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quinta-feira, 8 de setembro de 2005

Que tal umas lições de economia?!

O contentamento do Primeiro Ministro (PM) relativo aos números de hoje divulgados pelo INE, a propósito do crescimento económico português no segundo trimestre deste ano é inacreditável.
Primeiro: um crescimento homólogo do PIB de 0.5%, seja por que prisma for, é quase inexistente - e, como tal , expressar contentamento parece pouco adequado e revela pouca ambição. Aqui ao lado, a Espanha vai crescer mais de 3% este ano, e a Zona Euro cerca de 1.5%. Chega?...
Segundo: Mas ainda por cima, neste crescimento económico, o suporte foi o consumo das famílias (que subiu 3% em termos homólogos), o que só aconteceu porque, devido à subida do IVA de 19% para 21% em Julho, levou a que muitas decisões de consumo das famílias portuguesas tivessem sido antecipadas para Junho (isto é, o fim do segundo trimestre). Foi o que aconteceu, como se sabe, com as compras de automóveis, por exemplo. E, obviamente, os dados do terceiro trimestre, em consonância com a confiança, que tem vindo a cair a pique, deverão ser bem negros. Ora, o problema é que o crescimento económico suportado pelo consumo não é sustentável, como ainda num passado recente se viu, porque boa parte do que se consome é importado e, portanto, a receita gerada sai do país.
Terceiro: Motivo de contentamento teria sido uma evolução positiva do investimento e das exportações, esses sim os pilares em que o crescimento económico deveria ser sustentado - pois permitem gerar riqueza que fica no país. Porém, em termos homólogos, o investimento caiu 4.5% e as exportações desceram 0.1%, revelando que o nosso país continua longe de ser atractivo para os investidores e se mantém pouco competitivo internacionalmente.
Quarto: Não se percebe, pois, de que falava o Sr. PM quando referia que o crescimento do PIB de 0.5% revelava a confiança que os empresários depositam na nossa economia. Mas, pergunto eu, não são os empresários que investem? E, o investimento não desceu 4.5%? Confiança?! Qual confiança?!...
Quinto: Quem tinha razão, afinal, era o Ministro das Finanças, que ainda há uns dias dizia que a nossa economia estava estagnada: de facto, no ano acabado no segundo trimestre, o crescimento do PIB foi de 0.1%. E infelizmente, o aumento dos impostos decidido pelo governo (que ajudou a minar a confiança na economia) e as adversas condições da economia internacional fazem com que, a meu ver, estejamos a caminho de uma recessão...

Moral da história: O Sr. PM anda mesmo a precisar de umas lições de economia. Que, como vimos, o próprio Ministro das Finanças (do seu governo...) lhe pode dar...

28 comentários:

Massano Cardoso disse...

E riu-se!...

Suzana Toscano disse...

Caro Miguel, acho que estás desactualizado porque o que agora é mesmo novidade é que para governar não é preciso saber economia. E cita-se Jesus Cristo...

Virus disse...

Cara Suzana,
essa da economia é só válida para o cargo de Presidente da República que não faz nada.

Caro Miguel,
Primeiro- Como já deve ter tido a oportunidade de saber até a Albânia se encontra à frente de Portugal como um dos países europeus atractivos para investimento;
Segundo- O que é que esperava de um Engenheiro, a sua tendência é só olhar para os números em absoluto (como qualquer bom Engenheiro)e não para o quadro global da Economia como o Miguel aqui tão bem demonstrou, mas se calhar também não é conveniente;
Terceiro- Recessão??!! Em Portugal?? Parece impossível...

Só dá é vontade de rir...

josé disse...

