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domingo, 22 de julho de 2012

Tempo...

Sai ladeado do tempo, assusta-me a sua companhia. Ainda bem que me ignora. Prepotente. Insensível aos desejos, surdo aos pedidos, não precisa de esperar ou de adiar o que quer que seja. Não necessita vangloriar-se do seu poder, isso sabe ele muito bem. Mesmo assim deixei que me acompanhasse. Paro. Descanso na subida, ele também para, não para descansar, não precisa, ele é dono de tudo. A brisa suave da tarde obriga-o a esvoaçar mesmo à minha frente e as andorinhas põem-se em cima às cavalitas. Ao fundo, as duas serras embrulhadas em névoa adormecem, escapando aos seus efeitos.
Curioso, pensa-se no tempo e ele obedece, fica mais lento, mais dócil, não sei se ele sente isso, mas eu sim. Somos feitos da mesma substância, mas eu penso, ele não, penso nele e na vida. É a mesma coisa, tempo e vida, não os compreendo, mas sinto-os. Eis aqui, a meu lado, uma vida que foi feita de tempo, tempo que não respeita a sua vida. Mas eu obriguei-o a parar. Por momentos? Sim. E agora? Agora libertei-o, não é fácil mantê-lo preso, mas só até ao momento em que um dia da vida de um ser humano se transforme na eternidade. Nessa altura desaparece o tempo. Ainda bem que não é eterno.

9 comentários:

Pinho Cardão disse...

Tempo e espaço, dois mistérios que nos acompanham. Um, eterno, outro infinito.Que o homem vem dominando a pouco e pouco: vai vivendo mais e vai chegando à lua e vai enviando foguetões a marte. Poderá o homem tornar-se cada vez menos temporário e menos finito? Até que ponto poderá o homem dominar tempo e espaço e colocá-los à sua disposição? Será isso algum dia possível?

just-in-time disse...

O tempo não guarda o que é feito à pressa porque isso pertence ao efémero

Bartolomeu disse...

Partindo do pressuposto que a mente conhece limites - ou que, mesmo fingindo não os conhecer, ignorando-os - conclui-se que se acha restricta, confinada ao espaço do universo, não sendo portanto independente. Partindo também do pressuposto que o tempo e o espaço, se acham isentos desses limites, ficando assim, livres e infinitos; vimo-nos obrigados a saltar para o colo de Newton e a pedir-lhe que nos confie por inteiro o seu segredo, a sua teoria acerca do tempo absoluto, o tempo universal, omnipotente, e omnipresente.
;)

Massano Cardoso disse...

Saltar para o colo de Newton não me seduz muito... ;)

Massano Cardoso disse...

Esperemos que um dia alguém consiga responder a estas questões e a outras. Entretanto, para "enganar" o tempo, vamos fazendo perguntas..

Massano Cardoso disse...

Curioso o conceito, vindo de um "just-in-time" :).

just-in-time disse...

Também temos o ditado popular:
Cadelas apressadas parem cachorros cegos!

Massano Cardoso disse...

Sempre ouvi isso, mas desconfio que haja cadelas apressadas! Os cachorrinhos nascem cegos, surdos, mas têm um tacto muito desenvolvido. Acontece em muitas espécies que a maturação de certos órgãos se faz fora do ambiente uterino. Presumo que quem tenha inventado este provérbio não tenha tido conhecimento desse fenómeno e daí ter julgado que houve "pressa" porque os olhos ainda não se tinham formado completamente.

Impaciente disse...
Este comentário foi removido pelo autor.