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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O "caso" daquele senhor que não era quem supostamente julgavam

Aproveito a ausência de notícias para perceber o que se passou  nestes dias em que o meu mundo se reduziu, quase por completo, ao espaço familiar. Para além da mensagem do PM que me pareceu muito acertada para as circunstâncias, chamou-me a atenção o que muito se escreveu a propósito de um senhor levado a um debate onde por norma comparecem os que aí são havidos como gurus dos tempos modernos. Ao que parece foi apresentado como sendo um grande especialista em economia da crise, de curriculo impressionante, a quem a ONU houvera confiado o estudo do fenómeno no sul da Europa. Nos jornais e pelas redes sociais espalha-se, em tom anedótico, o equívoco dos responsáveis pelo programa, havendo mesmo quem sugira o seu afastamento invocando precedentes de quem assim se deixou enganar e retirou essa consequência.
Fui à procura e encontrei alguns excertos da intervenção do tal senhor na SIC. E depois de ver e ouvir, concluí que são afinal muitos os que passam por aquele espaço - e por outros de todas as TV - que em nada se distinguem na postura e no discurso deste ilustre personagem. Não há, pois, qualquer razão para o escândalo, salvo se escândalo for o burlesco habitual dos debates televisivos em Portugal, participado por toda a sorte de bizarros especialistas.

12 comentários:

Bartolomeu disse...

Opina o caro Dr. Ferreira de Almeida, que a mensagem proferida pelo 1º Ministro, "lhe pareceu" muito acertada para as circunstância, em contraste com a pantominice e a credibilidade do debate televisivo.
Concordo com a análise que faz quanto à forma irresponsável como a televisão selecciona para umdebate sobre a crise económica que se atravessa, um personagem de banda desenhada.
Mas quanto ao teor da mensagem proferida pelo nosso 1º Ministro, eu pedia-lhe encarecidamente, caro Dr. Ferreira de Almeida, que especificasse "acertada" e "circunstâncias", só para que eu humildemente possa concluir se ambas as palavras têm para si, o mesmo significado que têm para mim.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

É verdade, José Mário, estamos bem servidos de especialistas, uns "artistas". Mas estamos, também, muito bem servidos de comunicação social. Um pouco de insinuação e umas declarações politicamente correctas parece ser suficiente.

Tonibler disse...

Concordo, afinal um sujeito armado naquilo que não é, a mandar umas bocas copiadas daquilo que leu num sítio qualquer, podemos começar no Mário Soares e ... ir por aí fora. Aliás, se não está já a formar-se o movimento Batista da Silva a presidente é de admirar e podem contar com a minha assinatura para esse upgrade.

Quando ao jornal/programa informativo só foi enganado porque a agenda não era a informação mas a transmissão da corroboração das suas posições, certamente relacionadas com a falta de publicidade institucional que o grupo em causa deve estar a sentir. Demissão ou não, é um problema dos accionistas do grupo embora confesse que não me lembro de tamanha falta de profissionalismo. Mas vejamos pela positiva, pelo menos o grupo Impresa já não engana ninguém a dizer que emprega jornalistas...

jotaC disse...

Pois, caro Drº Ferreira de Almeida, isto de ser comentador económico deve dar uma "trabalhêra" de fazer virar o miolo!.

1.Ainda há poucos dias ouvi o Drº Miguel Beleza dizer que achava muito bem que cada um pusesse o dinheiro onde rendesse mais (referia-se a um banqueiro aí da praça que, segundo foi noticiado, colocou as economias no estrangeiro)!…

2.Hoje, quando fui almoçar, ouvi uma cigana (daquelas que polui o ar junto ao mc donalds de belém) dizer:- "A culpa é do governo, son ladrães, estão a roubar o que é nosso”!?...

3.Quando regressava do mesmo almoço em passo vagaroso deu para ouvir uns espanhóis perguntarem a um transeunte, srº de idade avançada, onde era o Museu dos Coches. Vi-o apontar para o efício e em linguagem verbal e gestual, dizer-lhes: - Não há no mundo igual!...

JM Ferreira de Almeida disse...

Margarida, um dos sinais de empobrecimento do País - que se assume em muito mais vertentes do que a material - é a mediocridade dos conteúdos (para ser brando na qualificação). Começou pelos programas de entretenimento cada vez mais estupidificantes, para tudo acabar em entretenimento estupidificante, incluindo os programas ditos de informação e debate, para onde é chamada gente inenarrável, que diz coisas inenarráveis. Alguém sugeria há dias, por graça, que à entrada de alguns desses momentos televisivos deveria ser feito um teste de alcolemia e de substancias psicotrópicas. Se as estações apostassem na qualidade dos conteúdos seria o que fariam. Mas não creio que seja isso que as preocupe ou que as motive.

