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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Envelhecimento em marcha...

A Rússia está preocupada com o envelhecimento da sua população, teme que se transforme “num país pobre, envelhecido e incapaz de preservar a sua independência e mesmo o seu território".
Por cá, continuamos a não reconhecer o problema do nosso envelhecimento demográfico. Portugal é o sexto país do mundo mais envelhecido do mundo, dentro de dez décadas teremos apenas um trabalhador por cada reformado.  Este rácio que está em formação há já muito tempo impõe que tenhamos que pensar – já o deveríamos estar a fazer também há muito tempo – sobre o que ainda poderemos fazer para conter a deterioração da taxa de natalidade e como nos devemos e podemos organizar de um ponto de vista económico e social para lidar com a longevidade.
É necessário e urgente integrar na agenda do país o tema da natalidade e do envelhecimento. Agora que o governo anunciou a "refundação" do Estado Social é um momento para integrarmos no debate e na decisão, justamente, estas realidades. Sem riqueza, como muita gente agora gosta de lembrar, não há Estado Social, mas convém lembrar que para gerar riqueza precisamos de pessoas...

15 comentários:

Gonçalo disse...

Mas as políticas atuais afugentam os (poucos) jovens que nos restam.
Empurramo-los para fora do país.
Assim, não renovamos a nossa força de trabalho e acentuamos a quebra demográfica pois seriam esses que poderiam ter filhos nos próximos anos...
Insistimos em políticas de trabalho que impedem a sua participação na criação de riqueza.
E continuamos alegremente nesse sentido errado. Mais horas, mais dias, menos feriados e menos férias, reformas mais tardias. Tudo errado.
É preciso inflectir. Inverter por completo esta política.
Como?
Redistribuindo o trabalho disponível. Com a correspondente redução remuneratória.
http://notaslivres.blogspot.com/2012/11/erros-governativos-ii.html

Bartolomeu disse...

Pelo "andar da carroagem", cara Drª. Margarida, temo que em Portugal, antes que passem cem anos, deixará de haver reformados.
As políticas liberais que estão a ser seguidas, levam-me a crer que dentro de poucos anos (ou meses) não haverá vestígios de «estado social». A tendência é para que o Estado fomente a morte daqueles que adoeçam, sem tratamento, a morte à fome daqueles que sejam despedidos, sem indeminização e sem hipotese de conseguir outro emprego e o fim das reformas, das pensões de sobrevivência e dos subsídios de desemprego.
Tudo isto, em concordância com a opinião daquele senhor Etíope... lá no país dele, infelizmente, "a coisa" parece assumir proporções de uma maior magnitude; as pessoas morrem na valeta e por ali ficam, até que o s abutres, os cães vadios, os ratos, os consumam. Para lá caminhamos...

Domingos disse...

Mais que acções de promoção de natalidade, há que alterar de forma realista e corajosa as políticas de imigração...

Suzana Toscano disse...

É curioso que Putin tenha invocado como a maior ameaça da quebra demográfica a incapacidade de a Rússia "preservar a sua independência e mesmo o seu território", como se falasse de exércitos guerreiros de que pode precisar no futuro. Além disso, "garantiu" que fará com que cada mulher venha a ter "pelo menos três filhos", ficamos assim a aguardar as decisões de fomento.

Bartolomeu disse...

Putin não precisa de se preocupar por esse motivo, cara Drª Suzana. Veja o que aconteceu aos exércitos de Hitler quando invadiram a Rússia... congelaram.
Agora, acho muito bem que ele pense em povoar aquelas estepes desertas, e se para executar a "tarefa", Putin achar que os Portugueses, devido às suas competências, lhe podem ser de grande utilidade, basta-lhe enviar um pedido ao Ministro Alvaro dos Santos Pereira, que ele arranja maneira de enviar um contingente de potênciais procriadores-emigrantes.
Até estou a pensar integrar-me num certo grupo coral e aprender a cantar a Babushka, uma forma de me integrar melhor no espírito da coisa...
;))

jotaC disse...

