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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O Papel do Estado na economia globalizada

(Artigo publicado no Jornal de Negócios de 14.09.10)
Não adianta discutir a globalização: ela está aí e as economias e as empresas que não entram na corrente tornam-se marginais e, a prazo, excluídas.
A chave de entrada na globalização é a competitividade, expressa na qualidade e preço dos produtos e serviços. Se é nos produtos clássicos que mais se sente a concorrência e são difíceis ganhos de produtividade, a solução é apostar na inovação: inovação expressa em novos produtos ou em acrescentar valor aos existentes.
É a forma de conseguir resultados positivos para as empresas e de criar riqueza e desenvolvimento para a sociedade. É este o papel das empresas, mas ele não pode ser conseguido sem um Estado inteligente, que deixe de ser um obstáculo, antes crie o ambiente favorável ao desenvolvimento empresarial.
Condições que o Estado actual, gigantesco, não pode satisfazer; exorbitando das suas funções essenciais, deixou de dar atenção a elas; alargando o domínio a funções acessórias, exerce-as mal, por não estar para tal vocacionado. A consequência é o insatisfatório e caro serviço público e o avolumar dos custos de contexto. Em tempo de globalização, pior se compreende esta concepção do Estado.
Assim, o Estado tem que redefinir as suas funções, limitando-se às funções soberanas e a assegurar políticas de coesão e protecção social, exercendo-as de forma óptima...

7 comentários:

Bartolomeu disse...

A minha opinião é diferente. E é a seguinte, caro Dr. Pinho Cardão.
O facto que apresenta é inegável, contudo, quando se fala em competitividade, mesmo partindo do princípio que as regras são igualmente respeitadas por todos, ela pressupõe, para além de qualidade e preço baixo, produtividade.
Ou seja; só se pode obter um preço baixo, competitivo com o de outros mercados, aumentando a produção. Por conseguinte, o aumento da produção exige forçosamente ser acompanhado pelo aumento de procura e de consumo. Aqui, surge o primeiro problema; o esgotamento do mercado. Dir-me-á, por isso é que referi "inovação". Muito bem, mas foi precisamente o esgotamento da capacidade de inovar que conduziu uma boa parte da economia mundial, à presente crise.
Ou seja; inovou-se, até no sector financeiro, onde foram criados novos produtos. Produtos que ofereciam lucros mirabolantes, apesar da concorrência... leal(?). Produtos esses que hoje são considerados "lixo financeiro" e que originaram a presente crise.
Depois o estado... o caro Dr. "apelida" o actual estado de "gigantesco", eu acrescento-lhe guloso e usurário, só não acrescento corrupto, doloso, incompetente e outros mimos, para não ter de ir bater com os costados na pildra; é que a história da liberdade de expressão e de opinião d'este estado de direito, democrático, ainda está por provar.
Mas, voltando à parte das empresas, da economia e da riqueza e desenvolvimento sociais.
Partindo do princípio que quando o caro Dr. Pinho Cardão refere "sociedade", se está a referir a nós todos, ou seja, a ricos e pobres, novos e velhos, estudados e analfabetos, empregados e desempregados, nacionais e estrangeiros, saudáveis e doentes, calões e trabalhadores, espertos e parvos, honestos e ladrões, etc, etc.
Diga-me caro Dr. concebe uma sociedade, global, competitiva, produtiva, desenvolvida e próspera?
Ou... acha que, para apostar nessa "epopeia", ha necessidade de operar uma limpeza selectiva sócio-politico-religiosa-intelectual-global?

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Estou de acordo desde que não seja o Estado a financiar a actividade privada.

Adriano Volframista disse...

Caro Pinho Cardão

O facto de estarmos em final de ciclo económico não mudou a nossa enorme capacidade em lateralizar os problemas.
O artigo e a citação que reproduz é o exemplo disso. A narrativa sobre factos iguais pode ser diferente. Senão vejamos:

Os agentes económicos são pessoas responsáveis e regem-se, normalmente por opções racionais e objectivas.
Não tenho as contas feitas, mas a rendabilidade dos capitais empregues em investimento em bens não transacionáveis é, pelo menos, duas vezes superior à rendabilidade em bens transacionáveis; há a acrescer a este facto, que o grau de risco é, pelo menos metade do sector de transacionáveis.
(Existem alguns sectores como da informática, onde essa rendabilidade é superior e o risco semelhante).
Existem outros factores, mas este é o essencial: só assim se compreende que, em vinte anos o sector dos bens transacionáveis se tenha mantido igual, mesmo que a sua composição se tenha alterado: +/- 30% do PIB.
Representando o sector de bens não transacionáveis 70% do nosso PIB não é para admirar que o Estado apoie e defenda esse sector. Os "custos de contexto" são a tradução visível do apoio do Estado ao sector mais importante.

Perorar sobre a inovação é interessante mas, se o estado apoia o sector mais importante e implementa as políticas que defendem os seus interesses, não percebo onde é que tem cabimento o conceito.

Nesse sentido é um problema de política e não de tamanho do estado, porque não é o tamanho que determina a política mas o seu contrário.

Cumprimentos
João

Carlos Sério disse...

Caro Pinho Cardão,
eu creio precissamente o contrário. A "globalização", tenderá a uniformizar preços e salários a nível mundial. Ao mesmo tempo a tendência será a do concentração do capital, chegando-se a um tempo de domínio absoluto dos monopólios e oligopólios mundiais. Com isto acaba o mercado até então regulador de preços. A tendência será então para uma diminuição radical dos salários e um aumento generalizado dos preços, tudo associado a um desemprego brutal. Ou as sociedades, através dos Estados,impõem e regulam os preços e mercados, ou então o descontrolo dos preços acaba por conduzir o próprio capiatalismo a uma catástrofe. Só um estado de Democracia Social será capaz de impor travão às oligarquias económico-financeiras. Não há espaço para desenvolvimentos mas aqui ficam os tópicos.

Carlos Sério disse...

Para concluir:
"Um estado limitado às funções soberanas e de assegurar políticas de coesão e protecção social, exercendo-as de forma óptima..." conduzirá a um verdadeiro descontrolo de preços, salários e desemprego, a uma selvajaria social, sem controlo, com o domínio absoluto das oligarquias económico-financeiras que imporão preços e salários à medida das suas ganâncias,sem qualquer preocupação quanto a desemprego ou miséria generalizada. Não esquecer que o capitalismo de mercado ( de certo modo regulador) acabou, já não existe. Hoje e num futuro próximo as condições são outras.

Tonibler disse...

Sim. Só com um pequeno reparo quanto às ligações entre os laboratórios e as empresas. Isso decorrerá naturalmente do progresso social que o corte nos gastos imbecis do estado gerará.

Hoje não é possível porque uma empresa de sucesso é aquela que pague ao politico para montar calhau, queimar pneus, vender sucata, etc. Investigação nessas condições é uma mariquice até porque os dirigentes das empresas são aqueles que melhor lidam com esse factor competitivo que é perceberem de sucata metálica e humana.