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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

"Escrow account" para a Grécia? É capaz de não ser má ideia...

1.Tem-se revestido de extrema dificuldade a negociação do 2º pacote de ajuda financeira à Grécia, do montante de € 130 mil milhões, atento o registo claramente insatisfatório do País no que se refere ao cumprimento dos objectivos e à aplicação das medidas previstas no PAEF respectivo - com relevo para a significativa derrapagem orçamental verificada em 2011 ( a despesa pública continuou a subir, apesar da aparente dureza das medidas anunciadas...).
2.Neste quadro aparentemente sem saída, a não ser a saída para o abismo por parte da Grécia, a Alemanha e a França terão tido a ideia de utilizar uma “escrow-account” para receber os fundos que vierem (se vierem) a ser disponibilizados ao abrigo do 2º pacote de ajuda.
3.Os fundos depositados nesta “escrow account” seriam utilizados prioritariamente no reembolso da dívida pública grega cujo vencimento ocorra durante o prazo de execução do novo PAEF, sendo a parte restante disponibilizada à Grécia apenas em função do cumprimento (fiscalizado) dos objectivos e demais obrigações inscritos no novo PAEF.
4.Estaria assim assegurado que, durante o período de execução do 2º Programa que vai seguir-se (assumindo que se segue...), a dívida grega, em capital e juros, será paga sem sobressaltos...
5....Sendo também certo que o pagamento da parte da dívida que se vença para além do final do período de execução do Programa, caso este seja um insucesso, não estará assegurado, podendo por isso a Grécia entrar em default nessa parte...
6.Mas a verdade é que este mecanismo, que retira à Grécia a livre disponibilidade dos fundos da ajuda internacional – embora dispense a “tirânica” ideia alemã de retirar competência à Grécia para gerir as suas finanças públicas, uma intolerável violência face às boas provas prestadas por Atenas – assegura que pelo menos durante os 3 anos de duração do 2º Programa um cenário de default estará praticamente afastado.
7. Neste quadro, será possível preparar - com tempo e sem grande agitação - um cenário de libertação da Grécia do jugo feroz do Euro, definindo uma solução para as obrigações gregas cujo vencimento ocorra depois do período de execução do Programa, isto é depois do 1º trimestre de 2015...
8.Não parece pois má ideia, esta da “escrow-account”...e para Portugal tem a vantagem de isolar o problema grego durante um período que nos deve permitir, caso saibamos cumprir satisfatoriamente o nosso estimado PAEF, fazer o regresso aos mercados com “pezinhos de lã”...
9....e tb de percebermos, caso não sejamos capazes de fazer o que nos compete, qual o tipo de tratamento que nos estará reservado...
10.Mais um argumento para darmos atenção ao que diz o Dr. Medina Carreira e não os “papagaios” que diabolizam, sem cessar, o “ultra liberalismo” das medidas de contenção orçamental...

7 comentários:

Carlos Sério disse...

No fundo, se bem compreendo, a solidariedade franco-alemã, nesta “inteligente proposta”, procura apenas e com tão manifesto desespero e desprezo pelos gregos, proporcionar aos credores da Grécia receberem o seu dinheirinho de volta a tempo e a horas. Como solidariedade europeísta estamos conversados. Com amigos destes …

Tavares Moreira disse...

É a sua opinião, Carlos Sério, tem todo o direito de a ter e eu dela divergir...
Essa "treta" da solidariedade, invariavelmente à custa do contribuinte e para benefício da imensa mancha dos burocrats/políticos - desculpar-me-á a franqueza da expressão - deu nesta trapalhada de que parece nunca mais nos conseguimos livrar...

Carlos Sério disse...

Tanto esforço do Merkozil, contudo, não é inocente.
O seu receio reside apenas no temor da activação dos CDS. É isso que verdadeiramente preocupa frau Merkel e Sarcozy. As grandes instituições financeiras não podem permitir-se que a Grécia entre em incumprimento porque isso implicaria pagar uma quantidade extraordinária de seguros.
O objectivo desta nova “invenção mercozil” foi tao só, a de encontrar maneira de o devedor continuar vivo de modo a que os credores possam continuar cobrando.

Tonibler disse...

Esta solução parece-me muito boa, principalmente porque permite aos Gregos a saída do euro sem ser de forma catastrófica, porque o default vai ser interno, isto é, quando faltarem os euros será para pagar salários e reformas. Quando os funcionários públicos e os reformados forem "pagos" com dívidas do estado grego, os comerciantes só sobreviverão se aceitarem essa dívida em troca dos produtos e estão fora do euro.

Adicionalmente, parece-me interessante porque vai de encontro àquilo que é tão querido da esquerda porque assim em vez dos salários do estado serem reduzidos em 25% de euros, serão aumentados nuns 500% no prazo de um ano em dívida do estado grego. Deve ser a isto que chamam de anti-austeritarismo com o qual o resto dos europeus deve viver bem.

Para a ainda grande quantidade de pessoas que vêem isto como uma boa solução para Portugal, podem ver aqui uma oportunidade de ouro de irem para a Grécia, viver num paraíso de grande investimento público...

Carlos Sério disse...

Vinte e oito deputados de diferentes partidos requereram no Parlamento grego o agendamento de um debate sobre o “empréstimo de ocupação” pago pelo governo colaboracionista grego à Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, bem como sobre as reparações às vítimas do nazismo e sobre os tesouros roubados pela ocupação.
Segundo cálculos feitos pelo jornal económico francês Les Echos, a Alemanha deverá à Grécia nada menos que 575 mil milhões de euros a valores atuais. Atenas tem tentado cobrar essa dívida, sem sucesso, desde o fim da Segunda Guerra. Fê-lo em 1945, 1946, 1947, 1964, 1965, 1966, 1974, 1987 e, após a reunificação, em 1995.

Gonçalo disse...

É quase como descrito...

http://notaslivres.blogspot.com/2012/02/grecia-o-fim-da-linha-para-o-mundo.html

Nota do inicio de Novembro:

http://notaslivres.blogspot.com/2011/11/posicao-da-grecia-e-realista.html

Tavares Moreira disse...

Apenas uma breve nota, ilustre Carlos Sério, para lembrar que os gregos continuarão a pagar...com dinheiro que lhes é em prestado.
E que possivelmente, dentro de pouco mais de 3 anos já não será reembolsado...
Sem dinheiro emprestado, os gregos deixarão de pagar, o que quer que seja, a partir de 20 de Março próximo...
Em termos de indemnizações históricas, não será de dar mais importância ao que os franceses devem a Portugal pelas destruições, mortes e pilhagens que cá fizeram durante as invasões francesas, no início do século XIX?
Será capaz de quantificar essa dívida, haverá alguém que conheça os valores em causa?

Caro Tonibler,

A Grécia é, indubitavelmente, um dos paraísos do investimento público e os resultados dessa grandiosa estartégia de crescimento estão à vista...
Portugal, conduzido por estrategas de primeira grandeza, seguiu caminho muito semelhante, embora menos aperfeiçoado e completo, os resultados são tb muito animadores como sabemos...
Mas tenho de aceitar que estes comentários estão viciados por um raciocínio ultra-liberal e portanto, padecendo desse pecado original, não são legítimos, devem ser repudiados.