Caro Miguel Frasquilho:

Hoje de tarde,vinha no carro e na TSF alguém lhe perguntou o que achava destes números anunciados elo Governo. Pensei imeditamente e até comentei para o lado: já sei o que este gajo vai dizer. E não me enganei: não respondeu directamente á pergunta que era muito simples e tinha a ver com a circunstância de estes números serem objectivamente positivos.
Começou por rodear a questão e dizer que o PIB não é tudo e que patati patata. Certo- e terá a sua razão.
Porém, o discurso a que já habituou quem o ouve, retira credibilidade ao que diz. Por um motivo:
Mesmo que tenha razão, não devia tentar retirar toda a razão aos outros.
Explico melhor: o discurso político em que é pródigo, à semelhança de outros políticos da oposição e da situação, sem distinção, pauta-se pela negação de qualquer aspecto positivo quando se está na oposição e pela atitude contrária sempre que se está na situação.
É um maniqueísmo que deveria ser simplesmente abandonado. É forçado. É uma falsificação da realidade e corre-se o risco de transformar a actividade política, ao nível do discurso, pelo menos, numa esquizofrenia palavrosa.

Qual é o problema em admitir, logo à partida que o resultado, objectivamente, pode ser positivo, mesmo não o sendo de todo e em última análise?!

Este tipo de discurso que faz livre curso nos debates parlamentares é cansativo e retira credibilidade.
Parece-me e foi esta reflexão que fiz momentaneamente hoje, no carro, enquanto ouvia a TSF.

Marga disse...

Não sou socialista nem votei no Sócrates e não gosto das suas politicas, no entanto acho que ele leu muito bem os números.
Está no poder e a única leitura que podia fazer dos números era aquela. Se estivesse na oposição leria os números tal como o Miguel Frasquilho os leu. Como o PSD está na oposição só pode ler os números ao contrário. Ambos estão a representar o seu papel. Ele no poder e vocês na oposição. Tudo perfeito. Qual o espanto? Parece-me que a vossa memória é curta e só sabem ler os números na oposição. Portanto tanto ele como os blogistas espantados, sabem todos de economia.
O que espanta é que só os sabem interpretar correctamente quando estão na oposição. Assim, quanto estiverem no poder não se esqueçam das lições de economia que deram nos bancos da escola.
Este discurso socrático é comum aos politicos que estão no poder, só que agora estão lá as rosas e na próxima estão lá os laranjas. Nada muda. Estes são os políticos que merecemos. Tudo igual...

Rui MCB disse...

Grande Marga! Seria bom que ela não tivesse razão, não seria?

Tonibler disse...

O PIB é daqueles indicadores porreiros, porque está repleto de parcelas sem evidência e cujo significado é quase nulo( Se a decisão agora fosse demolir a Expo, o PIB registava quase o mesmo crescimento que registou com a sua construção). A mim, cheira-me a grossa martelada nos números, mas isso sou eu que não acho o INE uma instituição séria e não é de ontem.
O Miguel Frasquilho e o djustino têm razão quando apontam indicadores que têm evidência e é com esses que se fazem as festas (como todos sabemos no dia-a-dia..). E a Marga tem razão quando diz que todos fazem a festa com o PIB, dependendo se são ou não quem lança os foguetes.

Mas como somos um 'país de eventos', deixem lá o Sócrates mandar mais uns foguetes 'chochos' que também não fazem mal nenhum...

josé disse...

...e o problema continua a ser o discurso político.

Na Assembleia da R. é natural, usual, vulgar e corriqueiro que o discurso de oposição seja sempre de "bota-abaixo".
É uma escola em que Miguel Frasquilho, aliás de modo brilhante, se inseriu.
Muitos outros antes dele, moldaram as regras dessa escola.

PAra mim, é uma escola antiga e que precisa de ser mudada, para conferir maior credibilidade e respeitabilidade a uma das insituições mais importantes da democracia.

Longe vão os tempos de Raul Rego e até daquele cromo da UDP que insultava em público, a "burguesia", antes de se aninhar no seu seio.
Longe deveriam ir os tempos, também, em que do PCP já se sabia o discurso que saia e do PS o que entrava.

Mas não vão. Esses parece que vieram para ficar.

O discurso político deveria atender mais à inteligência média das pessoas e estou certo que ela não é tão baixa quanto a generalidade dos políticos , na qual se inclui o MF, nesta vertente, o pensam, julgam ou tomam.

Virus disse...

Caro josé,

A sua análise do discurso do "bota-abaixo" quando se está na oposição está absolutamente correcta, e estou de acordo, porque a verdade é que dependendo de que lado da barricada se está a maioria dos políticos muda o discurso.

