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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Crescimentistas receiam mesmo que a economia cresça? Hum...

1. Parece um contra-senso dizer que os Crescimentistas receiam que a economia cresça, mas na verdade não será bem assim: como bem sabemos, na análise dos Crescimentistas, o crescimento só será viável enquanto fruto das suas mágicas e salvíficas receitas, do lançamento de dinheiro para cima dos problemas, a esmo...qualquer outra forma de crescimento é suspeita, falsa, ou não será mesmo possível.
2. Se a economia entretanto iniciar uma fase de retoma, sem ter a felicidade de experimentar as mágicas soluções dos Crescimentistas, não deixará de ser um enorme embaraço para estas simpáticas individualidades...
3. ...pois uma coisa, relativamente simples, é criticarem violentamente a Austeridade (que curiosamente geraram, embora com o pseudónimo de Consolidação Orçamental) enquanto a economia contrai, e outra coisa, bem mais ingrata, será criticar a Austeridade se, no decurso da mesma e contrariando toda a sua lógica, a economia retomar o crescimento...se assim for, o que acontecerá às suas promessas salvíficas?
4. Ora bem: a enorme ansiedade, sofreguidão mesmo, que os Crescimentistas, nos últimos dias reunidos em amplo e esplendoroso Congresso, evidenciaram em relação a novas eleições - na sequência da incontida fúria com que receberam a comunicação do PR na sessão solene de celebração do 25/IV, a qual mostrou indisponibilidade para atender ao pedido de interrupção da legislatura – “leva água no bico” como se costuma dizer...
5. Tenho a percepção de que os Crescimentistas estão ficando progressivamente mais aterrorizados com a perspectiva de a economia vir mesmo a recuperar a breve prazo, mostrando ser possível o que a pés juntos e aos “berros” negam terminantemente – ou seja que da chamada política de Austeridade (ex-Consolidação Orçamental) possa alguma vez resultar crescimento económico...
6. ...mas isso, por estranho que pareça, pode mesmo vir a acontecer num prazo de poucos meses, o que, caso se confirme, será susceptível de desencadear uma tragédia, nem é difícil antever...
7. Torna-se por isso muito recomendável, para ultrapassar este estado de alma em que, compreensivelmente, a ansiedade e a indignação enchem os corações dos Crescimentistas, encontrar uma estratégia alternativa...
8. O tão algodoado consenso, que o PR não se cansa de proclamar, pode muito bem ser uma porta de saída, pelo menos oferece aos Crescimentistas a hipótese de reclamar créditos no eventual crescimento, ainda que a contragosto...

22 comentários:

Bartolomeu disse...

Não sendo um defensor do "crescimentismo" nos moldes que o Dr. Tavares Moreira apresenta, tão pouco um defensor do "austerismo", nos moldes em que o governo o tem aplicado, custa-me a acreditar que dentro de poucos meses, como o autor refere nos pontos 5 e 6 deste post, se venha a verificar um crescimento económico que não seja de carnaval. Portanto, algo sustentado e sem pés de barro.
Relativamente ao ponto 8 e ao apelo inconsistente do Presidente da República, ao estabelecimento de um consenso político, entendo-o como uma completa infantilidade.
Ninguém com "dois dedos de testa" acredita na possibilidade de encontrar um consenso que venha hipotéticamente a resultar numa recuperação da economia de país totalmente desmantelado, desorganizado, onde a cada dia são descobertos novos casos de fraudes económicas, onde a cada dia se nota uma maior vontade de não fazer, ou de fazer em contra-corrente; tanto do que seria desejável, como do que é urgente fazer-se.
Não podemos portanto esperar consensos, nem recuperações, tão pouco esperar que a solução se ache na mudança de governo, para a alternativa desenhada.
Teremos muita sorte, se a par de todas estas tragédias que são da inteira responsabilidade da incapacidade humana para reconhecer a necessidade de todos puxarem para o mesmo lado; um dia destes o céu não nos desabar em cima.
Antes do PEC IV de Sócrates, lembro-me de ter comentado aqui no "Quarta" a necessicade de mudarmos de governo e de, aproveitando alguns aspectos favoráveis, elegermos um governo capaz de construir uma estratégia político-económica, contando com a solideriedade da União Europeia e sobretudo da Alemanha.
Não faço ideia se o Ministro Vitor Gaspar leu algum dos meus comentários; se o fêz e encontrou neles algum proveito, preverteu-lhe por completo o corpo e alma, ou seja; entendeu tudo ao contrário e optou pela subordinação aos caprichos de uma UE onde quem manda, jogou ao "Monopólio" até muito tarde, até finalizar os seus cursos de economia e finança.

