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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Focos desencontrados...

Todos os anos no Verão já sabemos que vamos ter cenários de destruição provocados pelos incêndios. Não esperamos que seja diferente. Porque será? E todos os anos as discussões sobre os incêndios são as mesmas, com toda a gente a queixar-se que faltam meios, que a culpa é do vizinho. Este ano não foi diferente e ainda a época vai a meio.
Depois da destruição apuram-se os prejuízos, a falta de consenso é a regra, toda a gente debita números e quer ter razão, lançam-se inquéritos, estudos e análises, discutem-se novos planos de combate aos incêndios. Invariavelmente, os partidos da oposição culpam os governos em funções, um déjà vú.
O que não faltam são diagnósticos sobre os problemas e as falhas do combate aos incêndios e propostas com recomendações para melhorar a eficácia da intervenção. E a febre mediática não ajuda. Constituem-se comissões e grupos de trabalho com a missão urgente de apresentarem supostamente mais e novas conclusões.
Passada a época quente, depois de muitas acusações e reivindicações e agitação política, os fogos vão-se embora e o tema dos incêndios apaga-se porque no resto do ano há outros “fogos” a que dar atenção.
E é também emblemático que a discussão seja concentrada nos meios de combate, que evidentemente são necessários, deixando a prevenção para segundo plano e a intervenção curativa ou reparadora para terceiro ou quarto planos.
Estamos perante mais um assunto em que, a meu ver, falha a estratégia e a capacidade de gestão e organização. Não creio que a questão central seja a falta de meios financeiros. Nada que seja uma surpresa, embora seja surpreendente que um país persistentemente massacrado pelo fogo insista em não retirar lições e mudar de vida. Tem sido uma fatalidade, mas não tinha que ser assim.

8 comentários:

Bartolomeu disse...

À dias,pela ocasião da morte do Professor José Hermano Saraiva, ouvi um historiador referir uma questão que achei muito pretinente. Afirmava ele, que ~Portugal nunca foi um país rico.
Mal proferiu esta "opinião", pensei; mas este fulano não se estará arecordar da época dos descobrimentos e do comércio com a Índia e outro spovos limítrofes, da exploração das riquezas do Brasil e de África?
Mas, como que escutando os meus pensamentos, prosseguiu: nunca foi rico, porque nunca soube aproveitar as inúmeras riquezas que lhe chegaram do exterior.
Ah bem; assim já estamos em sintonia!
Se reflectirmos sobre este assunto das avultadas somas de dinheiro que nos chegam e, aquilo em que são empregues, chegamos com facilidade à triste conclusão, que desde "500" até aos nossos dias, elas têm servido somente para alimentar a vã vaidade daqueles que lhe tiveram acesso.
Poderíamos hoje, ser um país rico; culturalmente, socialmente, poderíamos ter aproveitado os recursos humanos e geográficos e torna-los rentáveis e fonte de sustentabilidade. Mas preferimos gastar em montes no alentejo, moradias em vila moura e carros de grande cilindrada...

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Bartolomeu
O historiador foi pertinente. Penso, também, que embora não sendo ricos, temos recursos internos que poderiam ser bem explorados e geradores de riqueza. E temos as pessoas, a maior riqueza de um país. Lembro-me sempre da Suíça, um país pequeno, não tem mar nem tem sol e, no entanto, sabe explorar o turismo de inverno. E tem pessoas educadas que sabem trabalhar e competir, criar e inovar, sabem gerar riqueza.

Henrique Pereira dos Santos disse...