No entanto permita-me recordar-lhe (pois ou não esteve no país nessa altura, ou então também não lhe convém agora reconhecer isso) que o MF também fez parte do anterior governo do PSD, e que ao fim de cerca de um ano a fazer parte desse governo apresentou a sua demissão...e porquê? Porque tentou ser coerente com o projecto para o qual se inscreveu (que foi o programa do PSD para a Economia e que nunca foi cumprido, tal como está agora a fazer o PS), e quando viu que tudo o que a então Ministra das Finanças decidiu como rumo para o país era exactamente oposto ao que MF defendia, e que ele era um dos poucos, senão o único, a remar contra a maré foi coerente com as ideias que sempre defendeu para o desenvolvimento económico do país e saíu, sem grande alarido diga-se em abono da verdade, fê-lo como um senhor, pois também não "torpedeou" o trabalho dos colegas (como é hábito nestes meio).

Portanto a escola em que V.Exa. acusa MF de se ter brilhantemente inserido não é certamente a mesma em que V.Exa. julga que ele está.

Desde esses tempos que MF defendia que a solução para a nossa Economia passava pela criação de riqueza, desenvolvimento do mercado, aumento do consumo de forma sustentada, aumento da competitividade das exportações e da economia nacional como pólo de atracção para o investimento nacional, e sobretudo de forma mais significativa, o investimento estrangeiro.

Agora V.Exa. pergunta como é que se faz isso? E como é que se faz isso sem que o Estado se veja obrigado a "subsidiar" a Economia (que é um erro crasso em qualquer economia que se deseje estável)? Fácil...Fácil...sem ter um Estado que suga essa mesma Economia até ao tutanto para viver...a sugar como está um destes dias explode de gordo...tal como aquelas carraças que vivem dos cães...são pequeninas...e sugam o sangue...e sugam...e sugam...triplicam o tamanho...e depois ao minímo toque explodem numa mancha de sangue.

Ou seja, porque é que o Estado tem um papel tão pesado na Economia, com subsídios, e apoios etc. e tal? Porque suga a Economia até ao tutano...e depois como retira esses recursos à Economia que deles necessita para crescer, criar emprego, investir (nem que seja a comprar barcos e Mercedes) e consumir, depois vê-se obrigado a voltar a injectá-los na Economia, sob a forma de subsídios de desemprego, subsidios a actividades em crise, investimentos faraónicos em infra-estruturas necessárias mas de timimg duvidoso, etc. e tal...

Meu caro josé, o papel do Estado na Economia deve ser o de meramente regular a Economia, e não intervir directa, ou indirectamente, nela, pois assim só se facilita a corrupção, os compadrios, a subsidio-dependência, e força a uma cada vez maior intervenção na Economia, pois os privados de tanto serem sugados perdem a capacidade para o fazer, logo para não morrer cabe ao Estado fazê-lo...e ainda por cima faz sempre mal...

O mercado e a economia deve funcionar baseado no consumo privado (das empresas e dos particulares) e não no consumo público...e para isso é preciso rendimento disponível, se os salários não aumentam então o único meio é uma redução da carga fiscal sobre os privados, libertando recursos necessários para fomentar o consumo e o investimento, pois se há consumo então há um maior investimento para a produção que satisfaça esse consumo, e consequentemente é necessário mais trabalhadores, logo o desemprego diminui, logo reduzem-se os gastos em subsidios de desemprego e outros que tais...e isto é uma bola de neve que não pára de crescer...é preciso é alguém com coragem para a iniciar... a Irlanda fê-lo e os resultados foram incríveis...a Espanha está a fazê-lo e os resultados são positivos e estão a melhorar...nós por cá continuamos na mesma m#"&a...

Anthrax disse...

Ok, tenho uma pergunta ( um bocado idiota, o que seria de esperar porque não percebo nada de economia). Como é que sabemos que a economia do país cresce ou não? Avalia-se de 3 em 3 meses e depois no fim junta-se tudo e vê-se como é que foi? Com'é?

