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domingo, 27 de abril de 2014

Vasco Graça Moura


Uma grande recordação que Vasco Graça Moura nos deixa, entre tantas outras, é a grande luta que travou contra o famigerado acordo ortográfico da qual não chegou a ver, infelizmente, o resultado que pretendia. Agora, sem o apoio deste Grande Português, temos que unir esforços para continuar a batalhar...

14 comentários:

Pinho Cardão disse...

Felicito a Margarida por esta evocação que eu também tencionava fazer.
Vasco da Graça Moura foi um dos nossos mais brilhantes e multifacetados intelectuais, escritor, poeta, tradutor com mérito reconhecido internacionalmente. Recordo a tradução da Divina Comédia de Dante. Aliava, como poucos, as humanidades à técnica, como gestor, à política e ao ensaio, revelando sempre uma cultura profunda, não mera erudição, e expressando sempre um pensamento estruturado.
Fosse ele de esquerda e teríamos homenagens e evocações durante semanas. Como não o foi, logo será esquecido. Pelos media e pela cultura predominante, que convenientemente esquece quem não faz parte da corte.

Tavares Moreira disse...

Cara Margarida,

A melhor homenagem que poderemos tributar, de forma perene, ao grande português Vasco Graça Moura é continuar a escrever, tranquilamente (como sempre faço), em total indiferença a esse obnóxio acordo ortográfico.

.'. ACASO (ૐ) disse...

Sem dúvida um combatente pela liberdade na escrita, pelo fim de um acordo mal desenhado, que apenas nos aprisiona e que não nos conduz ao estreitamento de laços lusófonos, que deveria ser o seu principal desiderato.

Um homem da cultura e das letras, esse ofício que teima resistir entre tantos outros fóruns como aqui, no ciberespaço.

Resistamos e escrevamos com todas as cores, cheiros e sabores, preenchendo de luz estes espaços em branco.

opjj disse...

Sinto curiosidade em saber quem foram os promotores do acordo ortográfico.Faz-me lembrar aquele mau programa da RTP - Como se escreve em bom português-. Aquilo não é pedagogia mas sim confusão. Os próprios jornalistas a fazem.
Concordo em absoluto consigo.
Cumps,

António Rodrigues disse...

Exma. Senhora Dra. D. Margarida Corrêa de Aguiar
Com humildade, peço-lhe autorize que a felicite pelo que escreveu, pois, não obstante ser uma justíssima homenagem a um Grande Intelectual, também representa um incentivo a todos aqueles que lutam contra os atropelos e aberrações com que procuram eivar a Língua Portuguesa, na sua ortografia legal. Muitos portugueses ficar-lhe-ão agradecidos por verificarem que estão certos, rejeitando essa aberração ortografica que lhes repugna utilizar. Fala V. Exa. em “… acordo ortográfico”…. Todavia, legalmente, não existe para a Lingua Portuguesa nenhum “acordo ortográfico”. Por outro lado, parece-nos não poder ter efeito legal a ortografia decorrente da Resolução do Conselho de Ministros de 8/2011 a qual, apenas, vinculava o Governo, mas que os políticos, com destaque para a A. da R., P. da República e , pasme-se, até o D. da República se esforçam por impor ao Povo Português, desrespeitando as próprias leis vigentes. Forças poderosas ligadas a interesses obscuros e às grandes editoras, tudo leva a crer, estarão na sombra desta sórdida operação, na mira de ganharem muito dinheiro, e para quem a Língua Portuguesa não vale nada, pois só o dinheiro conta.
Por outro lado, pode falar-se na evoluçao natural da língua. Nada de mais real. Todavia, essa evolução faz-se sempre a partir do falar e nunca do escrever, isto é, nunca evolui por supressão de vogais ou consoantes que, embora não se pronunciem, têm a função de não fechar a pronúncia, ou de se poder discernir o seu étimo, muito importante na formação de palavras composta, derivadas, neologismos, etc. A tentativa de os poderes ligados ao dinheiro procurarem impor essa ortografia aberrante, apátrida, de nacionalidade desconhecida ou incógnita, vai ao ponto de, muitas vezes, em notas de rodapé na TV, as pessoas falarem, nas conversas com os jornalistas, utilizando palavras como, por exemplo “sector” “característica” (elas mesmo pronunciando “sequetor” e “caraqueterística”) e aparecer na dita nota de rodapé “setor” e “carateristica”, adulterando completamente o que o entrevistado pronunciara. Para os mentores de tal aberração a gramática também nada conta: a fonética é arrasada; palavras homónimas, homófonas e homógrafas passariam a não existir, ou, no mínimo, passava tudo a homónimas; deixaria de haver palavras parassintéticas; Egipto e egípcio, por exemplo, passariam a não ter qualquer relação entre si, isto é, passariam a ser palavras independentes, pois se uma é “Egito” e a outra é “egípcio” esta não deriva daquela, etc. ,etc. Peço desculpa, Senhora Dra. D. Margarida Corrêa de Aguiar, por este longo comentário, pedindo-lhe compreensão, benevolência e aceite os meus mais respeitosos cumprimentos.

