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sábado, 27 de abril de 2013

Calor...


A fome obriga-me a procurar alimentos, alimento da vida, alimento da esperança, alimento da alegria e alimento do calor. Sentir calor faz explodir de prazer as células mais remotas e esquecidas do corpo. Sentir calor faz-me recordar o ventre tépido onde elas se desenvolveram, sem pressas, sem ansiedade, sem dor, apenas com o desejo de perpetuar o amor. Nas noites escuras e frias, o calor protetor aparecia sempre que o medo despertava. Nos dias de inverno, o calor do sol armazenado em espessas cavacas acariciava-me o corpo. As manhãs de primavera despertavam com um calor suave, único, cheio de um odor fresco, provocando emoções que ainda hoje perduram. As tardes de ócio, quentes, rivalizavam com o astro que nunca sentiu qualquer inveja, pelo contrário, ficava satisfeito com o calor que emanava da juventude feliz e esperançosa, sem temor e indiferente ao frio do futuro incerto. Saborear o calor constituía um desejo, uma necessidade e um prémio à existência, a que não era estranho o carinho de Vénus ou o rubi brilhante de Dionísio. Calor, sempre o calor, nas suas múltiplas faces e aparições, um calor que se prolonga para além do corpo, invadindo a alma, confortando-a e aliciando-a para novos voos e mergulhos nas águas da vida. O calor foge, foge do corpo, foge da vida, foge de tudo, foge de mim, foge, foge, quer que o siga, eu corro, mas apenas sinto frio, um frio que me recorda calores, escaldantes, ternos, suaves, protetores e amorosos. Sinto uma réstia de calor suave que me conforta neste momento, o calor das recordações. 
Sentir calor é sentir a vida, um doce sentir...

2 comentários:

Bartolomeu disse...

Aproveitando o feriado de quinta-feira, juntei-lhe sexta e sábado e rumei até Sagres. Retornei hà pouco mais de meia-hora e vim imediatamente bisbilhotar as novidades.
Ando a ler umas "coisas" acerca do Infante, e da visão e dos preparativos para as descobertas marítimas. É impressionante a quantidade de eminentes cartógrafos, astrónomos, matemáticos, etc, vindos de vários pontos da europa, que se juntavam em redor do Infante D. Henrique, formando assim um núcleo de superior conhecimento, uma poderosa fonte de conhecimento, uma escaldante chama de saber.
Sagres, tem origem nos Romanos que consideraram aquele lugar sagrado. Aquele lugar específico e não outro, e logo ao lado teríam encontrado alternativa no cabo de S. Vicente, mas não. Foi A Ponta de Sagres que os Romanos consideraram sagrada e onde o Infante estabeleceu o núcleo duro dos que sabiam do mundo, um mundo sem a existÊncia do continente Americano, um mundo repleto de monstros marinhos, de fábulas e superstições.
Diziam os Romanos que na altura do por-do-sol, em Sagres, as águas do mar ferviam... Provávelmente acreditavam que o sol mergulhava nas águas do oceano, quando atingia o ocaso.
Veio a provar-se, Sr. Professor, que os Romanos estavam enganados. O Sol não mergulha nas águas frias do oceano, quando atinge o ocaso, ele... simplesmente se mantém quieto no seu canto, enquanto o mundo gira à sua volta.
;)

Salvador Massano Cardoso disse...

O que é uma pena... Seria muito mais encantador que "mergulhasse" mesmo nas frias águas do oceano. Isso sim, o imprevisível tem mais encanto do que a sensaboria do dia-a-dia