Tonibler disse...

Antrax:

Essencialmente, criam-se indicadores para saber aquilo que é impossível de saber com rigor e juntam-se coisas com algum rigor. A tudo isto juntam-se pressupostos. Fazem-se inquéritos às empresas (são menos rigorosas)e aos bancos(mais rigorosas porque o dinheiro passa por eles), junta-se o investimento público (admitindo que é de facto investimento).
Assim, junta o que é consumo privado, com o consumo público e o investimento público e tem aquilo que chamam de procura interna, aquilo que se vivesse isolado do mundo seria o dinheiro que circulou. Daqui soma o dinheiro que entrou, exportações, com aquele que saiu, importações, e tem a riqueza do país.

É mais ou menos isto, que também não sou contabilista de países. Agora, cada uma das parcelas é relamente aquilo que é, isso é outra história longa...

josé disse...

Ah,caro Virus, obrigado pela lição- que preciso, pois sou um mero diletante nestas coisas.
Mas de caminho com o agradecimento, permita-me que reflicta consigo no seguinte:

O modelo económico escolhido ou adoptado pelos países e/ou governos não é ainda matéria consensual para que se possa dizer: aqui está a receita infalível para o sucesso!
Até acontece, por vezes o seguinte:aquelas medidas que se apregoam como infalíveis e indiscutivelmente certas para a receita exacta, acabam por esturricar o bolo ou deixá-lo mirrado ou até mesmo cru.
Os motivos?! Pouca gente abrange todas asa razões para os bolos não sairem bem feitos com essas receitas milagrosas.
Tendo a farinha, os ovos, o açúcar,o fermento, os condimentos e, claro, o forno, tal não basta.
Muitos conhecem de cor e salteado a composição da farinha e distinguem se é de trigo ou centeio; se é maizena ou meramente estrangeirada. Sabem a dose certa do fermento e até escolhem o Royal. Não desconhecem que os fornos são diferentes, cozem a diferentes temperaturas e é preciso atenção ao evoluir da cozedura para lhes retirar gás ou acrescentar lume.

Pois bem! Mesmo sabendo tudo isso, o resultado final falha e sai um bolo torto, mal feito e muitas vezes intragável. A razão, parece-me muito simples: não é bom cozinheiro quem quer! Só quem sabe, pode e tem sorte.
E a muitos falta-lhe uma destas características.

O paradigma do cozinheiro de bolos foi arranjado à pressa, mas poderia buscar outras metáforas. Por exemplo, a do agricultor.

Assim, que lição tiro eu que sou um mero diletante, de tudo isto?!
Que é preciso ser humilde.
As leis da economia não vem todas nos livros. E se convém saber as básicas, temos a certeza que elas não são muitas e não tão complexas assim.

Então, porque é que alguns transformam a economia numa ciência cabalística?!!
Porque é uma ciência onde abundam os paradoxos. Veja o caso do marxismo aplicado à economia...

josé disse...

Quanto ao Miguel Frasquilho:

Não o conheço senão da tv e dos jornais.

O que tenho visto como prestação pública, não me impressiona por aí além.
Sobra-lhe porém uma característica que gosto de ver: tem panache! Possivelmente, em demasia. E isso sugere outra coisa: que não se deve levar demasiado a sério, o que só milita em seu favor. Às veze, parece-me brilhante e arrasador nos raciocínios e no combate político frente a frente, tem argumentos.
O meu reparo foi apenas geral e cingido ao discurso político em geral, no combate político em particular. O meu argumento é de que esse tipo de discurso é contraproducente, pois tomas as pessoas por mais estúpidas do que aquilo que elas são.Logo, não será um método de argumentação inteligente.
Mas posso estar enganado. Os americanos, há anos, diziam que nunca veio prejuizo para alguém em substimar a estupidez do povoléu.
A ideia, copiada daqui, deste compêndio de sabedoria condensada em one liners, é esta:

"Never underestimate the power of stupid people in large groups."

Discordo.

David Justino disse...

