Número total de visualizações de página

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Bolseiros profissionais e de coisa nenhuma

Há uma bolseira que anda a estudar os efeitos das alterações climáticas sobre os moluscos, conforme ela própria referiu ao DN e o jornal publica.
Há bolseiros que que se dedicam a investigar rolas e cagarras, naturalmente sabendo tudo sobre o seu nascimento, alimentação, acasalamento e, porventura, vida sexual em caso de não encontrarem parceiro. E há bolsas para investigação rigorosa sobre linces e alcateias.
Também há bolsas para doutoramentos em pronomes possessivos, o que me leva a suspeita fundada que também as haja para a investigação dos pronomes pessoais ou interrogativos. E relativos, com certeza.
Há bolsas para os doutoramentos mais exóticos e há bolsas pós-doc para fazer sobreviver doutorados.
Há bolseiros que se profissionalizaram na obtenção de bolsas e pós-docs, como se daí pudesse resultar alguma actividade que passasse os limites da precariedade.
E isto passa-se em todas as áreas, das humanidades às tecnológicas.
Queixam-se muitos bolseiros de falta de emprego. Mas é claro que muitos não o arranjam porque não querem saber nada que interesse a alguém, a não ser a eles próprios. E exigem que seja a sociedade a financiar, quantas vezes, um capricho meramente privado. Em nome da ciência.
Nota: Sei muito o que é investigação,  pura e aplicada. Na minha vida profissional, comparticipei em decisões de financiamento de investigação e de investigadores. Mas não entro na fraude de aplaudir inutilidades. Também o meu post não pretende visar directamente os bolseiros, mas sim a política "gaguiana" em que acabaram por se enredar e de que se tornaram vítimas. 

8 comentários:

Bartolomeu disse...

Sai das bolsas do trabalho
tanto dinheiro para bolsar
Há bolseiros do... Ramalho
Que não querem é trabalhar

E se em vez de estudar rolas,
Aplicassem o estudo aos chatos?!
Continuavam a coçar as bolas,
E davam descanso aos ratos...

Carlos Sério disse...

"o milagre económico"
No sector da Construção, Portugal teve a maior descida de todos os países da UE28, de Novembro de 2012 a Novembro de 2013, menos 13,0%.
http://epp.eurostat.ec.europa.eu/cache/ITY_PUBLIC/4-17012014-AP/FR/4-17012014-AP-FR.PDF

Tonibler disse...

Sugeria este link como uma visão do problema...

http://dererummundi.blogspot.pt/2014/01/visto-deste-lado.html

Bmonteiro disse...

O estado a que chegou o Estado, explica isto e muito mais, o sistema.
Anos Sócrates, académico ministro da Defesa, litle Severiano Teixeira:
a)A Fundação Dom Mário, apoia um 'estudo' sobre a Defesa/Forças Armadas:algum apoio financeiro, e outro?
b)Estudo levado a cabo por:
Um académico civil;
Um oficial superior das FA.
c)O abonado MDN, entra com largos milhares de euros para o 'trabalho'
PS: aliás com o XIX GC, o nosso Premier PPC não dispensou a receita, ainda que mais contida:
a)Acabou com o financiamento da Fundação Dom Mário?
b)Reformou alguma coisa do que havia a reformar, sem a panóplia de estudos a que se tem assistido?
Apetece salivar uma cantilena da Mocidade Portuguesa: lá vamos, cantando/estudando e rindo, levados levados sim...

Pinho Cardão disse...

Caro Tonibler:
Subscrevo na íntegra o post do João Cruz no blog que citou. As coisas são como aí descritas. E não há volta a dar a tanta clareza.

Rui Fonseca disse...

Caro António,

Concordo. Não é a primeira vez que te referes ao assunto. Mas querem lá eles saber...

Pelos vistos, no entanto, a moda não passa apenas por cá. Em Espanha, por exemplo, descobriram os investigadores que um golo do Iniesta provovou milhares de nascimentos...

Vd aqui

http://aliastu.blogspot.pt/2014/01/um-contributo-para-o-aumento-da.html

Suzana Toscano disse...

Muito interessante o link que o Tonibler aqui nos sugeriu, que inclui um debate muito vivo entre vários pontos de vista. No entanto, esperemos que não se siga neste tema o ritual que costuma acompanhar decisões mal explicadas ou com consequências muito gravosas, o ritual de desclassificar os grupos atingidos, pôr dúvidas sobre o mérito, a utilidade e os resultados de trabalho e do valor dos que o desempenham. Mais do que as medidas, é esse prestimoso coro de " casos" sobre exemplos que logo se tomam por generalizações, que ignoram o que ainda antes tanto se elogiava e respeitava, é esse método que causa prejuízo e alarga os danos. Destruir é fácil, mas a prazo (às vezes curto) custa muito dinheiro, só que ninguém sabe contá-lo. E dá cabo da vida de muita gente e leva muitos outros a desistir. Depois contamos os que vão embora e lá encontram quem lhes dê valor, tempo e oportunidade para mostrar o que valem. Há aí muitos exemplos para nos envergonhar.

Tonibler disse...

Cara Suzana,

Há uma estranha tendência entre aqueles que auferem rendimentos do estado, não só os cientistas, que parece ser a tomada de uma posição dominante perante o patrão. Por alguma razão, um concurso público de recrutamento pode-se chamar o "Quem quer ser Rei?". Chamar estúpido ao patrão não me parece a melhor maneira de lidar com a situação e não é por se trabalhar para o estado que o patrão deixa de ser mais respeitável, pelo contrário. A maneira como o patrão gere a sua causa é recorrendo aos políticos, a quem esta gente chama de estúpidos. E a melhor maneira de acabar com o problema parece-me mesmo ser continuar assim...