uma vista de olhos. Sinto curiosidade em ver e ler o que fazem certas "personalidades". Ao fim de meia dúzia ficamos a saber quem é realmente importante em Portugal. Sorrio, divirto-me e não posso deixar de emitir algumas opiniões. O ridículo é uma constante e a publicitação de algumas pessoas um supremo desejo, enquanto a fofoquice e a parvoíce alimentam a pobreza de muitos, que, na sua solidão e tristeza existencial, conseguem alguma compensação e vontade de imitação. Nada de especial, apenas a tradução em formato nacional do comportamento natural e popular, que é saber o que acontece aos outros, sobretudo as suas misérias. Não conheço bem a dinâmica da escolha e da entrada das "personalidades" nas ditas bíblias da coscuvilhice nacional. Mas tem de haver compensações para os autores e cronistas. Não acredito que se banqueteiem apenas com o preço da capa, mas se for tenho de os felicitar, e dar aos "criadores" os meus parabéns. 
Por vezes assusta-me e inquieta-me algumas notícias e relatos, sobretudo quando navegam pela intimidade mais central. É evidente que se não fizessem incursões na intimidade dos que se expõem não teriam o mínimo de interesse por parte da população. Ver alguém com aspeto doentio, típico de quem tem um cancro numa fase aparentemente avançada e com a chamada de atenção e descrição despudorada da realidade clínica da pessoa perturba-me e até me ofende. Não creio que seja necessário chegar a este ponto. Também me questiono até que ponto o visado aceitou e autorizou a publicação e exposição do seu estado. Não sei, o que eu sei é que há princípios éticos que mereciam ser respeitados. Não sendo, a conduta transmite-se aos demais, os leitores, que acabam por ver "legitimadas" as suas ações e omissões com a leitura deste tipo de notícias. Assim, o mundo irá continuar na mesma, mesquinho, pobre, desrespeitador de valores e de princípios que são indispensáveis ao desenvolvimento e maturidade das pessoas.
Ler certas revistas com sentido crítico é útil e importante para compreender certos comportamentos e atitudes que andam por aí. 

Em suma, o ridículo anda de braço dado com a miséria.

1 comentário:

Suzana Toscano disse...

Totalmente de acordo, percebo que nem sempre a intenção seja má, pelo menos a que é invocada, mas partilho desse sentimento que aqui expóe com tanta clareza.