Meus caros comentadores, permitam-me juntar ao vosso debate, começando por o fazer sobre o comentário de Marga. A leitura da "realidade" é sempre diferente consoante seja proveniente do Governo ou da oposição. Elementar! Mas essa leitura faz-se não só pelo que se diz, mas acima de tudo pelo silêncio. Ou seja, a oposição tende a dar mais expressão ao que discorda e tende a calar-se sobre o que concorda, porque o papel da oposição é precisamente discordar e chamar a atenção para o que está mal e não para o ques está bem (para isso está lá o governo e o seu partido). Nem creio que essa prática possa ser censurável, ainda que não corresponda ao desafio que o José lançou - a coragem de dizer que se está de acordo com uma medida do governo, nomeadamente se ela for impopular. Eu já tive oportunidade, mais do que uma vez, quando na AR e já fora dela, de secundar medidas impopulares ou de rejeitar propostas demagógicas. Só que, quando se verificam essas posições, ninguém as leva a sério.
Voltemos à economia. A economia portuguesa está estgnada desde a realização do Euro 2004, ou, se quiserem, desde a substituição do XV Governo, a saída de Ferro Rodrigues ou quaisquer outros factos que se considere relevantes.
Eu não estaria à espera que o PM viesse fazer uma conferência com um ar muito tristonho sobre os resultados do 2.º trimestre. Só não aceito que em torno de uma variação de 0,5% se faça o alarido que se fez. Repararam nas manchetes do DN e de outros diários? Chama-se a isto "enganar" a opinião pública e criar expectativas que não correspondem às reais capacidades do país. A economia não reage aos estímulos políticos num período de três meses. Todos sabemos que não é a mudança de governo que faz alterar, no curto prazo, a opinião dos empresários. O que conta bem mais é a situação internacional, o comportamento dos nossos parceiros directos, o ambiente de negócios. O resto é puro ilusionismo. Se os meus caros amigos fossem empresários e dispusessem de um bom stock de capital digam-me lá onde é que iam investir, em que sectores, em que negócios?
Estariam disponíveis para esperar 10 anos pela implosão da velha Torralta?
Cumprimentos.

Miguel Frasquilho disse...

Meus caros,

Estava longe de imaginar que o meun primeiro texto "curtinho" neste fantástico blog pudesse dar azo a tanta actividade e... polémica! Mas enfim, acho que é um bom sinal...
Agradeço desde já todos os comentários e, até aqui, o que se oferece dizer é o seguinte:
1. Panache?! Eu?! Alguém me pode explicar o que quer isso, e nestas circunstâncias, dizer?! É que acho que não se me aplica nada!...
2. Também eu acho que o discurso permanente do bota abaixo na oposição e de só dizer bem no poder está estafado. E não interessa. Por isso, mesmo na AR, tento ser coerente e usar sempre argumentos válidos e com substância (claro que às vezes também exagero um bocadinho, mas quem acompanha a actividade parlamentar com um bocadinho de atenção, reparará que me podem acusar de ser incisivo, directo, etc. - mas também coerente e não falacioso com os números).
3. No caso em apreço, o PM precisa mesmo de uma lição de economia. E se o Governo fosse PSD ou PSD/CDS ou... enfim, e a interpretação do PM para os dados fosse a que "este" PM deu, o máximo que poderia fazer em sua defesa era manter-me em silêncio...
4. Acho mesmo que o crescimento é a prioridade e que a fiscalidade é decisiva. Já assim pensabva em 2001 e 2002 e muito desiludido fiquei quando se prometeu uma coisa em campanha e depois... se fez outra na governação. Agorea, continuo a pensar o mesmo. Com a agravante de que, como país pequeno, aberto, e periférico em relação à Europa, Portugal já devia ter feito a reforma correcta na fiscalidade há muito tempo (2003, 2003...). Assim, só desperdiçamos oportunidades. E, como verão, as eleições na Alemanha do próximo dia 18 e a provável vitória da CDU/CSU dar-me-ão razão. E quando a Alemanha fizer a reforma na fiscalidade, toda a Europa irá atrás. E nós teremos perdido uma excepcional oportunidade de se adiantar em relação às economias de leste, com as quais temos que competir. Ora aí está outra coisa que este PM não percebe (tal como, de resto, os sindicatos): não estamos sozinhos no mundo...
Mais uma vez, muito obrigado pelos vossos comentários. E em breve voltarei a este tema da reforma da fiscalidade: taxas de imposto muito mais baixas, em alguns casos taxas únicas (flat tax) e sem benefícios, isenções, deduções, etc. Um sistema simples, fázil de fiscalizar e que permite ter mais receita e diminuir a economia paralela (22.5% do PIB!). E, depois, com a receita que angariarmos, realizar, então, de forma directa e não encapotada pela fiscalidade, verdadeiramente, justiça social e redistribuição do rendimento em favor dos mais necessitados. Resumidamente, é isto em que acredito. E seremos obrigados a ir por aqui... Mas, como já disse, volaterei ao tema em breve.

