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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Hoje...e há 600 anos!...

O governo do Estado deve basear-se nas quatro virtudes cardeais e, sob esse ponto de vista, a situação de Portugal não é satisfatória. A força reside em parte na população; é pois preciso evitar o despovoamento, diminuindo os tributos que pesam sobre o povo. Impõem-se medidas que travem a diminuição do número de cavalos e de armas. É preciso assegurar um salário fixo e decente aos coudéis, a fim de se evitarem os abusos que eles cometem para assegurar a sua subsistência. É necessário igualmente diminuir o número de dias de trabalho gratuito que o povo tem de assegurar, e agir de tal forma que o reino se abasteça suficientemente de víveres e de armas; uma viagem de inspeção, atenta a estes aspetos, deveria na realidade fazer-se de dois em dois anos. A justiça só parece reinar em Portugal no coração do Rei [D. João I] e de D. Duarte; e dá ideia que de lá não sai, porque se assim não fosse aqueles que têm por encargo administrá-la comportar-se-iam mais honestamente. A justiça deve dar a cada qual aquilo que lhe é devido, e dar-lho sem delonga. É principalmente deste último ponto de vista que as coisas deixam a desejar: o grande mal está na lentidão da justiça. Enfim, um dos erros que lesam a prudência é o número exagerado das pessoas que fazem parte da casa do Rei e da dos príncipes. De onde decorrem as despesas exageradas que recaem sobre o povo, sob a forma de impostos e de requisições de animais. Acresce que toda a gente ambiciona viver na Corte,sem outra forma de ofício.
Carta enviada de Bruges, pelo Infante D. Pedro a D. Duarte, em 1426, resumo feito por Robert Ricard e constante do seu estudo «L'Infant D.Pedro de Portugal et "O Livro da Virtuosa Bemfeitoria"», in Bulletin des Études Portugaises, do Institut Français au Portugal, Nova série, tomo XVII.

6 comentários:

Luis Moreira disse...

O diagnóstico está há muito tempo feito.

Diogo disse...

Com tais ideias, o infante D. Pedro de 1426 seria hoje considerado um extremista radical de esquerda (e, possivelmente, um terrorista, um bombista e um muçulmano enlouquecido).

Floribundus disse...

a DIFICULDADE está no estabelecimento da terapêutica

não serve o socialismo de 3 bancarrotas

as quais têm o apoio do MONSTRO e seus dependentes
ou seja 1/2 dos votantes

estamos fud....

Bartolomeu disse...

Os problemas que causavam as exageradas despesas em 1426, mantêm-se, exceto no que diz respeito à requisição de animais... hoje, não é preciso requisita-los para os serviços da "realeza", eles oferecem-se... aos magotes! Acho que os conhecem por "boy's".

José Rodrigues disse...

Triste fado o nosso. A experiência não passa de uma lanterna às costas.
José Rodrigues

Suzana Toscano disse...

Começava então a ínclita geração . Aguardemos, pois.