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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Encontro de vontades......

Foi ontem lançada a Bolsa de Valores Sociais. A BVS é um mecanismo que facilita o encontro entre organizações da sociedade civil e investidores sociais (doadores).
Há muitas organizações da sociedade civil que por falta de financiamento estável estão impossibilitadas de desenvolver de forma sustentável projectos com reconhecido mérito social, no sentido de que são capazes de interromper um ciclo de pobreza e eliminar uma situação de vulnerabilidade social
Há também empresas e cidadãos interessados em contribuir para o desenvolvimento de projectos sociais mas que os desconhecem ou não têm como verificar o seu mérito ou não têm garantias de que os seus donativos são efectivamente investidos e geradores de valor social. Nestas circunstâncias têm dificuldade em tomar a decisão de ajudar.
Vejo a BVS como um mecanismo que poderá ajudar a promover uma conciliação mais fundamentada e criteriosa entre a “oferta” e a “procura” de apoios e assim contribuir para reforçar a reputação das organizações da sociedade civil e incentivar as empresas e os cidadãos a efectuarem donativos para projectos sustentados.
Há alguns aspectos interessantes a realçar em relação à BVS. Não são cobradas comissões e o donativo é integralmente transferido para o projecto escolhido da lista dos projectos admitidos na BVS. Os projectos para serem cotados terão que se candidatar e aguardar a decisão por parte de uma equipa técnica. A inovação social e a capacidade de resposta efectiva aos problemas equacionados são critérios de escolha. Os doadores podem acompanhar as prestações de contas e os relatórios de impacto social do projecto que apoiam. As contas financeiras dos projectos são auditadas.
Parabéns às Entidades que se juntaram para promover a BVS. Esperemos, pois, que este "ponto de encontro" contribua para a dinamização de projectos sociais com valor e para o comprometimento responsável da sociedade civil no seu desenvolvimento.

4 comentários:

jotaC disse...

Sabe, Dra. Margarida Aguiar, parece-me que este projecto de tão inovador que é causa alguma desconfianaça, acho que levará ainda algum tempo até ser bem compreeendido.

Suzana Toscano disse...

Parece-me uma boa ideia, embora perceba o comentário do caro jotac, a verdade é que o mercado bolsista não suscita confiança e talvez a associação de ideias que a escolha do nome sugere não contenha o estímulo que teria há um ou dois anos. Mas, na prática, é uma forma organizada de fazer donativos, uma vez que os projectos foram previamente avaliados e estão listados, evidenciando o seu valor social. Também terá a vantagem de "obrigar" as organizações a terem uma contabilidade transparente e a exporem os seus resultados, uma vez que nao basta iniciarem uma actividade e arranjarem apoios financeiros só porque as animam as melhores intenções e depois nunca mais se sabe delas ou se o que fazem compensa o que gastam. Só por isto, a ideia merece aplauso e, se se afirmar, como espero, poderá levar a que muitas destas instituições ganhem uma nova dimensão, a do efectivo reconhecimento social pela riqueza que criam ao combater a pobreza.O lucro social é uma bela palavra a adicionar ao nosso modo de avaliar as coisas.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro jotaC
A inovação nem sempre é facilmente apreendida. À partida não vejo razões para desconfianças, até porque os promotores da iniciativa são entidades competentes e credíveis.
Não se trata de uma bolsa de valores "normal".
A iniciativa é inovadora em Portugal no modo de fazer. Trata-se de promover, com visibilidade, celeridade, actualidade e controlo técnico e escrutínio público, projectos de organizações sem fins lucrativos capazes de criar valor e que por isso mereçam ser apoiados de forma transparente e fiável.
Já há muitas centenas de projectos de âmbito social e ambiental que são apoiados por empresas e cidadãos. Mas há muitos outros que ficam pelo caminho porque não conseguem obter o apoio necessário para avançar.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Suzana
Talvez o nome de Bolsa de Valores Sociais não tenha sido muito feliz porque não se trata efectivamente de uma bolsa de valores mobiliários no sentido tradicional.