Tonibler disse...

Respondendo à pergunta do djustino, para reforçar o ponto 4 do Miguel Frasquilho e para gerar o choque, se tivesse capital reforçava o investimento em fundos da Europa de Leste que me estão a render 52% ao ano, ao contrário da carteira portuguesa que vou ter vergonha de deixar aos meus descendentes...

David Santos disse...

Caro Miguel,

Não lhe ficava mal um pouco mais de rigor nas suas análises.

Se bem que o investimento tenha baixado já a análise às exportações e importações (porque se esqueceu ?) não deixa de ser mais positivo, se bem que estejamos a analisar um periodo curto.

As exportações que tinham baixado 0.9% no 1º trim baixaram agora "apenas" 0.1%.

As importações que tinham subido 3.5% no 1º trim creceram 1.2% neste.

Ora o saldo não deixa de ser positivo, especialmente dado o consumo privado ter subido com base numa melhoria do rácio exportações/importações, ainda mais se tivermos em conta o preço médio do barril de petróleo no 1º trim comparado com o 2º que obviamente impulsionou o crescimento das importações neste 2º trim.

"Que tal umas lições de economia?!" - só se o professor não estiver no papel do político ...

josé disse...

Panache...tema ver com "flamboyance in style", "verve". Será o contrário de cinzentão. Por isso, neste caso, é cumprimento.

O Miguel Frasquilho, faz lembrar frequentemente o Borges de Macedo, filho, no estilo argumentativo.No estilo, sublinho.
O Borges de Macedo, durante o primeiro consulado cavaquista, no Parlamemto, uma vez, brandiu um jornal cor-de-salmão, em língua inglesa, que todos conhecem. Porém, brandia divertido, as folhas abertas, em direcçâo á oposição, dizendo: "conhecem?! É cor de rosa!"
O Cavaco, ao lado, ria, ria. Tenho a impressão que o Cavaco se divertia à farta com a "flamboyance" de génio e ar alucinado do seu perito em economia em finanças. Ma Europa comunitária contam-se histórias também divertidas sobre as suas prestações.

Não sei se o retrato se lhe pode aparentar, mas a mim que não o conheço, apraz-me pensar que sim, porque precisamos de pessoas divertidas na política e que ao mesmo tempo saibam o que estão a fazer.
Se o retraro não condisser, desculpe a ilusão.

Miguel Frasquilho disse...

Meus caros,

Muito obrigado pela ajuda no "panache"... nunca imaginei ser comparado ao Prof. Braga de Macedo (de quem fui, aliás, aluno), mas pronto, é sempre uma opinião... que vou levar em conta. Estamos sempre a aprender!
Quanto ao rigor (ou falta dele...)das minhas análises... por amor de Deus! A subida menos pronunciada das importações tem a ver, essencialmente, com a queda brutal no investimento. Preferia mil vezes que as importações tivessem subido mais e o investimento também do que assim... Grave, grave mesmo, é o comportamento das exportações (perda de quota de mercado e baixa competitividade) e do investimento (pouca confiança na economia por parte dos empresários). O resto, peço muita desculpa, mas são cantigas...
PS - E, como a OCDE ainda hoje divulga através do seu indicador avançado referente a Julho (já 3º trimestre), o clima económico piorou ainda mais, tendo descido 2.5%, depois de uma queda de 1.3% em Junho. É isto a retoma, a confiança de empresários e famílias?! Tenham piedade...