Stunning inspiration disse...

Finalmente começa a aparecer alguma lucidez ..e vc Tavares Moreira continua a acreditar que o sacrifício e o martírio do povo vale a vaidade da moeda unica ?

"O presidente do instituo alemão de Assuntos Económicos, Hans-Werner Sinn, defendeu este domingo que os países afectados pela crise devem "sair temporariamente" para assim fortalecerem o conjunto da Zona Euro e os próprios membros afectados."

http://www.noticiasaominuto.com/economia/68475/pa%C3%ADses-afectados-devem-sair-temporariamente-do-euro

Diga-se que este temporariamente deve ser considerado como um século pelo menos ...o ideal seria um milénio.

Tonibler disse...

Gosto particularmente da sugestão saída do congresso do estado transformar os créditos que tem de empresas viáveis em capital, num novo movimento de nacionalização. O sujeito que apresentou tal proposta brilhante não explicou que empresas viáveis devem tanto dinheiro ao estado que mereça ser convertido em capital nem mesmo o critério de viabilidade da empresa, que deve ser o mesmo aplicado a tantas outras de capital público cujos lucros encharcam a tesouraria pública de dinheiro. Fez-me, no entanto, lembrar um candidato à presidência de um clube da margem Sul cujo programa consistia em pedir um empréstimo para eliminar o passivo. O que significa que asnos aparecem em todo lado, na chefia de uma oposição ou, mais grave, na presidência de um clube de futebol dos distritais.

Tavares Moreira disse...

Caro Bartolomeu,

Tenho por si demasiada consideração para me atrever a considera-lo um Crescimentista, nem precisa pois de se justificar!
Mas também considero que, não sendo eu um optimista, longe disso, o absoluto derrotismo que o amigo evidencia por esta época do ano fá-lo incorrer no risco de o seu conhecido espírito empreendedor ficar completamente tolhido!

stunning Stunning,

O contributo que cita é de uma utilidade e oportunidade notável, devo reconhecer. Já agora deveria ter acrescentado que Sinn sugere a aplicação da receita à Grécia e a Chipre, considera pois que Portugal tem ainda boas condições para permanecer no Euro.

Caro Tonibler,

Essa fórmula - uma das magias que poderá trazer mais crescimento - terá pelo menos a vantagem de transformar empresas supostamente viáveis em inviáveis...
A partir do momento em que percebessem que o capital passou para o Estado, uma lufada do doce espírito do funcionalismo público seria injectada no pessoal ao serviço, estimulando o trabalho e a produtividade duma forma quase diáfana!
Só não percebo porque motivo o dito congrêsso não foi mais longe, admitindo por exemplo a solução inversa, ou seja das empresas ou os cidadãos que sejam credores do Estado poderem transformar esses créditos em capital de empresas de capital até agora exclusivamente público...
Quem sabe se assim não haveria solução para casos considerados perdidos como os ENVC?

Stunning inspiration disse...

PS e PSD são farinha podre do mesmo saco ..o CDS é uma quadrilha de bandidos hipócritas que se juntam a qualquer um.

Todos com o mesmo blá blá que nada muda .

Engraçada a "esperança" de Tavares Moreira , de que com todas as condicionantes estupidas que espartilham , comprimem , esmagam , destroem , estilhaçam , envenenam , esmorecem , alienam , dificultam , empecilham , estorvam , desanimam , revoltam , toda e qualquer tentativa de criar riqueza , para ele faltam "apenas " alguns meses para que a economia floresça , cresça , vingue , prospere brilhantemente, vigorosamente .
Difícil encontrar tanto cinismo .

Tiro ao Alvo disse...

Escreveu o Bartolomeu - rima e é verdade - o seguinte:
"Teremos muita sorte, se a par de todas estas tragédias que são da inteira responsabilidade da incapacidade humana para reconhecer a necessidade de todos puxarem para o mesmo lado; um dia destes o céu não nos desabar em cima."
E eu pergunto: a isso não se pode chamar consensos?

Bartolomeu disse...

A única expressão que define de forma generalista, a atitude dos responsáveis políticos do nosso país, é unicamente «falta de senso», Tiro ao Alvo.
Mas esta atitude não é de hoje, é de sempre.
E várias têm sido as crises por que o nosso país tem passado, em todas elas nunca houve consenso político e muitas, tiveram soluções
que podemos atribuir à intervenção do sobrenatural. Outras, arrastam-se pelos séculos, fazem já parte integrante da nossa natureza que tão instantâneamente nos transforma em génios, capazes de conseguir o impossível... como num bando de salteadores ou de alienados com tendência para a auto-destruição.
Esperemos que Pessoa tenha razão ao afirmar que um dia nos cumpriremos...

