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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Quarto Poder 10- legítimo poder - 0

Mais uma vez o poder legítimo abdica, demitindo-se um Secretário de Estado, perante a ofensiva do Quarto Poder que assim continua a intervir na composição do Governo, apesar de não sufragado nem mandatado para tal. 
Uma ofensiva massificante, sem olhar a meios nem justificação substancial, com recurso a testemunhos interessados, que cilindrou explicações razoáveis, chegando, segundo o Governo, a utilizar documentos falsos como prova. da acusação.
Compreendo o gesto do Secretário de Estado. Bateu com a porta e, do pointo de vista pessoal, fez muito bem. Ser membro do Governo não é ser bombo da festa. 
Mas, de abdicação em abdicação, vamos subvertendo a democracia. Porque não são apenas os militares que fazem governos à revelia do voto; nos tempos que correm, é a comunicação social que tudo pode. Os jornalistas sabem bem isso. Os Governos também, mas amocham. São cobardes e sofrem-lhe as consequências. 
PS: Nada teria contra a "ofensiva" mediática, caso apresentasse alguma razão substancial. Até porque nem vejo os media vociferar contra o Citi, mas contra o funcionário que, por dever de ofício e razões profissionais, teria sempre que acompanhar as equipas estrangeiras na apresentação de propostas aos clientes. Aliás, no caso, com conteúdo muito mal explicado. Pelo menos, em termos de lhe chamarem swaps. Mas já vimos que isto de swaps dá para tudo.  Ah, e para baralhar mais, ontem ouvi o Director do Expresso dizer que tais "swaps" até eram aceites pelo Eurostat!... 

19 comentários:

Tiro ao Alvo disse...

Caro Pinho Cardão: e não lhe parece que o ex-governante tinha obrigação de se defender com argumentos razoáveis, como o que aqui apresentou?
O problema é que as pessoas aceitam cargos governamentais sem estarem nas melhores condições para os desempenharem com eficácia.
Ao que dizem, o ex-governante também assessorou o governo anterior na elaboração de contractos de ruinosas PPP. E assim sendo, deveria contar com os ataques vindos do 4º poder, nesta altura demasiado inclinado para a esquerda, e nem sempre actuando com as mãos limpas. Nisso tem inteira razão.

Tonibler disse...

Não metam a "merda no ventilador" que não é preciso...

1. Como é possível que se demita quem não fez os contratos para se andar a defender quem os fez?

2. Onde andam os juízes do Tribunal de Contas? Onde andam os auditores independentes que deixaram passar os swaps (que se são aquilo que é proposto pelo Pais Jorge, só por "arranjinho" se deixava passar)?

3. Onde anda a protecção do governo aos seus membros? Quem se protegeu que era mais importante que o Pais Jorge?

4. Quem impediu o julgamento do Teixeira dos Santos e continua a impedir?

5. Porque é que os políticos não são todos ladrões se a generalização é muito mais rigorosa que a particularização?

6. Vale a pena pagar impostos para salvar isto? Porquê?

Estas são as perguntas que tenho na minha cabeça hoje. E ainda nem ouvi o Galamba, nem o Zorrinho, nem o resto das chocas.

Salvador Massano Cardoso disse...

Estou em Fafe. Acabei de ver a estátua à justiça de Fafe. Uma maravilha. Era o que alguns precisavam. Uma boa marretada nos cornos...

Suzana Toscano disse...

Caro Pinho Cardão a política está a tornar-se uma actividade perigosa, cada vez mais só admite os que falam a "linguagem" dos ataques, das defesas, das calúnias ou das histórias empoladas até se tornarem insuportáveis para o incauto cidadão que pensou que podia ser útil ao País. Não é de agora e o resultado é a soma de muitas demagogias a cada momento consideradas medidas exemplares, fogachos de momento que afastam os melhores ou simplesmente os que estavam habituados a levar uma vida fora da arena da luta partidária. Continuamos a exigir do bom do melhor e depois damos cabo deles de uma penada, ou porque sim, ou porque não, ou antes pelo contrário, parece uma "praxe" de garotos.

Rui Fonseca disse...

