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sexta-feira, 26 de agosto de 2005

O futebol - produto internacionalmente competitivo


Futebol do F.C.P- produto competitivo internacionalmente

Está a começar a época futebolística.
A par das paixões que suscita, o futebol também carrega o ónus de ver os seus dirigentes todos os dias na praça pública, muitas vezes por motivos menos recomendáveis.
No entanto, e apesar disso, o futebol vem constituindo um dos produtos portugueses internacionalmente mais competitivos.
A Selecção Nacional é vice-campeã europeia e ocupa um dos lugares cimeiros do ranking da FIFA(Federação Internacional do futebol association).
O produto futebol da Futebol Clube do Porto venceu a 2ª maior competição da UEFA(União Europeia do futebol association), em 2003 e a maior competição europeia de clubes, em 2004(Liga dos Campeões).
Ainda no final do ano passado ganhou a Taça Intercontinental, o que lhe dá o direito de ainda ostentar o título de Campeão do Mundo de Clubes.
Tal se deve à reestruturação pela qual passaram os clubes, após a sua organização em empresas promotoras de espectáculos de futebol.
Os clubes já são grandes empresas em Portugal.
Por exemplo a SAD (Sociedade Anónima Desportiva) do F.C. Porto é uma das maiores empresas portuguesas.
O seu volume de negócios, da ordem dos 55 milhões de euros, coloca-a nas 350 a 400 maiores empresas portuguesas, na companhia de empresas bem conhecidas como a Têxtil Manuel Gonçalves, os STCP ou a RTP.
Em termos do valor acrescentado que a sua actividade gera, a SAD do F.C.P. encontra-se nas 150 maiores empresas do país, a par de outras como a Nabeiro, a CIN, ou a Lisnave.
A SAD do F.C.P. é também, e aqui o espanto poderá ser maior, uma das maiores exportadoras portuguesas: com 100 milhões de euros de vendas ao exterior, materializadas na cedência de direitos desportivos de futebolistas, em 2004, é uma das 50 maiores exportadoras nacionais, com dimensão semelhante, no ano, à das exportações da Siemens ou da Lameirinho.
A exportação tem sido uma actividade consistente nos últimos anos.
Só neste defeso (Junho a Agosto) a cedência de direitos desportivos por parte da SAD doF.C.P. atingiu os 32,5 milhões de euros.
O futebol deixou de ser só paixão e tornou-se uma actividade económica relevante, devendo também ser apreciado por este ângulo.

2 comentários:

Filipe disse...

A propósito, qual a riqueza que as SAD´s cotadas em bolsa geraram para os accionistas?
Quantas vezes pagou a FCP-SAD dividendos aos accionistas?
E o facto de o FCP ter, à data de 31/12/2004, prejuízos acumulados no montante de 34,5 milhões de euros, ficando abrangido pelo disposto no art. 35º do Código das Sociedades Comerciais (perda de metade do capital social)?
A sugestão que faço é que na análise de qualquer empresa deve ser adoptada a perspectiva de criação de valor para o accionista, pois foram eles que investiram as suas poupanças e como tal querem o retorno desse investimento via dividendos ou ganhos de capital.

Pinho Cardão disse...

Caro Riohomus:
Estou de acordo consigo: é indiscutível que as empresas devem gerar valor para os seus accionistas.As SAD,s não devem ser excepção.Sem isso, não haverá empresas!...
Ultrapassada esta questão, também não se deverá ignorar que as SAD,S são empresas muito peculiares, em que muitos accionistas sentem que os dividendos são os títulos conquistados e essa a remuneração do seu capital.
Voltando ao essencial, também direi que a criação das SAD,s visou dar mais transparência, seriedade e profissionalismo à gestão dos clubes desportivos.
E isso vem sendo conseguido: os orçamentos são mais realistas, os impostos vêm sendo pagos regularmente, talvez melhor do que na maioria da actividade económica, a obrigatoriedade de comunicar à CMVM as transacções de jogadores trouxe mais verdade às contas.
Ao mesmo tempo, criou-se um produto internacionalmente competitivo e isso é inegável.
O balanço parece, pois positivo, quando se compara o "antes" e o "depois".Não parece justo apreciar uma situação, sem ver os antecedentes.
Quanto ao capital social do FCP, a informação dada aos accionistas é que a SAD pôde recompor o capital após os bons resultados obtidos com a actividade das últimas épocas e as mais valias obtidas na "venda" dos direitos desportivos dos jogadores.
A talho de foice, direi que, lamentavelmente, o Governo anulou o essencial do art. 35º do CSC.
A entrada em vigor deste artigo corrigiria muitos dos males das nossas sociedades comerciais e seria um sério aviso também para as SAD,S.