Envelhecimento da população!?
Ora aqui está um bom tema para reflexão:- Como seria hoje a Rússia, a europa em geral, se não tivesse acontecido os milhões de mortos da 2ª guerra, os milhões de mortes do expurgo stalinista, os milhares de mortos das catástrofes naturais!? Dá que pensar, tanto mais que a maioria das vítimas estaria hoje na idade da caridade das Jonet por esse mudo fora!...


Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Gonçalo
O envelhecimento vai-se agravar. Os jovens que partem à procura de trabalho e de se valorizarem se ficassem no país engrossariam o desemprego. É preocupante o nível de desemprego e o seu impacto em termos económicos, conduzindo inevitavelmente à depreciação do capital humano e à emigração. Podemos concluir que o envelhecimento agravado pela emigração de jovens conduzirá ao empobrecimento da nossa sociedade. Não é apenas o desemprego jovem que se encontra em níveis insustentáveis, é também o desemprego estrutural, tipicamente de longa duração. A taxa de desemprego estrutural, por exemplo, mais que duplicou num período de 20 anos, rondará 11,5%.
Esta evolução não pode ser explicada apenas pelas variações que se atribuem aos ciclos económicos. Se não formos capazes de ultrapassar os factores económicos que nos trouxeram até aqui, também não será possível fazer uma redistribuição do rendimento disponível de quem o aufere por aqueles que nada produzem. A quebra acentuada de rendimentos do trabalho e das pensões já operada em consequência da crise - por via do aumento dos impostos e da redução de salários e da despesa social – não está a ajudar a trazer para dentro da economia os desempregados, deixando uma percentagem significativa sem qualquer protecção social. Concordo que o caminho não passa por aumentar o número de horas de trabalho, este caminho irá agravar a realidade descrita.
Caro Bartolomeu
Vamos conhecer vários retrocessos civilizacionais. Quais serão os limites, seremos capazes de antecipar o abismo?
Caro Domingos
Actuar sobre a natalidade implica intervir em vários sectores de forma concertada. A natalidade não é um “silo”. Não é com um cheque presente que se incentivam e se criam condições sustentáveis para que as famílias tenham mais filhos. A imigração é um desses sectores. Mas se não somos capazes de assegurar o futuro dos portugueses cá dentro, como vamos ter condições para o fazer com a imigração. Muitos imigrantes estão a voltar aos seus países de origem porque aqui não encontram futuro. Mas reconheçamos que a população imigrante deu nas últimas décadas uma grande ajuda para a natalidade e para contas da segurança social.
Suzana
E a nossa independência também está ameaçada…

Bartolomeu disse...

Cara Dr. Margarida,
não sou e não pretendo ser profeta de nada. No entanto, dado o rumo que as políticas estão a querer impor-nos, é minha convicção, forte; que só não cairemos no abísmo, se atempadamente ganharmos a consciência clara de que o Estado, precisa divorciar-se do estado.

Paulo Pereira disse...

A primeira politica para o aumento da natalidade é a redução do desemprego jovem e o crescimento económico e dos salários.

Sem isso , ter filhos é manda-los para o desemprego.

Suzana Toscano disse...

Caro Bartolomeu, isso é que é vontade de emigrar! :)
caro jotac, é isso mesmo, até há poucas décadas os reguladores demográficos foram violentissimos e a Rússia podia dar-se "ao luxo" de mandar milhões e milhões para a frente de batalha. Depois da 2ª Guerra a Europa teve que desenvolver políticas activas de apoio à natalidade, é claro que não foram só (mas foram também) os subsídios às famílias, muito substanciais apesar das graves dificuldades económicas, incluindo fome. Mas não haveria subsídios que chegassem se as pessoas não tivessem voltado a acreditar na vida, no futuro, a recuperar a confiança, apesar de as nuvens ameaçadores da nova guerra terem levado muito tempo a dissipar-se.
Caro Paulo Pereira, há muitos anos que se sabe do decréscimo de natalidade, a "onda" dos nascimentos pós 25 de Abril chegou á universidade por volta de 1990, em 92 foi o pico de candidaturas e a partir daí começou a decrescer, apesar do aumento do número de jovens a ingressar na universidade. O que acontece nos jovens de hoje há-de ser um drama daqui a 20 anos, não agora.