Salvador Massano Cardoso disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Salvador Massano Cardoso disse...


Li a Divina Comédia traduzida pelo VGM. Gostei. Tenho o livro. Está ali na estante. Um bom poeta. Um excelente tradutor. Quanto à sua posição contra o AO nada tenho a dizer. Eu escrevo desde há muito segundo as novas regras. Não é por isso que não consigo ler a Divina Comédia. Leio Camilo segundo o "acordo" da altura. Não me incomoda, nem nunca me incomodou. Leio textos em português mais arcaico, mas apenas até um determinado período, e não me incomoda, nem nunca me incomodou. Digo que gostaria de saber como se irá escrever em português daqui a cem ou a duzentos anos. Vai ser diferente? Claro! Incomoda-me? Não, eu até gostaria de saber. Quem quiser escrever da forma que habitualmente escreve pode continuar a fazê-lo. Qual é o problema? Nenhum. A mim não me incomoda minimamente, mas daí a criticar e a até ser "ofensivo" com quem aceitou as novas regras, acho que é uma atitude de pretensa superioridade. Que se lixe! Meus caros, eu vou continuar a escrever segundo o novo acordo. Já o faço mesmo antes de entrar em vigor. E consigo entender-me, logo... O meu modesto contributo a um poeta que respeito e a um contrista com quem não estou de acordo. A vida continua de braço dado com a morte.

Jorge Oliveira disse...

Segundo percebo, Salvador Massano Cardoso é médico. Acontce que a escrita dos médicos é indecifrável, tanto faz que usem a ortografia em vigor, como a proposta pelo "acordo" ortográfico. Escreva à sua vontade caro Maçano.

JM Ferreira de Almeida disse...

Alguns dos maiores expoentes da literatura nacional e internacional foram ou são médicos. O Professor Massano Cardoso é um ilustre médico que escreve com o coração e alma. Usa da língua pátria como todos nós,não prefere, como agora é moda, usar expressões ou palavras do vocabulário estrangeiro para transmitir o que sabe, o que pensa e o que sente.
Associo-me naturalmente à homenagem a Vasco Graça Moura que a Margaria em boa hora aqui quis prestar Despareceu uma referência mais da cultura e da política nacionais. A sociedade ficou ainda mais pobre. Não tanto porque se bateu contra o acordo ortográfico - aqui não posso acompanhar a Margarida e a generalidade dos comentadores - mas pela obra literária, pela coragem assumida em várias ocasiões, pelas funções que desempenhou honrando sempre quem representou.

sobrevive-se disse...

Impressiona como mesmo depois de exaustivamente demonstrado o tremendo erro cultural e científico que é o AO90, a ilegalidade evidente da sua imposição, a desordem criada pela instituição das suas facultatividades (contrariando o seu propósito, propósito à partida inútil pois nenhuma unidade de ortografia anulará as diferenças de vocabulário e sintaxe), pessoas que se crê de cultura e sensibilidade o adoptam.

Na impossibilidade de demonstrar nele virtudes, por estes tempos absolutamente desmascaradas, essas pessoas socorrem-se do argumento segundo o qual cada um escreve conforme a norma que entender e daí não vem mal ao mundo. Ou seja, fundamentam a sua adesão ao português aleijado do AO contrariando a própria fundamentação desse AO.

Tudo serve...

Costa

JM Ferreira de Almeida disse...

Enfim, Costa...

Pinho Cardão disse...

Pois eu gosto da língua portuguesa, esforço-me por não escrever mal de todo e não aderi ao Acordo. O Prof. Massano Cardoso gosta muito da língua portuguesa e escreve-a muito bem, continuando a linha de alguns dos nossos grandes prosadores que foram médicos.
Quarta República escreve-se do mesmo modo, com Acordo ou sem Acordo. E na Quarta República nos reunimos.
Quanto a VGM, ele foi grande, dos maiores, talvez mesmo o nosso maior intelectual das últimas décadas, um verdadeiro homem do renascimento, como antes enalteci. Lembrá-lo apenas pela oposição ao Acordo é menorizá-lo (e eu não gosto mesmo nada do Acordo..). Mas respeito quem o segue. Um abraço ao Prof. Massano.

Caro Jorge Oliveira:
Já o tenho visto em melhores dias...Talvez uma conversa com o Prof. Massano, quem sabe...
Olhe, vou pensar nisso...
Só tenho medo é que, depois, o meu amigo passe a aderir à nova grafia...

Jorge Oliveira disse...

Caro Pinho Cardão

Escrevi alguma coisa de errado ? Até recomendei ao seu co-blogger Maçano Cardozo que escreva à vontade dele. Eu faço o mesmo.

Ilustre Mandatário do Réu disse...

Caro Salvador Manuel Cardoso,

O meu amigo escreve "Quem quiser escrever da forma que habitualmente escreve pode continuar a fazê-lo."

Ora isto não é verdade. Sempre que escrevo qualquer documento administrativo recebo sempre dos serviços a versão "corrigida" para aprovação. Por isso mesmo que queiramos seguir uma norma, já nos destroem o resultado, impondo outra.

Cumprimentos, IMdR