David Santos disse...

É o político ou o professor a falar ?

Continuo sem resposta à evolução do rácio exportações/importações do 1º para o 2º trim.

Devo presumir que dos dados que dei depreende um crescimento da perda de competividade ?

Esta evolução do rácio, se continuada, ainda que seja o crescimento do PIB puxado por consumo privado, não leva a subida das expectativas das empresas nacionais e consequentemente à subida do investimento ?

As cantigas não dependerão também do cantor ?

Virus disse...

Estou a ver que o caro David também gosta muito de cantar ao sabor do vento han?

Virus disse...

Já agora meu caro David, por acaso ocorreu-lhe que ao falar em termos estatisticos as coisas podem parecer aquilo que não são?

Passo a explicar:
1- As exportações caíram só 0,1% no 2T porque talvez já não haja muito em valor absoluto para cair mais...

2- As importações subiram só 1,2% no 2T, mas em termos absolutos quanto foi? É que 1,2% de 1 bilião (valores hipotéticos) não é bem o mesmo que 0,1% de mil...

CONCLUSÃO- Qual é o rapport em termos reais e absolutos (que é o que interessa)?

Analisando neste prisma a sua teoria não deixa de ser questionável, pois como digo estatísticamente parece credível, no entanto tudo espremido só significa que continuamos na mesma histórinha de sempre e que já não temos mais por onde esticar a corda...

Visto nesta perspectiva ainda lhe parece assim tão positivo?

David Santos disse...

Caro Virus,

Nunca disse que era tão positivo. Apenas fiz ver que não é tão negativo. Tal como havia algumas coisas há um ano que não o eram tão negativas também.

Não sou fundamentalista na defesa do momento mas do equilibrio das análises e essencialmente tentando perspectivar a sua evolução.

Passo a explicar:
1-As redução na diminuição das exportações foi também devido à valorização do dólar e consequente impacto directo nos preços dos nossos produtos e indirecto na recuperação das economias europeias.
2-A situação do não haver muito a cair mais em valor absoluto não se aplica às exportações (devido ao impacto que a abertura aos produtos chineses tem tido nas nossas exportações que foi naturalmente reflectida neste 2º trim face ao ano anterior e que se continuará a fazer sentir) mas ao investimento que desde há quatro anos tem vindo em queda livre.
3-A demagogia dos valores hipotéticos para fazer passar a mensagem era dispensável com algum rigor. Eu nunca referi a situação do valor absoluto ou do valor das variações de per si mas da evolução (que é como se deve analisar o assunto e não de uma forma estática).
4-A situação das expectativas não deixa de ser ingrata com constantes análises destrutivas dos ainda poucos sinais de que a situação possa mudar, especialmente quando a melhoria destas expectativas é essencial para o aumento do investimento fundamental para alavancar uma retoma duradora e para o qual TODOS devemos contribuir a bem do seu salário futuro.

É por estas e por outras que como sociedade temos a tendência de ir do 8 ao 80 e vice-versa.

Cabe-lhe também a si fazer alguma coisa de positivo. Tenho confiança que o fará.

Virus disse...

E já o faço meu caro David...
Proporciono emprego a um certo nº de pessoas, e apesar de ser um dos maiores critícos da situação contínuo, com um esforço e uma esperança irrealista, a tentar investir neste país.

Sabe do que é que eu tenho verdadeiramente pena? É de quando um dos meus empregados vem falar comigo sobre os seus "magros" salários eu não poder fazer muito por ele, pois no estado em que as coisas estão o Estado não mo permite fazer... ou então afundo os meus investimentos para lhes dar melhores salários... a única coisa que posso dizer é que de todos os empregados que para mim trabalham não houve um único até hoje que se tenha demitido por livre e espontânea vontade ou por receber pouco...(parece mal dizer isto, mas quando saem sou eu que os mando embora por falta de produtividade - na área em que estamos inseridos claro - à americana).