Freire de Andrade disse...

Antes de ler este post, já eu tinha escrito:
«Li a notícia de que Putin decidiu tomar medidas para combater o envelhecimento. Logo de repente pensei que se ia submeter a alguma terapia nova, talvez baseada em manipulação genética para contrariar o encurtamento dos telómeros ou outra coisa parecida, a fim de prolongar a sua boa forma física até idade avançada, mas logo compreendi que se tratava do envelhecimento da população, neste caso da população russa, e não do próprio. A única coisa que consegui saber, porque mais não vi e creio que nem foi por cá divulgado, foi a ideia de que cada família deverá ter pelo menos 3 filhos. Como se convencerão as famílias a este extraordinário aumento da natalidade, com que incentivos, não sei. Tanto pode ser um abono de família generoso e atribuição de habitação espaçosa como castigos cruéis a quem se atreva a ter menos filhos, ou uma mistura destas medidas. Gostaria de saber mais, pois o combate ao envelhecimento deveria ser uma prioridade em Portugal e, se as ideias de Putin forem mais razoáveis do que as apontadas, talvez pudéssemos pensar em adoptá-las.»

Suzana Toscano disse...

Tam graça, caro freire de Andrade, eu também comecei por fazer a mesma interpretação, que era do envelhecimento dele que tratava o tal combate... QUanto à precisão dos três filhos, saiu cá nas notícias, não sei em que jornal, mas eu li. Quando às medidas propriamente ditas, se calhar basta que ele faça saber que os que não cumprirem...não são patriotas.

Bartolomeu disse...

Bem... o presidente Vladimir, tem sempre a Sibéria disponível para "acolher" os incapazes de atingir os objectivos estabelecidos.
Já nós, por cá, o mais parecido de que dispomos... só se for o deserto do "Jamais", logo a seguir ao Barreiro.

Gonçalo disse...

Dra.
O desemprego é o resultado de não se ajustar a unidade de emprego clássica (vamos supor, 8 horas diárias) a novas realidades.
Há menos trabalho e isso não se resolve. Introduziram-se novos meios de produção, a produtividade aumentou (mas não forçosamente a produção). Máquinas, computadores, etc.
E perderam-se produções primárias e industriais (deslocalizaram-se).
E isto não se reverte.
Pelo menos em tempo útil.
Pelo que há que fazer algo e já.
Não é aceitável que a juventude emigre (perdemos os jovens e a sua potencial descendência). Perdemos o futuro.
Pelo que só há um caminho que é o inverso do que se tem feito nos países desenvolvidos: redistribuir o trabalho disponível por mais gente...
Menos horas (e menos rendimento), mas mais gente na força de trabalho.
E nunca o contrário: mais horas, mais dias, menos feriados, menos férias, reformas mais tardias.
Com esta política perdemos o futuro e os jovens.
Não há que ter uma política do rendimento mínimo garantido. Há que passar à política do trabalho mínimo assegurado. Dividindo - reduzindo a quota parte de cada um - para chegar ao número certo (que não serão todos...).
.
http://notaslivres.blogspot.pt/search/label/Trabalho

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Gonçalo
E como é que fazia essa redistribuição?
Estamos num processo de redução acentuado dos rendimentos do trabalho. Quanto mais seria necessário reduzir para resolver a questão?
Precisamos de aumentar a actividade económica, de produzir mais riqueza, a que temos não é suficiente para todos. A simples redistribuição do rendimento por uma maior população activa não resolveria o problema da falta de economia. Há vários problemas para resolver. Um deles, por exemplo, poderá ter que ver com a segmentação do mercado de trabalho que não permite uma alocação eficiente do capital humano.