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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Café

Com tantas virtudes que andam a atribuir ao café, não percebo por que razão não aproveitam este manifesto, o mais antigo que se conhece na Europa, 1650, onde se relatam tantas e curiosas virtudes. Vá lá, aproveitem, é de graça. Se repararem bem, o café até faz bem à hipocondria, mas não diz nada sobre os seus efeitos na "idiotia". Pelo sim pelo não vou tomar um. Fazem-me companhia? Declaração de interesses: não tenho qualquer vínculo com os industriais e doutores médicos com interesses nesta área. Apenas prazer, mas é preciso que seja bom, o que é difícil de encontrar.

7 comentários:

Bartolomeu disse...

Já agora, se me permite, Senhor Professor, faço também uma Declaração de Interesses: Não tomo café! Ou melhor; deixei de tomar café.
O motivo que me fêz tomar esta radical decisão, não se prende com qualquer tipo (peço desculpa ao Sr. Bispo pelo plágio)de vínculo a seitas virtuosas, ou a associações de defesa do consumidor, ou ainda a qualquer fundação para a protecção e livração de adictos ao consumo de bebidas estimulantes.
Não; a minha decisão foi tomada, a partir da altura em que escutei pela primeira vez este tema:
http://www.youtube.com/watch?v=f7CPHC0hZHA
Com efeito, após esta data memorável, o café passou a ter outro gosto.
Ai!!! Que já me troquei todo! Quero dizer que, a partir daquela música, os meus amigos passaram a sentir um gosto diferente no café.
Fiuuuu... acho que me saí bem, desta...
;))

Massano Cardoso disse...

Tenho que ver isso!

jotaC disse...

Até aos 40, umas seis, acompanhadas generosamente com muitos cigarros, agora 3, mas sem cigarros.

Zuricher disse...

Quem me tira os meus dois cafés do acordar estraga-me o dia. PUAH.

Massano Cardoso disse...

Caro amigo Bartolomeu

Já ouvi. Compreendo-o. A canção é bela, dramática e poética. Fez-me lembrar um episódio que em tempos vivi e me marcou sobremaneira. No entanto, esse despudor que tratou tão mal os negros foi igualmente vivido com outros produtos, substâncias e produção de riquezas que ainda hoje beneficiamos. Se tivesse de deixar consumir outros produtos com as mesmas razões que apontou, então, teria de deixar de beneficiar dos mesmos. Mas respeito a sua decisão. De qualquer modo, hoje em dia, através do Comércio Justo, muitas comunidades africanas e americanas estão a desfrutar de determinados produtos entre os quais se conta o café, logo, estamos, também, a contribuir para a riqueza desses povos. Digo isto, para não ficar com o sabor amargo dos efeitos negativos da exploração do café, prefiro ficar apenas com o sabor do mesmo, adoçado pela ideia de que estarei a ajudar o desenvolvimento de algumas comunidades. Afinal, uma chávena de café poderia levar-nos longe.
Um abraço

Suzana Toscano disse...

Sim, faz algum mal saber como é que coisas tão boas que chegam à nossa mesa implicam tantos trabalhos e sofrimentos, cá em casa também temos a ditadura do Fairtrade, desde que uma das minhas filhas trabalhou nessa organização, bananas só da Madeira, chocolate faitrade, chá e mais algumas coisas de que me vou distraindo, mas o café é mesmo o que encontro embora o melhor que conheço seja o da casa dos cafés na Portela (aqui fica a propaganda!). Mas o melhor do café é mesmo a companhia, obrigada pelo convite :)

Bartolomeu disse...

Caros Amigos; Julgo terem percebido que quando declarei não tomar café, estava na realidade, a afaltar à verdade. Uma mentirinha, abertamente denunciada, só para "justificar" a colocação do video-clip do músico angolano Rui Mingas, que foi em primeiro lugar; meu treinador de atletismo no Clube de Futebol "Os Belenenses" (e isto é rigorosamente verdade) depois, Ministro do desporto no governo de Angola e ainda, embaixador de Angola em Portugal.
Escravatura, como sabemos, continua a existir nos nossos dias, em excesso e em variadíssimas partes do globo. Muitos dos produtos que nos chegam, com origem nos países asiáticos, são produzidos por mão-de-obra escrava e ainda, em muitos casos, por mão-de-obra escrava e infantil. Em países do continente africano e sul americano, passa-se o mesmo. Tudo isto talvez não fosse tão trágico, ou não se entendesse desse modo, se a existência dessa exploração e escravatura, não tivesse como finalidade única, enriquecer estúpidamente os detentores do poder e da força, em muitos casos, sobretudo dos países africanos, enriquecer os próprios chefes dos governos. Pior ainda é o facto de os governos dos países ditos civilizados, democráticos, evoluídos, cultos, pactuarem e apoiarem esses governos escravizadores e comprarem-lhes os produtos obtidos confeccionados ou produzidos com essa mão-de-obra escrava.
As imagens que são apresentadas no video-clip, pertencem a uma época colonial, estão desfazadas no tempo, mas não na relidade, no dia-a-dia desses povos.