Acho que por isso já faço mais por este país do que a maioria dos que por aí anda... e se queixa... mas estou a ficar sinceramente cansado disto tudo... e qualquer dia deixo de fazer e vou investir para outro lado... Numa off-shore, ou coisa do género...

Para concluir são pessoas como o MF que ainda me fazem acreditar que há uma ténue esperança que um dia alguém abra os olhos...

Marga disse...

Achei graça à resposta do Dr. David Justino. O que o verdadeiramente o incomudou foram as manchetes nos jornais, o alarido e o empolamento feito à volta da questão. Se o seu partido estivesse no poder também ficaria incomudado com esse alarido? O povo já não acredita em balelas.
Afinal de contas vocês todos são politicos e não economistas ou estão interessados na verdade, seja ela qual for. Se fossem economistas não estavam na politica e teriam seguido o caminho do anterior ministro das finanças. Esse era ingénuo e ainda acreditava que os politicos podiam mudar. Mas logo os politicos o enquadraram.
Rapidamente viu que não ia a lado nenhum.
Ficamos a saber que gostaria de ter implodido as torres da Torralta. Porque o não fizeram?
Nos 10 anos de espera passaram vários governos (laranja e rosa),
porque não form capazes de resolver a questão?
Não há aí uma dorzinha de cotovelo?
Em minha opinião não é com este estilo de oposição que voçês contribuem para a verdade e fazem avançar o país, porque dessa já todos estamos fartos.

Tonibler disse...

Virus:

Parecendo-me que andamos pelas mesmas lides, gostaria de ter esse enorme optimismo. Infelizmente, não me parece que tal seja para a minha geração. E se não fôr para a minha geração, já não é.

Eu ando a adiar o dia em que decidirei de uma vez que isto (Portugal) é a 'terra' como para o meu pai uma aldeia na Beira Baixa o foi. Que trabalho é Londres e Lisboa é praia. E a janela temporal para isto acontecer (ou não) são 20, 25 anos, não é mais.

Para ter a sua esperança teria que ver outra atitude nos meus concidadãos. Mas vejo gente que acha bem a OTA porque vai dar 'lucro ao estado'(um dia tenho que entender o que é isto...), que os funcionários públicos não têm culpa da crise (como se isso fosse importante), que a culpa do deficit é da fuga aos impostos, ...

Parece-lhe que esta mentalidade vai acabar nos próximos 10-20 anos? A mim, não. E o que irrita no povo português é que é tão melhor que os outros....

David:

Esqueça o número do PIB. Aquilo não vale nada, tirando uma quebra desgraçada no 3º trim para corrigir este.

David Justino disse...

Não queria deixar a Marga sem resposta, por uma questão de gentileza e reconhecimento por alguns comentários que tem feito neste blogue.
Noto algum azedume e irritação para com os políticos, classe onde me inclui, decerto pelo meu passado mais mediático. A sua irritação até a leva a incomudar-se comigo quando deveria incomodar-se com as situações que o dia a dia nos proporciona.
Não foram as manchetes que me incomodaram. Não tenho pretensões a implodir torres, as da Torralta ou outras quaisquer. A minha única pretensão é contribuir para que este país encontre um caminho e consiga tornar os portugueses mais felizes e mais prósperos.
Quanto a dores de cotovelo só as sinto sempre que o meu clube perde, como aconteceu no passado sábado (começa já a ser um hábito!) e não é por inveja, mas sim por bater muito com os cotovelos nas cadeiras e nas mesas sempre que sofremos um golo.
Na política não as sinto por que se os "outros" estiverem a trabalhar bem fico contente por isso, mesmo que não o diga.
Só não suporto o ilusionismo, o disfarçe, a mentira pública deliberada. Por isso mesmo, quando as ouço não tenho por hábito calar-me.
Logo que possa esclareça-me o que é isso de "político": eu sou economista de formação inicial, professor de profissão e cidadão por consciência, ou seja, faço política todos os dias, mesmo sem ocupar nenhum cargo político.
Os melhores cumprimentos e votos de bons comentários no 4R, mesmo que sejam um tanto ou quanto azedos.
Não se incomode!

Carlos Monteiro disse...
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