Caro António,


Como a PGR vai investigar se houve manipulação dos documentos, e não será difícil chegar a uma conclusão indiscutível a respeito disso, basta comparar aqueles que a Visão terá em seu poder com os originais, espera-se que seja breve e que, confirmando-se o crime, os seus autores sejam punidos com a máxima severidade prevista na lei. Será a melhor medida preventiva contra tentativas de abusos semelhantes no futuro.


Nada disto, contudo, é atenuante para a evidenciada pusilanimidade do Secretário de Estado. As suas declarações públicas mostraram uma personalidade pouco firme, receosa de assumir o que fez no passado, sem que nenhuma razão, aparentemente, o induzisse a remeter-se a uma defesa titubeante e até contraditória. Teve medo da verdade, porquê?


Não é credível, por maior que seja a nossa benevolência na apreciação da sua conduta nas declarações que fez, que uma pessoa com a experiência e as funções que desempenhava no Citi em Portugal desconhecesse a configuração das propostas que ia apresentar ao governo português da altura.


Por outro lado, não sendo de modo algum reprováveis essas propostas do ponto de vista da ética dos negócios, porque ao governo português caberia sempre a decisão de as aceitar ou rejeitar, é também indiciador de uma personalidade frouxa o facto de ter declarado publicamente não se recordar de ter ou não ter participado em reuniões com assessores económicos do primeiro-ministro para mais tarde admitir o contrário. Pais Jorge poderá ser um homem honesto, íntegro, e tecnicamente muito competente. Mas demonstrou que não tem fibra para o lugar para que foi nomeado.


Indignas-te com alguma frequência com o abuso de poder dos media. A mim indigna-me mais ainda a cobardia dos políticos perante aqueles abusos de poder, porque são eles os autores das leis que os consentem, e a sufocante morosidade da justiça na averiguação da verdade e na punição dos prevaricadores.

Uma dúvida me sobra disto tudo: Se os documentos foram manipulados alguém estará por detrás a manipular o Quarto Poder. Dito de outro modo: Onde está o poder que manipulou o Quarto? Não parece que a PGR, se quiser, tenha dificuldade em identificar o gato escondido pelo rabo que deixou fora.

Agitador disse...

Concordo consigo mas lembro que os primeiros disparos aos titulares da pasta da finanças vieram do PSD. Ainda estamos a viver as sequelas dos ataques a VG.

Bonaparte disse...

Hitler também tinha um poder legítimo, não tinha nenhum poder moral que é o fundamento de todo o poder político. Um poder "legítimo" que prepara-se para ROUBAR 10% nas pensões de sangue e de sobrevivência com mais de 300 euros é um poder que perdeu, tal como o poder de Hitler, todo o fundamento moral.

Zuricher disse...

Caro Pinho Cardão, o problema do poder dos jornais já chegou tão longe que só pode resolver-se à força. Ou seja, casos de notícias falsas serem punidos com multas tão elevadas que forçavam o órgão responsavel a abrir falencia e o jornalista responsavel a ficar com uma dívida às costas para o resto da vida. E não estou a falar de multas de 100 ou 200 mil euros. Estou a falar, por exemplo, de multas oscilando entre os 25 e os 50 milhões de euros para o órgão de informação e 1 ou 2 milhões de euros para o jornalista. É desproporcionado? Sim, é. Mas o que importa é a prevenção, evitar que estas coisas sucedam. Se nem assim funcionar, pois visto prévio e assunto arrumado.

Pinho Cardão disse...

Caro Tiro ao Alvo:
Quem vai para um governo deveria ter vida profissional anterior. E na vida profissional muitos de nós vemo-nos perante a circunstância de ter relações com os governos. Isso não pode impedir, salvo casos extremos, a escolha para funções governativas. De outro modo, o governo corria o risco de ser só composto por funcionários e por funcionários que nunca se tivessem cruzado com empresas privadas. O que seria um absurdo. Mas a imprensa gosta de absurdos e muita gente acolhe-os com gosto. Absurdamente.

Caro Tonibler:
Há um velho ditado, sempre actual: quem o inimigo poupa às mãos lhe morre. O inimigo foi poupado e sente-se com forças, depois de fazer o mal, para fazer a caramunha.

Caro Professor:
Sempre lúcido...e cada vez mais...

Cara Suzana:
Praxes de garotos são, em geral, inofensivas. Com estas, vai-se perdendo tempo e vai-se perdendo o país.

