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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Nunca Portugal teve dinheiro tão barato

Também nas taxas de juro do empréstimo europeu a Portugal a mentira muitas vezes repetida tornou-se a mais óbvia das verdades. Pouca gente haverá no nosso país que não esteja convencida que os juros do empréstimo dos nossos parceiros europeus (através do Fundo Europeu de Estabilização Financeira) são abusivos, usurários e especulativos, isto para usar as qualificações mais benignas. Ora a taxa de juro do dinheiro advindo do Fundo Europeu de Estabilização Financeira é de 3,2%, a taxa de juro mais baixa que Portugal pagou nas últimas décadas. Apenas em 2005 houve taxa semelhante.
Contudo, o conluio espúrio entre informação jornalística e propaganda política, que muitas vezes se confundem, leva diariamente a pensar na natureza especulativa da taxa. 
Por exemplo, entre 2000 e 2008, anos de abundância de dinheiro, a taxa de juro média foi de 4%, chegando a atingir um pico de 5,4%.
Nessa altura, mesmo com uma dívida pública crescente, o preço do dinheiro era tido como barato e, naturalmente, ninguém se lembrava de falar da especulação internacional.
Pois agora, com um peso de dívida esmagador, e em que as taxas do empréstimo da CE atingiram o seu ponto mínimo, é que se fala de juros usurários, a benefício da Senhora Merkel ou da Alemanha. Precisamente a governante e o país que mais contribuem para o baixo preço do dinheiro que nos vai salvando.
Nota: Dados retirados da coluna de Ricardo Reis no DN, Juros em euros ou em escudos, que vale a pena ler. 

 

10 comentários:

Paulo Pereira disse...

A taxa de juro tem de ser mais baixa que o crescimento nominal do PIB senão o sistema vai abaixo, porque a divida aumenta sempre.

Por isso a redução drastica dos juros à Grécia, e por isso precisamos de taxas de juros médias de 2% ou menos.

E por isso as taxas de juro no mundo inteiro estão no nivel mais baixo de sempre, por exemplo nos EUA a taxa a 5 anos anda pelos 0,63% e as taxas do FEEF a 5 anos andam pelos 1,2%

Tonibler disse...

Caro Paulo Pereira,

Essa matemática...... O PIB é a primeira derivada do activo, o juro a primeira derivada do passivo. O crescimento do PIB é a segunda derivada do activo, portanto não é comprarável, nem deveria ser medida nas mesmas unidades que o juro. Eu também já tinha ouvido esse erro ao presidente do ISEG. Não sei se é isso que ensinam lá, mas que é asneira, é.

Essa economia.... O PIB é o produto do país, a taxa de juro é da dívida pública. Num país sem moeda própria como é Portugal o estado é irrelevante nessas cogitações porque a depreciação do valor do trabalho é em função de toda a população sobre a mesma moeda, isto é, a Europa. Logo a taxa de juro aplicada ao estado é feita à semelhança de qualquer credor, em função do seu risco de incumprimento, e não da depreciação do valor do trabalho como noutras realidades.(isto porque esta é muito baixa no geral europeu)

António Almeida disse...

A titulo de exemplo:

http://bacalhaucomcoentros.blogspot.pt/2012/10/a-taxa-de-juro-dos-emprestimos-do-meef.html

Só não entendo porquê que o governo não explica aos deputados da oposição, como quem explica a crianças, o facto.

Marques Mendes sentiu-se ofendido por o Ministro V. G. o ter tratado como atrasado mental, mas se calhar MM teve o que merece.

Até gostei dele com presidente do PSD, agora como comentador, a fugir para candidato presidencial. Já não gosto muito.

murphy V. disse...

Curiosa, esta preocupação recente dos socialistas, secundados pelo habitual jornalismo militante...

Como se, desde 2000 até 2011, a política portuguesa não se dividisse, precisamente, entre a “direita” e “centro-direita”, cuja mensagem fundamental era que não haveria dinheiro para pagar a dívida, e os juros decorrentes da mesma, que se ia acumulando, enquanto aqueles que agora, a toda a hora, exigem que paguemos menos juros, assobiavam para o lado.

http://jornalismoassim.blogspot.pt/2012/12/filhos-e-enteados-da-comunicacao-social.html


Paulo Pereira disse...

Caro Toniblair,

Vou-lhe explicar por numeros que é mais simples :

Divida ano 2011 = 170 mil milhões

PIB no ano 2011 = 170 mil milhões

Divida / PIB = 100%

Juro = 5% e com deficit zero

Divida no ano 2012 = 170 + 5% = 178

Crescimento nominal do PIB no ano 2011 = -1%

PIB no ano de 2012 = 168

Divida / PIB = 178 / 168 = 106%

Ou seja para reduzir o racio é preciso que o juro da divida seja inferior ao crescimento nominal do PIB.

Matemática simples.

Ilustre Mandatário do Réu disse...

Eu de economia nada percebo. Expliquem lá a este ignorante como é que o estado paga mais que a euribor?

Gonçalo disse...

Mais duas achegas:
Nesse período mais farto, os bancos alemães não se financiavam a taxas negativas; nem o BCE disponibilizava euros (1 milhão de milhões) a 1%.
É a decalage de taxas que nos permite ajuizar da justeza das taxas de juro em questão.

Tonibler disse...

Caro IMR,

porque não é um banco. Para receber dinheiro à euribor tem que respeitar todas a regras que os bancos são obrigados a respeitar.

Caro Paulo Pereira,

Isso é o rácio, não é a dívida pública. No abstracto, basta que esse rácio seja 1 (100%) para que a sociedade pudesse liquidar toda a dívida num ano sem crescimento económico.

Paulo Pereira disse...

Caro Tonibler,

Os mercados olham para o racio, e com juros acima do crescimento do PIB o racio piora continuadamente.

Por isso os juros têm de ser visto nessa relação.

Já agora, A espanha consegue ainda melhor :

""We have also welcomed the decision by the ESM (European Stability Mechanism) board of directors to authorise the first tranche of the programme of up to 39.5 billion (euros). The disbursements will be made in mid next week," Juncker said.

The loans have a 12.5 year maturity meaning a repayment date of 2025, with Spain obtaining an interest rate averaging at less than 1 percent."

Ilustre Mandatário do Réu disse...

Caro Tonibler,

Mas não sendo um banco, Portugal interviu em banco falido, e intervirá em bancos maiores caso essa questão se ponha.

Não deixa por isso de ser estranho, que uma entidade que não goza da propriedade A, mas que é garante último de A, tenha condições piores de acesso ao crédito que A.

Aliás dado o spread dos empréstimos bancários há muitos cidadãos do país que têm uma taxa de juro mais favorável que o próprio país.

Como se explica tal contrasenso?

Cumprimentos, IMdR