Pedro disse...

Caro Tavares Moreira,

ninguem melhro que Kafka, para explicar as suas variações entre o "au-histerismo" e o "pró-Crecimentismo".

Eu como não sou Kafka, não irei tentar explica-las.

No entanto, não resisto a verificar que mesmo mudando as orientações e as linhas politicas (de "au-histericas" para "cresci-mentais"), há algo que se mantem constante no seu discurso. É até possivel confirma-lo, bastando para tal revisitar as suas opiniões sobre a materia.

E esse ponto imutavel, é o que vem explicito no ponto 6, deste post e que trascrevo de seguida:

"6. ...mas isso, por estranho que pareça, pode mesmo vir a acontecer num prazo de poucos meses (...)" !!!


Ou seja, esta sua previsão, mantem-se constante e inalteravel (será inatingivel?), quer seja para defender a Austeridade, quer seja para se por do lado do Crecimentismo.

Há que louvar pelo menos esta restia de coerencia.

Paulo Pereira disse...

Caro Tavares Moreira,

Com a despesa publica a subir, obviamente que a economia acaba por estabilizar.

Ou seja temos um governo crescimentista light !

Ou seja, este governo além de inutil e incompetente em materia de economia, é inutil e incompetente em matéria de reforma do estado.

As execepções são a saude e educação s.social, os unicos departamentos com cortes significatvis de mais de 2000 milhões por ano.

O resto do estado não social continua na sua tranquila viagem.

Gonçalo disse...

Infelizmente continuamos numa gestão macro-económica que faz depender tudo do crescimento. Ora, com muita pena minha, a realidade vai demonstrar que não vai haver crescimento algum, pelo menos antes de cairmos muito (e de termos ajustado para os nossos níveis reais, talvez 20% abaixo do que estávamos habituados no tempo ilusionista do PS). E qualquer crescimento de algumas migalhas (décimas) será só fogo de vista e totalmente inútil - estruturalmente - se conseguido à custa de uma situação orçamental deficitária de vários pontos. Injectar 4 ou 5% do PIB (à custa de défice e mais dívida) para alardear um crescimento de 0,5% ou 1% altera alguma coisa?
Nada. Mas o problema é bem maior se verificarmos que está todo o Mundo desenvolvido neste dilema. E que até a Alemanha, que cresce apenas umas décimas,mesmo com uma economia sobre-capitalizada e sem qualquer problema de liquidez, "encharcada" com capitais que ali se refugiam (a zero por cento) vindos das periferias.
Na prática, qualquer crescimento do PIB não pode ser avaliado isoladamente (e dado sempre como bom) sem se analisar a balança de transacções financeiras correntes que o acompanha. Porque, como se disse antes, pedir emprestado 10% do PIB para injectar numa economia e obter 1% de crescimento é coisa de socialistas mas não resolve nada. O problema é que teremos que pagar mais cedo ou mais tarde, os 9% de diferença que, como vimos nos dias de hoje, são subtraídos às disponibilidades de amanhã. Que, como será muito em breve evidente, não serão suportadas por qualquer crescimento (real).

Paulo Pereira disse...

Sr. Gonçalo, por acaso já terá questionado de onde vem o dinheiro para comprar a tal divida publica ?

será que o dinheiro circula, não se gasta, e foi por isso que se inventou o dinheiro ?

e agoralógica elementar : se não é possivel reduzir o valor nominal da divida então só resta aumentar o PIB para que o racio decresça.

Como diria a outra senhora : é a TINA mas desta vez ao contrário.

Tavares Moreira disse...

Caro Pedro,

Nem mesmo Kafka teria meios adequados para detectar e criticar, com propriedade, as vertiginosas variações no meu "discurso"! Não me surpreendo, assim, pela dificuldade que confessa!
Quanto ao resto, continuo a não perceber como é que a sua elevada prespicácia, que já relevei por mais de uma vez, não lhe permite uma distinção mais apurada entre o desejo e a estatística!

Caro Paulo Pereira,

Essa do crescimentista light tem piada e aproxima-se da realidade!
Verifico que está justamente preocupado com a necessidade de prosseguir um trabalho de reforma da despesa pública para além das áeras que refere!
O Senhor, com algum trabalho de ginásio, ainda conseguirá juntar à sua preferência pelo câmbio fraco uma doutrina de economia forte, ficando a ganhar "a dois carrinhos", como se usa dizer!
Imaginação não lhe falta, há que reconhecer!