JM Ferreira de Almeida disse...

Meu caro Bartolomeu, não era minha intenção relacionar a mensagem do senhor PM e se isso resulta de alguma maneira do post peço que me desculpe (e já agora que me desculpe o PM...).
Somente intentei manifestar uma opinião sobre o que conferi a posteriori - julguei a intervenção do PM adequada à circunstância, i.e., acho que disse o deveria ter sido dito. Nada mais do que a opinião nessa exato sentido.

JM Ferreira de Almeida disse...

Meu caro Tonibler, de acordo com o seu comentário. Claro que a dispensa dos responsáveis pelo programa é com os acionistas que aliás devem estar bem satisfeitos. Aposta comigo que o próximo programa vai ter maiores audiências?

JM Ferreira de Almeida disse...

Meu caro jotaC, se divulgar a forma de encontrar a tal cigana, não faltará estação de TV que não faça os possíveis por a recrutar para um debate sobre o que esperar para a economia para 2013 e mais além. De resto, para que os pivôs desses programas possam faz juz ao provérbio, só faltaria mesmo arranjar um burro, coisa que não seria difícil tanto mais que os do presépio estão, ao que se diz, no desemprego. É mesmo provável que já estejam em campo as produções se leram esta posta do 4R ;)

SLGS disse...

Dr.Ferreira de Almeida, concordo,na substância, inteiramente com o seu "post", mas permito-me acrescentar: em Portugal é, sempre foi,fácil enganar os jornalistas, especialmente os jornalistas "espertos" que se julgam senhores do conhecimento e das soluções para tudo o que é problemático. Lembram-se dos Árabes" de há umas dezenas de anos?
Mas voltando ao cerne da questão, em minha opinião só há uma razão para a facilidade com que se deixam cair na esparrela e ela é: A VAIDADE potenciada pele falta de HUMILDADE. O enganador (não lhe chamo burlão)vivo, joga com isso e, meu amigo, é infalível. Temos aí o conto do vigário, em todo o seu esplendor, no qual só caem os que se julgam intocáveis.
BOAS FESTAS

JM Ferreira de Almeida disse...

De acordo SLGS com a facilidade de enganar, manipular e usar jornalistas e em geral a comunicação social. Mas também é verdade que muitos dos que enganam e se aproveitam das fragilidades e sobretudo da cupidez dos media morrem às mãos dos que usaram.

Perdoem-me o péssimo português dos meus comentários, mas tenho como desculpa estar ainda a funcionar em modo natal...

Tonibler disse...

Claro, caro JMFA. Já ninguém vê aquilo pelas razões para que é feito. Agora se for para ver como é que se vão justificar de terem sido apanhados na sua fraude por um sujeito melhor que eles, até eu vou querer ver.

Afinal parece que dito senhor até tinha uma alto cargo no currículo. Foi presidente do conselho fiscal do Sporting Clube de Portugal....

Pinho Cardão disse...

Caro Ferreira de Almeida:
"Especialistas em economia da crise" é o que mais aparece nas televisões: Mário Soares, José Reis, Boaventura Sousa Santos, Louçã, Seguro, Arménio Carlos, Carvalho da Silva,etc, etc, etc todos doutores, professores e catedráticos na matéria. Acompanhados por um número infindável de ajudantes em preparação de doutoramentos ou em regime de pós-doc, que também anseiam por chegar a catedráticos. Todos dizem o mesmo, dia a dia, hora a hora, minuto a minuto.
O Prof. Doutor Artur Batista da Silva é apenas mais um a repetir o mesmo e por isso foi acolhido com solenidade, pompa e circunstância. Como serão todos os que dizem o mesmo. E, quando hesitam, são deitados fora. Por exemplo, Krugman, um pequeno deus para os jornalistas até ao segundo dia da visita a Portugal. Quando referiu que não devia haver melhor alternativa, deixou de ser referência.
Enfim, banha da cobra vende-se há muito nas feiras; agora, também nas televisões. E acontece que há muita gente a acreditar.
E as novas feiras televisivas cada vez mais se debatem entre si para encontrar os melhores vendedores e a banha mais apetecível.