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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Revolução na economia confirma-se...mas é quase TABU...

1.Em 28 de Janeiro último editei o Post “Revolução na economia: balança de BENS e de SERVIÇOS a caminho do equilíbrio? “, no qual mencionei – com base em dados estatísticos da Balança de Pagamentos com o exterior até Novembro/2011 e em previsões do BdeP divulgadas no Boletim Económico de Inverno – a possibilidade de estarmos a assistir a uma mudança radical no comportamento da economia portuguesa, corrigindo desequilíbrios acumulados ao longo dos últimos 15 anos.
2.A divulgação pelo BdeP, no início da corrente semana, de informação referente a todo o ano 2011, vem reforçar aquela perspectiva: com efeito, verificou-se uma diminuição drástica do défice conjunto dos BENS e SERVIÇOS com o exterior, o qual passou de € 11.483 milhões em 2010 para € 5.446 milhões em 2011 (-52,5%).
3.Mais especificamente, o défice dos BENS diminuiu de € 18.195 milhões em 2010 para € 13.190 milhões em 2011 (-27%), graças ao desempenho das exportações, que subiram de € 36.689 milhões para € 42.570 milhões (+16%), enquanto que as importações quase estagnaram, passando de € 55.084 milhões para € 55.760 milhões (+1,2%).
4.Por usa vez, o superavit dos SERVIÇOS aumentou de € 6.712 milhões em 2010 para € 7.744 em 2011 (+15,4%), com relevo para a rubrica “Viagens e Turismo” que representa 65% desse superavit.
5.Mas o mais interessante é verificar que no último trimestre de 2011 o saldo conjunto das balanças de BENS e de SERVIÇOS já foi positivo, concretamente de € 52 milhões, sendo € 2 milhões em Outubro, -€ 26 milhões em Novembro e € 76 milhões em Dezembro.
6.Quer isto dizer que no último trimestre de 2011 se assistiu já à concretização do cenário que o BdeP tinha antecipado no seu Boletim de Inverno, o qual antecipa um superavit conjunto dos BENS e SERVIÇOS em 2012, da ordem de 0,3% do PIB (€ 500 milhões aproximadamente).
7.A confirmação deste cenário ao longo de 2012 significará a eliminação do persistente e elevadíssimo défice dos BENS e SERVIÇOS que vínhamos arrastando desde há cerca de 15 anos, com especial agravamento pela forma desastrada como a política económica foi conduzida em Portugal após (e imediatamente antes) a entrada no Euro, culminado no absoluto desvario do período de 6 anos que terminou em Maio de 2011...
8.É também muito curioso que esta mudança radical do comportamento da economia portuguesa, que se deve quase em exclusivo ao formidável esforço das empresas (empresários e trabalhadores) que laboram nos sectores expostos à concorrência, para além da importante correcção dos erros de política económica, mostra mais uma vez que, tal como em 1976/77 e 1983/4, a economia portuguesa reage com elevada rapidez a medidas de ajustamento típicas dos programas FMI...
9.Mas ainda mais curioso é verificar que esta alteração fundamental, sem a qual a economia portuguesa nunca mais teria qq saída, constitui assunto quase TABU na comunicação social em geral e nos debates entre os comentadores com lugar cativo nas TV’s, em especial...tal como o sucesso da “resgatada” Irlanda, note-se...PORQUÊ?

15 comentários:

João Pereira da Silva disse...

Grafico 1: http://yfrog.com/gzny2ffxj

Grafico 2: http://yfrog.com/oczabuljj

SC disse...

Afinal, alguma coisa vinha sendo feita, desde há alguns anos, para mudar o panorama de competitividade do nosso tecido empresarial.
E isso, sim, está fora da narrativa mediática atual...

Tonibler disse...

O que tem mais chato esta coisa de balança de bens e serviços é que só sobe se as pessoas trabalharem. E isso, como todos sabemos, é bom para o preto e culturalmente inferior. Neste sentido, não pode ser esse o caminho que Portugal deve seguir, mas sim apostar em serviços de alto valor acrescentado como aqueles que se conseguem fazendo os estrangeiros pagar muito para nós estarmos na praia, como se Portugal fosse uma enorme Google e na Google se passasse o dia na praia.

Por isso, esqueça lá essa coisa de balança. O importante é a resistência contra os grilhões do grande capital austeritarista que o par Merkozy nos quer impor a nós e ao sofrido e injustiçado povo grego. Como se não bastasse já estarmos sempre a dizer que não somos a Grécia, agora vamos mandar-lhes com balanças à cara, numa arrogância tecnocrática que só vai lesar o ideal de uma Europa dos trabalhadores.