Caro Gonçalo,

Com algumas adaptações, não posso deixar de lhe atribuir uma boa dose de razão no plano da análise da dificuldade de crescimento das economias europeias com excesso de peso do Estado.

Paulo Pereira disse...

Caro Tavares Moreira,

Bastaria copiar a Irlanda, Dinamarca, Suécia e a Coreia do Sul, em vez de andar a inventar.

paises com forte estado social, mas com um estado não social pequeno.


Sobre a reforma do estado, ela também é necessária de forma a colocar os "mais qualificados" no sector privado concorrencial, em vez de nas administrações e direções de entidades publicas

Pedro disse...

Caro Tavares Moreira,

o meu "desejo" era que as suas "estatisticas" se tivessem confirmado nos ultimos 2 anos, e que o programa posto em curso, e por si defendido tivesse mesmo atinjido os objectivos a que se proprunha.

Claro está que continuamos no mesmo registo, o do : "pode mesmo vir a acontecer num prazo de poucos meses "...e levando isto ao limite, algum dia irá certamente acontecer.

Pena é que, o desemprego, as fugas para o estrangeiro, os cortes nas reformas são coisas que já aconteceram...e vão de certeza continuar a acontecer!

E isto, não é de todo o meu desejo (antes pelo contrario) e está bem explicito em todas as estatísticas.

Talvez seja altura de seguir o conselho que me deu exercendo tambem "uma distinção mais apurada entre o desejo e a estatística!"



(ainda assim, independentemente dos "ismos" onde nos posicionemos, estou em crer que partilhamos um mesmo desejo: o de que as estatisticas sejam positivas, e de acordo com os objectivos a que nós, Portugueses, nos propomos e almejamos)



Gonçalo disse...

Sr. Paulo Pereira

A dívida pública, infelizmente não se comprou. O Estado, quanto muito a vende. E vende a investidores quando estes estão disponíveis para tal. Estiveram, em tempos (em que se criou a dívida). Agora já não estão, pois entendem (e bem) que já nos tinhamos endividado para além do razoável.

Quando as economias eram fechadas, a globalização uma realidade ainda longínqua, quando havia inflação e existia moeda própria o dinheiro lançado à economia circulava e podia criar algum crescimento. Hoje, já nada se passa assim. Uma grande parte acaba na Ásia que produz grande parte do que consumimos, outra parte na Alemanha onde é mais seguro (se não no colchão) ou em fundos de investimento que procuram os retornos financeiros que não encontram por cá. Por isso, acredite: lançar dinheiro à economia na situação actual é um erro. Custa muito mais (e temos que pagar isso logo depois) do que o retorno que possa proporcionar.

A sua lógica elementar "se não é possível reduzir o valor nominal da divida então só resta aumentar o PIB para que o rácio decresça" defende que o rácio (dívida/PIB) diminui reduzindo a dívida mas também aumentando o PIB. Certo.
Mas, esquece que pretende aumentar o PIB, aumentando a dívida. E se o aumento da dívida for superior ao aumento do PIB (o que é inevitável na estrutura actual) vai acabar como acabou Sócrates: défice de 10% do PIB para ter crescimentos de 2% ou menos. Resultado? Situação agravada. Se, pelo contrário, conseguir encontrar uma formula (mágica) para a economia crescer, sem mais despesa (pública e de outro tipo qualquer), parabéns. Está encontrada a solução. Então diga lá como se faz isso...

Paulo Pereira disse...

Sr. Gonçalo, desde o sec. XV que as economias são abertas.

Não existe essa coisa de economias fechadas num sistema capitalista.

é um mito urbano.

Por isso nada desta crise é novo, é uma crise normal de balança de pagamentos e em simultaneo de fim de ciclo especulativo.

Existem dezenas destes casos ao longo dos ultimos 100 anos em economias capitalistas.

Por isso é fácil estudar os casos (ver o caso português, finlandês, Sueco, Coreano, Irlandes, Italiano, japones, da malasia, do mexico, do brasil, etc.) e dai tirar as conclusões sobre as politicas economicas a seguir :

a) a mais importante é a desvalorisação entre 15 a 30% da moeda, que resulta sempre em 100% dos casos de economias industrializados numa rapida recuperação económica e baixa do desemprego, que leva a seguir a uma redução do racio de divida / PIB

b) redução da despesa superfula e/ou aumento de impostos nunca superior a 1,5% do PIB por ano (velha receita FMI) de forma a evitar uma contração do PIB maior que 1,5% porque traz efeitos em cascata secundários, na despesa social , falências e assim redução da receita fiscal

c) redução de impostos direcionada de forma a reduzir os custos das empresas.

d)outras reformas laborais, no credito, nos subsidios.

