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sábado, 5 de abril de 2014

Rotação de funções e saneamento

Deu grossos títulos nos jornais a notícia da atribuição de novas funções à magistrada do ministério público que dirigia a unidade de combate ao crime violento. Ela própria se declarou vítima de saneamento. 
Não quero comentar o caso específico, por óbvio e natural desconhecimento dos factos. Mas, abstraindo do caso concreto, a situação ilustra o que de pior existe na função pública, que é a cultura de os funcionários se considerarem donos do seu posto de trabalho. Se um funcionário é convidado ou obrigado a mudar de função, aqui d`el-rei, que é saneamento. E tem, de imediato, acolhimento na arcaica comunicação social que persistimos em ter. 
Ora a mudança de posto de trabalho traz novas experiências, enriquecimento pessoal e profissional, uma visão mais alargada da área de actuação, e uma melhor compreensão do todo onde se insere. A polivalência de funções é um activo e uma mais-valia quer para o funcionário, quer para o serviço. Mas não, o funcionário entende que uma rotação para outro serviço é saneamento. Enquanto persistir esta cultura do lugar inamovível, não há, nem pode haver, gestão de pessoal. E, não havendo gestão, o bom funcionário é sempre a primeira vítima da mediania instalada. Com prejuízo para todos. Mas é o estado que temos. E que tantos adoram, embora lhe sofram as consequências. Masoquismo, pois. 

2 comentários:

Luis Moreira disse...

Um ano de experiência e quarenta de rotina. É disto que os funcionários públicos gostam.

Suzana Toscano disse...

Desculpem lá ser espírito de contradição mas não sei se alguma vez trabalharam no Estado, onde sempre houve mobilidade através de requisições, destacamentos, transferências e comissões de serviço, em geral voluntárias ou seja, no interesse de quem precisava e de quem queria ir, mas a lei sempre previu, desde que me lembro, a mudança por interesse dos serviços. Quando começou a haver limitações severas ao recrutamento de novos funcionários, em princípios de 2002, chegou a ser necessário dispensar a autorização do serviço de origem, porque as pessoas queriam mudar e os chefes não deixavam. Criou-se a Bolsa de Emprego Público (BEP) para facilitar essa mobilidade e dar a conhecer as oportunidades internas de mudança. Sempre houve essa dinâmica no Estado, até entre a administração central e as autarquias, que foi preciso limitar a certa altura. Enfim, o Estado é um universo que é preciso conhecer antes de fazer juízos, sempre negativos, criando e alimentando preconceitos injustos. E, tal como nas empresas, também há decisões determinadas por razões menos objectivas, não faço ideia se é o caso de que fala o post do caro Pinho Cardão.