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domingo, 2 de julho de 2006

Aproveitamento infeliz

Neste blog criticámos por diversas vezes a acção do senhor Professor Freitas do Amaral antes e depois da sua investidura como Ministro dos Negócios Estrangeiros. Criticámos a extraordinária deriva que o levou a comparações tão impróprias como aquela da identificação de um presidente de um Estado democrático com Hitler. Ou as suas posições, no mínimo polémicas, sobre a violência suscitada pelos cartoons publicados por jornais dinamarqueses. Ou a tendência para fazer aparecer o seu porta-voz na comunicação pública de decisões de Estado da mais elevada importância, subtraíndo-se ao esclarecimento público de decisões, atitudes e algumas omissões. Ou mesmo a opaca posição da diplomacia portuguesa face à crise de Timor, esta tanto mais notada quanto é certo que o ex-MNE tem obrigação de conhecer, como poucos, as regras porque se devem pautar os Estados em situações destas, já que foi presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Nenhuma dessas apreciações nos leva a concordar com o infeliz aproveitamento partidário que nalguns sectores se fez do seu pedido de demissão do Governo. Era a ocasião para que a oposição reclamasse por um mudar de rumo na política externa agora que se muda de ministro. Mas não. Optou-se pela intepretação do gesto pessoal...
O Professor Freitas do Amaral abandona o Governo por razões de saúde. Nada leva a suspeitar que sejam outros os motivos. Por isso, a afirmação de que a saída do MNE demonstra que o Governo está em dificuldades, não faz qualquer sentido. Além de significar alguma falta de respeito por quem, nas circunstâncias que foram reveladas pelas comunicação social, inquestionavelmente dele é credor.

É sobretudo nestas ocasiões que se mede a elevação e a credibilidade de quem tem de se pronunciar sobre os factos da vida política. E são aproveitamentos destes que descredibilizam a palavra credibilidade.

4 comentários:

JardimdasMargaridas disse...

Caro José Mário,

Tem toda a razão. É o que se designa por política baixa, que em nada dignifica quem a faz e só serve para descredibilizar a política.
Gostemos ou não da política externa prosseguida por este Governo e do seu exercício pelo ex-ministro Professor Freitas do Amaral, só fica bem desejar que o seu problema de saúde seja resolvido rapidamente e com sucesso.

Anónimo disse...

Faltou-me essa nota, Margarida.
De facto a elevação nas relações que se travam com a política exigiria que se fizessem votos de rápidas melhoras do Prof. FA.

Pinho Cardão disse...

Caro Ferreira de Almeida:
Muito oportuna e feliz a sua Nota.
Concordo inteiramente com ela.
E também desejo o rápido restabelecimento do Prof. Freitas do Amaral.

Clara Carneiro disse...

De facto,é um prazer imenso lêr este texto e os comentários que, a seu propósito, foram feitos.
Ou a política se enobrece--e rapidamente-- ou se desmorona o interesse que tantos e bons ainda dedicam à causa pública...desejar as melhoras é a mais elementar regra da convivência humana.
Fazer política também devia ser conviver com respeito e civismo.
Quem não se lembra do mau gosto ( para lhe não chamar outra coisa...) e do desrespeito que foi cometido para com o Prof.Sousa Franco, quando da campanha para as Europeias?
Com "basismos" não progredimos,e a História que o diga!!!