Ora como Portugal não pode desvalorisar a moeda teria de desvalorisar fiscalmente aumentando o IVA sobre produtos não essenciais e reduzindo a TSU paga pelas empresas e o IRC.

Estas medidas têm que ser todas em simultaneo e não em série.

e) De forma a obviar as necessidades de financiamento nos mercados internacionais, deve ser activado o mercado de divida interna, e se necessário o pagamento de parte dos gastos do estado em titulos transacionáveis.

Isto não foi feito porque o governo é adepto de teses económicas falsas, que podermos designar grosso modo de teses neoliberais de linha dura.

Como se vê estas teses são uma perda de tempo, de recursos e uma fonte de enorme sofrimento para os mais pobres e para a classe média.

Tavares Moreira disse...

Caro Pedro,

Ora aí está um dos seus erros (muito poucos, note-se) capitais: dizer que o PAEF não cumpriu os seus objectivos.
É um erro enorme, de palmatória, pois o facto de a economia se ter reequilibrado, num espaço de tempo inferior a 3 anos, partindo de um défice externo superior a 10% do PIB, constitui uma mudança radical, antecipando mesmo, e de modo significativo, a realização do objectivo nº1 do PAEF!
Quem não consegue ver isto, não tem manifestamente condições para apreciar - e ainda menos emitir juízos valorativos - outras consequências do Programa de Ajustamento.

Stoudemire disse...

1- Esta trampa, de tanto cair, algum dia há de bater no fundo e, a partir daí, crescerá (estagnará?), já que não há mais fundo para bater.

2- A economia, de acordo com as pitonisas do calibre do Ilustre Dr., já deveria estar a crescer acerca de 1 ano. Na realidade, parece que continua aos tombos.

3- O professor de Boliqueime, em quem eu votei há largos anos, e o seu discurso de 25 do 4: isto está mal, o medicamento não nos está a salvar, mas... não há alternativa, portanto a oposição pare lá de fazer (???) oposição, porque não há alternativa.

4- Depois, como é costume, lá veio dizer duas coisas: «Não digam que eu não avisei.», «Não perceberam o que eu quis dizer.». Como o Pacheco Pereira e a Manuela Leite já ousam discordar do esqueleto, parece que não teremos ninguém para fazer uma interpretação legítima das suas palavras.

5- De Coimbra para cima, vamos ter um péssimo ano agrícola. Hoje, geou e nevou. A situação já estava má, mais uma ou duas brincadeiras como esta e vamos ter de importar a papinha toda.

6- Eu gostaria, um dia, de ter políticos com 2 qualidades (pelo menos estas): 1.ª - que não mentissem; 2.ª - que não agissem como o sujeito que, para salvar 5 companheiros da morte, deixa morrer os outros cinco.

7- Já alguém pensou em mandar avaliar psiquiatricamente o Vítor Gaspar? Estive, casualmente, perto do homem há um "par de dias": ele só pode ser demente. E é ignorante em matéria daquilo que poderíamos chamar «realidade». Quando lhe suspirei que a minha mãe ganhava 240 euros de reforma, respondeu-me que não fosse demagógico.

E é isto... porque as pessoas não comem défice externo.

Tavares Moreira disse...

Ilustre Stoudemire,

Stoudemirado com tanta ciência - não estou fazendo humor, é mesmo assim...
Em especial na última frase, "as pessoas não comem défice externo" está carregadíssimo de razão: não comem porque o que havia a comer em cima desse défice já foi comido...agora já não dá mais...

Stunning inspiration disse...

Alguns meses !!! a quem interessa a ilusão? alguns meses ?
Já já vai ficar bom , os problemas são os mesmos ,gigantescos.As dificuldades são as mesmas,gigantescas. Mas por um passe de mágica dentro de alguns meses tudo vai ficar maravilhoso!Percebes sua besta?

Estes alguns meses é até ao fim do ano ? ou até ao fim da década ?

Tavares Moreira disse...

Quando isso acontecer, o ilustre Comentador vai provavelmente exibir um facies "too stunned to speak"!
Se ainda me recordar deste seu pressagio - vão passar muitos anos até se verificar a inversão no ritmo da actividade económica - procurarei lembrar-lhe esta pitoresca troca de comentários...

Stoudemire disse...

Ó ilustríssimo postadeiro, a questão é que não estamos a falar nas mesmas pessoas: o amigo refere-se aos mamões (e olhe que, neste blogue, postam alguns que sempre mamaram no Estado), enquanto eu aludo à «tugolândia».

Por outro lado, parece que tem alguma razão: em 2017 (creio), o país estará a crescer acima dos 2%.

Hip! Hip! Hurra!