João Pereira da Silva disse...

SC,

Não tente puxar o mérito para o governo, este ou anterior. Trata-se de muito trabalhinho do sector privado que apesar do estado do Estado e das acções do malogrado Sócrates, inclusive, tem andado para a frente. O actual governo terá mérito se permitir que a evolução prossiga e contiver o défice publico sem entrar em idiotas politicas keynesianas de estimulo como as defendidas pelo anterior governo.

Tavares Moreira disse...

Caro SC,

Sim, tem razão em lembrar esse trabalho, presumo que feito quase na clandestinidade, à revelia das orientações oficiais...

Caro Tonibler,

Tem carradas de razão, como é hábito de resto, julgo que é isso mesmo que justifica o TABU, tratata-se de um "sucesso" de gosto cultural muito discutível para a opinião publicada dominante...

Caro Pereira da Silva,

Mas que observação mais estranha - puxar o mérito para o governo, quando no nº8 do Popst se lê "...mudança radical...que se deve quase exclusivamente ao formidável esforço das empresa (empresários e trabalhadores) que laboram nos sectores expostos à concorrência..."?
Acha que isto é puxar o mérito para o governo? Não terá o ilustre comentador de consultar um oftalmo?

João Pereira da Silva disse...

Caro Tavares Moreira,

O meu comentário ultimo foi dirigido ao 2° comentador, SC que disse: "Afinal, alguma coisa vinha sendo feita, desde há alguns anos, para mudar o panorama de competitividade do nosso tecido empresarial.
E isso, sim, está fora da narrativa mediática atual...".
No seu post é claro o papel da iniciativa privada. Por acaso até uso óculos :).

Bom post.

Tavares Moreira disse...

Ok, caro Pereira da Silva, as minhas desculpas pela má interpretação que fiz do seu comentário.
Quanto aos óculos...estamos empatados.

Miguel Leite de Almeida disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Miguel Leite de Almeida disse...

A propósito da balança de bens e serviços: pic.twitter.com/P0woGBHm

Bartolomeu disse...

Eu penso, estou até convencido, que o caro Dr. Tavares Moreira, assim como o caro Tonibler, têm a noção clara e precisa, de que o ministro das finanças, o dos negócios estrangeiros, o da administração interna, o primeiro ministro e ainda o Dr. Miguel Frasquilho, se estão perfeitamente nas tintas e a borrifar para as sensatas opiniões que aqui se registam.
Isto porque, e em primeiro lugar, a Irlanda está a uma distância supersónica de Portugal. É a cultura, é a consciência geográfica e é, acima de tudo a coerência, a cumplicidade entre cidadãos, empresários e governo, que os distingue de nós.
Portanto, não venhamos para aqui atirar rebuçados ao ar, como o padre Melícias em Timor e depois dizer com um ar muito angélico "pobres criancinhas, olhem o ar delas, tão feliz".
Basta de parvoice bacoca, meus Senhores! Se somos um país com recursos, compete aos serviços competentes do governo inventariar esses recursos e apresentar propostas para os rentabilizar, criar meios para que sejam colocados em funcionamento e promover formas de o colocar nos mercados, fazendo com que sejam rentáveis e criem riqueza para o país.
Se não... declare-se a falência, coloque-se o país em trespasse, mas acabe-se de uma vez com esta situação estúpida de esturquir aos que trabalham e que têm ainda algum rendimento, impostos para afundar no BPN. No BPN??? Mas afinal que raio de negócio é aquele? Que raio de ideia vai na cabeça dos nossos políticos que defendem a todo o custo a não falência dos bancos?
Mas afinal... existe uma política de recuperação do país com base na exploração dos cidadãos? Ou com base na requalificação e revitalização dos recursos e na orientação e apoio edas empresas e dos trabalhadores, falando todos a mesma lingua e persegundi todos os mesmos objectivos?
Irra!
Esta coisa de nos andarmos constantemente a comparar ou a distanciar dos nossos vizinhos, já irrita. Somos o que somos, quem somos. É preciso saber o que temos, o que podemos fazer com isso e o que estamos dispostos a fazer!
Desculpem lá a irritação, mas esta coisa do banho-maria, causa-me uma urticária danada.
;)

Tavares Moreira disse...