Caro Rui:
De facto, o homem comunicou mal. Mas o que interessava era que governasse bem. E não o deixaram.
Sócrates comunicava muito bem. Lamentavelmente para todos, governou pessimamente.
Mas parece que o pessoal adora o palavreado oco. Depois, queixa-se.

Caro Bonaparte:

Cada coisa de sua vez. As misturas de temas também são uma forma de manipular.

Caro Agitador:

Obrigado pela concordância. Isso é o principal.

Zuricher disse...

De passagem... É com uma sociedade assim, uma sociedade que aceita todos os ataques e mais alguns aos governantes que se espera atrair para a governação alguém de valor? Quem de valor e com mérito é que está para se sujeitar a ser enxovalhado por um jornalista qualquer? Era só o que mais faltava.

Pinho Cardão disse...

Caro Rui:
Não podia estar mais de acordo quando referes que a ti indigna-te " mais ainda a cobardia dos políticos perante aqueles abusos de poder, porque são eles os autores das leis que os consentem, e a sufocante morosidade da justiça na averiguação da verdade e na punição dos prevaricadores".
Verdade total!

Caro Zuricher e Caro Rui:

De facto, todos os poderes soberanos têm uma forma de controle, e o Quarto Poder, mesmo não sendo soberano, é o único que não tem controle. Veja-se o que fazem os Tribunais perantes queixas legítimas dos cidadãos.



Tonibler disse...

Caro Pinho Cardão,

mas sabemos quem é o inimigo? É que o inimigo declarado já saiu de funções. Parece-me claro pelos acontecimentos que o inimigo de facto continua em funções e não se faz nada por isso.

João Pais disse...

Caro Pinho Cardão,

o que é legítimo neste poder? Que eu me lembre, não foi com este programa que eles se candidataram ao sufrágio do povo.
Vendo como o governo está mais interessado em vender o país do que desenvolvê-lo, é de saudar que haja resistência a cada passo.
Em relação aos "documentos falsos", vendo as declarações de hoje parece que não o são assim tanto. Aliás, se o visado garantiu que esteve presente nas reuniões, porque é o que o documento sem o seu nome é que é válido?
Eu que não tenho informação previlegiada, para mim é o governo (qualquer ele, onde quer que seja) que tem que provar que é pessoa de bem, e não os que apresentam provas em contrário. Especialmente com este governo.

Num ponto paralelo, o senhor diz que "Quem vai para um governo deveria ter vida profissional anterior". De acordo com os média, algumas biografias de recém-empossados do governo não têm menções ao BPN e outros aspectos edificantes da vida profissional. Do que têm estas pessoas vergonha?

alberico.lopes disse...

Ó sr.João Pais:o seu comentário não engana!Pois se estiver de acordo,convido-o a "examinar"o curriculum do "seu"sócrates e veja que consta como "engenheiro". Só não diz que foi diplomado na Independente e por fax ao domingo!E também não consta lá como arquitecto que desenhou as casinhas da Guarda!E não constam lá as contas dos off-shores nas Cayman e em Gibraltar,en nome dele,da jeovaca da mãe e dos primos e tios!É que há curriculus para tudo!

João Pais disse...

Desculpe senhor Lopes,

não sei o que é o que não o engana, mas o enganado é você. O senhor pinto de sousa não é "meu", nem imagino porque é que o trouxe ao assunto.
Quanto ao diploma desse senhor, penso que está provado sem sombra de dúvidas alguns dos contornos sombrios que o rodeiam. Infelizmente ainda faltam coisas para descobrir, como por exemplo como é que alguém sem poupanças declaradas possa ter uma vida de estudante de luxo numa das cidades mais caras da Europa.
Aqui está um caso onde o quarto poder "subverteu a democracia legítima" (embora a saga tenha sido iniciada por uma pessoa solitária). Que eu saiba, só ficámos todos a ganhar por se ter descoberto esta parte da verdade.

Repetindo o que eu disse antes, nunca se deve assumir que qualquer governo (seja onde for) sejam pessoas de bem, e estes devem ser escrutinizados constantemente por quaisquer outros "poderes". Se querem escrutínio uma vez a cada 4 anos, já sabem o que recebem em troca.

Carlos C disse...