1) Não é só Portugal que arde, bem pelo contrário;
2) Portugal arde comparativamente mais porque tem condições mais propícias ao fogo;
3)Costumo perguntar às pessoas que dizem que não compreendem como há tantos fogos em Portugal quando foi o último cabrito que comeram;
4) O que se passa é o resultado de uma profunda alteração económica e social que passou a desvalorizar os matos (substituímos a lenha pelo gaz cidla, substituímos o estrume por adubos e convencemo-nos de que Portugal tem uma vocação florestal esquecendo-nos de que Viriato era pastor, não era lenhador;
5) O problema central é saber de onde poderão vir os recursos para fazer esta gestão de matos (meia dúzia de contas de merceeiro chegam para explicar que todas as soluções que pressuponham cortar mato sem objectivo económico são soluções irrealistas: http://ambio.blogspot.pt/2009/09/os-contribuintes-e-o-fogo.html)
6) Se cada autarca que reclama com a falta de aviões tomasse a decisão de servir nas cantinas das suas escolas uma alimentação anti-fogo (e é possível fazê-lo) dentro de poucos anos, com a poupança no combate, embora a custos ligeiramente maiores na alimentação das crianças, poderia comprar um aviãozinho militar para atirar bombas ao ar, no dia das festas do concelho.
henrique pereira dos santos

Henrique Pereira dos Santos disse...

Numa coisa estou absolutamente de acordo consigo: como é possível que com tanto treino não se aprenda quase nada:
http://ambio.blogspot.pt/2012/07/sera-maldicao.html
henrique pereira dos santos

Bartolomeu disse...

Concordo com a importÂncia das razões que o caro Henrique apresenta, sem contudo me esquecer dos grandes fogos que sempre ocorreram no nosso país, mesmo no tempo em que os recursos naturais eram aproveitados na economia familiar daqueles que viviam em zonas florestais e rurais.
Concordo especialmente com o ponto 4) do seu comentário. Essa consciência e essa opção seria de grande valor para todos. No entanto... existe nela um pequeno óbice; é que, as eleições autárquicas decorrem de 4 em 4 anos e as economias para comprar o aviãozinho demoram um pouco mais a conseguir. A menos... que se vendessem aqueles submarinos que largam a chaparia pelo caminho...

Bartolomeu disse...

onde referi o ponto 4), queria mencionar o ponto 6).

Henrique Pereira dos Santos disse...

Caro Bartolomeu,
Está enganado em relação à cronologia dos fogos. Grandes fogos (que medidos pelos critérios de hoje seriam pequenos) há o de Sintra em 69, se não me engano, e o 72 de Macinhata do Vouga, e depois o assunto começa a crescer a partir de 1975. Haveria com certeza tanta área ardida como hoje, mas eram queimadas, frequentes mas pouco severas, que não causavam qualquer alarme social.
O que acontece é que a torneira da emigração esteve fechada desde o crash bolsista de 1929 até os inícios dos anos 50, quando a recuperação pós-guerra ganha fôlego.
A população aumentou bastante e a pressão sobre o território era imensa (recomendo um livro muito interessante de Duarte Belo, Portugal luz e sombra, com grupos de duas fotografias em cada página, a primeira de orlando ribeiro, e a segundo de Duarte belo tirada no ano passado. Ele tem um blog com o mesmo nome onde isso pode ser parcialmente visto).
Com a emigração dos anos sessenta o território esvazia-se, em especial o mundo rural, a pressão diminui e os sistemas começam a recuperar.
Mas há um desfasamento entre o abandono (que também não imediato, claro) e a recuperação dos sistemas naturais e consequente acumulação de combustíveis.
É esse desfasamento de vinte anos, mais coisa, menos coisa, que permite que até meados dos anos 70 não haja grandes problemas de fogos e o que daí para a frente tenha sido (e será) sempre a agravar.
O que aconteceu no Caldeirão agora foi uma pálida amostra do que virá quando a situação for mesmo desfavorável, isto é, quando um qualquer episódio de vento leste passar de cinco dias e for com vento forte.
henrique pereira dos santos

José Gonçalves Cravinho disse...

Os comentários que li dão-me a impressão que os fogos são só de origem natural,expontânea,quando afinal êles,na sua maioria,são de origem criminosa ou por desleixo.
No meu entender os incendiários são terroristas e devem ser tratados como tal.E claro está,são os Governos que devem proteger as florestas,as pessoas,suas casas e seus bens contra os criminosos. Devem construir no topo dos montes em pontos estratégicos,postos de
observação e tanques para captar a água da chuva e colocar vigilantes armados e equipados com telefone, binóculos e motociclo ou cavalo.