Caro Bartolomeu,

Tem toda a razão no que diz em relação ao BPN. É uma monstruosidade o que continua a passar-se com esse "banco", que devora centenas de milhões de Euros como nós comemos tremoços...
E sem que nos seja dada qq explicação sobre a razão de ser deste desvario!
É uma verdadeira humilhação, indesculpável humilhação, a que estamos a ser sujeitos como cidadãos contribuintes e pagantes de tal desvario!
Já defendi publicamente, mais de uma vez, a necessidade urgente da elaboração e publicação de um livro branco/negro explicando tudo o que se passou até hoje no BPN!
E apontei a pessoa que deveria ser encarregada desse trabalho, o Dr. Miguel Cadilhe que, estou convencido, estaria disponível para o realizar "pro bono", como serviço ao País!
Qiuanto ao resto, em desacordo consigo mas sempre com toda a consideração!

Bartolomeu disse...

Caro Dr. Tavares Moreira; espanta-me imenso a discordância que manifesta "quanto ao resto" sobretudo sendo quem é e ainda por ser leitor do Financial Times.
Basta ler-se o jornal mencionado com relativa a tenção, para ficarmos perfeitamente esclarecidos quanto ao rumo da economia mundial, de quem a detem e de quem a controla; para ficarmos ainda perfeitamente elucidados acerca da extensão do poder da economia no mundo, da abrangência sobre os governos e os destinos do mundo. Basta folhearmos o Financial Times, para percebermos com exactidão que a riqueza mundial se encontra na posse de 1% das pessoas e que são essas pessoas que dominam as decisões na política mundial, detendo poder sobre os governos e sobre a justiça, controlando sindicatos e explorando, retirando toda e qualquer força aos trabalhadores. Isto até parece um discurso Marxista, mas é o que na verdade se está a passar no mundo, um bloqueio completo, um cerco aos trabalhadores e às famílias, com o fim de as tornar mais pobres, sem recursos, portanto mais fáceis de dominar e de explorar. Um modelo importado da China, sem dúvida.
A Europa resiste ainda à aplicação total deste modelo, porque a América se mantem combativa, mas em breve, o poder do capital e das mega-economias alastrará de tal forma, que a asfixia dos trabalhadores será inevitável. Resta saber que nova Ordem sobrevirá à da aniquilação total... talvez a dos Zombie esfarrapados...

Tonibler disse...

O "desvario" do BPN é o mesmo que foi anteriormente. Neste momento os cenários parecem ser "vamos deixar cair o banco e deitar fora 5 mil milhões de euros de depósitos da CGD ou vamos arranjar alguém que os consiga substituir?"

Mas é o mesmo filme.

Tavares Moreira disse...

Caro Bartolomeu,

Respeito muito as suas opiniões, como bem sabe, até porque tenho a clara noção de que derivam de uma fonte onde predomina a honestidade intelectual...
Mas isso não significa que tenha de concordar com as mesmas...

Caro Tonibler,

Um brevíssimo esclarecimento em relação ao teor do seu comentário: onde diz "arranjar alguém que OS consiga substituir" não quererá dizer "arranjar alguém que NOS consiga substituir"?
Não coloco em questão o que diz, mas isso não dispensa que nos sejam prestadas contas - ou que seja feito o completo historial - em detalhe, deste superlativo destruidor de dinheiros públicos...

Bartolomeu disse...

Esse assunto do respeito, está desde sempre arrumado entre nós, caro Dr. Tavares Moreira; ao Senhor porque mo merece inteiramente e a mim, porque possuo a educação suficiente para lho prestar.
A minha presistência, e para a qual desde já, rogo a sua complacência, emerge do evidente estado económico e social, caotico para o qual não encontro outra explicação que não seja causada pelo turpor, e porque não dizê-lo, pela conivência e vassalagam que o poder político presta ao poder económico. Tanto a nível nacional, como, e sobretudo, ao nível da união europeia.
Daí ser levado à conclusão de que os nossos governantes, se estejam a borrifar para a recuperação económica do país, para a estabilidade económica e financeira, escusando-se a decidir medidas de fundo, a implementar regras que acabem com os abusos de poder e de autoridade, nas formas como são aprovadas regras de despedimento, cortes de pensões, retenções de impostos, da forma como a justiça é administrada, priveligiando os poderosos, da forma escandalosa como continuam a ser mantidas despesas do estado, inteiramente absurdas e sem justificação.
Só agora, nos últimos dias, é que alguns políticos vêm a público manifestar-se contra a subida de impostos, contra os cortes das pensões e do pagamento dos trabalhos em horário extraordinário.
Portugal transformou-se num país em que uma parte se movimenta ao retardador, enquanto a outra parte vai já a meio da fita. Conclusão: a imágem que vimos, não corresponde aos diálogos que escutamos.