Possa... ou eu percebo mal, ou já não entendo nada. Criticam-se regimes por fechar jornais, televisões, radios,... São ditaduras! Ao mesmo tempo querem acabar com os de cá em "liberdade democratica". Vá lá perceber isto, quando uns quantos a mentir, tentam defender outros tantos mentirosos, temos o que merecemos.

Pinho Cardão disse...

Caro João Pais:
Vai ao assunto que não é. O assunto não é o Governo; o assunto é a fogueira inquisitorial em que pretenderam queimar o Secretário de Estado. Quanto às marginalidades:
a) documento falso: é a questão menor. Mas só comprova a manipulação que as "fontes" pretenderam e a que os media se associaram
b) vida profissional no BPN: claro que devia ter sido incluída. Quem não deve não teme. Mas que é que tem a ver o Secret. Estado com isso?

Caro Carlos C:

Mais uma vez atira ao lado e erra o alvo. O que significa que lhe falha a argumentação.
Liberdade de informação não é libertinagem na informação. E a censura acabou há muito em Portugal.

Pedro disse...

Caro Pinho,

assumindo e dando de barato que é mais um abuso do "QuartoPoder" (não concordo, mas pra já nem discuto...), pergunto : Porque o PM compactuou com o Quarto Poder ???

Isto é, se bem me lembro, ainda recentemente um Ministro apresentou uma demissão - no caso era até irrevogável! - sendo que o PM não a aceitou...e a demissão acabou por se "revogar".

Ora, tomando por certa a sua analise, se este é apenas mais um abuso do quarto poder, o PM aceitando-a - ao contrario do que fez com a "irrevogavel" - acaba no fundo por ser cumplice dos "atacantes".

Assim, se o caro Pinho considera isto um abuso do quarto poder...que me dirá da aceitação cumplice da demissão ? (...e esta nem trazia o selo de "irrevogavel"!)

João Pais disse...

Caro Pinho Cardão,

vou tentar ser mais sintético, mas não é sempre tão fácil de separar as águas quando os campos não são estanques.

Como apontado por outro comentador, muito mais escrutínio extreno - seja pelo quarto, quinto ou sexto poderes - foi feito em relação a outras áreas de acção do governo durante estes 2 anos. Ou o governo não alterou a rota um milímetro, ou retirou as propostas, para apresentar piores.
Para mim que sou uma pessoa simples, neste caso que tão depressa se "fecha" faz-me pensar que foi uma pequena vitória contra quem não nos representa.
E como se viu, a defesa do visado foi muito fraca e contraditória.

Muitos dos seus posts baseiam-se num pressuposto que um governo escolhido uma vez em cada 4 anos é legítimo e desinteressado, por isso o resto da sociedade - que é ilegítima e interessada - deve "deixá-los trabalhar". Para além de eu pensar que nunca há demasiado escrutínio externo de qualquer governo, eu não considero este governo legítimo: eles fizeram um programa contrário ao que prometeram, e os objectivos não estão a ser atingidos - embora só foi enganado quem se deixou enganar.
Se o senhor adquirir um serviço que não cumpre o que prometeu, considera esse serviço legítimo?

Em relação à fonte manipulada: a procissão ainda vai no adro, e caso se note que houve logro, penso que se deveria abrir uma nova investigação de quem manipulou o quê.
Veja lá, há cerca de uns anos atrás pela mesma altura do ano também houve notícias plantadas de que um certo governo estava a espiar um certo presidente, tudo baseado numa fonte inquinada. Que eu saiba, essa fonte foi demitida - traduzido, promovida para um cargo melhor - e ninguém mexeu mais nas águas...


P.S.: O novo ex-secretário queixou-se do podre da política pelo modo como foi tratado neste mês. Eu pensaria que ele ter reunido com o governo anterior para propor operações de risco para dissimular o défice sem escrutínio público seria muito mais podre que isso.
Aliás, este grupo estava a tentar ajudar o governo anterior a aumentar o descalabro financeiro, de que muitos dos escribas neste espaço se queixam tanto - com razão.
Com este background, não pensa que estes assuntos deveriam ser claros e públicos?
Exemplos de más misturas da revolving door entre os governos e os negócios não faltam - no mundo inteiro, não só em Portugal. Não há já demasiadas raposas a guardar o galinheiro?