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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

"São Frei Gil de Vouzela"...


Hoje aproveitei a tarde para dar mais uma volta pela minha região. Fui até Vouzela. Há muito que não passava por aquele local. Da última vez ainda comi os seus maravilhosos pastéis, agora fiquei-me pela recordação do seu aspeto e de um sabor que ainda perdura. O que sabe bem, nunca se esquece. Passeei e visitei alguns locais, como a bela igreja, a escultural ponte do antigo caminho-de-ferro, que este ano comemora o seu primeiro centenário, o centro histórico, rico e bem conservado, e ainda consegui ir ver a magnífica Torre de Vilharigues. Tinha pano para mangas para escrevinhar a propósito de Vouzela. Confesso que queria arranjar um tema para dissertar hoje à noite, e sabia qual o tema, tinha-o premeditado, só me faltava o pretexto, que era visitar Vouzela. O é que eu hoje queria escrever? Coisa simples e fascinante, algo que dissesse respeito a São Frei Gil de Vouzela, uma das mais enigmáticas e fabulosas figuras beirãs do século XIII, cujas lendas, Eça de Queirós, João Grave e Teófilo Braga contam à sua maneira. Alcançou os píncaros do reconhecimento intelectual na Universidade de Paris e a santidade dos altares depois de muitas peripécias. Ao final da tarde, ao chegar a Santa Comba Dão, informaram-me que duas pessoas se tinham afogado na Albufeira da Aguieira, no local da Nossa Senhora da Ribeira, um dos meus locais preferidos. Nos meios pequenos as notícias correm a uma velocidade superior à da Internet. Eram dois cidadãos ingleses. A consternação era geral. A população sofre quando vê os outros a sofrerem. Telefonaram-me a perguntar se hoje tinha ido à Senhora da Ribeira, talvez com algum receio subjacente para quem conhece os hábitos dos outros. - Não, não fui. O que é que aconteceu? - Morreram duas pessoas afogadas. - Oh, meu Deus. Só me faltava mais essa. Como ia jantar aos "bombeiros" decerto que saberia o que é que aconteceu de facto. Mas ainda não sabiam qual o desfecho da tragédia. Entretanto, já estava comer, vi chegar o jipe com o barco. Perguntei ao meu velho amigo se era possível saber mais qualquer coisa. - Ainda não, mas daqui a pouco já dizem. Tinha acabado de comer, quando me vieram dizer com uma satisfação impossível de descrever: - Estão vivos, estão vivos, afinal estão vivos. Nadaram até à outra margem. Nem perguntei mais nada. - Ainda bem, graças a Deus. Disse. - Mas esses filhos da p. deviam levar um par de estalos. Era a melhor recordação que podiam levar de Portugal. Foi a minha mais sentida exclamação. Uma exclamação de alívio. Quantas pessoas estiveram envolvidas? Bombeiros, GNR, INEM, helicóptero e um número impossível de dizer de cidadãos que devem ter rezado e até chorado pelas suas almas. Tive de fazer um telefonema para acalmar a tensão. Do outro lado, o alívio de algumas almas foi mais do que audível. - Estão vivos? Graças a Deus! Estão salvos! Graças a Deus! Não contei o resto da história porque ainda não sabia, afinal, os "afogados", como estavam muito cansados, tantas voltas devem ter dado, acabaram por aparecer no local das buscas, de táxi, e muito surpreendidos com todo aquele aparato! 
Para quem queria escrever sobre São Frei Gil de Vouzela, ou São Frei Gil de Santarém, ou simplesmente São Frei Gil, o melhor é agradecer-lhe, já que não encontro melhor santo, ou beato, para que uma aventura destas pudesse ter acabado tão bem...

1 comentário:

Catarina disse...

Acabou bem, graças a Deus!